Ribelle Amato
43 Capítulo 40 – Reconhecida
Notas iniciais
Capítulo 40 – Reconhecida
Semanas depois...
O CLIMA NAS CAVERNAS NÃO ERA MAIS o mesmo para algumas pessoas. Lily andava agora cabisbaixa e com os ombros caídos; Peg havia emagrecido uns bons cinco quilos; Melanie estava cada vez mais pálida e Cristal e Sunny já não sorriam tanto quanto antes. Fazendo quase dois meses desde que os caras saíram em incursão, minhas amigas mostravam as consequências de se ficar tanto tempo longe deles. Desde que Matt voltara e ele passava quase tanto tempo com Lily quanto comigo, eu já desconfiava que eles tinham alguma coisa. Agora estava comprovado no olhar distante de Lily enquanto trabalhava no modo automático. Allie ao menos está me fazendo companhia.
Fiquei verdadeiramente impressionada com Cristal quando ela me confidenciara que se apaixonara por Larkin enquanto ele a ajudara a se readaptar ao ser reinserida no corpo de Lindsey. Não que eu esteja reclamando disso, só fiquei surpresa ao receber essa resposta quando lhe perguntei se estava tudo bem quando a vi cabisbaixa na cozinha. Aliás, Jamie tinha razão: se o sentimento for recíproco, ele poderá relaxar no ciúme.
Apesar da minha intimidade recém adquirida com Jamie desde a noite do dia da luta, ele está me respeitando por eu estar tão abalada quanto as garotas. Eu sei que ele quer novamente, e eu também, mas no momento temos outras preocupações. Jamie está fazendo o seu melhor para não me deixar morrer de desgosto. Eu nem me despedira de Matt e, ao longo das semanas, o pensamento de que poderia perdê-lo novamente me assustava de tal maneira que meus pesadelos eram povoados de uma imaginação fértil. E só de pensar que Jared, Ian, Kyle e Larkin também podiam estar em perigo por causa dos meus pais, uma onda avassaladora de culpa me tomava por completo. Mesmo que Jebediah, Doc e Jamie digam que é desnecessário.
Olhando agora ao redor, pode-se perceber a falta que eles fazem. A mesa mais animada da cozinha se tornou a mais depressiva. Parei de remexer minha comida e baixei o garfo.
– Eu... Eu estou sem fome. — eu disse, evitando os olhares que se voltaram para mim.
Levantei-me, ignorando os chamados de Jamie, e saí da cozinha, planejando ir para o quarto para dormir e esquecer. Planos não concretizados, porque Jamie logo me alcançou.
– Rach, não adianta continuar assim. — ele disse em meio a um suspiro e me puxou para perto.
– Eu sei disso, mas eu sinto como se a culpa fosse minha. — desabafei, enterrando meu rosto em seu peito e abraçando sua cintura.
– Você sabe que não é. — ele insistiu novamente, acariciando meu ombro e dando um beijo no alto da minha cabeça. — Mas mesmo que fosse, tudo o que podemos fazer é esperar.
Suspirei derrotadamente e me afastei um pouco dele.
– Eu vou pro quarto descansar — eu disse -, mas não precisa vir comigo.
Jamie revirou os olhos e me deu a mão, entrelaçando nossos dedos. — Acha mesmo que vou deixar você sozinha?
Sorri para ele, sentindo meu coração se aquecendo, e fomos em direção ao nosso quarto. Mas não chegamos nem à metade do caminho, pois assim que nos vimos na praça principal, eu estanquei. Vindo do túnel que levava ao depósito e à saída, apareceu Matt. Fiquei uns bons dez segundos encarando o que pensei ser o fantasma do meu irmão, até que senti um aperto seguro em minha mão e me virei, vendo Jamie sorrindo incentivador para mim.
– Vá. Eu busco as meninas. — ele disse, e eu não esperei um segundo a mais dessa deixa.
Assim que Jamie soltou minha mão, corri em direção a Matt e pulei em seu pescoço, abraçando-o o mais forte que podia.
– Não me enforque, pirralha, ainda pretendo respirar durante muito tempo. — Matt disse em meu ouvido e eu me afastei dele.
Dei um soco na boca de seu estômago, e o vi curvando sobre si mesmo. — Nunca mais faça isso comigo!
– Agressiva até a morte. — ele resmungou, respirando fundo.
– Rocker! — ouvi alguém me chamando.
Afastei-me de Mattew e corri para abraçar Jared e Larkin.
– Vocês fizeram falta, seus panacas! — sussurrei para eles.
Ouvi um arquejo alto atrás de mim e me afastei dos dois. Vi um furacão Lily correndo pela praça e pulando no colo de Matt. Todos arregalaram os olhos quando eles se beijaram, mas eu apenas sorri ante a minha confirmação das minhas suspeitas. Olhei em volta, vendo as garotas mais civilizadas se aproximando. Cristal, porém, permaneceu onde estava. Olhou durante alguns segundos para Larkin e sorriu tímida e tristemente para mim antes de sumir por um dos corredores. Voltei meu olhar para Larkin, que encarava o corredor por onde Cristal desapareceu com um olhar sonhador, e bufei indignada.
– Larkin! — disse num tom reprovador e ele balançou a cabeça como se saísse de um transe. — Vai atrás dela!
Não foi preciso explicação melhor — ele sorriu abertamente e sumiu no corredor logo depois. Jamie, que olhava-nos um pouco ao longe, sorriu, claramente aliviado com a nova paixão de Larkin. Ri de sua expressão, balançando a cabeça em negação, e me virei para cumprimentar Ian e Kyle, mas eu não esperava ver o que eu vi. Logo entre os irmãos O'Shea, sem qualquer venda ou amarra, estava meu pai — ou a Alma dentro dele -, com o corpo inconsciente da minha mãe nos braços. Dei um passo atrás, em choque, e logo senti o aperto reconfortante de Jamie em meu ombro.
– Rachel. — ouvir a voz do meu pai, sabendo que não é quem está falando, foi como um tiro no coração.
Virei-me para Jamie e enterrei meu rosto em seu peito, como se isso pudesse aplacar a dor. Ele apertou meus ombros num abraço e eu respirei fundo para recuperar o controle.
– Ruiva. — disse Matt ao meu lado, de mãos dadas a Lily. Ele não pareceu tão desconfortável com a situação quanto eu. — Esse é Dylan, ele assumiu o nome do nosso pai.
Olhei para todos à nossa volta, que pareciam me encarar esperando alguma reação minha.
– Confiam nele? — perguntei aos homens tinham ido à incursão.
Para minha surpresa, foi Kyle quem respondeu.
– Encontramos eles nos arredores de Tucson logo na primeira semana. Ele tinha dito que já planejava procurar por você e Matt, mas ainda não podia abandonar o hospital. Sua mãe fugiu e ele nos ajudou a encontrá-la e trazê-la para cá. Ele foi convincente o suficiente para mim.
Não evitei uma risada leve. Claro que confiariam. Se Kyle não tenta matá-lo nos primeiros trinta segundos, merece meu respeito.
– Vou levá-la para o Doc. — disse Ian, tirando minha mãe dos braços da Alma e sumindo por um corredor lateral.
Existiam possibilidades de meu pai não acordar. E se isso acontecesse, possivelmente teria de conviver com Dylan. Dei um passo à frente, sem me soltar completamente de Jamie, e estendi a mão.
– Prazer, meu nome é Rachel, mas pode me chamar de Rocker. — eu disse, tentando ser o mais simpática possível.
E Dylan abriu-me um sorriso paternal.
~*~
Minha mãe não demorou muito para acordar.
Uns três dias no máximo. Nunca tinha chorado tanto. Só, talvez, no dia em que a Buscadora que estava dentro dela pegou Jamie. Minha mãe chorou junto comigo e pediu milhões de desculpas a mim e a Jamie por aquele dia. Ela disse que estava com pouca consciência, quase sendo reprimida, mas assim que vira a dor em meus olhos ao perder Jamie, conseguiu um segundo de controle do corpo para não ir atrás de nós e força suficiente para não sumir até tirarmos a Buscadora.
Foi difícil para convencer Jamie a conhecer minha mãe, mas eles se deram super bem; minha mãe disse que Jamie é super fofo e quase bateu em Matt por ter ameaçado ele. Os caras não param de caçoar com Jamie por ser paparicado pela sogra.
Três semanas e meu pai não acordou. Não tive problema em decidir se deveríamos colocar a Alma Dylan, mas fiquei preocupada com minha mãe. Ela, por sorte, gostava dele pois impedia que a Buscadora fizesse coisas horríveis com os rebeldes que encontravam.
Então, por fim, temos mais um integrante Alma para a nossa gigantesca família.
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