Revenge: O preço
30 Capítulo 30 - Say goodbye to the Heart
Notas iniciais
Aquele foi o pior domingo que já havia tido, quase dopada de remédios buscava emendar os cacos do meu coração, sentia raiva por tudo, por querê-la, por ter quase acreditado e pior ainda, por ter me permitido sentir todas essas coisas tão ridículas e dolorosas, não entendo como as pessoas conseguem ser tão positivas quanto ao...arg...amor, a dor que isso causa é irreparável, ou quase, pois uma mulher como eu não se rende a tal sensação de derrota. Depois de muito pensar cheguei a uma única conclusão, Emma Swan morreu pra mim, seja qual tenha sido o motivo não importa mais, nunca daria certo. Nunca me renderia a ninguém, essa não seria eu, tudo que me aconteceu foi a forma que a vida encontrou de me tornar Regina Mills, seria um desperdício me ter amarrada a qualquer fraqueza sentimentalista que fosse.
Respirei fundo, limpei as ultimas lágrimas e tomei um banho demorado; uma calça bege social, uma camisa de botões branca e um blazer preto/branco na altura dos joelhos compunham meu look formal, uma maquiagem leve era suficiente, não fazia ideia de onde iria, mas precisava de um tempo longe de tudo, mesmo que a cidade seja pequena não deve ser difícil arrumar um lugar pra esquecer os pensamentos infames. Peguei a chave do carro e caminhei em direção a porta de saída, antes mesmo de abri-la a campainha tocou me fazendo tremer de susto, só podia ser Killian preocupado...arg... abri a porta rápido.
Regina: O que você está fazendo aqui? – senti meu corpo congelar em segundos, apertei a maçaneta com força, incrível como só o perfume dela fazia minhas pernas ficarem bambas. Sustentei o olhar. –
Emma: Temos que conversar. – seus olhos estavam tristes, a loira abaixou a cabeça e respirou fundo voltando a me olhar docemente. –
Regina: Vai embora Swan. Suma ou...morra. Qualquer coisa por tanto que eu não tenha que olhar pra essa sua cara. – falei semicerrando os dentes virando-me de costas torcendo pra que ela obedecesse. –
Emma: Será que você pode me ouvir? – ouvi seus passos adentrarem a sala. – Sobre ontem Regina, sinto muito, me ouça. – sua voz quase sussurrada implorava que eu a escutasse, Emma ameaçou começar a falar, a interrompi grosseira. –
Regina: Me poupe de ouvir suas justificativas Emma, ou melhor, poupe a você mesma de se prestar ao papel de explicar algo INEXPLICAVEL. – apontei para a loira com uma expressão de nojo, busquei folego pra continuar. – Está feito, você fez sua escolha antes mesmo de ouvir a minha. – olhei no fundo dos olhos de Emma segurando as lágrimas que queriam descer. –
Emma: Regina eu não... você não entendeu nada. – Emma tentou se aproximar e segurar meus braços, caminhei pra trás buscando uma distância segura. – Por uma única vez seja menos.... você e me deixe explicar. – O silêncio pairou, fiquei quieta deixando-a continuar. – Neal... ele precisou de mim... – a loira falou pausadamente como se soubesse minha reação ao ouvir aquele nome. –
Regina: haha Claro, seu noivinho, sempre ele. – ela sabia piorar as coisas, era aquilo que eu precisava ouvir para voltar a mim. – Eu posso está com seu irmão, mas nunca deixaria a única chance que teria com você por causa dele, já você... não conhecemos mesmo as pessoas.
Emma: Qual é o seu problema? Como consegue ser tão egoísta, meu Deus?! – seus olhos de repente eram decepção. – Te liguei umas duzentas vezes, vim aqui me explicar e tenho que ouvi-la dizer coisas ridículas, me tratar assim e pior ainda, você nem consegue me ouvir. – Sua voz soava decepcionada, era como se algo a tivesse acordado. – Egoísta. – Emma completou. –
Regina: Essa foi a ultima vez que você me fez de palhaça Emma, a última vez que confundiu minha cabeça, a última vez que lágrimas desceram dos meus olhos em seu nome. Você não é confiável, nem humana, nem digna dos meus...sentimentos. – cuspi as palavras com rapidez indo na direção da loira deixando-a ver a dor que meus olhos transmitiam. –
Emma: Eu te amo, te amo com todas as minhas forças, com minha alma. Trai a confiança do meu irmão por você, estava prestes a partir o coração de alguém importante pra...ser sua. – Emma segurou meu rosto com as duas mãos, nos encaramos como se o mundo tivesse parado, o vazio da minha alma era tamanho que a loira conseguiu entender e...desistiu. – Mas quer saber Regina, não vale a pena. Você está certa, não sobre o que pensa sobre mim, mas sobre a forma como ver o amor. Não posso amar por nós duas, não sei se conseguiria lhe dar com seus ataques egoístas, com seu jeito amargo de ver as pessoas, não existe nada que faria essa loucura durar. – Sua falsa calma doera, Emma colocou as duas mãos na cintura e deixou que as lágrimas cobrissem seu rosto. –
Regina: — aplausos – Incrivel a forma como consegue levar as coisas pro seu lado, mas não dessa vez meu bem. – falei irônica – Você não é diferente, são todos iguais essa é a grande verdade e obrigada por me mostrar isso, farei cada um pagar Emma, inclusive você. Fica com seu..arg..noivo. Vocês se merecem, devem ter o mesmo jeito sujo de amar. – Deixei que apenas a dor falasse. –
Emma: Do que você tá falando? Deu pra me ameaçar agora? Eu juro que tentei, não me arrependo de nada porque eu tentei. Você não consegue se esforçar pra mudar um pouco, nem consegue abaixar a guarda um minuto e ouvir meus motivos. – a loira estava descontrolada, ia de um lado pro outro até que parou e me encarou entre as lagrimas que cobriam seus olhos. – Espero que você nunca mude, porque se mudar e perceber o tamanho da merda que tá fazendo Regina, vai ser tarde demais, se você me procurar eu não vou está e se me pedir perdão, eu não perdoarei você. – suas palavras perfuraram minha alma, já não era suficiente o que ela fez na noite anterior? Me aproximei de Emma deixando nosso corpo quase colado e falei a única coisa que eu sabia que realmente a machucaria. –
Regina: Você merece cada dor que aquela mulher te causou. – senti a mão da loira acertar em cheio minha face, não senti dor, não no rosto, mas no coração eu senti a pior de todas. – Vai embora Emma! – Implorei com o rosto ainda virado, as lagrimas já desciam. –
Emma: Des..culpa. Eu não queria Regina, você... sinto muito. – sua voz arrependida em meu ouvido, Emma me envolveu em seus braços quase em desespero, era minha ultima chance de expulsa-la da minha vida de uma vez por todas, ou eu cederia naquele momento. –
Regina: SAIA! – gritei –
Emma: Você vai aceitar o pedido dele? – sua voz era total chorosa, ainda estava de costas em seus braços. –
Regina: Como você sabe? – sussurrei –
Emma: Ele é meu irmão, me contou hoje de manhã. Responde. – Emma tentou fazer com que eu a olhasse, não consegui. –
Regina: Sim Emma. Sim. – abaixei a cabeça segurando ao máximo a dor que me dominava. –
Emma:. – A loira me soltou incrédula, negava com a cabeça repetidas vezes o que acabara de ouvir, e então disse tudo que não queria ouvir, mas precisava. – Você morreu pra mim!
Regina: Que bom, porque pra mim você já estava morta. – A encarei com minhas ultimas forças vendo-a chorar e correr para a saída me fazendo desabar no chão. Apenas desabar. –
Não sei quanto tempo fiquei ali, sentada naquele carpete onde tive uma noite incrível com Emma, as lembranças vinham e as lagrimas desciam ainda mais, ouvi o ranger da porta abrindo e por um segundo pensei ser ela voltando, não sei se fiquei feliz ou triste, mas ali estava Killian apavorado a me ver fraca e humana pela primeira vez, , apenas me joguei em seus braços e me permiti chorar ali no chão mesmo.
Killian: Passei o dia todo tentando falar com você. O que aconteceu meu amor? – disse acariciando meus cabelos. –
Regina: Sinto muito Killian! Não posso aceitar seu pedido agora – “nem nunca”, pensei. – Não posso! – falei anestesiada com a cabeça no colo daquele homem pelo qual não sentia nada. –
Killian: É por isso que você está assim? Regina eu.. não queria te pressionar, só achei que, bom, precisei tentar.
Regina: Está tudo bem, não estou assim por isso, não dar pra ser forte o tempo inteiro Killian. – sentei ficando ao lado dele no chão. – Esse ainda não é o momento. Você se importa? – o olhei com receio de que aquela minha fraqueza ridícula comprometesse meus planos. –
Killian: Eu sei esperar meu amor! Quer conversar sobre o que está sentindo?
Regina: Não! Quero que fique aqui, só isso. E não conte a ninguém, ninguém mesmo que eu não aceitei o pedido okay?
Killian: Apenas descanse!
Observei Killian dormindo ao meu lado, era realmente um bom homem e muito burro. Pensei sobre o que Emma queria tanto ter dito. Suas palavras, as minhas, o tapa, não existe nada que nos faria dar certo, nada que faria isso ir adiante. Destruo a vida de David e desapareço com a minha paz de ter feito o que tanto almejei, esse era o único plano agora. Dormi sentindo um vazio ainda maior.
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A semana se passou rapidamente, entre remédios para dormir, muito trabalho e desculpas pra não me bater com Emma em nenhum lugar. Uma nova semana começava e os primeiros sinais de que não seria fácil já surgiam.
Belle: Senhorita Regina, tem visita pra você.
Regina: Quem é Belle?
Belle: Ela disse que se chama Zelena.
Respirei fundo ao ouvir aquele nome, Zelena era uma amiga de infância, não a via desde o enterro do meu pai. Esse era um encontro que eu não tinha a mínima vontade de realizar, mas qualquer coisa que livrasse meus pensamentos de Emma estava valendo.
Zelena: Quanto tempo Regina, olha só como você cresceu. – sempre com as piadinhas sem graça. A mulher veio em minha direção, levantei para cumprimenta-la. –
Regina: Você continua exatamente...igual. – isso não era bem um elogio. Zelena me abraçou com certo carinho, me fazendo revirar os olhos. –
Conversamos bastante, diante das circunstâncias estava sendo bom poder conversar com alguém e relembrar bons momentos da minha infância. Até que a conversa tomou um rumo completamente diferente.
Zelena: Queria que viesse comigo a um lugar, acho que vai ser importante pra você falar com alguém, bom, talvez você me esgane mas... Você tem que fazer isso.
Regina: Do que você tá falando Zelena? Não pode simplesmente aparecer depois de séculos e querer que eu vá com você a um lugar...importante? – a fitei espantada, não tinha nenhum sentido. –
Zelena: Em nome dos velhos tempos... – Zelena levantou e me olhou esperançosa, aquilo estava absurdamente estranho, mas o que eu tinha mesmo a perder? –
Fomos no carro, simplesinho diga-se de passagem, da Zelena. O silêncio pairava, não me arrisquei a fazer perguntas, apenas buscava em suas expressões alguma resposta e nada tinha, Zelena sempre foi completamente tranquila isso eu lembrava bem, tudo que aquela menina fazia era cheio de segurança, algo que na época eu não tinha.
Zelena: Você mudou tanto. – disse interrompendo o silêncio. – É outra pessoa eu diria. Lembro como se fosse hoje a forma como me olhou logo depois do enterro de Henry, eu vi seu olhar mudar completamente aquele dia, o engraçado é que foi exatamente aquele mesmo olhar que eu vi quando entrei na sua sala hoje, não o bom, mas o de dor. – mordi o lábio incomodada. – Soube que você voltou pra Storybrooke no começo do ano e bom, tem algo que você ainda não fez, está na hora de enfrentar essa parte da historia Regina.
Gelei ao reparar o lugar onde estávamos, porque Zelena estava fazendo aquilo? Como ela sabia todas aquelas coisas? Respirava ofegante buscando alguma reação, de preferencia assumir o volante e sumir daquele lugar, mas seja qual fosse a intenção daquela mulher eu não me mostraria fraca, ela podia achar que me conhecia, mas não. Ela conheceu a pequena Regina, que não existe há muitos anos.
“Penitenciária de Storybrooke.” – sussurrei ao sair do carro e olha-la de um jeito desafiador.
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