Ribelle Amato
39 Capítulo 36 – Revivida
Notas iniciais
Capítulo 36 – Revivida
– PREPARE QUE ELAS DEVEM ESTAR SURTANDO a essa hora. — eu disse a Jamie enquanto descíamos da minha moto.
Ele me entregou o capacete e eu coloquei o pano poeirento novamente sobre ela. Sério, cara, dava até dor no coração de vê-la tão parada, mas depois dos problemas ocasionados na última incursão, eu duvidava muito que sairia novamente das cavernas nos próximos dez meses. Eu sei que não deixaria Jamie sair de novo, mas tinha plena consciência de que, se ele não fosse, eu não iria.
E foi concentrada nesses pensamentos que, segundos depois, me vi com as costas batendo contra a parede de terra da caverna de veículos. Olhei em volta, meio atordoada, até que percebi que fora Jamie que me empurrara até a parede e que agora estava parado bem à minha frente.
– Jamie, o que...? — eu pretendia perguntar o que ele pensava que estava fazendo, quando todos os outros três já tinham sumido no túnel recém aberto que daria diretamente ao lado do túnel de entrada das cavernas.
Mas era mais do que óbvio que ele me interromperia.
– Nunca. — ele disse, olhando profundamente dentro de meus olhos, enquanto suas mãos apertavam fortemente minha cintura contra seu corpo. E havia uma grande mistura de sentimentos e emoções explícitas no azul celeste de suas íris. — Nunca mais iremos em incursão que seja.
Eu abri o maior sorriso que já me vi abrindo. E olha que eu nunca fui muito de sorrir por qualquer coisa, mas ver que ele tinha praticamente lido meus pensamentos, me deixava em uma total nostalgia de felicidade.
– Nunca, nunca mais. — eu concordei, passando os braços ao redor de seus ombros, abraçando-o fortemente contra mim o máximo que eu conseguia.
O que não era muito — eu posso ser boa em pancadaria, mas nunca seria forte o suficiente comparada a Jamie — e também não era o suficiente — que foi revelado quando ele me puxou para mais perto, como se isso fosse possível.
– Você não tem noção — ele dizia ao pé do meu ouvido, e sua voz estava no nível certo de rouquidão para me causar um imenso arrepio — de como eu fiquei preocupado de descobrirem sobre você quando colocassem uma Alma em mim.
Eu sorri, mesmo sabendo que na verdade era uma situação meio trágica. Pois era a mesma coisa que eu pensava. Eu fiquei preocupada com ele! Esse era o certo, não era?! Fora por isso que eu me arriscara nisso, não era?! Errado! Havia um parte de mim que trabalhava apenas por egoísmo. Eu não suportaria a ideia de pensar que eu não aguentaria continuar sabendo o que lhe ocorrera. Mas eu não sou esse monstro completo. Minha outra parte estava trabalhando pelo fato de que também não seria justo ele ser pego justo quando saía numa incursão para resgatar minha prima.
– Você cumpriu. — eu disse abobalhadamente.
Ele saberia do que eu falava.
– O que eu cumpri? — comecei a pensar de que ele realmente não se lembrava quando me afastou para olhar em meus olhos.
– Jamie, você sabe! — ele sorriu, brincalhão.
Ele sabia.
– Não tenho muita certeza, já que precisei de resgate.
Eu revirei os olhos e dei uma batidinha de leve em seu peito. — Eu sei, mas mesmo assim conseguiu cumprir. E é isso que importa.
– Me diz, quantas vezes eu te deixei na mão?! — ele perguntou brincando e, para entrar na onda, eu fiz uma expressão pensativa enquanto fingia contar nos dedos. Até que Jamie apelou para as cócegas. Quando ele parou e eu finalmente recuperara o fôlego, me abraçou novamente pela cintura e me encarou nos olhos. — Eu te amo, Rachel.
Eu sorri, encostando minha testa levemente à sua. Os olhos de ambos já estavam fechados, enquanto nossas bocas ansiavam pelo momento oportuno. E, enquanto eu falava, meus lábios roçavam nos seus provocativamente.
– Eu te amo, Jamie.
E então Jamie sorriu sobre meus lábios e os atacou em um beijo feroz. Não, não foram daqueles beijos simples e carinhosos que ele me dava há alguns dias, depois que aceitei seu pedido fofo de namoro. Foi um beijo cheio de sentimento e o que com certeza prevalecia era a saudade. Eu mal conseguia sentir minhas pernas tentando me sustentar, enquanto meu coração batia com força total. E eu podia sentir seus batimentos em meu ouvido. Meus dedos se enrolavam em seus fios negros e macios, provocando-o.
Eu abri os olhos, para poder analisá-lo, e ele pareceu ter o mesmo pensamento. Precisamos nos afastar — milimetricamente — para podermos recuperar o fôlego. Sorri sobre seus lábios e senti quando ele me acompanhou. Jamie levantou uma mão da minha cintura e tocou meu rosto delicadamente. Eu quase podia me matar do quanto ele sabia ser fofo. E eu sentia que, a partir do momento em que o resgatamos, eu passei a viver de novo.
Eu acabei não resistindo e puxei o lábio inferior de Jamie entre meus dentes e isso pareceu provocá-lo de alguma forma. Ele rapidamente se inclinou sobre mim, juntando nossos lábios com força e eu fui obrigada a retribuir. Obrigada não, porque eu estava adorando isso. E então Jamie fez algo que eu realmente não esperava. Ele segurou minhas coxas e me alavancou para cima e eu não pude fazer nada a não ser entrelaçar minhas pernas em sua cintura. Pela primeira vez eu ficava mais alta que ele, mas isso não estava importando muito no momento. Porque eu sentia que o espaço inexiste entre nossos corpos já não me era suficiente.
Mas eu não podia.
Nem aqui e nem agora.
Mesmo eu sentindo que ele também queria.
– Jaime. — eu lutei para me afastar daqueles lábios que tanto me tentavam. — Jaime, não.
Tentei pular de seus seus braços também, mas ele apertou suas mãos em minha coxa.
– Se eu fosse você não se mexeria muito. — ele disse, em uma voz rouca de um jeito que eu jamais ouvi, enquanto enterrava seu rosto em meu pescoço e em meus cabeços ruivos que caíam desgrenhadamente pelos ombros.
– Por quê?! — eu perguntei, no auge da minha inocência. Mesmo que de inocente eu não tivesse nada.
– Digamos que a situação para homens são mais difíceis de controlar. — ele disse, sua voz melhorando aos poucos de sua rouquidão.
E então eu soube o que ele queria dizer, porque, como eu disse, sentia que ele também queria. Chegava a ser até engraçada como nos homens a reação realmente ficava mais aparente e constrangedora. Então eu entendi o porque sua voz estava tão rouca. Desejo e luxúria.
Eu queria rir — e muito. Mas isso apenas faria a situação dele piorar. Então eu apenas me segurei melhor em seus braços, tentando não me mover muito, e apoiei a testa no ombro de Jamie, enquanto ele ainda ofegava no meu. Quando senti o aperto de suas mãos em minhas coxas se afrouxando, percebi que ficara livre para pular de seu colo. E foi o que eu fiz, ainda tomando certo cuidado. Não queria correr o risco de ser assediada. Não que eu não quisesse ser assediada por Jamie.
Eu ia dizer algo irônico como "vejo que melhorou", mas assim que levantei meu olhar — merda, voltei a ser baixinha -, vi seus olhos com um brilho carinhoso sobre meu rosto.
– Não farei nada que não quiser. — ele disse, subindo uma das mãos da minha cintura até meu rosto e dando um beijo em minha testa.
Eu sorri. — Eu quero. — disse, segurando sua mão que estava sobre meu rosto e entrelaçando nossos dedos. — Mas não hoje.
Ele sorriu de modo compreensível e eu o puxei pela mão que ainda segurava em direção ao túnel que os outros sumiram já faziam vários minutos.
– Além disso, Matt vai surtar quando ver que não estamos atrás deles.
Jamie gemeu no meio de uma careta. E não era para menos. Desde que começamos a namorar — e eu adorava dizer essa palavra a cada minuto do meu dia -, Matt pegava mais e mais no pé de Jamie. Apenas por brincadeira mesmo, mas quando nos pegava nos beijando um pouco mais indecentemente (palavras dele!), pegava mais pesado com Jamie.
Não demoramos muito e já podíamos ouvir vozes no túnel, o que era meio estranho, já que nem tínhamos chegado ainda à bifurcação. Quando uma única voz nos encontrou, assustei quando percebi que era Larkin nos gritando.
– Finalmente! — ele disse, assim que eu tive certeza de que nos viramos na bifurcação.
– O que foi, Larkin? — perguntei quando ele parou à nossa frente, ofegando.
– Onde vocês estavam?! — ele me ignorou completamente. — Resolvi vir antes que Matt surtasse quando os visse. Onde estavam?! AH! — ele respondeu por mim quando viu minhas bochechas corarem fortemente e Jamie começar a coçar a nuca envergonhadamente.
– B-bem... — eu gaguejei, sem saber realmente o que dizer.
– Estavam se pegando, eu desconfiava. — Larkin disse na maior naturalidade, fazendo-me enrubescer ainda mais e achar que Jamie também se sentiria desconfortável. Mas o filho da mãe apenas riu. E se eu não estivesse vontade demais em tê-lo de volta, poderia dizer que ele levaria um soco na boca do estômago. — Enfim, acho melhor se apressarem, tem uma surpresa esperando por vocês.
Troquei um olhar rápido com Jamie, pensando no que seria essa surpresa. E quando cheguei na Praça Principal, poucos minutos depois de correr pelos túneis, com os dois atrás de mim, descobri o que era.
Allison.
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