Ribelle Amato
36 Capítulo 33 – Sufocada
Notas iniciais
Capítulo 33 – Sufocada
ACHO QUE PEGUEI MATT DE SURPRESA quando me joguei em seus braços em um abraço apertado.
– Obrigada. — eu disse com a voz embargada, enquanto ele acariciava meus cachos ruivos já não tão grandes.
– Ei, mana. — ele me apertou mais em seus braços e eu sentia o conforto tão conhecido que ele sempre me passara. — Sabe que eu faria qualquer coisa por você.
Me afastei de seus braços e abri um sorriso sapeca. — Até pular de um penhasco?!
Ele gargalhou. — Menos, tampinha! — ele brincou, bagunçando meus cabelos.
Emburrei a cara, enquanto ajeitava meus cabelos.
– Melhor irmos antes que seja tarde demais. — eu disse mais seriamente, ajeitando a arma em meu cinto. Não levaria a mochila com as roupas pois eu não pretendia demorar mais que um ou dois dias por lá.
– Um segundo. — ele disse, voltando ao quarto. Segundos depois ele voltou com nossas mochilas. Então eu entendi o que ele queria dizer. Podia ser que passássemos mais do que dois dias lá fora. Não seria mesmo nada fácil trazer Jamie de volta. Mas eu faria o meu melhor. Nem que eu desse minha vida por ele. — Vamos trazer meu cunhadinho de volta!
Eu sorri para Matt, pegando minha mochila de sua mão. Começamos a andar pelos túneis dos dormitórios o mais silenciosamente possível. Não seria nada bom se alguém nos pegasse fugindo, mesmo que para salvar Jamie. Estávamos indo bem, quase saindo dos túneis dos dormitórios, quando ouvi uma voz choramingando.
– E agora, Peg?! C-como vamos fazer para trazê-lo de volta?!
Era a voz de Melanie. Provavelmente Peg ficara de dar a notícia a ela. Meu coração se apertou apenas na possibilidade de que elas estejam sofrendo tanto quanto eu. Mas não eram elas que tiveram que passar por essa culpa pela segunda vez. Tudo bem, admito que elas já passaram por muitas coisas desde sempre, mas uma coisa não era comparado com outra. A dor de perder alguém que ama, perder uma segunda pessoa que ama, é sufocante. Mas eu sabia que Mel e Peg estavam sofrendo. Podia não ser por perder Jared ou Ian, mas era por perder Jamie. O irmãozinho delas.
E eu precisava mostrar a elas que ele seria trago de volta. Então eu simplesmente soltei minha mochila nas mãos de Matt, que me olhou confuso, tentando decifrar minhas ações, e corri até o quarto com biombo verde. Eu o empurrei para o lado rapidamente e vi ali uma cena que fez meu coração se apertar mais um pouco. Melanie e Peregrina, com olhos vermelhos e inchados e as bochechas molhadas por lágrimas. Eu me joguei nos braços das duas e as abraçei forte. Elas me abraçaram, sabendo que aquilo também não estava sendo nada fácil para mim. Sabiam o quanto eu amava Jamie. Na verdade, elas souberam disso ainda antes de mim.
– Eu prometo, meninas. — eu disse, me separando dos braços delas, segurando as lágrimas que insistiam em voltar a cair.
– O que você pretende, Rocker?
Peg me olhou confusa, mas foi Melanie que se pronunciou, enquanto eu voltava a me levantar e me dirigia até a porta, onde Matt estava parado observando a cena. Ou melhor, observando o estado que Mel e Peg se encontravam. Quando Matt desviou seus olhos verdes para mim, percebi o que ele pensava. Ele nunca foi difícil de se ler, ao menos não para mim, e ver seus olhar confuso, questionador e acusador, percebi que descobrira exatamente como me senti quando ele fora pego. Eu me senti um lixo. Ao menos nas duas primeiras semanas, até arranjar forças para vir procurar por Jeb. Mas Matt não sabia que eu ainda adiara a vinda em quinze dias.
Virei-me para Mel. — Ele prometeu.
– Como assim? — Peg perguntou.
– Jamie prometeu nunca me abandonar e eu vou atrás dele para cobrar essa promessa. — eu disse simplesmente, deixando as duas no quarto, gritando por mim.
Mas eu não olhei para trás, enquanto seguia Matt pelos túneis até o depósito. Tentei não pensar muito no que Jamie podia estar passando agora, mas fiz o possível para pensar apenas no que fazer quando chegássemos em Tucson. Quando estávamos prestes a chegar na bifurcação, ouvimos uma voz atrás de nós.
– Aonde pensam que vão sem nós?
Virei-me rapidamente, dando de cara com Jared e Larkin nos observando sorridentes.
– Acho que sabem exatamente onde vamos. — eu respondi.
– Não sem nós. — respondeu Larkin. Eu o olhei confusa, afinal, ele não se dava nada bem com Jamie. — Jamie pode não ser meu melhor amigo, mas você é e eu não vou deixar você enfrentar isso sozinha.
– Ela não vai estar sozinha. — disse Matt, com a expressão fechada.
– E realmente não vai. — disse Jared, passando por nós com Larkin. — Vamos com vocês.
Matt me olhou surpreso e confuso. Eu apenas dei de ombros, antes de seguir com eles para o túnel que nos levaria direto para as caverna da garagem. Foi feito pouco antes de eu chegar ali e era apenas por ali que passávamos. Vários minutos depois e estávamos na garagem, de frente para vários veículos diversos que haviam ali, que eles conseguiram arranjar com muito custo.
– Precisamos ir logo. — disse Jared, indo em direção ao trailler.
Mas então eu lembrei de um detalhe bem importante.
O próprio trailler.
– Jared, não. — eu disse, fazendo ele parar no meio do ato de abrir a porta do trailler.
– Ahn? — ele perguntou, confuso.
– O trailler. — disse Matt, entendendo bem o que eu queria dizer. Afinal, ele estava lá comigo.
– O que tem o trailler? — perguntou Larkin, se aproximando de nós.
– Acontece que a Buscadora que pegou Jamie viu a gente no trailler. Vai reconhecer. Precisamos ir em algum veículo que não usamos geralmente.
– Qual você sugere? — perguntou Jared.
– Vocês três podem ir no seu jipe, Jared. Eu tenho meu próprio meio de transporte. — eu disse, apontando o jipe que estava logo ao lado do trailler. Eles logo subiram, com Jared atrás do volante, Matt no carona e Larkin na caçamba.
– E onde você vai? — perguntou Larkin.
Eu abri um sorriso sapeca. Me virei e fui até um canto, onde havia um pano cobrindo meu bebê. Rapidamente arranquei o pano cheio de poeira e minha moto Harley vermelha apareceu ali por baixo, com os dois capacetes sobre o acento. Peguei o que geralmente era de Matt e taquei para ele, que colocou sobre seus pés no jipe. Precisaríamos dele quando encontrássemos Jamie. Coloquei meu capacete preto e montei na moto, sentindo a maravilhosa e familiar sensação do motor sendo ligado, fazendo toda a motocicleta mexer embaixo de mim. Arranquei com a moto para a vastidão do deserto, com o jipe atrás de mim. E enquanto eu pensava em como poderíamos resgatar Jamie, uma letra de música, uma daquelas que eu já havia citado a ele, surgiu em minha mente.
In a city of fools
I was careful and cool
But they tore me apart, like a hurricane
A handful of moments
I wished I could change
But I was carried away
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