Revelado II

1 Revelado II part.01


Notas iniciais
Espero que gostem. Boa Leitura!

...

Uma semana depois todos estavam de volta das missões. Exceto uma pessoa.

“Pode me explicar direito?” -Elesis parecia rosnar com a tela fina azul entre os dedos, muito parecida com o tablet do nosso mundo. No pequeno aparelho o rosto fino e pálido de Lass, aparentemente apático.

“Eu já falei. A tempestade está muito forte por aqui... Não posso voltar agora.”

A ruiva fez uma expressão derrotada e triste.

Lass a princípio havia dito que não estava fisicamente bem para a viagem, então Lothos planejava cancelar sua missão. Porém, após todas as reclamações da injustiça que era deixar Lass livre, por parte das meninas, Lothos mandou-o para a emergência e depois foi encaminhado para a missão.

E Lupus nesse momento estava sentado perto da janela, vendo como aquela chuva de gelo era substituída por uma grande tempestade com ventos muito fortes.

“Mas Lass...” -Elesis sibilou, ficando muito insistente para o albino, que balançou a mão. Agora ele estava num hotel numa vila moderna da Terra de Prata.

“Não se preocupe, Elesis. Amanhã eu volto.”

A ruiva moveu as sobrancelhas estranhamente e apertou a tela com força, olhando pela janela e suspirando forte.

“T-Tudo bem... Boa viagem de volta.” -ela sorriu disfarçadamente, acenando e desligando após o aceno que ele retribuiu sem muita emoção.

A líder caminhou até onde Lupus estava, sentando-se no sofá de forma esparramada. Abrindo os olhos, podia ver novamente como a base estava limpa. Podia sentir o calor agradável da lareira trepidando, o ar tranquilo do local, o cheiro de comida. Podia ver as fitas coloridas, a mesa com aperitivos, as bebidas; e os olhares de toda a Grand Chase, sem nenhuma empolgação ou ar de brincadeira.

“Desculpe pessoal. Ele não pode vir mesmo.”

Todos abriram os lábios e se entreolharam, decepcionados e sentindo-se perdidos. Dio se encostou no sofá, movendo os lábios com impaciência enquanto Sieghart saia da sala, chutando o que via pela frente, Amy ameaçava chorar, Jin tocava seu ombro, Ryan segurava um petisco salgado e comia-o com um rosto fatigado, Ronan permanecia sério, Azin olhava para o outro lado, Holy se encolhia, Lire suspirava, Arme também, consolando a amiga, Rey bufava, Zero não falava, apenas mantinha a cabeça baixa, Lin mexia no cabelo, sem graça.

Elesis passou a mão no braço, arrependida por ter apoiado a ideia.

Ali Lupus continuava olhando pela janela com o rosto apoiado na mão. Sabia que isso ia acontecer na hora H. Foi um tremendo desperdício ter se preocupado com uma coisa tão... Fútil.

“Ei, Lupus...” -Lire chamou-o, mas ele ignorou-a. Não que ela tivesse culpa, na verdade era culpa dele.

“Tudo bem. Obrigado pessoal.” -ele fechou os olhos, como que cansado. Não havia como fazer uma festa de aniversário sem o aniversariante, não?

Era o 3ºaniversário de Lass, desde que foi encontrado pelas garotas da Grand Chase. Ele não sabia a data, então adotaram o dia em que foi tornado membro do grupo.

De forma curiosa, quando as meninas se dispuseram a organizar uma festa, Lupus se ofereceu para ajudar na maioria dos preparativos. Coisas como comida e decoração ele deixou com elas, que o conheciam melhor, e ficou por sua conta a busca por presentes e jogos (o que ele era especialista).

Depois dessa notícia foi como desperdiçar todo seu trabalho duro. Lupus não sabia o que sentir, mas sentiu-se certamente mais humano depois que entrou em seu quarto, ainda com o cheiro daqueles deliciosos petiscos de carne o chamando.

Não demorou muito até que adentrasse sem permissão o imortal, com uma bandeja de salgadinhos. Uma daquelas travessas que se guarda com extras, caso a comida acabe antes do bolo.

“Ei.” -o moreno acenou apaticamente e veio em sua direção, até a borda da cama, estendendo o plástico com as massas em forma de coxinha. “Sirva-se.”

Lupus piscou lentamente, sem assimilar direito. Até então estivera com uma fome incrível, por ter guardado seu estômago para a hora que pudesse cair de boca, mas agora ela tinha desaparecido.

Não, ele não estava triste. Com certeza não.

“Você está pensando ainda? Pegue logo, o Lass não vai gostar de saber que você ficou todo amuado assim.”

“Amuado?” -Lupus franziu a sobrancelha um pouco, pegando uma coxinha e praticamente a engolindo inteira. Estava tão bom! Claro, foi o Ronan que fez. “Faça-me o favor.”

O moreno riu. Gostava muito de irritar as pessoas, mas o fato de que conseguia descontrai-las era o melhor, e conseguia se sentir bem. De alguma forma ele foi bem visto por Elesis e pelos outros por isso, e o marcou — infelizmente uma das poucas coisas boas que ele fazia pelo grupo.

“Escute... Você vem sendo muito legal com o Lass. Tem muitas dúvidas entre a maioria dos integrantes, como você sabe, apesar de eu e mais alguns sabermos o que é.” -Sieghart sentou-se ao seu lado, pegando uma coxinha para si.

O moreno ignorou os detalhes, dando ao mais velho ali um olhar apenas de que entendeu, mas preferia não comentar. Apesar de tudo, o Haros não era do tipo que se surpreendia por muitas coisas, nem era escandaloso também quando ficava surpreso, era raríssimo vê-lo com uma emoção distorcida. Poderiam até chamá-lo de sábio.

“Hm, não vai responder?” -Sieghart deu-lhe uma leve cotovelada, tentando forçá-lo.

O imortal tinha seus meios, e conhecia muito bem a natureza humana, então já tinha entendido o que Lass estava sentindo em relação ao irmão mais velho. A princípio foi um choque para o gladiador, mas com o passar do tempo, e sua curiosidade sendo alimentada por espiadas discretas, e somente em certas ocasiões durante esses meses, foi que ele pôde notar a afinidade entre esses dois.

“Tecnicamente você não perguntou nada. E não interessa também.” -o rapaz de olhos profundamente vinhos esticou-se na cama, pensando no que deveria fazer a seguir. Tinha duas opções: ir até o laboratório e fazer uma ligação pra Lass, para desejar o feliz aniversário, ou ir até um bar beber. É certo que uma tempestade não o impediria de tomar algumas vodcas. No fim, ele era controlado com bebidas, mas sempre estava querendo uma para adoçar os lábios.

Especialmente agora, um pouco de álcool o manteria em suas bases.

Sieghart por sua vez pareceu entender o que estava pensando, pois riu alto e puxou um frasco do bolso.

“Ei, Cara Pálida, tenho algo aqui pra você.” -o gladiador balançou o frasco, que parecia muito uma poção, residindo em seu interior um líquido espumante azul-claro.

Lupus o olhou pelo canto do olho, desconfiado.

“Acho que hoje é o aniversário do Lass, não meu, Sieghart.” -Lupus virou-se de lado, já pressentindo o perigo nessas bebidas estranhas que os membros da Grand Chase arranjava por aí, ou até mesmo as poções da pirralha maga, Arme.

“Não seja estraga-prazeres. O presente do Lass é outro. Mas você nunca ia aceitar uma festa de aniversário, então planejamos dar o seu junto com o dele.” -Sieghart olhou para um canto, parecendo hesitante em contar o verdadeiro plano, mas desde que Lass não poderia vir mesmo, e a festa estava arruinada, não havia problemas em contar não?

O Haros ficou em silêncio por uns instantes. Era a cara desses doidos fazer algo do tipo.

“E o que raios é essa coisa?” -Lupus apertou os olhos, sentando-se e pegando o frasco. “Eu estava pensando mesmo em beber algo hoje.”

O sorriso largamente sarcástico de Sieghart deixou o moreno com mais um pé atrás, e podia até imaginar. A ideia com certeza não era só do imortal, pois provavelmente os rapazes deviam ter feito algum tipo de pegadinha pra ele e Lass com essa bebida, especialmente naquele dia semana passada, com sua volta do albergue de seu informante Ross, em que Lass estava quase totalmente incapaz de andar.

“Eu e Dio tivemos a ideia de dar isso.” -Sieghart piscou, apontando o líquido. “É um tipo especial de poção de cura. Na verdade estávamos fazendo um favor pra Arme, então pensamos em usar vocês como teste. Isso aí é uma pré-cura, quer dizer, tipo uma vacina. Quando aparecem feridas, ela já vai estar em circulação no seu sangue e vai fechar a ferida e tirar a dor.”

“Está me dizendo que vocês não testaram isso?”

“Já.” -Sieghart riu amarelo. “Já testamos, sim. Então não se preocupe, na verdade, é muito efetivo.”

“E quanto tempo isso dura no sangue?”

“Uma hora mais ou menos. Mas se houver muitos ferimentos é lógico que a poção vai acabar se consumindo mais rápido.”

Lupus suspirou. O olhar estranho de Sieghart dizia bem claramente que essa poção tinha outros fins além de curar feridas num campo de batalha.

“Eu deveria agradecer a indireta?” -Lupus deixou o frasco em uma gaveta e pegou mais uma coxinha, olhando seriamente para o de cabelos negros.

Sieghart fez “Hm?”, fingindo ser inocente e depois se despediu.

“Ei, Sieghart.”

“O que?”

“O Dio testou com você essa coisa?”

O de olhos prateados piscou e depois apertou os lábios, ficando um pouco estranho, com o rosto avermelhando só um pouco, mas Lupus conseguiu ver.

“Você sabe que eu tenho um processo de cura diferente dos outros, então eu não testei isso!”

Lupus sorriu de canto, lançando-lhe um feroz olhar.

“Foi no Dio então?”

O gladiador bufou, comendo uma coxinha e lhe apontando o dedo do meio.

“Eu não vou te dizer. E vê se não manda o Lass pro hospital mais uma vez. A Lothos vai acabar tirando ele das missões de tanto que ele vai pra lá.” -Sieghart avisou, com o dedo indicador em riste.

Sieghart foi apenas ignorado depois disso, até que o Haros novamente ficou sozinho.

XXX

Lass desligou o aparelho e suspirou. Hoje ele tinha tido finalmente a chance para voltar à base, mas subitamente todo o continente foi abatido por uma estranha tempestade.

A movimentação das correntes de ar se dirigiu para o oeste, movida pelas ondas do Mar de Patusei, e se misturou provavelmente com a nova energia na Terra de Prata.

Lass tinha encontrado um portal estranho, que não se parecia com um portal para Elyos. Mas antes que pudesse investiga-lo melhor, ele desapareceu e o retalhador foi deixado com sua curiosidade.

Agora, estava se preparando para voltar quando uma horda de ventos gelados veio na direção da cidade, cobrindo tudo. Sem escolha, ele teve que ligar avisando sobre o adiamento de sua partida.

“Ei, rapaz. Não há nenhum dano no quarto? Por favor, avise se algo acontecer.” -avisava o anfitrião, que estava muito preocupado com o estabelecimento desmoronar com a força do fenômeno. Era um homem de aparência de seus 27 anos, bastante jovial, cabelos negros e olhos verdes claros.

Lass apenas assentiu com a cabeça em resposta e se manteve no sofá. Esse hotel não era tão extenso, mas era certamente confortável, e o ninja decidiu que seria melhor permanecer no saguão, junto à lareira e dos hóspedes, que em sua maioria eram pessoas da própria cidade que estavam longe de casa e foram pegos de surpresa pela tempestade. Ficar entre as pessoas não era uma coisa que o albino apreciava, mas caso viesse a acontecer, ele estaria ali para protegê-los.

Havia bastantes crianças em volta da grande lareira, usando cobertores e toalhas para se secarem. Havia uma moça ao lado de Lass, que parecia muito assustada, e do outro lado um rapaz aparentemente mais velho que ele, que estava meio que grudado em si. Estava quente.

Havia pessoas tentando telefonar para parentes, outras que haviam se perdido dos acompanhantes e estavam tentando sair para procurá-los. Chamavam a polícia e bombeiros, mas a linha se perdia aos poucos.

Por todas essas pessoas Lass ficou em silêncio, apenas esperando essa situação acabar. Ele também havia dito que iria embora no dia seguinte, mas se a tempestade não parasse, ele não poderia ir.

Lass estava com os olhos fechados, mas ouvia tudo à sua volta. Se houvesse algum caso extremo em que ele pudesse ajudar, ele logo se dirigiria para lá, mas pelo visto não havia nada tão preocupante.

Então, para sua surpresa, sentiu algo percorrer suas costas. Abriu lentamente os olhos, distinguindo a forma de uma mão ao fim de sua coluna, acariciando devagar e tentando puxá-lo para mais perto. Lass identificou-a como a mão desse cara ao lado.

Ele tinha um rosto maduro, cabelos louros repicados e olhos afilados, íris fortes cor violeta.

Ele parecia e não parecia com seu irmão.

“Pensando nele...” -Lass automaticamente se lembrou, sentindo que o cara quase o abraçava. Lupus era o principal motivo por querer voltar para Vermécia. Estava quase desesperado para voltar.

Fazia uma semana desde que se viram e, mesmo que odiasse pensar nisso, ele deveria estar ainda na puberdade, porque sentia sensações incessantes de prazer em sequer se lembrar de como foi estar com o irmão.

“Ei, garoto. Você está muito gelado. Isso pode se tornar hipotermia.” -o rapaz ao seu lado indagou, finalmente tendo coragem de falar algo.

Lass o fitou. Sua intenção era afastar o outro com um olhar gélido, mas não pareceu funcionar.

“Me solte.” -Lass sibilou, pacificamente e duramente ao mesmo tempo. Ele sabia se impor quando queria e, especialmente dessa vez, queria que o homem se afastasse.

“Mas você está muito mal. Eu sou curandeiro.” -ele insistia, tirando a mão das costas de Lass e continuando a falar. “Não quer que eu chame algum médico do prédio? Ou deixe-me te ajudar no caso. Vamos até o quarto e poderei cuidar de você devidamente.”

Lass apertou os olhos para o tipo, que parecia devorá-lo com o olhar.

“Não preciso. Minha temperatura sempre foi assim.”

“Ora, não seja durão. Você é só uma criança, vai acabar morrendo-,”

Lass se levantou, ignorando aquele estranho e olhou para a moça que estava ao seu lado. Ela sim precisava de ajuda, estava muito gelada, quase perdendo o ar e apavorada com alguma coisa.

“Moça.” -Lass tocou a mão dela. “Você precisa de ajuda médica, eu vou chamar alguém para a senhora.”

Ela piscou dificultosamente e sorriu. Lass a deixou e caminhou até a recepção.

“A moça no sofá precisa de cuidados específicos. E por favor, peça aos seguranças para verificarem o homem que está lá também, me parece ser um tarado.”

“Desculpe, qual é seu nome, moço.” -a moça da recepção sorriu sem graça com Lass. Era com certeza uma daquelas garotas novas, e parecia ter sido empregada recentemente. Estava muito surpresa com a seriedade de um rapaz como o ninja, com esse olhar frio e esse rosto angelical.

Lass tirou do bolso um dispositivo que comprovava sua atuação na Elite e não fez cerimônias.

“Por favor, eu queria passar despercebido.” -Lass avisou antes que a menina, que estava boquiaberta, começasse a gritar.

“S-Sim! Eu vou providenciar o médico e chamar os seguranças. P-Por favor, tenha uma boa estadia!”

Lass agradeceu e saiu do saguão, dirigindo-se até o quarto.

A ideia inicial era pegar o elevador, pois, querendo ou não, suas pernas estavam meio que congelando e subir as escadas não era uma opção.

Lass tinha conseguido um quarto por ter chegado bem cedo, já que sua percepção o avisou sobre algum ocorrido natural perigoso. Ele arranjou o quarto e saiu do hotel, se dirigindo até a base da polícia local e mandando darem o aviso de tempestade forte, mas quando a notícia estava correndo, ela veio de repente e começou a arrastar tudo.

O ninja ajudou a maioria das pessoas a se abrigarem e depois que concluiu, voltou para o hotel em meio à água e o ar cortante.

O ponteiro do elevador marcou o terceiro andar quando parou. As portas abriram e aquele homem estava ali.

“Quem é você?”

Lass deu um passo à frente, colocando a mão na cintura. Suas adagas estavam ali, muito bem escondidas.

O albino até que desconfiou do tarado, mas, além disso, ele tinha um ar estranho e não o agradava nenhum pouco estar perto dele.

O sorriso do rapaz foi estreito, e por um momento ele pareceu muito débil. Ele riu um pouco, avançando em sua direção.

“Um mestiço...” -a voz do homem se tornou trêmula e grave, sombriamente rouca. Os olhos se tornaram opacos e a luz local permitiu a Lass ver como a criatura à sua frente lambia os lábios e sua sombra se tornava parcialmente maior.

“O que é você?” -Lass apertou os dedos nas adagas, firmando o pé para não entrar no elevador, principalmente com um monstro prestes a atacá-lo.

“Huhu- huhuhuhu...” -o aparente simpático rapaz moveu os olhos para analisar Lass dos pés à cabeça. “... Sou o Caçador de Caçadores.”

O albino ajeitou suas shurikens e lançou, abrindo um espaço quando o cara desviou, atravessando rapidamente pela abertura e correndo para fora dali, avistando as escadas não muito distantes.

Quando saltou, para agarrar o corrimão e supostamente descer de um veloz salto, seu pé foi agarrado e Lass sentiu todo seu corpo vibrar no ar, sendo lançado contra uma parede. Seus ossos gritaram e então o monstro o sustentou no ar de cabeça pra baixo.

Seus olhos arregalaram, vendo de primeira mão o que parecia ser um Haros, com as caraterísticas comuns: a pele marrom muito pálida, as orelhas levemente pontudas, os incisivos e caninos um pouco pontiagudos, os cabelos alourados, os olhos afilados e sem pupilas. O que o distinguia era essas grandes cicatrizes nos pulsos e no rosto um corte sobre o olho direito.

“Vou cuidar muito bem de você. Mestiço.” -pronunciou com uma voz horripilante, quase causando náuseas no ninja, que gradualmente sentiu-se perder a visão.

xxx

O asmodiano segurou Mari e Arme pelo ombro e as puxou discretamente, de forma que ninguém pudesse notar. Sieghart pareceu ter visto e automaticamente ficou alerta.

“O que foi?” -Mari perguntou, arrumando os óculos sem emoção nenhuma.

“Senti uma energia estranha na Terra de Prata. E ao que parece, é um portal, mas não de Elyos. Pode ter a ver com essa tempestade repentina.” -explicou o arroxeado, tentando deixar claro que Lass poderia estar em perigo.

“Hm. O Lupus talvez saiba que portal é esse.” -Arme cochichou. Tirando de um Pote um livro, folheando até uma página de magia de teletransporte.

“Não seria uma máquina?” -perguntou Mari, olhando o livro de Arme. “Uma magia tão forte vai te deixar muito cansada, Arme. E temos missões em grupo para cumprir a partir de amanhã.”

Lupus estava descendo as escadas quando viu os três conversando, e Sieghart parecia ouvir de longe, fingindo prestar atenção no jogo de pife que estava disputando com Jin e Ronan.

O Haros caminhou como quem não quer nada até a cozinha, buscando na geladeira aquela linda garrafa de uísque, mas não estava lá.

“Sieghart. Cadê minha bebida?” -o Haros caminhou de volta para a sala, segurando o imortal pela gola. Chegando o rosto bem perto do moreno, sussurrou. “O que é que eles estão falando?”

“Eu não sei!” -Sieghart respondeu à primeira pergunta, balançando a cabeça e descartando em sua rodada. “Sobre um portal desconhecido na Terra de Prata. A tempestade foi causada por isso.” -sussurrou.

“Quem pegou meu uísque?” -Lupus olhou para os outros dois, que ficaram curiosos pelo cochicho.

Ronan percebeu que Dio estava conversando com Arme e Mari e ficou com a pulga atrás da orelha também, mas se Lupus ia lá, ele poderia distrair o resto do pessoal na base.

“Eu me livrei dela. Não gosto que as meninas fiquem tentadas a beber álcool. Por que você não compra outra e mantém no seu quarto?” -Ronan deu de ombros, jogando sua rodada enquanto Lupus soltava Sieghart e voltava para o quarto.

“Eu vou mesmo. E vou comprar um frigobar também. Não me esperem hoje.” -Lupus subiu as escadas rapidamente e adentrou o quarto, trancando. Abriu o armário e começou a jogar algumas roupas próprias para frio intenso, os óculos de neve, as luvas e todo o material produzido pela Loja da GC especialmente para os invernos cruéis.

Tendo certeza que as armas todas estavam em perfeito estado, ele se dirigiu ao Laboratório, onde Arme e Mari já estavam decidindo o que fazer.

As duas olharam-no por cima do ombro quando o Haros adentrou já com a mala e o casaco marrom longo, os óculos na cabeça sobre a touca roxa.

“L-Lupus?!”

“Vocês não precisam armar uma máquina de teletransporte. Uma magia para uma pessoa só não vai prejudicar tanto a maga. E eu posso adicionar meu poder também para facilitar.”

Mari acenou. Era um argumento favorável e convincente no fim.

“Certifique-se de se manter constante.”

“Certo.”

“O que vamos falar para a Lothos, Lupus? Os membros não podem sair assim sem permissão!”

“Eu volto com o Lass até amanhã no máximo. Apenas a distraia se ela quiser saber. O Ronan vai ajudar vocês.”

As duas assentiram.

Arme respirou fundo, conjurando seu Cetro, ao passo que Lupus se concentrava para poder sair na Terra de Prata.

Ele poderia se guiar pelo rastro de energia de Lass. Afinal, ele era o melhor dos rastreadores e Lass foi o primeiro que marcou para encontrar caso precisasse.

“Teleporte!”

Lupus sentiu os vórtices de tempo-espaço que eram tão familiares e demorou quase meio minuto, ele estava de pé em meio a um lugar sendo varrido por ventos rápidos e fortes, tudo coberto de branco, as casas tremendo em gemidos, os humanos em silêncio dentro dos prédios e casas.

Olhando todos os lados, Lupus não soube para onde ir de início. Colocando os óculos, prendeu sua visão afiada em tudo, distinguindo pousadas, hotéis, casas e lojas.

A saída foi se concentrar no espantoso fluxo de energia naquela área. Ela se espalhava por todos os lados, mas agora eram só restos. A verdadeira fonte palpitava em algum lugar ao norte e o Haros só teve essa direção para escolher.

Mesmo que Lass não estivesse lá, ele precisaria de uma forma ou outra saber o que era isso. Para completar, ele reconhecia essa energia, e a intensidade da energia do portal que apareceu ali era muito próxima a dos portais para o Submundo.

Seu corpo estava bastante pesado por causa da pressão do ar, mas nem isso o impediu de chegar na frente de um hotel que não era nada a cara de Lass, contudo, ali, alguns metros acima do chão a energia trepidava.

Lupus bateu no vidro resistente da porta, que foi aberta por um homem. Sua passagem foi permitida, e assim que tirou os óculos, avistou montes de pessoas tentando se esquentar na frente de uma grande lareira. Pessoas assustadas e atingidas pela tempestade.

O Haros não teve muito tempo para pensar, vendo que a recepção estava vazia. Caminhou na direção dos sofás, onde havia uma moça sentada sozinha com um médico.

“Com licença. Estou procurando uma pessoa.”

A moça tinha um semblante abalado, a pele estava um pouco arroxeada e o médico dizia que não tinha nada mais a fazer, deixando-a ali.

“Um garoto de cabelo branco, olhos azuis. Fala pouco, é bastante sério.” -Lupus explicou.

A moça sorriu para ele lentamente, quase como se doesse fazer isso muito rápido. Ela provavelmente estava morrendo.

Lupus entendeu que ela sabia quem ele era, ou seja, ele estava aqui. O Haros estava pronto para correr onde a energia continuava só aumentando, e também a mescla do que reconheceu como a aura de seu irmão mais novo, quando pensou um pouco mais e tirou da bolsa a poção que ganhou de Sieghart.

“Tome isso.” -Lupus abriu, colocando o frasco nos lábios partidos da moça.

Lupus apenas a deixou ali ao ver a cor do belo rosto que ela tinha voltar ao normal, correndo para as escadas. Ela somente piscou, sentindo seu corpo parar de doer e recuperar a temperatura, sem poder agradecer.

XXX

Lass se rebateu, chutando a criatura que queria alguma coisa sua.

“O que você quer?!”

A mão rude apertou seu pescoço, enforcando-o. O sorriso tinha desaparecido assim que Lass conseguiu impedi-lo de tocar seu corpo.

“Se você não liberar seus poderes não terá como absorvê-los.” -o estranho resmungou, apertando ainda mais seu pescoço, pressionando uma marca ali. “Mas você é o primeiro mestiço que encontro. O que eu supostamente deveria fazer? Te vender para as altas classes de Asmódia? Quem sabe um líder te queira como escravo.”

Lass rangeu os dentes, tentando respirar, o que era quase impossível. Suas mãos tinham perdido estranhamente a força, e a paralisia não o permitia se mover rapidamente. Estava quase inútil, mas ainda podia chutá-lo e armar alguma armadilha para distraí-lo e poder se curar.

Ao pensar na possibilidade de se tornar um escravo, Lass automaticamente se lembrou de sua vida até a Grand Chase aparecer. Sempre havia sido um escravo e, por esse poder maldito, sempre estavam querendo mantê-lo submisso, atrás de grades e embaixo dos pés deles.

Somente pensar... Ele não suportaria. Mas, pelo contrário, ele agora acreditava que estava livre. Ele não seria abandonado.

“Eles podem até me zombar. Me irritar de tal forma que chega a ser insuportável me manter na presença deles. Não importa, eles me salvaram e me libertaram. Devo a eles o que sou agora e não voltarei nunca a ser aprisionado, seu monstro.”

O outro sorriu de ponta a ponta, aproximando o rosto e com a outra mão tocando o peito de Lass, roçando os dedos na abertura de sua camisa.

“Ou talvez eu deva te violar e causar tal ódio que você despertará as chamas?...”

O arrepio que percorreu o albino foi tão imenso que seus olhos se fecharam pelo ar que faltou.

Com um estrondo a parede foi ao chão, e a poeira tomou conta de todo o lugar. Em seguida só se ouviu tiros e o som de um corpo no chão.

Os sons dos ventos da tempestade batendo contra vidraça não paravam, balançando as árvores dos fundos e os galhos batendo nos vidros e os despedaçando.

“O portal continua aberto em outro lugar, então?” -Lupus concluiu, segurando Lass e olhando para o responsável do outro lado do quarto.

Os olhos do Haros arregalaram-se ao avistar um ser que não esperava. Agora não sabia se foi uma boa ideia vir. “O que estou pensando? O que ia acontecer com o Lass se eu não viesse?”

O outro pareceu surpreso, e após poucos segundos olhando os dois rapazes, colocou as mãos na cintura.

“Ah, entendo. Wild.” -ele riu gostosamente. O criador do portal era um Filho de Hades renegado. “Eu devia saber que era você quem estava nessa dimensão. Tinha reconhecido uma nova fonte, mas de certa forma familiar, por aqui.”

“Está nos caçando agora, Prize?” -Lupus levantou Lass, olhando rapidamente que ele estava bem, só desacordado. “Você sabe que não tem nada o que fazer por aqui. Vá se retirando, você sabe também que não pode ganhar de mim. E esse rapaz está sob a minha proteção.”

O chamado Prize estalou a língua, irritado.

“Vir à toa e não levar uma lembrança não faz meu gênero. Lupus.” -Prize apertou o olhar para o Haros, que para constar o conhecia muito bem. “Você só quer as chamas desse mestiço, não é? Já notou que ele não é capaz de despertá-las?”

Lupus tocou a testa de Lass. Estava aparentemente bem, só gelado, mas isso era normal.

“Você não sabe de nada. E é melhor que ele continue assim. Sugiro que dessa vez você volte sem mais problemas, ou te mando para o Hades agora mesmo. Não volte nunca mais.”

Prize empurrou os cabelos louro-dourados para trás, fulminando Lupus com o olhar. Não o suportava. Eles eram da mesma tribo e mesmo assim o odiava, por seu orgulho quanto à posição e a arrogância com os outros.

Era a conhecida rivalidade, porém, não havia um nível de igualdade entre eles, já que Lupus era superior em todo o Submundo depois do próprio deus regente e de seu pai, que saiu pelos mundos como se fosse livre para fazê-lo.

Linx Prize negou o Submundo e foi trabalhar para as tribos inimigas, assumindo-se como caçador de caçadores, disposto a viver contra sua raça.

“Por que ele está sob sua proteção? Pelo que sei os únicos mestiços existentes são os filhos de seu próprio pai, e você não quer saber deles.”

Lupus mordeu o lábio por dentro. Mais do que ninguém ele já sabia disso em primeira mão.

“Não interessa. Assim como você, eu também mudei minha percepção. Agora volte, pois querendo ou não, eu não tenho nada contra você.”

Prize rosnou e moveu a mão, fazendo a vidraça abrir e uma rajada de ar vir com força, cobrindo a visão de Lupus. Ele desapareceu com uma zomba: “Então você agora está cuidando do irmãozinho... Interessante.”.

Assim que a voz dele sumiu, o ar parou de mover as roupas de cama e a poeira da destruição no quarto. Lupus mantinha Lass em seu peito, protegendo-o do ar cortante e da enxurrada que se seguiu, batendo na sacada do hotel.

Vendo que o pior havia finalmente passado, Lupus sentiu o irmão se remexer um pouco. Afastando-o pelos ombros, viu-o piscar os olhos, estranhando-o e tocando a garganta.

“L-Lupus?” -Lass perguntou, um pouco rouco. Ah, parecia que a pressão em seu pescoço continuava lá. “Por que veio?”

O albino, ao mesmo tempo em que sentia profundo apreço por Lupus estar ali, sentia um estranho constrangimento. Seria pelos dias que não se viram? Ele, mesmo que devesse ficar preocupado com o inimigo, não conseguia deixar de sentir essa satisfação especial pela companhia de seu irmão mais velho.

“Idiota.” -o mais alto esfregou sua cabeça, com a mesma expressão séria de sempre. “Claro que eu descobri que você estava passando por maus momentos. Mas agora está tudo bem.”

Lass abaixou os olhos, deixando-se acalmar. As mãos de Lupus eram muito parecidas com as do inimigo... Mas a diferença era a intenção nelas.

Se fosse rever, Lass não tinha poder contra as mãos do irmão. Eram tão quentes e suaves, a pele não era áspera como se espera de um usuário de armas como as dele, e os toques delicados dedicados somente a si o desarmavam completamente.

Mas não só os toques físicos. Os toques com o olhar também.

Lass conseguia ver claramente quando Lupus lhe lançava olhares mais do que sérios, significativos.

Mesmo durante os cafés da manhã na base, ele podia ver os olhos opacos o descobrirem de cada peça de roupa e violá-lo em cima da mesa. O albino via inúmeras coisas e, logo, já não sabia se era sua mente pregando peças ou se era o mais velho implantando essas coisas em sua mente.

Bastava que Lupus o tocasse e ele viajava.

Mas, apesar de tudo, eles não se tocaram fisicamente mais do que duas vezes — inesquecíveis momentos durante um banho e numa cama de pousada.

Era tudo o que Lass queria quando voltasse. Tocá-lo.

“Vamos voltar para a base? A tempestade finalmente acabou.” -Lupus disse ao ajudá-lo a se levantar.

Lass olhou pelo vidro despedaçado. A lua crescente estava parcialmente coberta por uma fria névoa, mas sua brilhante cor amarelada a traspassava.

“Será que todas as pessoas estão bem? Eu não queria ir embora antes de ter certeza que está tudo em ordem.” -Lass falou em voz baixa, olhando para os danos feitos.

O mais velho suspirou.

“Estão todos bem. Até a humana que estava com hipotermia.” -Lupus tocou seu ombro, puxando-o para saírem dali.

Bem quando saíram, a garota da recepção tinha acabado de sair do elevador e viu a destruição na parede. Ela se aproximou dos dois, que tiveram que explicar tudo.

Depois de toda a parte burocrática Lass estava disposto a voltar com Lupus, ainda mais depois de sua explicação sobre a situação na base — a parte em que ele saiu escondido.

Lass tinha terminado de falar com os seguranças e Lupus ir ao caixa pagar os estragos, e estavam quase pegando o elevador para irem ao quarto do ninja quando a moça da hipotermia os abordou.

“Muito obrigada. Aos dois.” -ela fez uma reverência e chorava que nem criança. Segurava a mão dos irmãos fortemente e, sob o olhar aliviado dos dois, ela prometia. “Eu nunca vou poder retribuir, mas obrigada por salvarem minha vida. Nunca vou esquecê-los.”

Lass tocou o ombro da moça e sorriu um pouco. Esse era seu máximo para poder sorrir.

Sua compaixão era adorável. E Lupus nunca conseguiria achar outra palavra para descrevê-lo.

Os dois já estavam muito longe do hotel quando avistaram um aparelho grande no meio da rua, no mesmo lugar onde Lupus tinha chegado. O moreno o reconheceu pelas cores e tocou-o numa saliência lateral. Uma tela surgiu e a aparência conhecida de Mari apareceu tomando uma bebida, com os cabelos presos.

“Ah, você chegou. Pensei que você iria querer voltar agora mesmo, então mandei a máquina.” -a azulada explicou, arrumando o óculos e apertando alguma coisa, fazendo a máquina abrir a porta. “Entrem, vou trazê-los.”

Lass entrou, cumprimentando a tecnomaga, e se ajeitando no espaço, esperando Lupus vir.

Era certo que Prize voltaria, pois ele não ouvia ninguém, nem o próprio Lupus. Mas agora era outra história. Lupus sorriu de lado e entrou na máquina de teletransporte.

Em poucos segundos estavam no Laboratório.

XXX

Logo que o ninja apareceu na sala da casa, levou um susto tão grande que quase teve um treco. Lupus teve que segurá-lo pelos braços para o albino não fugir.

“Depois de todo o trabalho, você não vai estragar tudo!” -Lupus pronunciou, obrigando o irmão a suportar ficar entre os “odiados” membros da Grand Chase.

“Por que vocês...” -Lass ficou olhando tudo, incrédulo. Amy o abraçou, entregando um embrulho. Rosa.

“Ahahaha, eu sabia que ele ia fazer essa cara! Não perde isso, hein, Rey!” -Dio cotovelou a asmodiana, que ignorou-o e deixou as câmeras dimensionais fazendo seu trabalho.

Lass foi uma vez atrás da outra sendo abraçado, como se tivessem o costume de abraçar os outros.

Ryan, por exemplo, o girou no ar, deixando-o duplamente constrangido. Dio quase o mordeu, hipnotizado pelo cheiro do ninja, mas Sieghart o empurrou e abraçou Lass, quase o assediando, enquanto Ronan o abraçou todo respeitoso, e Jin quase o amassou de tão forte. Zero o abraçou quase sem encostar... E quando veio Azin o albino ficou em guarda para não ser pego em uma pegadinha como era de costume do ryujin, fazendo todos rirem.

As meninas praticamente o amassaram de tantos abraços e também beijos, desejando o melhor aniversário de todos.

Tudo estava muito colorido para seu gosto. A comida era muito gordurosa. Havia muitas bebidas alcóolicas e não eram sakê. Os presentes eram bizarros. Desde urso polar de pelúcia até um vibrador. Além de duas fantasias de gatinho e coelho provavelmente compradas em uma sex shop, uma lingerie azul de renda, doces, bombons de côco, tubo de lubrificante, camisetas, afiadores de lâminas, uma armação de cintas que mais tarde veio a descobrir que era para bondage, um conjunto de adagas novas, uma calcinha preta fio dental, e alguns outros extras de outras pessoas como Lothos, até mesmo da Rainha de Canaban e umas fãs da Academia Violeta que Arme havia apresentado.

No fim, o ninja só conseguiu agradecer, rindo — em seu nível normal — e aproveitar pela primeira vez com os amigos algo que ele nunca pôde ter.

Enquanto se passava a celebração, os jogos, os filmes e os desafios, as histórias e piadas, Lupus conseguiu ver naquele ambiente algo muito mais profundo no ser humano. Sim, ainda era difícil para ele entender, mas sabe... Era demais.

“Lupus!! Você não deu presente pro Lass? Não vi o seu!” -Holy veio pra cima do Haros, balançando-o. A garota tinha bebido um gole de uma batida e já tinha ficado estranha.

Dio e Sieghart sentaram-se ao lado do moreno e sorriram.

“É, Lupus! O que você vai dar?” -perguntaram, os dois apertando seus braços.

As meninas ficaram curiosas também, todos dirigindo o olhar para o Caçador.

“Eu...”

Lass ficou um pouco vermelho e não conseguiu manter os olhos diretamente nos do mais velho. Quase movido pelo efeito visual, Lupus colocou a mão sobre a boca, fingindo pensar.

“Hm... Meu presente é secreto. Só o Lass vai ver.” -o moreno sorriu para aqueles crianças, que no mesmo momento começaram a protestar.

Lass acalmou-os.

“Tudo bem, pessoal. Ele não quer que vocês vejam.”

Lin segurou a calcinha jogada ali em cima da mesa. Os meninos não tinham o mínimo de vergonha mesmo pra dar uma coisa dessas.

“Ei, Lass, você vai usar essa lingerie e essa calcinha? Tem umas coisas que-,”

“Claro que não!” -Lass avermelhou dos pés à cabeça, jogando a calcinha na cara de quem a deu: Sieghart.

“Me aguarde, Lass.” -o moreno sorriu de canto, maldosamente. “Lupus, toma aqui! E se certifique de que ele vai colocar!”

“Sem brincadeiras, pessoal.” -avisou a ruiva, metendo um plástico engordurado na cabeça do tataratataravô. “Vamos ao próximo jogo que amanhã começa as missões em grupo. Enfim o tempo abriu!”

Algumas horas depois...

Lass deitou-se de bruços, esperando. Seu rosto estava vermelho das bebidas, e metade das vestimentas despidas. Estava muito calor... E ele queria sentir ainda mais.

Ouviu a porta do seu quarto sendo fechada e trancada, e depois disso os sons sorrateiros dos pés se arrastando até o pé da cama.

“Hm...” -Lass sentiu dedos macios e longos tocarem sua nuca, deslizando por seus fios brancos e acariciando-os com uma mão enquanto a outra tocava seu ombro e uma carinhosa umidade pousava em sua nuca, um suave beijo, e logo ela se tornava uma quente lambida.

A respiração nessa zona erógena estava descontrolada, um aperto mais forte fez com que o ninja encolhesse as pernas, apertando-se contra o colchão.

“Já esperei bastante...” -a voz grave em seu ouvido estava movida pela bebida também, mas totalmente em seu pensamento racional. Não era como se o irmão mais velho fosse fraco com álcool, ele não o era nem um pouco.

Os dentes rasparam levemente e o albino gemeu baixo, antecipando tudo; o meio de suas pernas tornava-se apertado.

O moreno apoiou os joelhos na cama, afundando o colchão com seu peso enquanto ficava sobre o corpo do irmão mais novo.

“Você vai vestir a calcinha, não vai?” -indagava Lupus, mordiscando as costas pálidas, eroticamente macias. Suas mãos passeavam pela extensão do corpo menor, roçando os dedos por cada centímetro dessa excessiva forma atrativa.

O menor virou-se para poder dizer ao mais velho:

“Do que adianta se logo vou ter que tirar?” -os olhos azuis embaçavam-se de desejo se encontrando com os vinhos luxuriosos. Os lábios pequenos se separaram, molhados de saliva, dando a vista do músculo vermelho cor maçã passar pela parte interna do lábio inferior. O rosto ruborizado.

Lupus quase pôde sentir essa língua dentro de sua boca.

A pele do albino eriçou ao ser tocada pelas mãos tão esperadas. Como se tivesse passado uma onda de ar frio e acariciado seu corpo com suavidade tão insinuante a ponto de seus prazeres avivarem.

O mais velho pousou um dedo nos lábios de seu pequeno amante e tocou seu maxilar com a mão livre. Baixava o dedo e movia o lábio na mesma direção, pressionando-o. Lass semicerrou os olhos, movendo a língua e o lambendo de forma úmida e lenta.

Lupus apertou ainda mais os joelhos no colchão, aproximando suas bocas. A mão esquerda deslizou pelo rosto afeminado e acariciou até se apoiar atrás da orelha, roçando os dedos na área nervosa.

“H-hn...”

Lupus aproveitou o gemido para prendê-lo em um beijo macio, recebendo as mãos delicadas em seu pescoço. Os dedos arranharam sua pele, puxando-o mais forte contra si. As línguas se entrelaçaram avidamente, bem no instante em que se tocaram, criando um clima quase surreal entre eles.

O gosto em si não importava, mas o movimento, o desespero e a busca da satisfação nele; também a interação de seus sons, de como num instante estavam apegados e trocando carícias onde dava mais prazer, sem nenhuma troca de palavras, apenas por instinto.

“Lupus...” -a voz de Lass arrancava de Lupus sua maior preciosidade. Tirava a face de apatia, fazia-o tremer e suspirar entre as trocas de lábios e a cada movimento de sua língua sobre a do ninja.

O moreno deslizava as mãos cegamente, tocando o peito magro, sentindo a respiração rápida e as batidas fortes do coração. A pele suave estremecia sob seu domínio e a suspensão de Lass balançava, fazendo-o afastar os lábios para arfar. Os dedos molestadores tocavam seus mamilos enquanto a língua forte e experiente alcançava abaixo de sua orelha e chupava tendo certeza de deixar uma linda marca arroxeada.

O corpo tremeu e se não fosse pelo braço de Lupus tê-lo apoiado, Lass teria dado com a cabeça em alguma parte da cabeceira da cama. Contudo, assim que a carícia em seu pescoço terminou, uma nova foi acontecer em sua cintura. Os dedos longos pressionavam e massageavam esse lugar que era uma das partes que mais atiçavam a mente do retalhador.

“Ah-,”

Um sopro no mamilo entumecido;

Lass viu alguma luz brincando com sua visão, mas logo se distraiu novamente, torcendo os dedos nos cabelos ondulados de seu irmão.

“Lupus...”

O mais velho calou o menor, mas os gemidos em sua boca continuavam enquanto, sorrateiro, sua direita descia até o cós da calça, ameaçando abaixá-la. Lass grunhiu ao sentir seu corpo ser deitado com rudeza.

Uma mordida em seu pescoço e uma mão cobriu sua entreperna. O aperto e o calor o fizeram separar as coxas, movendo o quadril mais para o toque.

Sentindo toda a aceitação que não esperaria uns tempos atrás, Lupus se preparou para desfrutar de seu irmão pela mísera terceira vez.

Ele não podia entender como havia se segurado tanto com Lass. Era certo que Lass era esquivo demais e, quando realmente não queria, sempre tinha um truque pra deixa-lo na mão. Era irritante, mas soava como um desafio. Era a presa mais difícil de todas, e era ótimo... Por que Lupus adorava caçar.

O volume se intensificou na mão do moreno, e com o mínimo de dó apertou-o, massageando-o firmemente como faria a si mesmo. Lass contorceu o rosto e dobrou as pernas, ficando tão vermelho quanto o maior gostava. As mãos em seus cabelos mesclados de dourado agarravam com selvageria e os puxava sem piedade, gemendo com o prazer.

Quase grunhindo, Lass soube nesse momento que estava no limite. Os dedos o torturavam desde seu saco, subindo e esfregando por cima da calça com toda a violência erótica de um Haros, ou somente mesmo todo o sensualismo que seu irmão esbanjava com naturalidade.

Os mordiscos em seus lábios continuavam ao que a mão abaixo de sua orelha descia diretamente para o mamilo direito, beliscando-o umas três vezes, sendo tão maltratado que a coloração em par com a rigidez adquirida o tornava duas vezes maior que o outro.

Seu zíper foi aberto num piscar de olhos e os dedos esguios tocaram a borda da peça cor branca curta, puxando-a para invadirem e tocarem de cara a glande da adorável ereção.

“Hm!” -Lass desceu os dedos para tocar os ombros de Lupus, sem permiti-lo ver seu olhar. Era tão delicioso quando o tocava, explodiria se fosse além, e era com toda certeza que iria continuar.

Lupus suspirou com a boca junto à base do pescoço do garoto, tocando levemente essa área tão sensível. Abaixou a calça do irmão o melhor que pôde, até conseguir enrolá-las nos pés e jogá-la pra fora da cama, então sim, ele contemplou melhor a masculinidade do albino, notando-o tão rígido e latejante para si.

Os dedos acariciaram por cima, devagar para que Lass pudesse sentir tudo. Com cuidado, o maior mordeu o pescoço do irmão ao mesmo tempo em que apertava a carne lisa rosada, fortemente, quase o espremendo.

Lass agarrou-o no primeiro instante, despejando um grunhido de satisfação no ar. Seu irmão descia a mão na mesma intensidade, apertando-o e massageando-o, começando a mover a mão por sua extensão.

Lupus soltou-se do pescoço, já muito marcado, para atacar os ombros e impor um ritmo nessa masturbação rude. Ele normalmente seria gentil o tanto quanto conseguisse, contudo, já era tempo que ele não tinha conseguido ter um orgasmo bom o suficiente sozinho desde que esteve com Lass.

Tornou-se uma necessidade única.

“A-ahh!”

Desde o membro, Lupus encarou-o com a fronte já úmida. Seus dedos desceram perigosamente, acariciando as bolinhas rosadas. Ele sorriu de canto para isso enquanto seu irmão encolhia de constrangimento.

Lass sentia-se quase como uma criança sob a mira de um adulto lindo e pervertido. Quer dizer... Muita vergonha, mas impossível de resistir. A sensação de cada toque e do calor, dos arrepios, faziam seu corpo reagir de forma imparável.

“I-Idiota...” -resmungou o albino, dobrando o abdômen quando os dedos indicador e do meio alcançaram sem vergonha sua entrada.

Lupus recebeu nas pontas uma contração do ânus rosado, atiçando totalmente seus sentidos. “Oh meu Deus...” -pensava juntando as sobrancelhas enquanto sua boca produzia uma quantidade incrível de saliva. Seu membro inchava pouco a pouco, Lass apertava as coxas em sua cintura, apertava os dedos em seu ombro e logo Lupus não tinha percebido que estava tão quente entre eles que suava.

“Tire a roupa.” -Lass sussurrou, irritado por continuar sendo o único despido. Era muito excitante... Mas o envergonhava demais e ele poderia desmaiar em breve.

O membro do maior contraiu-se dolorosamente. Lupus fechou os olhos, contendo um gemido e moveu as pernas para que pudesse ficar com o quadril de Lass entre suas pernas, então sentou-se no colo do irmão, que arfou com o peso. Olhando-o de cima, Lass parecia realmente com um garotinho inocente.

“Então você quer um showzinho?” -Lupus sorriu mostrando os dentes caninos e incisivos, tão felino que o próprio sentiu-se tentado a transformar uma noite de sexo em uma noite incansável de sexo.

Lass ia falar algo, mas o maior já tinha se tornado sério, desabotoando a camisa branca transparente que grudava em sua pele, rapidamente. Ao descê-la pelos ombros, segurou o braço de seu parceiro ruborizado em cima da cabeça.

“O-O que?” -Lass tremeu, sentindo Lupus segurara seu pênis e brincar com ele entre os dedos, não produzindo todo o prazer que desejava sentir. Era horrível, esquentava a pele, e trazia expectativas de um forte clímax, mas ele não vinha.

Lupus deixou-o e levou a mão para a própria calça, desabotoando-a e abrindo-a. Não fez muito mais depois, apenas abaixou a peça íntima preta, envolvendo seu membro.

Lass não sabia para onde olhar. Para os olhos que o hipnotizavam, extremamente sérios e luxuriosos, ou para como se masturbava bem rente a sua ereção necessitada, mas sem sequer encostar nela. Seu braço estava preso e o outro até tentou dar atenção a si mesmo, mas Lupus parou sua movimentação para segurar seu braço e coloca-lo junto com o outro.

“Não seja impaciente.” -sibilou com um sorriso maldito que Lass conhecia bem. Esses surtos de dominância eram bem comuns de Lupus e eram característicos em seu cotidiano também.

“Pare de mandar em mim. Quer que eu te castre?” -Lass apertou as brancas sobrancelhas.

Não teve resposta a não ser uma investida bruta de seu irmão. Seus membros se encontraram e se esfregaram, e continuaram se esfregando já que o Haros imitava uma penetração, roçando seus corpos e mordendo sua boca, apertando seus braços e lambendo seus lábios até poder beijá-lo profundamente. Seus abdomens e peitos roçaram até que Lass perdesse totalmente o ar e gemesse para que o irmão parasse.

“Ainda vai me castrar?” -Lupus soltou-o para segurar seus membros juntos. Houve um gemidinho de queixa, mas Lass não conseguiu resistir quando teve o que queria.

Com a respiração entrecortada, o albino levou a mão junto com a do maior e aceleraram até que seus pulsos doessem. Seu semblante vertido no puro êxtase causava um tremor desconhecido em Lupus e, isso havia acontecido poucas vezes em seus momentos intensos, mas os dois gozaram sobre o outro, com fortes suspiros e sons desconectados.

A mistura aflorou nos dois um aroma extasiante. Lupus juntou seu rosto delicadamente com o de seu baixo companheiro e buscou-o novamente... Precisava beijá-lo.

Os corpos iluminados por uma escassa luz exterior se enredaram e caíram sobre a cama com beijos demorados e lascivos, enquanto as mãos do mais velho percorriam as coxas e massageava a pele até transformá-la em uma extensão nervosa concentrada apenas em seu contato. Nem o calor do dia afora se comparava com o dos dois.

“L-Lupus... H-hnm...” -gemia com a voz rouca.

A linha formava um tênue brilho de luz em seus queixos e lábios, escorrendo por sobre suas bochechas e pescoços, desde os ombros até peitos.

Lass afastou-o para poder respirar, porém, desceu as mãos nas pernas do mais velho, segurando a calça que ainda permanecia, puxando-a debilmente em um pedido para que o maior se desnudasse também.

Lupus sorriu para a ação que soava tão fofa e decidiu desistir de seus fetiches nessa noite. Ele estava meio bêbado e seu irmão só ia bem com sakê. E hoje ele tinha tomado uísque, o que Lupus mais gostava e o mais forte também.

Além de tudo, ele teria que presentear seu irmão.

“Falando seriamente... Eu não sei o que devo te dar.” -Lupus beijou-o num selinho molhado e lambeu a saliva, olhando-o com convicção. “O que você quer, hein, Lass?”

Com esse tom de voz, Lass ficou com a mente em branco e sua rapidez em responder surpreendeu seu irmão idiota.

“Que você cale a boca e me deixe fazer parte disso.” -Lass empurrou-o levemente, relembrando-se da primeira vez. Numa banheira ele tinha feito seu primeiro oral e foi extremamente bem.

Lupus não teve tempo de questionar, pois Lass já o tinha deitado aos pés da cama tocando seu membro. Finalmente livres das roupas, o albino apertou os dedos da mão esquerda sobre o abdômen do mais velho e expôs a língua com um sorriso curto, que já era muito difícil de mostrar, se inclinando de vez.

Lupus só viu uma mescla de vermelho com branco quando Lass agarrou a base de seu pênis e chupou a glande. Os olhos se fecharam e, com esse rosto fofo, Lupus estremeceu fortemente diante uma representação muito real de um bebê mamando, mas esse era muito sexy.

“La... Lass... Ah, merda...” -sussurrou gemendo.

Lupus segurou os fios brancos, sabendo que dentre todas as coisas, quando Lass fazia isso ele não conseguia se controlar. A boca descia e toda a carne apertava-se dentro da cavidade molhada, onde a língua enrolava-se e o delineava, mamando e chupando... Sugando e mordendo...

“AAH...” -Lupus tocou os fios com as duas mãos e esticou o pescoço para trás, delirando ante o orgasmo perfeito que Lass conseguiu proporcionar em si.

Na visão de Lass, Lupus tinha os cabelos esparramados e brilhantes, as pálpebras apertavam-se e as bochechas estavam tão coradas quanto se pode imaginar nele, mesmo que não fosse a mesma intensidade de vergonha que a de Lass. Ainda assim, para quem olhasse agora veria que Lupus podia ser fofo também.

Subindo lentamente, Lass deixou que sua língua fosse a última a se separar do potente membro, ainda mais vivo e só esperando por uma boa dose de penetrações para se satisfazer.

Lupus arfou uma última vez e levantou o olhar para Lass, que havia mantido um ritmo curto com a mão, acariciando seus testículos e se atrevendo a descer os dedos até o ânus do mais velho.

“Você acha que vai ficar por cima?” -Lupus perguntou, incerto sobre devia ter dito algo.

O albino pressionou-o um pouco e mordiscou a glande avermelhada, trazendo um suspiro na boca do mais velho.

“Não quero ficar por cima. Não hoje.”

Lupus riu baixo, achando engraçado como o ninja tinha coragem de falar uma coisa dessas depois de se entregar pra ele como tinha feito das outras duas vezes. Era um passivo por natureza, não ia mudar.

“Só quando você tiver colhões maiores do que os meus, coelhinho.” -Lupus agarrou com força o braço pálido, marcando-o com sua mão, e o puxou para cima de seu corpo.

Quando o fez, Lass, espantado, tinha ficado com o rosto colado ao do irmão. Lupus deu um sorrisinho travesso e apertou as nádegas do mais novo, abrindo-as de pronto e esfregando seu quadril no dele.

“A-Aw... Hng... Lupus!” -Lass tocou o colchão e ia se afastar só um pouco quando o moreno os virou, colocando-o de costas no colchão.

“Você é meu.” -Lupus sorriu, tocando seu membro banhado de saliva e gozo, tocando-o na abertura rosadinha, enrugada e pulsante, um pouco menos estreita do que o normal, mas ainda assim, muito estreita.

Lass não reclamou, levantando os braços para segurar-se na borda da cama, e afastou as coxas roliças somente para o maior adentrar.

“A-Ahh...”

Os dois moveram-se o mínimo, apenas guiando-se pelas expressões. Lupus observou com atenção como a abertura dava um espaço escasso e sua glande entrava pelo anel, sendo pressionado deliciosamente. Ele ainda se perguntava como Lass aguentava uma coisa dessas... Ele não era nada pequeno, e o canal do garoto era como de uma menina de 13.

“Hmf...” -Lass mordeu seus lábios, sentindo a extensão entrar um pouco mais, fazendo todo o canal se expandir em um ponto. “AH!”

Não era mais tão doloroso como antes, mas continuava a ser uma droga. Eles tinham deixado os preparos de lado, mas mesmo assim o intenso prazer que sentia devia-se à verdadeira apreciação.

Combinados, dor e prazer, Lass sentiu que a ardência não era tão terrível se fosse preenchido com jeito; o tamanho se adequava se ele relaxasse e movesse da maneira certa; a extensão poderia ir tão longe que ele ficaria temeroso a primeira vez, mas agora conseguia sentir onde estava o real prazer.

“Lupus...” -Lass o olhou com pouca expressão chorosa. Não importando se ele era ridículo ou não...

“Sim?” -Lupus respirou profundamente.

Lass piscou, vendo que a tarefa do maior tinha acabado de se tornar maior que a sua. Uma vez que ele não sentia mais dor, nele só existia prazer, mas em seu amante havia uma expressão de descontrole o qual não podia impedir. Isso deveria doer.

“Não se contenha...” -pediu, beijando-o longamente, mexendo seus quadris para o membro que tinha inteiro dentro. O gemido do maior o fez rir baixo, então moveu-se de novo, levantando as pernas para entrelaçá-las nas costas do mais velho. “Eu não quero mais nada além disso...”

Lupus apoiou-se pelos cotovelos, beijando o rosto de seu irmão mais novo. Os cabelos brancos continuavam com um volume comportado e o formato da franja dava um ar maduro para ele.

“Eu quero.” -Lupus pronunciou, fazendo sua voz imponente, seguindo com um sorriso maldoso. “Quero que me ame e que diga enquanto transamos.”

Lass arregalou os olhos, virando o rosto, tomado pela vergonha. Demorou uns segundos para reagir, mas inspirou fundo, com uma expressão irritada.

“Mas hoje é meu aniversário. E eu quero que você não pare agora. No seu você pede o que quiser.”

Lupus arqueou uma sobrancelha, sorrindo largamente. Suas mãos apertaram-se na colcha e seu movimento o fez acertar a próstata, fazendo Lass ter espasmos e gemer tão alto que certamente alguém devia tê-los ouvido.

“Vou tomar isso como uma promessa.” -Lupus beijou sua bochecha, começando a ritmar suas investidas.

“A-Ahnn... Hnnn...” -Lass virava o rosto no colchão enquanto Lupus trabalhava com o quadril, sustentando as coxas molhadas pelo suor.

O membro de Lass movia-se ereto, sentia os testículos contra seu corpo e o orgasmo escorrendo por sua barriga lisa, escorrendo por seu umbigo e descendo além de seu ânus e suas pernas para despejar no colchão. Suas mãos buscavam o apoio no pescoço do mais velho e às vezes na cama, mas cada movimento o esfregava contra o tecido da colcha e a facilidade com que o membro de Lupus deslizava era por causa desse líquido consistente e extremamente cheiroso.

Lupus respirou alto em certo ponto, diminuindo a velocidade e tomando o membro do irmão nas mãos, inclinando-se até poder beijá-lo e mantê-los próximos. Quando voltou a ficar de joelhos, Lass se sentou, pedindo para que ele se sentasse também.

“Lass eu nã-,”

O ninja o ignorou, envolvendo seu pescoço, deslizando os dedos como se estivesse analisando a pele onde tocava, e manteve os joelhos no colchão.

“Hm...” -Lass juntou seus corpos num forte abraço, pousando o rosto nos fios dourados. Inspirou o cheiro deles... Amava esse cheiro, Deus.

Com um pequeno impulso, sentiu o pênis em seu interior sair um pouco, e depois se abaixou para ser invadido com força, ouvindo um suspiro ofegante. As mãos o apoiaram e passaram por seus glúteos e costas, fazendo todos os calafrios se repetirem.

Sentindo-o tão intenso assim, Lupus fechou os olhos, aproveitando do sexo mais pacífico e envolvente com Lass... Lento, profundo, e pleno.

Como se o prazer fosse alcançado apenas se estivessem tão unidos assim.

Lupus então sorriu para o ar, abraçando o corpo que subia e descia lentamente; o peito que subia e descia estava no alcance de seus lábios sedentos; a respiração entrecortada do irmão o excitava e os gemidos a cada estocada faziam-se muito sensuais.

“A-Ahnn...” -Lass se retorcia e dobrava os dedos na nuca de Lupus e gozava.

O moreno o acompanhou, sentindo a consistência leitosa e extremamente erótica do rapaz descendo por sua pele em direção ao seu abdômen. A mesma consistência confortável enchia o canal desde o mais profundo até novamente alcançar a abertura e deslizar muito lentamente pelas entrepernas de Lass.

Os irmãos pararam de se movimentar quando Lass descansou sobre o colo do mais velho, ofegando. Continuava vermelho dos pés à cabeça, febril e cansado. Os olhos baixos e a boca avermelhada marcada com a saliva.

A torpeza tomou os corpos frágil e rígido, sendo necessário que se mantivessem em silêncio e imóveis. Lupus olhava suas virilhas juntas, toda a área sob sua visão estava coberta de gozo e, para ele, foi a coisa mais real que tinha vivido.

Piscando lentamente, o Caçador finalmente chamou a atenção do menor, deixando-se cair para trás, levando-o junto.

“Hm. Lass... Você percebeu alguma coisa estranha agora mesmo?” -Lupus indagou sorridente para o teto.

O albino, quase dormindo, respondeu sem entender muita coisa.

“Hm... Foi ótimo... Só isso que eu sei. Agora vamos dormir, tá legal?” -Lass falava meio perdido, beijando o pescoço do mais velho e imediatamente caindo no sono.

Lupus suspirou, afagando os cabelos brancos do menor. Tinha sido mesmo ótimo. Mas não era sobre isso que estava falando.

Os olhos opacos alcançaram o teto de novo e Lupus abraçou Lass, cobrindo-os com um lençol caído no chão. Em seguida, aconchegou-se com um sorrisinho discreto, sentindo de novo a coisa estranha.

Fim da 1ªParte

Notas finais
E então? Ficou muito grande né? E acho que não caprichei no lemon, mas ok. Reviews?