Revenge is everything
1 Trust
Notas iniciais
“Quando eu era uma garotinha, meu entendimento de vingança era aquele aprendido na escola. Pequenas lições de moral como: ‘fazer aos outros apenas o que fizeram com você’ ou ‘dois erros não formam um acerto’. Tudo completamente inútil. Dois erros nunca serão um acerto, isso é um fato. Porque os erros nunca são iguais. Para o errado, a satisfação só pode ser achada em um dos dois lugares: perdão absoluto ou justificativa moral. Talvez se eu não houvesse descoberto tudo, hoje em dia seria bem diferente, mas não, vingança é tudo o que importa!” – Santana.
Santana Selena Lopez é uma jovem milionária de 23 anos que apenas há duas semanas se mudou para uma grande casa no litoral de Huntington na Califórnia, mas nem sempre as coisas foram assim. Durante toda a sua infância viveu com seu pai, David Lopez, em uma grande casa em frente à praia. Santana era uma criança normal, costumava passar as tardes brincando com seu cachorro na areia da praia, gostava de cantar e ouvir histórias contadas por seu pai. Tudo isso convergia para um final feliz se não fosse por uma noite em que David recebeu voz de prisão do FBI acusado de terrorismo contra os Estados Unidos, mais especificamente o pai de Santana foi o suposto mandante de um ataque a um voo comercial que matou 234 passageiros. Triste acusação onde Santana foi obrigada a desde os seus sete anos de idade conviver em inúmeras casas de pais adotivos e orfanatos, cuja adaptação foi árdua. Aos quinze anos, seguiu para a detenção juvenil, onde ficou até os dezoito e por lá aprendeu muitas lições que eram válidas até hoje.
A verdade é que Santana nunca quis saber muito do seu passado, todos os psicólogos e assistentes sociais diziam que ela permanecia em estado constante de estresse pós-traumático, onde rebeldia e falta de educação eram seus lemas. David Lopez sempre foi um pai muito amoroso, presente, e talvez por isso Santana internamente se recusava a acreditar que aquele homem fosse realmente um terrorista. Porém, contra provas incontestáveis não há argumentos que possam dizer ao contrário, e por isso, ao longo dos anos ela acabou inevitavelmente se conformando. No entanto, no dia em que completou dezoito anos e pode finalmente receber o atestado de maioridade, conheceu Noah Puckerman, um jovem milionário proprietário de uma das maiores empresas de exportação de tecnologia da Califórnia, e também de um QI avançado que lhe proporcionava grandes vantagens nos negócios.
Quando saiu da detenção, Santana não fazia a menor ideia porque aquele rapaz em uma Land Rover estava estacionado esperando por ela. A aspereza que adquiriu ao longo dos anos fora suficiente para dar algumas ignoradas no rapaz, mas que por muita insistência conseguiu lhe entregar uma caixa de madeira a pedido de David Lopez, que por sinal havia falecido há dois anos. Dentro da caixa havia diários escritos com a letra de seu pai, fotografias e muitos registros, e Santana olhava para tudo aquilo confusa, sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo.
- De onde você conhece o meu pai? E o que é isso tudo? – perguntou a morena.
- Calma Santana.. eu sei que tudo isso é confuso, mas confie em mim! Eu conheço seu pai há muito tempo, devo muitos favores a ele, e por isso fiquei encarregado de lhe ajudar no que precisar. Nessa caixa estão todas as informações necessárias para entender que o David é inocente, ele foi vítima de um golpe! – tentou explicar Noah.
- E de que adianta saber que ele é inocente? Ele já foi condenado, morreu na prisão e eu já sofri o suficiente, não preciso disso! – disse Santana devolvendo a caixa de madeira para o rapaz.
- Santana, por favor, entenda que seu pai queria muito que você soubesse da verdade. Além disso, ele te deixou bem protegida.. – falou Noah.
- Protegida? Como assim? – perguntou franzindo as sobrancelhas sem entender.
- Sim, caso não saiba a minha empresa é uma das maiores deste país e como gratidão a tudo o que ele me fez, nós negociamos e agora que atingiu a maioridade você tem 48% das ações da Noah Corporation. Você agora é uma milionária! – Noah voltou a entregar a caixa de madeira. – Olha, você não precisa acreditar agora, apenas dê uma chance ao David, leia com calma tudo que esta aqui dentro e depois nós conversamos – falou o rapaz entrando no carro e dando partida no veículo.
Naquele dia Santana leu absolutamente tudo o que estava na caixa de madeira do seu pai, viu cada vídeo, prendeu sua atenção a cada detalhe e chegou a conclusão que seu pai realmente tinha sido vítima de um golpe severo. A partir daquele dia e nos quatro anos seguintes, a latina apenas se preparou, tomou aulas de etiqueta, lutas marciais, praticava exercícios de lógica, dentre outros. Tudo com o objetivo de correr atrás do que David mais precisava: vingança. Os culpados? Por incrível que pareça o pai da morena foi traído por seu grande amigo e vizinho, Conrad Fabray, um grande magnata do petróleo e dono da Fabray Global. Além de Conrad, o crime foi praticamente premeditado por sua esposa Victoria Fabray, a qual mantinha um caso extraconjugal com David, onde ao descobrir que seu amante iria revelar tudo a Conrad, logo tratou de armar para o marido incriminá-lo de terrorismo com provas irrefutáveis. Tudo isso foi apenas uma questão de orgulho e ego feridos que culminarão na destruição da vida de Santana.
Hoje em dia a vingança era apenas o que lhe importava, desde que conheceu Noah começou a arquitetar cada movimento que precisava ser feito para provar como Conrad e Victoria eram os verdadeiros culpados pela morte de 234 passageiros envolvidos no ataque terrorista. E depois de tanto tempo, finalmente o seu plano estava posto em prática. A morena mudou sua identidade e todos os documentos, não deixou nenhum rastro do seu passado. Graças ao pai que sempre lhe chamou de Selena, pode manter seu primeiro nome passando a se chamar Santana Rivera. Além disso, a última vez que esteve em Huntington tinha apenas sete anos, ou seja, provavelmente ninguém a reconheceria. Santana fez questão de comprar a casa que morou durante a infância, tornou-se mais uma vez vizinha dos Fabray e o primeiro passo do seu plano era o mais óbvio de qualquer batalha: se aproximar e conhecer bem o seu inimigo. Não que Santana não tivesse pesquisado a fundo tudo sobre aquela família, mas ela queria fazer parte da rotina diária deles, e principalmente, ganhar sua confiança.
Nada melhor do que como uma jovem latina bem apresentável fazer boas amizades na nova cidade. O alvo escolhido foi Quinn Fabray, a filha mais velha de Conrad e Victoria. Através dela, Santana iria ter livre acesso a casa e com isso tornar sua vingança ainda mais fácil. Além disso, ao atingir a filha do casal, Santana imaginava que estaria trazendo a eles o mesmo sofrimento que passou ao longo dos anos, aquele de perder uma pessoa tão próxima de amor incondicional. Quinn Fabray era uma jovem loira de 22 anos, olhos com de mel, bonita e bem estilosa. Há alguns meses largou a faculdade de administração por causa das inúmeras festas, bebedeiras e saídas noturnas com os amigos. Quinn sempre foi a típica conquistadora, ficava com muitos rapazes e já teve algumas aventuras com algumas mulheres, nada que lhe custasse mais que algumas horas em algum motel. Voltou para a cidade dos seus pais, e por enquanto fazia um estágio na Fabray Global a mando de seu pai. De acordo com o que Santana pesquisou, Quinn era uma mulher simpática, fazia amigos facilmente, gostava de praia e vida boa, ou seja, mais uma patricinha. Porém, servia exatamente para os propósitos de Santana, a ordem agora era se aproximar.
Huntington é uma cidade portuária e por isso possui inúmeros bares e restaurantes ao longo de sua orla marítima. Era noite de sexta-feira e Quinn Fabray estaria em uma festa privada em um desses estabelecimentos, provavelmente estaria bebendo inúmeras taças de champanhe junto aos amigos. Santana chegou ao restaurante acompanhada de Noah, o local era bem decorado com flores típicas da região e uma música agradável estava sendo tocada ao fundo. Olhou rapidamente o lugar percebendo as pessoas que estavam ao seu redor, notou que Quinn estava conversando com um rapaz moreno nas laterais do restaurante.
- E aí, já esta preparada? — falou baixo Noah.
- Eu sempre estive preparada – Santana respondeu seriamente.
- Uaaau.. então, boa sorte! – Noah pegou duas taças de champanhe e entregou uma para a morena.
Santana observava tudo com bastante atenção e ao perceber que o rapaz que conversava com Quinn estava de saída, concluiu que o momento certo havia chegado. A morena começou a andar através do restaurante, e ao passar pela loira, de forma proposital esbarrou em Quinn e derrubou um pouco de champanhe em seu braço.
- Meus Deus, que distraída! Me desculpe.. eu te molhei inteira, deixa eu ajudar.. – disse Santana retirando um lenço branco da bolsa e passando no braço molhado de Quinn.
- Não tem problema! É provavelmente o universo querendo que eu troque esse vestido – disse Quinn calmamente com um sorriso no rosto.
- Eu sou uma estúpida! – falou Santana.
- Heeey.. não foi nada demais, relaxa! Você é... – Quinn tentava recordar se conhecia aquela morena de algum lugar. Definitivamente a loira era apresentada a muitas pessoas, onde muitas vezes não conseguia recordar da maioria delas, principalmente se o álcool estivesse envolvido.
- Santana Rivera. Me mudei para cá a pouco tempo. – explicou a latina com exibindo um sorriso, ela precisava conquistar a confiança da loira.
- Ahhh já sei então! Acho que te vi na praia um dia desses, sou sua vizinha! Quinn Fabray, muito prazer! – disse a loira.
- O prazer é todo meu! Bom, já que eu consegui ser uma idiota e te molhar inteira, será que eu poderia te convidar pra almoçar qualquer dia desses? Ainda não conheço muita gente na cidade.. – Santana exibia sua pose de coitadinha da maneira mais falsa possível.
- Claro! Mas só se você deixar eu te pagar uma bebida agora pode ser? – Quinn deu um sorriso galanteador e Santana aceitou prontamente.
As duas mulheres se aproximaram de uma espécie de bar que havia no restaurante, conversavam sobre assuntos aleatórios, desde as loucas aventuras de Quinn na faculdade até os falsos depoimentos de como era a vida de Santana. Enquanto a loira já estava no seu quinto drink, Santana ainda estava com o mesmo copo na mão, somente enrolando para se aproximar mais da loira. Já era tarde da noite e Quinn já estava visivelmente bêbada, na saída do restaurante a loira encarou aqueles olhos morenos e apenas sentia uma estranha necessidade de tê-los mais próximo.
- Santana, eu adorei te conhecer, te achei uma mulher realmente... realmente.. – Quinn olhava descaradamente para o corpo escultural da morena – muito boa! Quer dizer.. muito gente boa! – disse Quinn aproximando sua mão para tocar o braço de Santana.
- Eu também gostei de te conhecer, Q! Posso te chamar assim? – perguntou a morena com uma voz rouca.
- Claro! — falou Quinn depositando um beijo quente no rosto de Santana. – Te vejo amanhã? – perguntou.
- Amanhã? – a morena franziu a sobrancelha sem entender, mas na verdade ela ainda estava embriagada pela sensação que Quinn lhe proporcionou.
- Sim, meu almoço já esqueceu? Amanhã passo lá e te pego! Boa noite! – Quinn depositou outro beijo na bochecha da morena e saiu para pegar seu carro no estacionamento.
Não houve sequer tempo para Santana ostentar alguma reação, simplesmente a loira beijou seu rosto e saiu de perto. A morena colocou sua mão no lugar que antes, mesmo que por milésimos de segundo, estiveram os lábios de Quinn. Sentia aquela sensação ímpar, não sabia descrevê-la, mas ao menos a aproximação que planejou por tantos meses estava feita. Pouco tempo depois Noah se chegou querendo saber mais sobre o contato feito pela latina.
- E aí, acha que ela acreditou? – perguntou o rapaz.
- Sem dúvida alguma! E você não sabe da maior: ela deu em cima de mim descaradamente! – disse Santana que realmente parecia estar impressionada.
- Você acha que isso pode comprometer o seu plano? – disse Noah preocupado.
- De maneira nenhuma! Não que eu seja lésbica, longe de mim, mas... talvez seja melhor assim, eu faço esse sacrifício. Assim eu conseguirei me infiltrar facilmente e terei a confiança de todos da família! – falou Santana de maneira convicta.
- E agora, qual o próximo passo? – perguntou o rapaz.
- Amanhã eu irei almoçar com ela e quem sabe a tarde eu já estarei tomando um chá com minha futura e amada sogra Victoria Fabray! – Santana deu um sorriso sínico e foi embora do lugar com Noah.
Notas finais
P.S. Essa fic será atualizada somente aos domingos.
Fale com o autor