Ribelle Amato

3 Capítulo 2 - Desvendada


Notas iniciais
eu tooh mtooo feliz pq eu realmente nao imaginava que haveria mais leitores do que eu imaginava :D mto obg às lindas que comentaram e pedir ao fantasminha [q tbm apareceu mais rap do que eu pensava] pra aparecer, pq sua opiniao será BEEM impt! mas chega de enrolação e vamos ao cap que escrevi super especialmente para as leitoras que apareceram tao rapido *---* nao esqueçam de comentar, erh importante para me motivar a postar rapido o prox cap que jah tah quase pronto ^-^

Capítulo 2 — Desvendada

— VAMOS, ROCKER. – CHAMOU Jamie e somente quando senti um leve puxão em minha mão que percebi que ainda segurava a mão dele.

Soltei-a rapidamente, sem querer parecer atirada, e cruzei os braços, deixando a mochila pendurada por um só ombro, dificultando a aproximação dos nossos corpos. Estava um pouco atordoada e cansada. O calor do deserto estava simplesmente me matando. Alguns fios ruivos grudavam levemente na testa e na nuca e o cansaço estava me abatendo aos poucos, mas ainda estava ao menos suportável. Queria poder deitar e dormir, mas sabia que agora não poderia, pois devia conhecer mais sobre o dia a dia deles.

— Não se preocupe com meu tio. – disse Jamie, quebrando o silêncio enquanto andávamos pelo túnel. – Ele é sem noção assim mesmo.

— Eu que o diga! – respondi. – Ele sempre me chamava pelo nome ou de little Rocker.

— Vocês já se conheciam? – perguntou-me, surpreso.

— Ele era um velho amigo da minha mãe.

— Como era sua vida antes da invasão?

— Era... normal, eu acho.

— E o que fez quando invadiram?

— Fugi com meu irmão mais velho.

— Como veio parar aqui sem ele? – perguntou, fazendo parecer um interrogatório sem fim.

E, por mais que eu sentisse uma fincada no coração à simples menção de Matthew, eu estava me divertindo com a situação. Muito mais do que me diverti em todos esses anos. Tudo bem, eu me divertia às vezes com Matt, mas sempre havia o risco de sermos pegos.

— Vem cá, você por acaso é o investigador oficial daqui? – perguntei debochadamente.

Ele levantou as mãos acima da cabeça em ar de rendição, com um sorrisinho brincalhão no canto dos lábios.

— Desculpe, eu só sou curioso.

Balancei a cabeça, desacreditada, e segui na frente. Sentia meu tornozelo doendo levemente, mas preferi ignorar. Um minuto depois, senti sua mão eletrizando meu pulso uma segunda vez.

— O que foi agora? – perguntei, virando-me para encarar seus penetrantes olhos azuis.

Um sorriso brincalhão e caloroso ameaçava invadir suas feições e eu simplesmente não conseguia controlar as batidas agonizantes em meu coração. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, pois nunca antes passei por isso, mas eu tinha certeza que não havia nada de errado. Eu estava confusa e cansada demais para formular a frase que eu jamais imaginei que formularia. Mas sabia que mais cedo ou mais tarde, acabaria tendo que fazê-lo se eu passasse mais tempo do que deveria perto de Jamie.

— Aonde pretende ir? – perguntou-me, deixando confusa de uma maneira diferente.

— À sala de jogos, onde mais seria? – perguntei ironicamente.

— Sabia que a sala de jogos fica para cá?

Bufei, sem puxar meu braço de volta. Depois dessa eu não sabia mais o que dizer sem me fazer de idiota na frente dele.

— Não precisa ficar nervosa. — ele disse, mais calmo. — Não precisa ficar tão atenta o tempo todo aqui. Estamos seguros, você está segura. Já pode abaixar a guarda.

Soltei um suspiro cansado, pois sabia que ele estava certo.

— Devo admitir, você é um bom observador. – confessei, tentando ao máximo não deixar transparecer o quanto o que ele disse me afetara.

— Melhor do que você pode imaginar. – afirmou, deslizando a mão até a minha e entrelaçando nossos dedos e os apertando um pouco em um gesto para passar confiança.

Assustei-me um pouco com esse gesto, pois nunca estive nesse tipo de situação, principalmente quando meu coração acelerou a níveis extremos. De qualquer forma, obriguei-me a não me afastar. Eu não sabia como reagir, nunca fui preparada para isso. Eu não vivia em um mundo em que um adolescente podia se deixar levar por outro, vivendo anos de dramas normais que alguém da minha idade deveria estar vivendo. Eu vivo no mundo que foi invadido por espécies alienígenas e somos a última resistência. Eu nunca tive esse tipo de suporte ou proximidade que não fosse do meu irmão. Nunca nem pensei que encontraria outra pessoa próxima à minha idade que não tivesse os repulsivos círculos prateados. Então eu realmente não tinha a menor ideia de como reagir.

Por fim, eu dei um sorriso meio tenso e soltei sua mão depois de apertá-la levemente, agradecida.

— Então... — ele disse, enquanto continuávamos a andar. Insisti em um ritmo mais calmo para poupar as poucas energias que eu ainda tinha. — Eu passei a maior parte da minha infância aqui. Vai me contar como foi viver humana lá fora e chegar aqui a essa altura?

— Quem sabe um dia. — prometi.

Sim, um dia eu contaria tudo isso a ele. Contaria como confiara nele desde o primeiro segundo, como meu coração acelerou quando ele entrelaçou nossos dedos, como eu lutei para reprimir o impulso de dizer a ele tudo o que eu passara nos últimos anos, de ouvir tudo o que ele tinha a dizer sobre o passado dele e ficar comparando-os para achar algo mais em comum entre nós além da sobrevivência.

Mas não hoje.

Pois hoje eu entrava em uma caverna de teto baixo e amplo, iluminada por várias lanternas, e todos os humanos se viraram para nos encarar, analisando-me curiosa e atentamente. Eram mais pessoas do que eu imaginava; cerca de quarenta pessoas simplesmente me encarando. Apenas alguns levantaram os olhos com um sorriso no rosto, entre eles, o cara que levara minha moto, Ian, e Jeb, que se aproximava sorrateiramente de nós, saindo de só Deus sabe onde. Senti-me indefesa e inferior, coisa que não acontecia há muito tempo. Eu dei um passo para trás de Jamie. Ele era pelo menos um palmo mais alto que eu, então poderia ser uma boa ideia me manter escondida ali.

Poderia, se ele mesmo não tivesse se afastado quando Jeb veio até nós.

— E então, little Rocker, o que achou das cavernas?

— E-eu... – gaguejei, vendo uma mulher alta e de cabelos castanhos se aproximando. Fiquei meio encolhida ao lado de Jamie até ver as feições dela e reconhecer sendo uma daquelas poucas que sorriram para mim. Então pigarreei e voltei a falar a Jeb. – Eu gostei. Inteligente de sua parte.

Ele sorriu de orelha a orelha e eu tive certeza que ninguém o havia elogiado antes.

— Rachel, essa é Melanie, minha outra sobrinha irritante. – disse ele, indicando a mulher que parara ao seu lado, sorrindo.

— Prazer. – disse ela, dando um passo à frente e me abraçando. – Rachel, não é?

— Prefiro Rocker, por favor. – respondi, olhando sugestivamente para Jeb.

— Rocker... – ela ponderou por um momento. – Bonito apelido.

— O que Rocker que dizer? – perguntou Jamie, se pronunciando pela primeira vez.

— É roqueira em italiano. – respondi, e assim que vi a interrogação em seus olhos, acrescentei. – Ideia do meu irmão, na época ele gostava de ver palavras estrangeiras e descobrir o que eram.

— Sente falta dele, não é? – perguntou Jamie em voz baixa, olhando de soslaio para Melanie, mas nem me importei. Apenas assenti, abaixando a cabeça para que não vissem as lágrimas que ameaçavam turvar minha visão.

— Não se preocupe. – disse Melanie, colocando a mão em meu ombro de maneira compreensiva. – Tentaremos trazê-lo de volta.

— Obrigada. – sorri cansadamente.

— Melhor irmos jogar. – disse Melanie, dirigindo-se a Jeb e Jamie. – E seja bem-vinda, Rocker.

Jeb foi em direção a um dos gols e ela foi atrás do time, já gritando com que queria ficar no time de um tal de Jared. Jamie virou-se para mim.

— Quer jogar? – ele perguntou e eu percebi que era mais por educação.

Mas eu gostava de futebol e era particularmente boa nisso e se não fosse pelos brutamontes que eu vira em ambos os times e cara de fúria que alguns deles faziam para mim e minha falta de conhecimento sobre as táticas deles, eu teria ido com certeza. Além disso, eu estava cansada e com sono – certamente seria mais um empecilho que ajuda.

— Tenho certeza que não é uma boa ideia.

— Melhor assim. – ele disse, apertando levemente minha mão e indo correndo em direção a Melanie.

Fiquei me perguntando o que ele queria dizer com isso, mas pelo sorriso que eu vira no rosto dele estava claro que ele imaginava que eu não sabia jogar e iria me machucar. Ele achava que pelo meu tamanho comparado ao dele, eu era fraca.

Mas ele estava enganado e eu estava decidida a mudar sua opinião.