Ribelle Amato
42 Capítulo 39 – Amada
Notas iniciais
Capítulo 39 – Amada
– VOCÊ SABE QUE NÃO HAVIA NECESSIDADE de tudo aquilo. — disse Doc, enquanto espirrava algum líquido de Alma sobre o corte que eu tinha na testa.
Eu gemi um pouco com a ardência que deu no local.
– Não importa. — respondi amargamente. — Pelo menos ela teve o que merece.
Ouvi um suspiro audível, e eu soube que não estávamos sozinhos na enfermaria. Mas eu nem ao menos olhei para trás, esperei Cris aparecer na minha frente com uma expressão tristonha.
– Não precisava ter feito aquilo, Rocker. — ela disse, com a voz levemente embargada.
Uma leve faísca de raiva se acendeu em meu peito, ao pensar que Cristal poderia estar defendendo Marelyn, mas resolvi dar-lhe o benefício da dúvida.
– Espero que não esteja defendendo ela. — soltei, sem nem ao menos conseguir controlar.
Cristal balançou a cabeça, negando. — Não, mas olha o estado que você ficou.
Sorri, sem acreditar. Ela estava realmente preocupada com meus ferimentos, quando tínhamos alguns medicamentos que poderiam ajudar?
– Eu estou bem, Cris, minha preocupação era de deixar claro para aquela mulher nunca mais chegar perto de você.
Eu esperava sermões e mais suspiros decepcionados, e me surpreendi quando recebi um sorriso como resposta. Talvez fosse isso que Cristal precisava. Talvez ela só precisasse de uma comprovação de que tudo daria certo. Assim como eu precisava de uma em relação aos meus pais.
– Obrigada, Rocker. — Cris disse, com os olhos lacrimejando. — Você é uma ótima amiga.
Sorri para acalmá-la, mas, como eu sempre era estraga prazeres — e ela sabia disso — eu precisava tirar certo sarro da situação.
– Só não começa a chorar, ainda não estou acostumada a secar as lágrimas das pessoas. — disse debochadamente.
Cris revirou os olhos, mas sorriu. Gemi quando Doc passou outro produto de Alma na minha cara, e eu quase arranquei os testículos dele por fazer minha pele arder desse jeito.
– Okay, okay, já deu, Doc. — insisti, afastando a mão de Doc da minha cara.
– Já deu nada, Rocker, você tem que tratar isso. — ele também insistiu, mas eu comecei a me debater pra longe daquele líquido profano que as Almas chamavam de remédio e ardia pra porra. — Vou precisar mandar o Kyle te segurar, garota?
Arregalei os olhos e parei de me debater.
– Por quê será que essa ameaça sempre funciona, hein?– ouvi a voz de Jamie atrás de mim e girei meu pescoço num ato reflexo, a tempo de vê-lo se aproximar da mesa de Doc. Quando Doc terminara os curativos de Marelyn e me confiscara para o hospital, eu me recusara a ficar numa maca. Jamie me abraçou por trás e me deu um beijo no pescoço que me fizera arrepiar. — O que acha de deixar Doc te curar? Qualquer coisa eu seguro ela, doutor. — ele disse a Doc logo depois.
Doc riu, balançando a cabeça em negação, e continuou seu trabalho à base de reclamações minhas, risos de Cristal e revirar de olhos de Jamie. É, eu conseguia ser chata quando queria.
– Pronto? — perguntei ao ver Doc se afastando com um sorriso confiante. — Minha cara perfeita está de volta?
Jamie revirou os olhos. — Convencida, não acha?
Mandei-lhe um beijo de brincadeira no ar.
– Eu nasci assim e vou morrer assim, amorzinho, acostume-se. — debochei, pulando da mesa onde estive sentada e quase me desequilibrei. Ser baixinha tinha vantagens, mas não sei se se comparam às desvantagens.
– Que namorada você foi arranjar, hein, Jamie! — brincou Cristal.
– Pra você ver! — riu Jamie.
Olhei assustada para a Alma. — Preparem o abrigo, Cristal brincou, gente, o mundo está pra acabar! — dramatizei e por um segundo pensei que ela poderia ter levado a sério demais, contando todo aquele lance das Almas e invasão, mas me senti aliviada quando ela apenas riu.
– Exagerada. Só estou me enturmando. — ela disse timidamente, dando de ombros.
Sorri-lhe de modo acolhedor e envolvi meu braço no seu. — E está dando certo.
– Posso roubar minha namorada um pouco, Cris? — perguntou Jamie educadamente. — Preciso conversar com ela.
– Claro, eu vou... Procurar pelo Larkin. — Cristal disse, corando levemente e saindo pelo corredor.
Encarei o local por onde ela desapareceu durante algum tempo, ainda um pouco confusa e atordoada.
– É impressão minha ou ela realmente disse que ia procurar o Larkin? — perguntei a Jamie, que me pareceu tão atordoado quanto eu.
– Acho que sim. — ele respondeu, e logo se recuperou. — Ao menos se os dois ficarem juntos eu não vou ter que me preocupar tanto.
Revirei os olhos, mas reprimi um sorriso que ameaçava surgir nos lábios. — Sem comentários, pequeno Stryder, sem comentários.
Não virei para ver sua reação, apenas saí andando pelo túnel, e eu sabia que ele me seguia.
– Sério que vai me chamar de pequeno Stryder? — ele me segurou pela cintura e sussurrou sensualmente em meu ouvido, enquanto ainda me guiava inconscientemente pelos corredores até nosso quarto. — Olha que eu te mostro que de pequeno eu não tenho nada.
Arregalei os olhos e meu coração foi a mil, mas eu não deixaria que ele percebesse o efeito que tinha sobre mim. — Você está bem tarado desde que te consegui de volta.
Jamie riu sobre a pele do meu pescoço, e me arrepiei por inteira.
– É difícil de evitar com você do meu lado, Rach.
Ao chegarmos em nosso quarto, virei-me de frente para ele e envolvi sua cintura com meus braços, enquanto ele depositava suas mãos em meu rosto e o acariciava. Dei-lhe um selinho rápido.
– Eu quero isso tanto quanto você. — eu disse, sentindo meu fôlego fraquejando e encostei minha testa na dele. — Só corremos o risco de Matt ou Allie aparecer.
Jamie se afastou de mim, coçando a nuca, o que me fez perceber imediatamente que algo estava errado.
– Sobre isso... — ele começou.
– O que houve, Jamie? — perguntei diretamente.
Jamie suspirou, e se sentou em seu colchão, puxando-me para me sentar ao seu lado.
– Matt saiu em incursão e Allie disse que vai dormir com Lily até ele voltar porque não quer segurar vela sozinha. — ele disse, mas eu raciocinei mais a primeira parte da informação.
– Espera, como assim ele já saiu em incursão?! Tão rápido assim?! — perguntei, aflita, até que consegui captar outra coisa no olhar azul de Jamie. Respirei fundo antes falar. — Jamie, em que tipo de incursão ele foi?
– Atrás dos seus pais. — ele respondeu, sem nem ponderar a ideia de uma desculpa. Eu descobriria mais cedos ou mais tarde.
– E quem foi com ele? — perguntei.
– Jared, Kyle, Ian e Larkin. Eles foram junto porquê se sua mãe é Buscadora, seu pai possivelmente seria, então precisariam de reforços.
Respirei fundo e permaneci calada.
– Só isso? — Jamie perguntou, arregalando os olhos para mim, surpreso. — Sem surto, sem grito, sem nada?
Dei de ombros, escondendo um sorriso malicioso que se formava em meus lábios. — Não adianta surtar, ele não vai voltar só por isso. Além disso, podemos aproveitar as vantagens.
Jamie me olhou confuso.
– Que vantagens? — perguntou.
Liberei meu sorriso malicioso. — Essas, por exemplo.
Puxei-o pelo colarinho e o beijei ferozmente, realizando nossa vontade interrompida de mais cedo. Sua boca tomou a minha em um beijo feroz, selvagem, intenso e apaixonado. Quando a falta de ar se fez presente, separei nossas bocas, procurando absorver o máximo de oxigênio possível, mas quando tentei beijá-lo novamente, ele segurou meu rosto para me impedir.
– Tem certeza disso, Rachel? — ele perguntou, mordendo a boca vermelha e inchada. — Não quero te forçar a nada.
Sorri, um pouco abobalhada. — Jamie, quanto mais será que eu devo dizer que te amo? Pertenço a você, quero viver com você, encontrei um lar com você. Acredite, a última coisa que está é me forçando. Nunca tive tanta certeza nessa vida.
Jamie abriu seu sorriso torto que sempre aquecia meu coração e voltou a me beijar. Sua boca consumia a minha e suas mãos firmes me apertavam freneticamente. Fiquei sem ar. Ele percorria as curvas do meu corpo, fazendo minha cabeça girar, libertando o desejo insano que estaca adormecido dentro de mim. Até aquele instante, eu só tive uma amostra, apenas um vislumbre do quanto eu o desejava. Uma verdadeira explosão ocorreu dentro de mim, consumindo e transformando tudo o que encontrou pela frente. Mudando o meu eu, a minha essência.
Fui incapaz de controlar minhas mãos e ao invés de brincar com barra da camisa de Jamie, como eu pretendia, simplesmente arranquei-a de seu corpo, desejosa por vê-lo sem ela o quanto antes. Assim que me livrei do tecido, deslizei as mãos por seu peito, sentindo o calor de sua pele — tão quente como se estivesse em chamas — afugentar todos os meus temores. Naquele instante, éramos apenas eu, Rachel, e ele, Jamie. Nada mais.
Eu arfava sobre seus lábios, mas não permiti que os afastasse de mim. Ele também respirava com dificuldade, mas não pareceu se importar com isso. Ao contrário, me beijava com tanta fúria que cheguei a temer que ele fosse mais intenso do que pretendia. Mas não foi. Apesar de seus beijos selvagens e necessitados, suas mãos percorriam meu corpo com carinho, explorando-o como nunca antes. E ele finalmente resolver dar mais um passo. Passou as mãos por baixo da minha camiseta, arranhando minha pele com sua pele calejada, mas eu nem me importei. Quando seus dedos começaram a brincar com o fecho do meu sutiã, me afastei dele para arrancar minha blusa. Logo abri o fecho de sua bermuda e ele me ajudou a se livrar da peça. Notei ali certo volume sobre sua boxer e arfei.
– Uau, hein, Jamie. — brinquei ao ver o sorriso malicioso se formando em seus lábios.
– O que posso fazer se sou bem dotado?
Balancei a cabeça em negação, mas sorrindo. Puxei-o contra mim, atacando seus lábios em outro beijo, e senti ele abrindo o fecho da minha calça. Assim que me vi apenas de roupas íntimas, Jamie ergueu a cabeça para me olhar sobre a fraca luz que vinha das aberturas do teto. Não encontrei vestígio algum de vergonha ou constrangimento dentro de mim. Em vez disso, quando seus olhos esfomeados percorreram cada linha do meu corpo e o sorriso malicioso que eu passei a adorar surgiu em seus lábios, uma onda de prazer me sufocou. Puxei-o para mais perto de mim e seus lábios exploraram meu corpo — cada milímetro dele.
Assim que todas as nossas roupas estavam no chão, observei minuciosamente seu corpo, iluminado apenas pela luz fraca do luar que passava pelos buracos do teto. Os músculos bem definidos sobre a pele clara, o cabelo negro e macio emoldurando o rosto perfeito, os olhos azuis escurecidos e famintos de desejo brilhando como duas estrelas. Pude admirar cada detalhe, cada aspecto dele. Jamie voltou a me beijar, suas mãos me acariciando de forma intensa, tão urgente que não pude mais suportar. Movimentei meu corpo sob o dele, procurando... Ele notou minha investida e se moveu, permitindo que eu o alcançasse.
E quando finalmente nossos corpos se uniram num encaixe perfeito, pensei que fosse literalmente chorar. Ter Jamie dentro de mim era a experiência mais prazerosa, mais intensa e indescritível que eu havia tido até então. Cada parte de mim — até mesmo as mais ínfimas — se transformava enquanto ele me beijava, me tocava, me possuía. E não apenas possuía meu corpo, mas também minha alma, com o mesmo ímpeto e desespero. Senti sua alma se fundindo com a minha, numa união sem retorno.
– Rachel... — ele murmurava vez ou outra na pele de meu pescoço.
A onda de prazer se aproximou rápida e intensa, como seus movimentos em mim. Agarrei-me aos seus ombros, a única coisa estável no turbilhão de sensações. Jamie notou quando acelerei o ritmo e correspondeu na mesma intensidade. Fiquei à deriva por alguns segundos, logo em seguida fui tomada pela violenta explosão de cores reluzentes. Segundos depois, ouvi Jamie gemer e depois desabar sobre mim. Ficamos ali por um tempo, arfando e flutuando na imensidão de sensações e sentimentos, tentando normalizar nossa respiração, tentando nos conectar ao planeta outra vez.
Jamais havia sentido algo tão forte, tão grandioso quanto naquele instante. Nunca havia me conectado a alguém de forma tão intensa — de corpo e alma — como naquele momento. Nunca havia sentido tanto prazer, tanta paixão, tanta sincronia. Era como se existíssemos apenas para completar um ao outro. Seu rosto ainda enterrado em meu pescoço e a respiração quente em meus cabelos foram as únicas coisas que me fizeram acreditar que tudo fora real. Que aquele momento mágico realmente existira.
Jamie saiu de dentro de mim e me puxou contra seu peito, provavelmente tão exausto quanto eu, e nos cobriu com o único lençol que havia ali no colchão.
– Foi como esperava? — ele perguntou, ainda ofegante, e senti uma pontada de receio em sua voz.
Puxei seu rosto contra o meu e dei-lhe um selinho demorado antes de responder.
– Você sempre superou minhas expectativas. E dessa vez não foi diferente.
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