Ribelle Amato
40 Capítulo 37 – Agradecida
Notas iniciais
Capítulo 37 – Agradecida
– RACHEL! — ALLISON GRITOU NA SUA VOZINHA de menina de treze anos enquanto corria dos braços de Matt até os meus.
E eu peguei aquele mini projeto de mim mesma em um abraço apertado. Eu sentia muita falta dela. Allie sempre fora a única amiga que eu tinha e saber que ela estava de volta me deixava extremamente melhor. E, até onde eu sabia sobre seus pais super conservadores, eu também era a única garota com quem Allie poderia conversar. Ao menos naquela época, porque fugir de casa com cerca de sete ou nove — no meu caso — anos não era o que se chamava de vida social muito bem aproveitada. Então acho que já dava para explicar porque a grande animação quando eu apertei aquele corpo menor que eu.
– Allie, eu senti tanto a sua falta! — eu choraminguei em seu ouvido, mas segurei as lágrimas. A última coisa que eu precisava agora era de mais lágrimas, mesmo sendo aquelas de alegria.
– Eu também! — ela disse, antes de me dar um último aperto e me soltar completamente. Encarou Jamie de cima à baixo. — Poxa, Rachel — outra que me chamava pelo nome -, seu namorado é lindo! Soube escolher bem!
Eu enrubesci violentamente, enquanto os que agora percebia que estavam ali — Matt, Larkin, Jared, Jeb e Lily — riam.
– Ahn... Obrigado. — disse Jamie, meio sem graça.
– Rocker! — Lily correu nós e me abraçou apertado. — Nunca mais nos dê um susto desses! Você sabe que algo assim precisa ser muito bem planejado! — ela dizia como se pretendesse dar um sermão, mas via-se claramente que ela estava feliz demais por nossa volta para se importar muito com isso.
Assim que eu me soltei de Lily, olhei em volta, procurando por dois rostos que ficou claro não estarem ali.
– Jamie. — eu o chamei. — Melhor você ir procurá-las.
Não foi preciso dizer muita coisa a mais. A compreensão foi quase instantânia em seus olhos azuis. Ele me deu um selinho rápido antes de desaparecer nos túneis que levavam aos dormitórios. Eu ainda fiquei um tempo olhando por onde ele sumira, divagando sobre o que teria acontecido caso não tivéssemos chegado a tempo de impedir a inserção e, sinceramente, tenho certeza de que eu não aguentaria. E agora que penso bem sobre toda a situação em que me encontro, nunca pensaria ao menos que teria um lar como o que encontrei nas cavernas.
Há três meses eu não imaginaria-me em uma situação como essa, criando laços com as pessoas. Laços fortes. Sempre fui eu e Matt por quase metade da minha vida e então, depois de eu perder meu irmão para a nova comunidade de Almas, eu simplesmente esbarro com uma nova chance de reformular toda a minha realidade. Três meses antes eu jamais me imaginaria numa caverna com meu irmão, minha prima, grandes amigos e um namorado. Na verdade, o que eu realmente jamais me imaginaria vivendo era um romance. Sempre acreditei que eu era feia demais e que nenhum garoto se interessaria por mim pelo modo que sou, como minha personalidade sempre foi meio indefinida. E agora aqui estou eu, vivendo isso, com um garoto incrível. Um garoto que eu realmente amo.
– Rocker! Rocker! — a voz de Allison me tirou dos meus devaneios e me fez perceber quanto tempo fiquei apenas pensando. Quando minha visão entrou em foco, ela estava parada à minha frente, os dez centímetros mais baixa que eu fazendo certa diferença enquanto ela balançava as mãos em frente ao meu rosto.
– O que foi?! — perguntei meio desnorteada, segurando seus pulsos para não baterem em meu rosto.
Ela abriu um sorriso que eu julguei malicioso demais para sua idade.
– Você não parou de olhar para onde ele saiu. — ela disse. — E com esse sorrisinho bobo na cara, ainda por cima.
Eu corei bastante.
– Não olhei não! — insisti.
– Olhou sim! — ela bateu o pé.
– Não olhei não!
– Olhou sim!
– Não olhei não!
– Não olhou não!
– Olhei sim! — e depois percebi o que ela fazia. — Oh, droga!
– Ahá! — ela exclamou, apontando o dedo para mim como se tivesse me pego no flagra. O que realmente acontecera.
– Odeio cair nas suas brincadeiras! — resmunguei, cruzando os braços.
Allie deu de ombros convencidamente. — Nunca mandei você se apaixonar por um menino tão lindo.
Revirei os olhos. — Nem ouse, Allie, ele já é meu!
– Nunca imaginei que você algum dia ia sequer se apaixonar. — ela riu descontraidamente.
– Acredite, nem eu. — respondi sinceramente. — Simplesmente aconteceu.
– Espero realmente que ele a faça feliz.
Eu sorri bobamente de novo, mesmo forçando para que o sorriso não saísse, mas foi meio impossível. E então eu olhei em volta, percebendo que nos sobraram apenas nós duas na praça principal.
– Onde estão os outros? — perguntei.
– Jeb, aquele cara alto e musculoso e aquele menino loiro bonitinho foram por ali. — ela apontou para o túnel que ia para os campos. — Lily e Matt foram por outro. Eles parecem se dar muito bem.
– Quem, Matt e Lily?! — perguntei, meio atônita.
– Aham! Seria muito fofo vê-los juntos!
Eu nunca havia pensado muito especificamente no assunto, mas parando um segundo para ponderar, eu podia admitir que realmente seria um bom casal. Matt nunca teve uma namorada e Lily nunca se recuperara bem do que eu soube ter acontecido com Wes. Ambos mereciam algo assim. Não que me fosse muito agradável ver minha amiga com meu irmão, mas eles mereciam ser felizes.
– E então, Allie, já passou pelo tour do velho Jeb?! — perguntei brincalhona, afastando pensamentos sobre Matt e Lily. Deixaria para caçoar com eles depois.
– Já sim, ele fez questão de me mostrar todas as cavernas assim que eu acordei! — ela disse empolgadamente. — Ele disse que sempre faz esse tour com todos os novatos, e que só teve uma única vez em que deixou uma outra pessoa terminar o tour por ele.
Eu não falei isso a ela, mas desconfiava que essa exceção fosse eu, quando Jebediah pedira para Jamie me levar até a sala de jogos, no dia em que eu chegara. Jamais me esqueceria desse dia.
– Então onde quer ir? — perguntei-lhe. — Quer ir arranjar um quarto para você?
Allison fez um gesto de desdém com a mão. — Não preciso. Matt disse que posso ficar no mesmo quarto que ele.
Precisei de muito autocontrole para não sair correndo pelo túnel onde Matt desapareceu para espancá-lo. Tipo, tudo bem, ela era minha priminha, mas eu também queria um tempo com Jamie, poxa! Além disso, Matt devia ter visto isso antes comigo e com Jamie se ao menos podia colocá-la conosco, mas agora já foi. Ao menos vou ter minha prima segura comigo.
– Tudo bem então. — eu disse por fim. — Agora podemos ir comer alguma coisa?! Eu estou esfomeada!
Allie riu. — Quando você não está?!
– Bobona! — mandei língua infantilmente, enquanto ela me puxava pelo túnel que levaria até a cozinha.
~*~
– ROCKER! — ouvi uma voz conhecida me chamando atrás de mim.
Já estávamos na cozinha, comendo, junto com Matt, Larkin e Jared. Eles também não deviam ter comido nada desde que fomos buscar por Jamie, e Allie insistia em permanecer do meu lado a cada segundo. Não que eu reclamasse, eu sentira falta da baixinha. Virei-me para trás e vi Peg atravessando a cozinha em minha direção, com Mel e Jamie abraçados logo atrás. Eu ia abrir a boca para dizer alguma coisa, mas não tive oportunidade alguma quando Peg se jogou nos meus braços e me abraçou forte.
– Obrigada, Rocker. — ela disse com a voz meio embargada. Não era preciso perguntar nada, eu sabia exatamente sobre o que ela falava. Então eu simplesmente a abracei de volta, sabendo que agora não correríamos mais o risco, pois não iríamos mais nos aventurar em nenhuma incursão.
Assim que me soltei do abraço de Peg, Melanie logo veio até mim e me abraçou, agradecendo-me do mesmo modo que Peg fizera. Quando me soltei dela também, vi Jamie me olhando carinhosamente e eu não resisti abrir um sorriso. Peg e Melanie logo se sentaram à mesa e Jamie se sentou do meu outro lado, dando um beijo em minha bochecha antes de pegar um pão e colocar na boca. Ele também devia estar morrendo de fome depois do que passamos.
– Ok, ok, minha maninha é uma heroína, mas agora temos um assunto sério para discutir. — disse Matt com uma expressão séria no rosto. E eu posso dizer que o assunto seria realmente sério, pois ele nunca ficava assim.
– E qual seria, senhor irmão da heroína?! — caçoou Larkin.
Mas eu sabia qual seria o assunto.
– Nossos pais. — respondi e todos me olharam confusos e curiosos. Jamie apertou minha mão sobre a mesa, sabendo que seria difícil discutir sobre isso, principalmente depois de ver minha mãe gritando por nós no estacionamento da Estação de Cura.
– O que tem seus pais? — perguntou Melanie.
– A Alma que está com nossa mãe reconheceu a gente no hospital. — disse Matt de modo sombrio. — Precisamos arranjar um plano para trazê-los de volta.
– Matt, você sabe que não é assim tão fácil quando são humanos reprimidos há anos, não é?! — Peg disse de modo gentil e inocente.
– Eu sei. — disse Matt. — Mas acho que não custa tentar.
– Mas, Matt... — Melanie ia insistir possivelmente no mesmo ponto de vista de Peg, mas eu realmente não estava nem um pouco interessada nesse assunto agora.
– Gente, eu acho que vou indo descansar. — eu disse, levantando rapidamente. — Não consegui dormir nada essa noite. — mas era claro que eu não diria que era por causa dos pesadelos, mesmo que Matt soubesse e Jamie tivesse uma leve ideia de que fosse.
– Mas tenho certeza que você irá querer esperar mais um pouco. — ouvi uma voz familiar atrás de mim e eu dei um pulo no lugar de susto, causando risos em todos ali. — Poxa, little Rocker, não sou tão feio assim.
Jeb apareceu do meu lado com seu famoso sorriso enigmático e eu revirei os olhos.
– Tem que aprender a não dar sustos nos outros, Jebediah! — eu resmunguei.
– É por uma boa causa. — e então ele se virou para os que estavam na mesa. — O que acham de uma partida de luta livre no salão de jogos?!
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