Revelado II

2 Revelado II part.02


Notas iniciais
E estou de volta o/. Desculpem a demora XP hehehe

...

“Câmera Dimensional.” Ela fez uma pausa, com os olhos verdes brilhando de deslumbramento.

“Um aparelho incrível, capaz de refletir a outra dimensão e vice versa do local que quiser. Ela captura imagens e produz vídeos em tempo real da dimensão desejada ilimitadamente, motivos suficientes para torna-la uma arma perigosa e fazer seu uso e produção proibidos em toda Elyos.”

Rey terminou sua explicação com um sorriso vitorioso nos lábios, apontando o dedo para Dio, que ouvia isso pela terceira vez pelo menos no dia. Ele já sabia, mas Sieghart insistiu em perguntar.

“Então é isso? Ela na verdade está em um pedaço de Elyos nas coordenadas correspondentes ao quarto do Lass e do Lupus e por isso você consegue gravar e fotografar tudo o que quiser de lá?” Sieghart sorriu deslumbrado. “Como você conseguiu uma dessas? Eu definitivamente adoraria ter uma!”

Rey riu, olhando dos lados para ver se ninguém mais do grupo se aproximava. Todos estavam dormindo pacificamente hoje, momento perfeito para os três se reunirem e conversarem sobre essas coisas.

Dio bufou de novo.

“Todas as câmeras foram confiscadas pela Von Crimson, claro que eu tenho algumas. E você não pode ter, pois quem vai ficar em Elyos controlando ela? James que cuida disso para mim enquanto não o invoco.” Rey piscou para o imortal, tirando a felicidade dos olhos dele, que não gostou dessa condição injusta.

“Que droga... E você se aproveita, faturando em cima da gente.” Sieghart tirou algum dinheiro do bolso. “Onde estão as gravações da noite passada?”

“Você sabe que não precisa me pagar. Desde que vocês não me dedurem eu continuo compartilhando tudo o que gravo.” Rey estalou os dedos, chamando o mordomo.

O mordomo demônio lutador de asas pequenas apareceu em todo seu carisma e entregou um pequeno objeto armazenador de memória, falando um “My Princess”, para a orgulhosa Rey.

“Aqui estão, e não precisam agradecer.” Rey a jogou nas mãos de seu querido Dio e balançou a mão com o rosto avermelhado, flutuando para longe deles.

E o inverno continuava sobre Vermécia sem piedade nenhuma. A maioria dos membros queriam sair mesmo na nevasca e ir para o outro lado do mundo, para Arquimídia, onde o sol estava visitando as praias e deixando os robôs irritados. Mas Lothos, que sempre era razoável, não estava querendo arriscar a segurança dos guerreiros.

Quando Sieghart apareceu com a ideia foi mais ou menos isso que a Comandante disse:

“Vocês são tão fracos que não suportam um friozinho desses? Não me faça rir. Não vão conseguir nem subir uma montanha se continuarem apenas fugindo para a praia quando é conveniente! Se alguém tiver alguma reclamação a fazer podem fazê-la do topo do Hiaund¹ antes de eu permitir isso novamente!” Lothos exclamava exclusivamente para a Grande Caçada inteira reunida no meio da sala e paralisada pela raiva da mulher loura.

E claro que dessa vez todos estavam na base. A maioria conversando, alguns dormindo, outros a sós no quarto.

Sieghart tinha decidido que esse era o pior dia de sua vida e queria uma distração. Ele havia descoberto o esquema de Dio e Rey para espiar a base inteira, por vários motivos, e ele havia decidido que hoje perderia seu tempo vendo como Lupus e Lass tinham passado sua noite juntos.

Exalando excitação, ele não passou despercebido por Arme, que detectou o rastro de perversão no ar por onde o veterano imortal passava até chegar no lugar do sofá liberado e dar um sorriso relaxado para o céu.

Todos que viram estranharam imediatamente.

“Ei Sieg, você estava tão irritado depois que a Lothos negou sua proposta. O que aconteceu? Compartilhe!” Jin o abordou, sentando-se ao lado do amigo e cutucando-o para saber a novidade. Claro que a curiosidade falaria mais alto uma vez que Ercnard Sieghart ficava alegrinho depois de uma briga (claro que ele discutiu com a mulher depois daquele sermão).

“Shh! Quieto, Jin!” Sieghart o empurrou, imaginando como seria sua preciosa madrugada. Ele e Dio discretamente roubariam o DVD do espaço público (a sala) e obviamente fariam uma oferta irresistível à Azin para ceder seu quarto.

Por que o quarto do Azin? Bem. É verdade que muitos dos quartos da Grande Caçada são bem como quartéis generais individuais impenetráveis e tão perigosos como um Dragão de Fogo irritado, mas nenhum era tão bom quanto o de Azin. Ele tinha uma defesa natural e que ninguém ultrapassaria mesmo se precisasse, isso porque as pessoas involuntariamente evitavam aquele quarto, tinha uns ares malignos por ali e dava impressão que se alguém entrasse um ouriço seria jogado em sua cara. E não era muito legal essa sensação.

Bem, resumidamente, ninguém os perturbaria.

“Agora, o que deu nele?” Jin resmungou para Lire, que jogava um maçante jogo de dominó mágico com Zero.

“Hm, eu não tentaria descobrir. Normalmente eles nos envolvem nos problemas que arranjam e depois nós que somos punidos. Estou cansada de lavar banheiros e louças por causa desses garotos idiotas.” Lire falava francamente, terminando a jogada e chasqueando a língua de raiva ao ver que perdeu mais uma vez.

Amy fazia companhia a Lin e a Ronan na cozinha, cantando e ajudando a fazer algum aperitivo quente para a tarde.

A neve caía menos forte do que no dia anterior, mas a cena de Lass olhando pela janela não mudava. Ele tinha um livro sobre as pernas cruzadas e mantinha-se em silêncio, enquanto Lupus na poltrona lia um manual grande de couro com uns óculos simples, o que era novidade, e que o deixava ainda mais charmoso.

O cheiro impregnava o ar ao passo que a fome de Ryan também, deixando seu companheiro Texugo dormindo no quarto e vindo até a sala.

“A Mari fez uma conexão com a base dos Cavaleiros Vermelhos e está te chamando, Elesis.” Ryan tocou o ombro da ruiva, que até então estava concentrada em montar e desmontar uma lança de enfeite em vários fragmentos para poli-la por inteira e remontá-la de vários jeitos diferentes. Parecia um brinquedo Lego em formato Arma.

“Okay.”

Dio ligou a televisão e sentou-se ao pé do sofá para assistir, vindo Arme e Ryan fazer companhia. As notícias não mudavam e o sinal estava ruim também. Olhou para Sieghart, que tinha passado a cochilar no sofá sem nenhum senso de que ocupava pelo menos três lugares de seis.

“O que essa múmia está fazendo?” Azin resmungou quando atravessou o corredor vindo do banheiro vizinho à lavandeira, chutando o pé de Sieghart. “Não está muito bonito ver suas pernas abertas assim.”

O imortal apenas se remexeu, virando-se no sofá e começando a ressonar. Dio esqueceu-se da televisão uns instantes, avistando uma peculiaridade nas costas do moreno, que pela posição acidentalmente tinha feito levantar a camisa branca usual. Uma marca escura arroxeada, sinistra. Porém, somente Dio a viu.

No horário do almoço, naturalmente, o batalhão se reuniu na espaçosa mesa da sala de almoço e jantar. A Comandante já havia avisado que deveria ficar na Academia de Magia Violeta até mais tarde antes de se juntar ao grupo, então não havia nada que os prendesse para começar a refeição. Exceto uma coisa que não adquiriu muita atenção no começo.

Dio olhou para o sofá de onde sentava, estranhando. Sieghart continuava dormindo e ele não era assim, ele era a criatura que menos precisava dormir no mundo, porque ele estava tão cansado? Sequer tinham feito exercícios, como isso de repente?

Por outro lado, seus companheiros pareciam não dar atenção a isso, ou ao menos ter percebido isso após tanto tempo de convivência. E agradeciam, pois assim sobrava mais comida. Ah, não seria um problema tão grande cochilar um pouco e perder uma refeição, mas isso se fosse um humano comum.

Sieghart certamente não era comum, e se ele não estivesse pregando uma peça, ele estava com algum problema. Mas, lógico, ele era um dos poucos que conseguia ver os problemas da energia vital das pessoas. Surpreendia Jin não ter mencionado nada.

“Dio? Dio?” Rey cutucou-o com a ponta de uma colher. “O que foi? Aconteceu alguma coisa com sua donzela?”

Alguns risinhos vieram do lado de Lupus e Azin, mas o asmodiano apenas os ignorou.

“Estou vendo que ele não se importou em tirar as botas molhadas de cima do sofá.” Dio continuou a mastigar um pedaço de carne com a maior refinação, vendo o rosto de Elesis, Ronan e Lire se tornarem brancos.

Enquanto eles começavam um escândalo para cima do imortal, Dio olhava pela janela um momento. Por alguns segundos havia sentido a tão conhecida sensação de Asmódia. Sempre acontecia isso quando um portal se abria. Parecia o “ar de casa” e era muito característico, então não importava onde eles surgissem, Dio sempre sentia. E ainda mais agora, já que recentemente muitos portais estavam sendo abertos.

“Oe.” Ronan ficou sério na sala. Alguns se viraram para ver e outros não, continuando a comer distraidamente.

Dio franziu a testa, tendo certeza naquele momento que algo estava muito errado. Levantou-se abruptamente, assustando os seus vizinhos de assento, Rey e Arme.

“Sieghart?” Chamou, aproximando-se do corpo do moreno. Ele tinha a impressão estranha sobre isso, mas não conseguia explicar.

Elesis e Ronan haviam o derrubado no tapete e estranhado o sono pesado em que o imortal estava, mas nada além de estranhamento. Já Dio tinha um pressentimento ruim e a prova era a energia natural que emanava de Sieghart.

Normalmente as criaturas emanam uma energia imperceptível que somente o treino e a intuição podem distinguir. Os religiosos acreditam que a energia natural define o tipo da criatura, e ela é como uma impressão que fica marcada nos humanos normais: uma sensação familiar. Mas em guerreiros a energia era um composto do espírito e uma arma que usavam em batalhas com diversos pretextos.

Os magos eram especialistas em questão de energia — ou mana como chamavam — então conheciam bem a natureza das pessoas ao seu redor, por isso são tão cuidadosos e inteligentes.

“Sieghart, você está bem?” Dio perguntou, se alarmando um pouco mais. Sieghart sentou-se automaticamente e coçou a cabeça. O asmodiano sentia a mana do moreno diferente, não que ele tivesse ficado possuído ou coisa assim, mas parecia haver tido uma agitação em seu espírito e ela por sua vez parecia ter mudado de forma.

O moreno abriu os olhos, resmungando e se levantando. Olhou para Elesis, assim ficando de costas para o Asmodeus.

“Por que tirou minhas botas, ruivinha?” Reclamou, pegando os calçados preferidos da mão da líder e bufando. “Que cara é essa? Viu um fantasma?”

Ronan o olhava engraçado, como se estivesse estranhando alguma coisa na cara do imortal. Dio apelou com isso, segurando o ombro do moreno e o virando para si. Sua boca abriu.

“O que é? Você também agora? Quanto tempo eu cochilei? Isso não é muito bom sabia?” Sieghart o empurrou e foi em direção à cozinha.

“Ei, espera!” Dio o puxou de volta, olhando-o firmemente. “Você saiu da base em algum momento não foi?”

O moreno congelou dos pés a cabeça, denunciando-se. Mas ele não tinha feito nada de errado para ser descoberto tão repentinamente.

“O que? Eu só saí, nada de mais.”

“Idiota.” Dio continuava alarmado. “Eu ainda não sei o que poderia ser isso, ou se é uma pegadinha sua, mas é comum você ficar com essas marcas pretas no rosto assim?”

O imortal reagiu como se aquilo fosse a coisa mais imbecil que ele havia escutado em toda a vida. Marcas? A realidade bateu em sua porta e ele correu até o banheiro, verificando a sua desgraça: marcas negras parecidas com tatuagens, desenhadas aleatoriamente em suas bochechas e pescoço, além de seu olho estar mais brilhante do que o normal.

“E-Eu, o que aconteceu? Ronan, você fez alguma magia maluca comigo?!” Sieghart o agarrou pela gola, tentado a acabar com o almofadinhas de qualquer jeito.

“Claro que não!” O azulado o empurrou, de forma irritada. “Eu não sou tão infantil a ponto de brincar assim. Diga você o que andou fazendo. Isso pode ser o início de um ritual de possessão!”

O imortal ficou sério e cruzou os braços.

“Eu juro que não fiz nada. Eu saí daqui e fui dar um passeio, mas como estava frio eu acabei voltando.” Sieghart viu a líder e o vice-líder ficarem ainda mais sérios do que o normal e isso indicava um perigo extremo. “E talvez algum contratempo tenha acontecido...”

“Sieg.” Elesis pronunciou lentamente, ficando nervosa e atraindo o olhar de todos, que saíram da mesa para poderem entender o que estava ocorrendo. E ficaram todos imediatamente espantados com a cara do imortal, causando risadas nervosas em alguns e a mudez nas meninas.

“Quietos, isto aqui é sério.” Ronan fitou a todos com julgamento, fazendo se calarem. Era verdade que aquilo poderia ser o início de uma possessão, poderia ser tão perigoso especialmente porque a vítima era Sieghart e eles precisavam resolver o problema quase que imediatamente.

“Você precisa dizer o que aconteceu ou você vai colocar todos aqui em risco.” Dio o olhou acusadoramente, fazendo-o sentar. “E não se preocupe, se você for possuído eu posso detê-lo nos primeiros instantes, mas acho que os magos precisam de uma ajuda para descobrirem o remédio.”

O moreno ficou um pouco intimidado com os diversos olhares que esperavam sua explicação. Na realidade, a culpa era dele por desobedecer às ordens, mas tinha realmente algo errado aí. Então começou o relato de aventura da madrugada.

–x-x-x-

Ele estava olhando o fio da Highlander como sempre fazia quando estava entediado. Era certo que os barulhos suspeitos no quarto de Lass não parariam, mas ele não estava muito preocupado em espiar agora já que ele teria o vídeo durante aquela manhã.

O relógio apresentava belíssimos ponteiros no número 11 e ele estava com tanto tédio e com tanto frio que poderia finalmente cair no sono. O que era raríssimo e acontecia poucas vezes após batalhas de dias ou ferimentos extremos.

Mas ele não tinha nada a fazer além de estudar por si mesmo sua preciosa espada, dada por God of Immortality, ouirritarElesis ou algum outro pateta, como Dio, seu preferido depois da “bisneta”- para ser mais econômico em palavras.

Sieghart não tinha costumes, mas tinha sensações bem mais aguçadas do que de outras pessoas. Eram meros presentes por seus feitos, mas logicamente, ele os tinha como naturais e involuntariamente percebia as coisas.

Foi por volta desse horário quando a sensação abateu e ele olhou da sua sacada para bem longe, onde as florestas não alcançavam, somente as pradarias e as montanhas. Era noite de Lua Nova e com ela sentia-se iluminado por uma luz negra cheia de vitalidade sombria.

Ah, ele balançou a cabeça, se afastando dali e refugiando-se no quarto. Às vezes essas sensações acabavam tomando conta de seu corpo e o levavam a extremos como a Fúria, e não era nada bonito de se ver quando a noite estava tão propícia para seres malignos surgirem. Por isso ele sentia que precisava de companhia.

O ruim foi que, antes de ele pensar em se reunir com algum amigo, um baixo “Plic” ressoou em sua mente e seu olhar voltou novamente para a planície. Havia alguma coisa se movendo na escuridão e parecia inofensivo, mas tinha algo de misterioso e que ativava a curiosidade de Sieghart.

Poderia até ser outro protegido de um deus.

“Preciso esfriar a cabeça. Dio ou até Lupus teriam previsto algo se isso acontecesse.” Pensou consigo mesmo, deixando a companheira Highlander para optar uma arma menos espirituosa, como sua Lança-Espada.

Não demorou muito a sair do quarto, expulsando os pensamentos acerca de um intruso noturno em Vermécia, e passou pela cozinha, rezando para que Lupus tivesse deixado um bom conhaque, mas nem aguardente tinha.

“O que está fazendo aí?” Uma vozinha tomou conta do espaço, aparecendo sobre seus pés. Sieghart piscou, incomodado por ser pego no flagra e ainda mais por um mascote inconveniente.

“O que você quer agora, Sid? Eu não tenho comida. Seu dono não tem tempo para você, muito menos eu.” O imortal deu as costas ao passarinho amarelo, mandando-o para o quarto de Lass. “É muita negligência.”

O moreno então saiu da base, sendo abrigado pelo frio sem neve, apesar dela revestir suas melhores botas. Mas Sieghart não reclamou, se ele encontrasse o Jack Frost da lenda não reclamaria também, o inverno era uma estação que não trazia muita diversão em combate e qualquer coisa valia agora.

Bem, Sieghart não teve muita sorte com Jack Frost, mas ficou bastante contente em encontrar a querida Taverna aberta para viajantes querendo se esquentar. Hm, devia ter um arranjo especial de coquetéis caros e dançarinas inspiradoras, além das garçonetes bem vestidas e todo o lugar quente e acalentador. Sim, os peitos de uma moça avantajada seriam bem confortáveis.

Sieghart entrou, surpreendendo-se com a quantidade de pessoas. A música ao fundo era suave, mas sensual e acompanhava o tema escuro, jovens donzelas e cavalheiros se entretinham com conversa e bebida, enquanto alguns guerreiros faziam companhia a viajantes nas mesas e no balcão.

Não estava lotado, mas parecia que todos tinham formado seus grupos, exceto por um rapaz baixo em uma mesa para quatro pessoas ao fundo, sendo sondado por uma empregada provavelmente paga para dar seu show particular.

“Boa noite.” Sieghart cumprimentou o barman conhecido desde bastante tempo e pediu sua dose inicial de conhaque, visualizando as pessoas com extrema discrição.

Um rapaz moreno ao lado bem vestido veio puxar conversa. Sieghart o reconheceu de imediato, era o jovem Conde Huttlefear que tinha estado no palácio durante as festividades em nome das deusas.

“Parece-me bem solitário esta noite, guerreiro.” O rapaz que parecia ter por volta dos vinte e cinco anos comentou simpaticamente, puxando seu companheiro e o viajante para perto.

“Estou incomodado com a neve, não é nada demais, senhor.” Sieghart sorriu levemente, um pouco irritado por ter que falar com formalidade mesmo num lugar como esse.

“Vejo que já me reconheceu. Eu já o vi também e fiquei curioso, pois o ilustre comandante parece ter dado uma ordem aos guerreiros para não saírem do posto.” O conde mexeu no fio de cabelo escuro que lhe caía na fronte, sobre os olhos azuis da noite. Sieghart o fitou com análise... Era uma criança despreocupada e com uma boca perigosa, além de ser aparentemente irresponsável, elegante, e dono de um corpo... Hm, bem interessante. Era uma graça de garoto.

“Hm, veja bem, meu senhor. Eu não sou exatamente de seguir regras... Mas eu não tenho más intenções ao vir neste lugar. Apenas uma boa dose para acompanhar essa noite tão fria... E solitária.” Sieghart piscou charmosamente. Ele tinha muito escrito em seus olhos prata, e como sempre, ele tinha um gosto especial por provocar crianças desprevenidas. E o resultado foi bem o esperado, o conde ficou um pouco tímido e voltou a beber, sem conseguir encará-lo tão rápido.

Em seguida foi a vez do companheiro do conde, um homem mais velho, provavelmente escudeiro e que tinha ar de antipático, tomar a palavra.

“Perdoe a ousadia, jovem guerreiro. Vale arriscar a segurança para vir apenas tomar uns drinques? Você parece ser uma pessoa confiante e segura de si. É estranho que tenha desacatado ordens por uma causa tão pequena.” O homem tinha olhos azuis claros como um rio, era gélido e arrepiante, apesar de esconder uma personalidade afável.

“Certamente que não.” Sieghart respondeu num sopro sem hesitações. “O que eu quis dizer antes foi que eu sou um daqueles as quais as regras não se aplicam. Mais uma, por favor.”

O barman reencheu o copo após vir do outro lado do balcão. Sieghart olhou para aquela direção, o extremo esquerdo do albergue, e encontrou o viajante, que antes tinha como companhia a empregada, tomando algumas doses de uma bebida — que ele sabia, só Dio tomava.

“Hm, mas é claro que eu tenho meus próprios objetivos pessoais ao vir neste lugar num tempo tão péssimo como o dessa temporada.” Sieghart sorriu, se levantando. O conde o olhou curiosamente, vendo-o inclinar a cabeça levemente em respeito e se afastar. “Tenho assuntos com uma pessoa, se me der licença.”

O moreno fez o caminho até o suspeito, estranhando seu vestuário, que consistia de um casaco grosso, mas não longo, calças normais e botas discretas não próprias para a neve. Ele não mostrava nenhum indício de ter andado na neve ou ter se sujado. Mas não era nenhum nobre. E além de tudo exalava uma energia ainda mais suspeita do que sua face escondida pelo capuz.

“Vejo que é um viajante.” Sieghart comentou baixo ao sentar-se ao lado deste. “Mas não garanto que seja bem vindo. É suspeito até para mim.”

O que parecia ser um homem baixo olhou em sua direção, não fazendo questão de esconder seus olhos dourados e sua face infantil afeminada. Sieghart ficou sério ao comprovar o ameaçador aviso no fundo daqueles olhos perigosos.

“Você parece saber quem eu sou.” Sieghart murmurou provocantemente. Seu dedo deslizou pelo copo e o moveu pela borda, fazendo um som melódico, que atraiu a atenção do suspeito.

“Embora você não saiba quem seja eu, não é mesmo?” Ele respondeu, terminando sua dose.

Os olhos de Sieghart tremularam ao ouvir aquela voz fria, era uma criança, não. Era uma daquelas criaturas como Dio, que são extremamente velhas embora sejam muito novos em aparência. Este era ainda mais estranho; sua altura, sua voz e seu rosto, eram todos de uma criança de dez anos, mas enfim, ele era perigoso e bem mais velho que ele.

“Não esperava encontrar alguém como você por aqui.” Sieghart se levantou, maldizendo a si próprio por não ter trazido pelo menos a Solunaconsigo. Um combatente perigoso ao seu lado e ele tinha feito o que? Trazido a Lança-Espada, que de nada serviria numa situação dessas.

“Muito menos eu. Mas acredito que não esteja aqui com más intenções. É uma noite perigosa, não é mesmo, rebelde?” A criança falava com acidez, olhando-o como se fosse devorá-lo.

Sieghart bufou. Ele cometeria um dos erros que não costumava cometer, como deixar o inimigo ir embora sem tentar impedir, mas dessa vez o garoto asmodiano tinha razão. Aproximava-se lá fora alguma coisa bem perigosa. O risco de abrir portais durante uma luta entre dois oponentes fortíssimos em plena escuridão era certo.

“Hm. Você teve sorte.” Sieghart sorriu de canto. No fim ele tinha que voltar para a base logo, não podia dar mole enquanto os perigos aumentavam do lado de fora das casas.

O garoto parecia não querer causar um estrago tão cedo por ali, então apenas pagou e se retirou sem demora. Sieghart resmungou alguma coisa sobre aquele ser o asmodiano mais baixo que tinha visto na vida e voltou para o conde.

“Parece que minha conversa com o senhor viajante acabou.” Sieghart acenou polidamente.

Assim o imortal continuou uma conversa amigável com o nobre e seu companheiro por algum tempo, apenas por educação e para esvaziar a cabeça, até que o próprio conde se despediu, também muito atrasado para voltar à própria mansão.

Sieghart não levou nenhum relógio ou consultou dentro da Taverna no momento em que voltava para a base. Não era muito longe, mas por ficar na colina o tempo de subida aumentava um pouco mais.

Embaixo de uma das muitas lanternas espalhadas por Serdin, Sieghart avistou o casaco e as botas simples. E com isso manteve sua guarda defensiva, aproximando-se lentamente da luz.

O asmodiano assim que o viu se interpôs em seu caminho.

“Fiquei para lhe dar um cumprimento, Ercnard Sieghart.” Ele começou, se aproximando um pouco mais do imortal e tirando a mão do bolso. Sieghart ficou atento para um possível ataque. “Estou um pouco empolgado com o que virá a seguir.”

O moreno apertou os olhos.

“É só isso?” Murmurou afiadamente. A baixa criatura sorriu um pouco e nenhum segundo a mais Sieghart notou um pequenino corte em sua camisa, na altura de seu abdômen. “Ow, você é habilidoso.”

“Hum.” O asmodiano sorriu e foi embora, sumindo nas trevas que tomavam conta de tudo em volta.

Sieghart voltou despreocupado para a base, ficando bem até a manhã seguinte, quando finalmente sentiu estranho cansaço.

–x-x-x-

Claro que Sieghart contou tudo isso, mas escondendo as partes da presença sombria em Vermécia, as ameaças da criança asmodiana encapuzada e, óbvio, que ela era um asmodiano, mas sim um “cara mal encarado que não gostou da sua cara”.

“Então foi isso.” Elesis suspirou pesadamente. Certamente tinha sido o corte. “Não culpo esse cara, ninguém foi com sua cara quando te conheceu.”

“Você é cruel, Elesis!” Resmungou.

“E agora, o que a gente faz Ronan?” A ruiva voltou-se para o azulado, que não parecia nada contente, na verdade estava com os olhos brilhando em vermelho e emanando uma energia vermelha de puro ódio.

Sieghart sorriu sem jeito, como se pedisse desculpas que não merecia, e, em seguida, o jovem arcano o deitou no chão com um golpe na cabeça. Ele choramingou com o punho nada gentil de Ronan e olhou para as pessoas em volta.

“Você é um idiota completo.” Resmungou Dio, chutando seu estômago sem muita força, mas fazendo doer mesmo assim.

Arme e Lire repetiam “Só podia ser o Sieg mesmo” e os rapazes continuavam sua refeição, sabendo que o problema seria resolvido e tendo consciência de que se interferissem as meninas lançariam algum comentário ácido. Portanto, valia mais a pena ficar em silêncio e desfrutar do maravilhoso almoço.

Assim, Sieghart se levantou, dando de ombros.

“Não deve ser uma coisa tão terrível. Provavelmente é uma pegadinha de mau gosto para me deixar preocupado. Mas não vai funcionar, essas magias de possessão não funcionam em mim.” Sieghart bateu em seu peito, certo do que falava.

“Não sabemos se é isso, seu polvo.” Ronan rosnou para ele, fazendo-o andar. “Vamos até a Mari. Arme, venha também para resolvermos isso.”

Instantes depois no laboratório, a azulada arrumava seus óculos com seriedade.

“Isso é impressionante.” Ela cruzou os braços e virou-se para os magos e a líder. “Não parece ser uma magia que conhecemos. Essas marcas sequer transmitem informações que nos ajudem. Simplificando, são como tatuagens que sempre teve em seu corpo. Elas são perfeitas e nada indica que tipo de magia foi feita. Sieghart não reage a nenhum antidoto e não apresenta nenhum sintoma como se espera de um feitiço.”

“O que? É uma magia perfeita? Não dá para curar?” Arme fechou as mãozinhas, exaltada. Se existisse uma magia assim, era negra se dúvida e ela não podia aceitar!

“Praticamente. Porém, a imortalidade de Sieghart é inconveniente... O corte que ele diz ter levado nessa região.” Mari fez um movimento circular o local exato no corpo do moreno indicando. “Foi curado. E obviamente, não conseguimos saber qual foi a arma. Portanto, temos que esperar para ver o que é isso.”

“Mas eu estou tentando dizer que não existe magia que eu conheça que funcione comigo. Não tem informações de magias asmodianas ou qualquer outra que indique alguma coisa?” Sieghart gesticulava para os magos e tentava ajudar com a solução com uma expressão preocupada.

“Ora, você está preocupado em morrer, Sieghart?” Elesis riu de canto desferindo um “Covarde.”

“Ugh.” Sieghart fez uma expressão desagradável para ela e voltou para Mari. “E então?”

“Tem que ficar em observação.” Mari olhou para Elesis. “Eu já fiz tudo o que podia.”

“Obrigada Mari. Se você diz está dito.” Elesis olhou pesadamente para Ronan.

O azulado sorriu e em seguida franziu as sobrancelhas violentamente. Elesis e ele se afastaram o suficiente para que Sieghart não ouvisse o debate agressivo que começaria.

“Não vai ser eu dessa vez. Tenho muito com o que me preocupar ultimamente. Dio disse que pode detê-lo, mande ele, Elesis.” Ronan fez que não de todas as maneiras pelos próximos cinco minutos, e Sieghart estava quase entendendo o que estava acontecendo quando Amy interrompeu da porta.

“E então, o curaram?” Ela entrou com um sorrisinho e aproximou-se, olhando a cara do moreno. Logo fez uma cara de nojo e balançou a mão como se ele fosse um animal sujo ou coisa assim. “Uh, que horror! Nada elegante, Sieg! Parece que tem tentáculos de polvo subindo pela sua cara, nojento!”

A popstar saiu de cena para irritar Mari mais um pouco enquanto Elesis dava seu veredicto.

“Certo, vá explicar a situação para o Dio, Ronan. Ele não vai aceitar isso de bom grado, é lógico.” Elesis se aproximou do ancestral para lhe dar um belo de um beliscão na bochecha.

“Hgh, ruivinha, que dedos fortes você tem! Cuidado quando estiver com seu namorado ou ele pode acabar morrendo!” Sieghart exclamou, sentindo toda sua face doer logo depois com o soco nada gentil que levou.

“Desculpe te atrapalhar, Mari. Sei que você queria ficar sozinha...” Elesis deu de ombros, sentindo pela tecnomaga, que apenas balançou a cabeça.

“Uma vez que se trate de Sieghart eu não me importo. Boa tarde, amigos.” Ela se despediu enquanto os outros saíam e fechava o Laboratório.

Na sala Sieghart foi rodeado por seus mais próximos, Ryan, Jin e Lass.

“Eu realmente não sei dizer, mas parecem tatuagens mesmo.” Foi tudo o que Lass pode dizer depois de analisa-lo muito bem com seus espertos olhos. Sieghart bufou por ser olhado de perto por um pirralho incestuoso como aquele.

“Mesmo se você resolvesse meu problema eu ainda assim não deixaria de pagar os víd-,” Sieghart começava a provocar o albino, mas antes que pudesse terminar a parte “vídeos de você e Lupus”, Dio meteu um tapa bem em cima de sua boca, fazendo-o calar e gemer de dor.

“Calado. Quem sabe se essa doença é transmissível!” Dio sorriu ameaçadoramente para ele, passando visualmente que nada sobre os vídeos deviam sair por essa boquinha.

“Não é uma doença!” Sieghart tinha a mão em cima da boca.

“Ei, sério que você não tem cura e por isso que vamos ter que te vigiar?” Jin perguntou com um sorriso ensolarado, totalmente despreocupado com o que pudesse acontecer. Se bem que era esperado dele.

Dio chasqueou a língua.

“Eu vou vigiá-lo. Elesis foi contatar a Lothos para resolver o que vamos fazer definitivamente.” O asmodiano explicou, afastando os dois enxeridos um pouco para longe enquanto Lupus passava, dava uma olhada e saía sem dizer mais nada.

“Isso foi tão suspeito.” Sieghart resmungou. “Eu ainda não consigo gostar dele. Tão misterioso.”

“Calado. Você é que é um mentiroso de primeira mão e nos traz problemas todos os dias!” Elesis apareceu do corredor, trazendo um papel em mãos.

“O que a Lothos decidiu?” Ryan se aproximou da líder empolgado. “Vamos ter que colocar o Sieg numa jaula ou algo do gênero?”

“Não, Ryan.” Elesis suspirou para ele, olhando para o restante dos membros que vinham pelas escadas. “Ah, estão todos aqui, que ótimo. Pessoal, é o seguinte: Sieghart vai continuar normalmente aqui na base junto com a Mari, que vai continuar a fazer os testes e afins, e com Dio, porque ele pode muito bem lutar igualmente com Sieghart caso se ele saia de controle.”

“Hm, e nossa conduta?” Rey perguntou com curiosidade.

“O restante de nós, er...” Elesis consultou o papel e depois olhou em volta com tédio. “Vamos sair de férias para uma praia em Arquimídia.”

A Grande Caçada começou uma festa instantânea, comemorando e jogando tudo para o alto, exceto pelo imortal.

“Isso é crueldade. Eu vou ter que ficar aqui enquanto vocês vão para o verão sem mim?” Sieghart olhava pesadamente para os colegas, que nem ao menos notavam que ele existia.

Dio deu-lhe uma cotovelada.

“Não fique se lamentando.” Acusou, empurrando o cabelo cor vinho para trás com charme e uma expressão suave demais para um asmodiano rude como ele. “Eu também vou ter que ficar.”

Sieghart sentiu um forte arrepio. Ah, deuses... Seus olhos brilhantes tremularam ao rever em suas memórias os momentos que passaram juntos. Nada bom!

Eles não precisaram ficar sozinhos para se divertirem um pouco na Praia Carry, e falando bem sério, mesmo que eles tenham ficado bêbados e toda aquela cena entre eles tenha acontecido, Sieghart ainda achava que tinha algo de atrativo em Dio, mais do que ele pensava. E isso o deixava ainda mais preocupado.

Se eles tinham feito aquilo tudo enquanto a Grande Caçada estava presente, imagine agora, sozinhos na base, à exceção de Mari, claro, mas ela ficaria trancada em um canto e não perturbaria ninguém. Um verdadeiro desastre se ele não acabasse com esses pensamentos.

“Hm, não precisava me lembrar de que vou ter que ficar olhando para a sua cara.” Sieghart sorriu cheio de desdém, fechando um olho com graciosidade. Dio fez um “Hm” repleto de arrogância e caminhou para a poltrona, que antes Lupus ocupava.

“Ora, agradeçam o Sieghart.” Elesis sorriu para os garotos que mal esperavam o momento para sair daquele lugar frio e tedioso. “Agora vão arrumar as malas que nós vamos de primeira classe ainda hoje!”

Dio levantou uma sobrancelha, puxando a líder para um canto.

“Ei, essas são mesmo as ordens da Lothos, Elesis? Ela estava bem certa que deveríamos ficar. E o Sieghart? Se ele ficar mal mesmo receio que nem eu possa pará-lo.” Dio murmurou para a ruiva, esperando que ela entendesse sua posição e a situação que estava acontecendo.

Elesis olhou os lados. Sieghart continuava chorando sua desgraça enquanto os guerreiros já haviam ido arrumar o que precisavam para um belo final de semana numa quente praia embaixo de um céu azul límpido. Ela piscou para Dio.

“Não conte ao Sieghart, ok? Na verdade...” Elesis começou a sussurrar, explicando tudo ao asmodiano.

–x-x-x-

Após a porta ter sido fechada com um leve som de rangido, pois ela já estava quebrando depois de tanta gente ir e vir, Sieghart se permitiu ficar sério e sentar-se no sofá novamente, pensativo.

Dio voltou-se para ele após trancar a porta e não soube, ficou com uma vontade incontrolável de bater em Sieghart repetidamente. Mas, felizmente, somente pelo fato de não poder ir com o restante do grupo já valia como um ótimo castigo. Entretanto, essa não seria a única punição que ele levaria. Tinha também um asmodiano que estava com a animação bem up! ultimamente.

“Que cara séria. Nem parece você.” Dio sentou-se à poltrona e pegou um livro que parou de ler na semana anterior. Sieghart deu de ombros e se esparramou no sofá, ficando com os olhos pesados.

“Bateu aquele sono de novo.” Sieghart coçou a cabeça, olhando o asmodiano de lado. Dio balançou a cabeça, como se o incentivando a continuar. “Isso nunca aconteceu comigo tão de repente.”

Dio folheou algumas páginas até encontrar a que tinha um marcador no meio.

“Elesis disse que você ficou desmaiado algumas vezes depois de alguma luta violenta. Sei que quando sua recuperação não acontece é por que seu corpo está muito ferido. Mas você não lutou até tal ponto... Tem ideia do que pode ter sido? Você não é tão novo para não saber.”

Sieghart piscou lentamente.

“É, de alguma forma eu fiquei bastante cansado depois de encontrar com aquele sujeito.” Sieghart bocejou. “Mas será que eu devia cochilar ou a Mari me recomendaria ficar acordado? Se for uma possessão é bem capaz de eu ficar mais vulnerável dormindo, não é?”

Dio riu com isso maldosamente e manteve os olhos no livro.

“Você também tem que pensar nos outros perigos ao seu redor se dormir desprotegido aí, Sieg.” Seus olhos brilhavam como aquele dia. Sieghart suspirou ao perceber as intenções de Dio por trás daquelas palavras.

“Não sei o que é mais preocupante. Um inimigo possuindo o meu corpo ou um idiota abusando dele.” O moreno deitou a cabeça, não se alarmando mais quanto ao sono. Agora uma dor de cabeça vinha lhe atormentar.

Dio riu baixinho, fechando o livro, adicionando uma nota mental de não tocar mais naquela porcaria, e precisou apenas dar três passos para estar olhando Sieghart de cima. O moreno abriu os olhos ao ver a sombra e o xingou de mau humor.

“Você parece uma mocinha, Sieghart. Todo mundo tem que aguentar dor de cabeça e sono, porque não você?” Dio se agachou para colocar a mão em sua testa, um pouco irritado com a expressão desgostosa de Sieghart. Parecia mesmo uma mulher com cólica... Era um idiota completo.

“O que é agora?” Sieghart falou com acidez, repelindo a mão quente do asmodiano. Tudo o que ele menos precisava agora era seu rival tendo dó dele e o provocando como fez pelos últimos meses. Também, depois do que aconteceu da última vez, o mínimo que ele faria era ficar alarmado.

“Hm.” Dio bufou, vendo que a situação era problemática. Bem, ele não esperava menos que isso. “Você tem sintomas fortes. Será que é porque você se desacostumou completamente das doenças humanas?” Dio sentou no braço do sofá para continuar a conversa com o moreno. Tanto para impedi-lo de dormir e também para afastar o tédio.

Sieghart continuou olhando o arroxeado, tentando descobrir o que ele estava pensando. O imortal podia não parecer, mas era alguém muito desconfiado, e especialmente com Dio, que depois de ter conseguido o que queria consigo, no quesito sexual, agora tinha mil motivos a mais para perturba-lo.

“Hm? O que foi?” Dio baixou o rosto devagar, com um sorriso presunçoso. “Está começando a gostar do meu rosto ou algo assim, Sieghart?!” Exclamou.

“Nem sonhe com isso, imbecil.” O moreno virou-se de lado, e assim que o fez, Dio mexeu em seus cabelos, bagunçando-os. O repeliu com brusquidão. “Tch.”

Dio recolheu a mão e manteve a expressão risonha.

“Ah, mas você não se esqueceu do nosso pequeno divertimento naquela noite, não é?” Dio sussurrou provocantemente, causando a ira do imortal, que já se levantava para revidar pelos punhos o que não conseguia pelas palavras, porém, Mari interrompeu seu momento com sua presença.

“Você precisa obviamente de descansar, Sieghart. Dio, não o incomode, basta ficar de vigia.” Mari empurrou um frasco para o imortal e uma pedra para o asmodiano. “Isso vai te ajudar a relaxar. E isso, Dio, é para você usar caso ele fique descontrolado, mas só em último caso... Duvido muito que vá precisar.” Ela falou automaticamente, arrumando os óculos e dando as costas. “Eu vou voltar às pesquisas. Fiquem à vontade, mas não destruam nada e não saiam da base.”

A azulada sumiu em instantes e o Asmodeus concluiu que ela não voltaria tão cedo. Seu olhar fixou no moreno, que havia parado em uma posição perfeita para socar, então cobriu o espaço, puxando o pulso levantado para si.

“AH!” Sieghart reclamou antes que pudesse reagir ao sorriso maligno e Dio o girar como um bruscamente como uma dançarina e para com suas costas naquele peito másculo e definido. O imortal se impulsionou para frente no momento da parada se afastando do asmodiano e o encarando mortalmente.

“Hm, o que foi? Vai dizer que não está gostando da ideia?” Dio mexeu a garra em direção ao moreno e deixou-a pender do lado do corpo.

“Eu já disse.” Sieghart ficou brutalmente sério, deixando as marcas em seu rosto ainda mais assustadoras. “Eu nunca mais vou me deitar com você. Não insista, ou as coisas vão ficar terrivelmente sérias.”

Dio ficou indignado, tentando argumentar, mas o imortal começou a se afastar dele, e evitar conversas especialmente. O pior para Dio era que ele não conseguiria insistir em seu intento, porque Sieghart depois do dia na Praia Carry ficou ainda mais arisco e furioso com tudo em relação a ele.

“Ele está em um conflito mental de aceitação.” Dio pensou consigo mesmo, assentindo de forma convencida. Era fácil entender por esses fatos em linha: Sieghart se nega a deitar com homens. Sieghart embebeda-se e depois por algum milagre cede aos encantos irresistíveis de Dio. Sieghart acorda na manhã seguinte com uma expressão assustadora e não diz nada. Sieghart nunca mais toca no assunto e fere mortalmente Dio Burning Canyon todas as vezes que menciona o ocorrido.

Até o momento presente, Dio e Sieghart nunca mais tinham ficado a sós, ou o imortal não havia dado oportunidades. E assim, o asmodiano pensava que podia esclarecer certas coisas básicas que Sieghart sabia bem, mas se negava a admitir. Coisas como: a transa entre os dois é quente e prazerosa. Sieghart não é um homem completo quando está por baixo. E Dio quer continuar com isso, porque até hoje... Nunca havia tido tanta satisfação e estava ficando cada vez mais obstinado quanto à ideia de ter o imortal de novo com a boca no meio de suas pernas.

“Idiota, idiota. Só pensamentos fúteis... As chances de ter essa boca no-,” Dio pensou e fitou os lábios de Sieghart voltarem da posição de xingamento para uma posição relaxada. Uaa, tão pálidos e finos. E mesmo assim tão gostosos! Dio mordeu o lábio por dentro.

“De novo!” Sieghart exclamou cheio de raiva ao ver os olhos pretensiosos e pervertidos, apontando para o rival. Seu rosto enrubescia um pouco e isso era o suficiente para Dio cobrir o riso. “Não ria, Dio, seu maldito!”

“Mas é que-,” Dio deixou o riso escapar. “Você fica assim toda vez que falo daquela noite. Qual o problema, hein? Ficou com vergonha depois de tudo o que fez?” Dio deu de ombros enquanto falava casualmente. Sieghart abaixou um pouco o rosto, sentindo seu coração falhar novamente.

Impossível! Toda vez que entravam naquele assunto acontecia isso. Sua cabeça não ficava quieta. As imagens bombardeavam sua imagem e sua consciência não era tão sã para aguentar aquilo. Ele tinha um orgulho que guardou desde eras e aí veio aquele fanfarrão pervertido e acabou com tudo.

Ah, não! Mas ainda sobrou um pouco de vergonha. Sieghart sabia que podia negar a qualquer momento e que se não o fizesse só provava que ele era fraco e continuava sendo ingênuo. Ele continuaria sendo um humano idiota.

Deixar Dio dominar seus sentimentos não resolveria sua solidão. Só a deixaria mais difícil.

O asmodiano percebeu que Sieghart tinha ficado mais profundo nesse momento e aproveitou-se da distração. A surpresa foi maior para ele próprio do que para Sieghart, quando fechou o punho e desferiu no meio do estômago do moreno, que cuspiu sangue e caiu sentado no chão com as mãos sobre a área atingida.

“Isso doeu, Dio! Desgraçado! EH, O QUE-!”

Antes que Sieghart continuasse gritando, Dio agarrou seu braço, o levantando com um impulso e em seguida agarrando sua cintura, pondo-o nos ombros. Sieghart esperneou e bateu em suas costas, chutando o asmodiano.

“D-Dio! Maldito, me larga! O que pensa que está fazendo?! OE!” Sieghart reclamou ofegante desde a subida pelas escadas até o momento em que Dio chutou a porta de seu quarto e deslizou Sieghart com brusquidão em cima da cama, mantendo o braço branco em sua posse ainda. “Que droga, Dio! Você não muda mesmo não é?! Fazendo as coisas sempre do seu jeito, seu merda.”

“Eu sei que você gosta. E isso faz bem para mim também, então qual o problema?” Murmurou com a voz grave e os olhos sérios, colocando um joelho entre as pernas do imortal.

Sieghart segurou o ar levemente em seus pulmões, para dar a Dio um olhar de aviso e puxar seu braço da mão larga e quente. Mas o asmodiano não lhe deu muitas opções de fuga, cobrindo o caminho com seu corpo e aferrando seus dedos na pele tão forte que Sieghart jurava, ia parar seu sangue.

“O que pensa que está fazendo? Isso não é brincadeira.” Sieghart resmungou, movendo as pernas para um golpe certeiro. Dio apertou o joelho contra sua virilha, pegando o outro braço de Sieghart com sua garra, o moreno respirou fundo nesse momento.

“Não é mesmo. Você tem me evitado desde nossa transa e eu esperava que fosse um pouco mais maduro e encarasse de frente seus próprios atos.” Dio pronunciou, com as sobrancelhas finas franzidas sobre os olhos afilados cor vinho.

“Hm. Eu não fiz nada pelo que me lembro.” Esboçou com orgulho, fechando os olhos e falando alto e claro para o asmodiano. Ele tinha correspondido, mas só porque Dio não o deixava em paz e ele estava bêbado.

Dio chasqueou a língua, visivelmente indignado com essa porcaria de orgulho e sarcasmo amontoado que saía dessa boca. Era tão covarde que ele quase não conseguia reconhece-lo.

“Você tem um problema enorme para cuidar, e é essa sua covardia, Sieghart. Sexo não se faz sozinho.”

“Isso não é bem verdade nos dias de hoje.” Adicionou o moreno, mexendo seu braço, sentindo tudo formigar embaixo da mão rude do mais novo.

“Hunf. Isso não importa, para sua informação. Você fez, você gostou e agora fica vomitando seu descaro. Eu quero resolver uma coisa com você agora e por isso que não vai sair daqui.” Dio apertou os olhos, deixando sua resolução e um aperto de seu joelho na virilha do imortal. Sieghart evitou olhar, pois já sabia que estava duro e não podia ficar mais constrangido do que nesse momento.

“Eu não tenho nada para te oferecer. Aquele dia eu tinha deixado bem claro que eu estava entediado e você era o que tinha sobrado... E eu não sou descarado porra nenhuma. E também não transei com você para depois ficarmos nos aventurando pelos cantos da base. Aquilo foi um erro.”

Dio apertou seus braços um pouquinho mais, quase tirando um grunhido do moreno. Apesar de ele saber que estava errado em insistir, Dio tinha uma razão para isso. Ele não tinha iniciado esse conflito com intenção de se aventurar em uma relação íntima violenta com Sieghart.

Para começo de conversa, ele tinha brincado o tempo todo no início. Depois ele descobriu que não era tão ruim, e para piorar, quando Sieghart levou a situação deles do sexo unilateral para uma relação sexual forte e compatível, Dio acabou se interessando pela emoção que sentiu.

“Você está com medo do que sentiu não é?” Dio soltou-o levemente, baixando os olhos para a camisa amassada. A abertura dos primeiros botões dava visão privilegiada da clavícula e do começo do tórax claro do imortal, como sempre, frágil e apetitoso.

Sieghart continuava não gostando da conversa e da posição, mas não se moveu quando o tom de voz de Dio ficou pesado daquela forma.

“Eu não tenho medo de nada.” Sieghart murmurou com insegurança. Por algum motivo sabia que o asmodiano mais do que qualquer outro o entenderia. Era fato que os dois estavam conectados pelo resto de suas vidas, e Sieghart sabia que se esse sentimento começasse a tomar conta de si, com certeza ele ficaria sozinho outra vez.

Dio viu o brilho nos olhos do imortal e suspirou. Estava cansado de tentar entender. Algo mais forte do que seu ódio o obrigava a fazer essas coisas humanas, mas ele não era tão gentil quando se tratava de sentimentos, ainda estava se acostumando.

“Eu só queria que você tivesse olhado para mim e dito que não havia nada de errado, que você estava bem e que ia continuar tudo a ser como antes. Mas você não fez isso.” Dio bufou, extremamente entediado. “Você é tão teimoso. Eu não me importaria se você me batesse e me culpasse por tudo, mas você agiu até agora como se sentisse culpado e que ficou abalado comigo. Eu me senti confuso.”

“Cale a boca.” Sieghart desviou os olhos, resmungando impropérios. “Eu sou infantil. Ok? Eu não reagi bem e fiquei até agora te evitando que nem uma virgem violada. Está bom desse jeito? Vai me deixar em paz?”

Dio riu desgostosamente.

“Você não entendeu nada. É por isso que eu continuo te provocando, sabe?” Dio apoiou-se nos cotovelos sobre o corpo do moreno, respirando perto de seu pescoço. Sieghart remexeu-se milimetricamente e paralisou depois. “Você fica excitado quando lembra não é?”

O sorriso de Dio fez com que um rubor forte aparecesse em seu claro rosto. Sieghart rangeu os dentes de raiva.

“Claro que não!” Sieghart tentou empurrá-lo, mas o asmodiano fechou a distância e o prendeu entre suas pernas e braços, deitando seu corpo pesado sobre si. “Pare, Dio!”

O asmodiano se permitiu distrair, olhando o rosto de Sieghart de perto. A pele continuava suave, as bochechas eram altas e vermelhas, os olhos brilhantes continuavam o hipnotizando. E admirava coisas que não havia percebido antes como suas sobrancelhas finas lhe davam um ar de relaxado e a inexistência de costeletas, a área coberta pela franja repicada.

Os lábios que o atraíam entreabertos, Dio os alcançou em segundos após análise e os cobriu com satisfação. Tinha uma textura tão agradável como da última vez, o que o levava a pensar que Sieghart era completamente natural.

Esfregou seus lábios e esfregou seu peito com o do rapaz por baixo. Sieghart apertou suas pálpebras com força ao sentir o contato e sua língua contornando sua boca com saliva.

As mãos de Sieghart apertaram na colcha que decorava a cama. Sua atenção estava total no asmodiano, que continuava sugando seus lábios e começava a levantar o braço para colocar debaixo de sua nuca.

“Pare.” Sieghart separou seus lábios, respirando com dificuldade, vendo que Dio havia deixado seu peso completamente sobre si. “Saia, Dio.” Forçou-o para longe. Sentou-se e esfregou a boca com o braço, negando-se mentalmente a cair no mesmo truque. Seu membro começava a subir e ele não estava nada de acordo com isso.

Dio tocou-o no ombro, mas o moreno o afastou outra vez. Sua cara não era boa.

“Você é muito esperto.” Foi o que Sieghart disse com rancor. “Eu não pretendo deixar que você continue a me manipular por esse meio. Eu tenho um objetivo do qual você me afastou, e eu queria voltar a pensar só nele, Dio. Se você me tem como um guerreiro o qual respeita, então você vai parar e aceitar a minha decisão.”

“Hm.” Dio resmungou. “Eu não sei o que é pior. Você ser bem mais humano do que eu pensava, ou ser tão criança como a sua cara diz.” Dio agarrou seu rosto pelas duas bochechas com apenas uma mão e com rudeza, como era típico, e por estranho que pareça Sieghart gostou disso. Era tão violento.

“Hng-” Sieghart tentou tirar aqueles dedos que apertavam seu rosto a ponto de doer, mas o asmodiano apenas o empurrou para trás.

“Criança.” Dio repetiu com raiva. “Você não percebe que mesmo que paremos agora, em algum momento isso vai ser mais forte?”

Sieghart mexeu em seus fios, empurrando-os para o lado e mostrando não estar de acordo.

“Eu não sou uma garota apaixonada. Eu decido o que eu faço, Dio. E eu decidi que você não vai ser nada além de um adversário. Eu não quero um adversário sendo meu amante. Entendeu?”

O asmodiano parecia cada vez mais impaciente, emanando uma aura nada amigável e contendo sua raiva apenas porque ele ainda estava excitado demais com a ideia de transar outra vez com Sieghart.

“Sieghart.” Dio segurou-o pela gola da camisa. “Quando eu te beijo, o que você quer fazer?”

“O-O quê?! Você por acaso me escutou?” Sieghart empurrou seu peito, tirando-o de perto. “Eu não quero fazer NADA. Se você, pelo amor de Gaia, me soltar e esquecer que eu me deitei com você, eu não arranco seus olhos.”

“Hm.” Dio o apertou mais forte. “E você já pensou que poderia muito bem me afastar usando sua força?”

O rosto de Sieghart efervesceu no mesmo instante. Ele mordeu os lábios, intimidado, e se sentindo subestimado. Dio o olhava firmemente, e intensamente. Ele não conseguia encara-lo com imponência numa situação dessas.

“No fim é a mesma coisa. Você fica com medo de continuar por que sentiu naquela hora o mesmo que eu. A diferença entre nós é que eu não tenho medo de admitir que senti algo por você.” Dio tirou os dedos da camisa para subir pela pele exposta do pescoço, causando arrepios no mais velho e alcançar os fios negros de sua nuca. Acarinhou-os, fazendo os olhos prateados amansarem no mesmo segundo, seu corpo amolecendo.

Sieghart baixou as pupilas para um ponto em que não se sentisse tão mal. Dio era espaçoso e sem educação, não um cara elegante e com palavras de incentivo. Era estranho ter que lidar com isso e ao mesmo tempo aceitar em seu coração que as coisas mudaram para um ponto irreversível.

Aquela fase foi terminada e agora não dava para voltar atrás.

“Quer que eu diga mais alguma coisa?” Dio perguntou com certa irritação, puxando os fios negros sem o mínimo de gentileza.

“Quero que pare de me segurar assim, seu corno desgraçado.” Sieghart deu um murro em seu rosto sem se conter. A marca era admirável e perfeita. Uma obra de arte.

“Tch, você é tão fresco que me mata de nojo.” Dio resmungou, massageando a parte surrada e levantando-se da cama para sair ao banheiro. Não necessitava tratar de mais nada a não ser com sua ereção.

“Onde pensa que vai?” Sieghart agarrou seu pulso e o puxou de volta, fazendo-o se deitar. “Se tem nojo de mim você não estaria querendo tanto me foder agora.”

Dio fez uma expressão afetada. Aquele pequeno humano arrogante...

“Eu não tenho nada que ficar esperando aqui enquanto sei que você não quer dar a bunda. Sei que se eu te obrigar você vai fazer alguma bobagem de novo.” Dio fez questão de se sentar para sair, embora seu desejo fosse mesmo de colocar Sieghart em posição e faze-lo gemer por horas. Era uma ideia bem melhor do que bater punheta.

Como havia dito anteriormente, porque fazer isso por si mesmo quando tem alguém para fazer por você?

Sieghart pareceu não gostar e reagindo a isso, abriu sua camisa e deixou-a cair dos ombros até os cotovelos.

“Já que você começou tudo isso, melhor terminar. E eu não estou pedindo.” Sieghart arrastou-se para cima do colo do asmodiano, que levantou uma sobrancelha em surpresa. A mão do arroxeado tocando em sua perna sobre a calça e apertando-a.

“Hm, eu quase fico tentado, Sieg.” Dio deu um sorriso cheio de dentes. Sua língua serpenteou pelos lábios, dando uma visão bastante sugestiva ao moreno. “Se você se esforçasse um pouco mais, talvez eu me entregasse a você.” Riu.

Sieghart segurou a nuca do mais novo, envolvendo os dedos com aquele cabelo de cor mortífera, e puxou-o para si imponentemente. Dio não reclamou quando sentiu os lábios mais macios que conhecia sobreporem os seus e tão logo os abriu o beijo aprofundou. Sieghart comandava, e dessa vez Dio deixaria ele se satisfazer, até certo ponto pelo menos.

“Hn...”

Dio espalmou a mão no traseiro levantado do moreno, tirando-lhe toda a compostura, e roubou o domínio das línguas, circulando-a sobre a do outro e sugando seu lábio, mudando a posição e com força. Sieghart não demorou muito a agarrar sua blusa na altura do peito e acompanha-lo com a respiração difícil.

“Ahn.” Sieghart deixou escapar enquanto o mais novo passeava os dedos em sua bunda e apertava sem a menor vergonha, apalpando e apertando na base da nádega com a coxa. Dio separou suas bocas a contragosto.

“Tire a calça.” Dio olhou para o volume que se formava entre suas pernas e as de Sieghart também. O moreno meio que se negou com o olhar, mas impaciente com falas, Dio puxou-a sem o menor cuidado até a dobra dos joelhos e encarou Sieghart. “Termine.”

O imortal sentia o rosto cada vez mais quente. Seu coração acelerava ao olhar para o asmodiano, tão sério e mandante assim. Não havia chances de ele comandar, mesmo que ele quisesse. Dio não tinha machismo barato naquele corpo. Estava marcado nos abdominais perversamente belos e naquelas pernas torneadas e também naqueles braços grossos, além de seu maxilar forte e bem desenhado.

Tudo o que restou foi tirar a calça e jogá-la para fora da cama espaçosa, ficando seminu às vistas malignas do demônio de Elyos. Dio não sorriu até aí, mas olhou com atenção a virilha do mais velho, visando deixar Sieghart ainda mais envergonhado, e levou a mão entre aquelas coxas brancas que gostava de apertar.

Naturalmente, Sieghart reteve qualquer movimento. Dio o segurou por cima da boxer, sem qualquer carinho ou intenção de dar-lhe prazer. O asmodiano teve a audácia de segurá-lo e apertá-lo com maldade, fazendo seus joelhos falharem e um som fino ficar preso em sua garganta. Gaia! Aquilo doía como o inferno! Suas mãos foram aos ombros do Asmodeus para poder se manter de joelhos.

Entretanto, Sieghart não falou nada. Sabia que se falasse qualquer coisa sua fala sairia com uma vozinha de esquilo que não ficaria nada bem. Dio o soltaria logo.

“Você se perguntou por que eu fiz isso, não é?” Dio sorriu largamente enquanto deixava de apertar para movê-lo na mão como um brinquedo ou qualquer outro objeto descartável. Seus dedos conseguiam analisar o formato dos testículos e do pênis, assim como a rigidez que aumentava com a sensação de ser torturado pela dor.

Sieghart mordeu o lábio por dentro. Ele tinha sim se perguntado.

“É a sua punição por não tirar a calça como eu mandei.” Dio fechou os olhos, deixando de machuca-lo para mover a mão em massagem, sentindo o alívio de Sieghart ao parar de segurar sua voz com tanta força.

“Calado.” Resmungou, irritado. Sieghart puxou a camisa do asmodiano para trás, fazendo-o tirar. “Se está tão incomodado com as roupas, por que não tira as suas então?”

“Oh, você está tão louco assim para me ver nu, Sieg? Acho que é justo.” Dio atirou a blusa para fora e deixou-se puxar Sieghart para alguns amassos. Suas mãos foram diretas até as costas delineadas do imortal, sentindo os músculos definidos, porém, não tão fortes. O outro tocava seu pescoço e sua boca juntava-se a dele.

A pele de Dio, ele não sabia, era um pouco mais áspera e rígida. A tonalidade ficava mais intensa quando fazia esforços muito grandes, e seus olhos pareciam emanar energia quando estava sofrendo emoções fortes. Ele também tinha uma marca pequena de corte embaixo de seu pescoço, que ele provavelmente não conseguia ver, e ele sempre contraía involuntariamente o cenho quando se sentia excitado.

Sieghart passou a mão atrás de sua orelha e de seu chifre direito, fazendo-o quase ronronar durante o beijo. Isso também era comum.

“Hn...”

Os dois separaram as bocas, Dio encostou seus narizes e beijou o lábio superior do moreno, descendo e mordendo seu queixo. Sieghart fechou os olhos. O asmodiano roçou sua face pela bochecha de Sieghart e alcançou a orelha, mordendo o brinco engraçado que ele costumava usar. Puxou a cordinha um pouco, fazendo o moreno franzir as sobrancelhas com um incomodo desconhecido, e puxou o lóbulo com a língua, mordiscando-o entre seus lábios.

“Hn!” Sieghart apertou seu ombro e naquele lugar perto do chifre outra vez, sentindo um calafrio gostoso percorrer seu corpo inteiro. Dio sugou e soltou, descendo em seguida e cheirando seu pescoço com discrição, mas Sieghart percebeu.

Dio baixou a mão pelo abdômen do moreno, dedilhando em volta daquele umbigo fundo e ameaçando entrar pela boxer, mas passou adiante, massageando novamente o volume decoroso que se formou em tão pouco tempo. Dio sorriu em seu pescoço e mordiscou-o, fazendo as costas do mais velho se arquearem um pouco e a mão em seu ombro ir para o seu cabelo, como se para tentar impedi-lo.

“Você gostou disso, não é?” Dio sussurrou e abocanhou aquela pele quase imaculada e livre de marcas, exceto as marcas que se formavam da possível “magia de possessão”. Sieghart não havia pensado nisso antes, mas ele não tinha um espelho. Só teve tempo de contrair as pernas e agarrar o cabelo de Dio quando os caninos pontudos arrastaram-se em seu pescoço e sua língua fez companhia à mordida, deixando uma marca vermelha forte.

Dio sentiu sua necessidade um pouco mais aguda e resolveu atende-la. Afastou Sieghart e ficou de joelhos para desfazer-se da calça em pouco tempo e tirar a boxer cinza que mostrava um volume igualmente admirável. Sieghart não o olhou todo o tempo, voltando a encara-lo apenas quando Dio o deitou com rapidez e tirou sua peça íntima com a mesma velocidade.

“Oh, você continua intenso como da última vez. Você vai se negar de novo, Sieg? Ou eu posso te comer sem problemas?”

Sieghart avermelhou absurdamente, olhando para baixo, e percebendo seu erro. O calor aumentava lá embaixo, seu membro por pouco não se encostava à barriga malhada do asmodiano e o dele por pouco não deitava em sua coxa. Dio estava mantendo essa distância só para provocar, ele sabia.

“Que tal parar de falar, Dio? Você é tão cru como sempre.” Sieghart murmurou com o olhar forte. O brilho intenso que havia em seus olhos aumentava com o tempo e aquele sono que sentia era um pouco forte, e se ele aumentasse um pouco mais suas pálpebras começariam a falhar.

“Hm.” Dio desceu um dedo por seu peito claro, avistando os mamilos enrijecidos e os músculos que gostava um pouco menos fortes do que da primeira vez. Sieghart o observava, curioso pela cara do asmodiano. “O que aconteceu com seu físico? Parece que você ficou mais... Magro.”

A expressão interrogativa de Dio foi uma surpresa para Sieghart. Nem mesmo ele sabia que estava com a aparência um pouco afetada, tinha certeza que mantinha os exercícios e o combate bastante ativos com seus companheiros. Era estranho ter alguma diferença.

“Talvez seja um efeito da magia? E falando nisso, o que aconteceu com o meu rosto?” Sieghart perguntou com uma exaltação contida. E se os “tentáculos” pretos continuassem aumentando? Dio piscou.

“Ah, continuam aí, mas diminuíram.” Dio brincou com seu mamilo um segundo, fazendo-o apertar os dentes. “O que? Gostou disso?” Dio o puxou outra vez, soltando e rodando-o nos dedos.

“I-Idiota, pare com isso.” Sieghart desviou os olhos e sentiu finalmente como Dio encostava seus membros e puxava-o para se sentar. Suas pernas passando por cima das dele.

Dio dava um olhar que dizia matreiro o que faria e Sieghart não se espantava. A mão experiente do asmodiano envolvia o membro do Avatar desde a base e uma parte sobrava avermelhada junto com a glande ao topo. Sua voz saiu rouca e para Sieghart banhada de um charme inexplicável.

“Me recompense depois.” Dio sorriu, mostrando seus dentes e os caninos que causavam arrepios bastante excitantes. Sua mão moveu-se com velocidade e pouco cuidado, efetivando o prazer tão esperado pelo moreno.

“Ah-” Sieghart fechou os lábios, sentindo em primeira mão como Dio realizava a masturbação tão bem quanto ele mesmo. Era forte e não se continha, não se preocupava com a pele e com a queimação. Os dedos apertavam no topo e quando chegava à base batia forte para voltar com impulso. Dio beijou-o e mordeu sua boca, tirando um gemido mais forte.

O asmodiano deixou que sua garra tocasse as costas de Sieghart, arranhando-o apenas o suficiente para ele se arrepiar e soltar um gemido lânguido.

“Masoquista.” Dio soprou em seu ouvido, arranhando-o de novo e mantendo um ritmo na masturbação. Seu membro podia esperar um pouco mais apesar de ter esse corpo inteiro o chamando.

“C-Cala a boca.” Sieghart suspirou, seu rosto ruborizado e sua expressão manchada de luxúria. Seu corpo gritava por um orgasmo, mas Dio era entendido. Dio diminuía o ritmo quando o auge estava chegando. “Mais rápido.” Murmurou com esforço.

“Hmm?” Dio sentiu seu pênis endurecer um pouco mais, porém, não aumentou a velocidade.

Sieghart puxou seus fios de cabelo com uma mão e com a outra tomou o pênis do arroxeado, provando da rigidez crescente que só esperava para se meter em seu rabo. Só soube que quando mexeu os dedos por aquela extensão, o asmodiano eriçou o corpo e ofegou pela primeira vez.

“Olha só.” Sieghart zombou, movendo os dedos da mesma forma que o arroxeado. Dio não devolveu a gentileza, mas aumentou o ritmo assim como o moreno queria. E em troca Sieghart também o masturbou com maestria.

Depois de poucos segundos o mais novo parou, percebendo quando o clímax se aproximava, e fitou seu parceiro significativamente. Sieghart tinha o rosto, parte do pescoço e a ponta das orelhas vermelhas como camarão, os olhos gordos e aguados, pupilas dilatadas e os lábios inchados e úmidos pelos beijos.

Dio se pôs de joelhos devagar, levando as mãos pelas pernas roliças, ainda que rígidas e fortes, apertando cada pedaço de carne, e apalpando as coxas sensuais do mais velho. A franja de Sieghart cobriu seus olhos, e ele baixou o rosto, envergonhado, enquanto as mãos seguravam sua cintura passando determinação pelo toque. Um suspiro escapou por seus lábios.

O asmodiano beijava-o no pescoço, sua boca desenhando todo o espaço, roubando o aroma natural mais uma vez, e seus dedos subiam a lateral do imortal, subindo lentamente, roçando os dedos com o máximo de empenho, até seu peito, até seu pescoço e continuava mordiscando, sua garra arranhando-lhe as costas delineadas.

Sieghart arqueou-se até estar novamente embaixo do Asmodeus. Dessa vez ele o tocou mais abaixo, acariciando seus testículos rosados, passando para sua entrada pulsante. O moreno teve um sobressalto ao ser tocado ali depois de tanto tempo. A sensação estranha voltou como um deja vù, e o gosto desceu por sua garganta como uma lembrança nostálgica.

“Dio.” Sieghart chamou-o inconscientemente ao sentir o asmodiano penetrar um dígito sem muita cerimônia. Dio moveu-o circularmente, sua garra em cima do estômago do moreno, impedindo-o de se mexer com a ameaça de furá-lo se o fizesse.

O imortal não pensou sobre como ele devia relaxar para não doer tanto. Seus olhos pregaram na expressão concentrada de Dio, quem focava sua atenção para sua maior intimidade, movendo o dedo e adicionando mais um, causando mais ardência e algum prazer. Sieghart o viu engolir em seco quando contraiu seu ânus naqueles dedos longos, foi quase uma vitória pessoal para ele.

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Dio penetrou com força o indicador e o médio, vendo os olhos de Sieghart quase fecharem e sua boca abrir sem pronunciar qualquer som. Um gemido interno tentava escapar, mas o moreno não o deixaria escapar facilmente. Era assim que o asmodiano gostava, um bom desafio.

Sieghart mexeu as coxas, não sabendo se afastava ou apertava, encontrando várias vezes as laterais musculosas daquele asmodiano. Um brilho leve se formava no corpo perfeito, Sieghart o sentiu tirar os dedos e abaixar a cabeça.

“H-uh, Dio...” Sieghart puxou o ar assim que sentiu a mão do maior empurrar sua coxa para o alto e sua boca encostar-se ao vão de sua virilha, inspirando e expirando o ar num bufo quente, que o fez se contorcer.

Dio lambeu a área entre as bolas e o ânus, sentindo o corpo de Sieghart vibrar. O suor começava a se formar em grande escala e ambos os membros apontavam para o abdômen necessitando de alguma atenção.

O arroxeado olhou para o moreno, mostrando seu olhar mais selvagem e dando uma boa chupada numa das bolas.

“A-Ahn...” Sieghart arqueou o pescoço, expondo um rubor altíssimo em sua cor pálida. Seu quadril se moveu sozinho, sentindo arrepios diversos correndo seu corpo até a cabeça.

Dio continuou com algumas lambidas leves, sugando com cuidado e baixou até a entrada um pouco alargada. Sieghart tremeu, Dio viu. Forçou a língua, circundando a pequena entrada, deixando a saliva escorrer. Sua mão apertou-se na coxa úmida do mais velho e empurrou-a mais para cima, fazendo Sieghart perder o controle da voz ao fechar os lábios em seu ânus.

“Hm... Dio...” O moreno murmurou com o coração tamborilando. Dio umedeceu toda sua entreperna, com sua saliva quente e resistente, e voltou ao seu rosto, juntando suas bocas e agarrando sua perna.

“Quer dizer alguma coisa antes de eu começar?” Dio sorriu em seus lábios, sugando-os incessantemente, quase sem dar oportunidade para o moreno falar.

Sieghart virou o rosto, sentindo seu membro latejar ainda mais forte. Os braços de Dio envolviam suas costas, e era tão quente e seguro ali. O membro dele roçava em sua virilha, o fazendo contrair em antecipação. Senti-lo penetrar até o fundo... E investir insanamente como daquela vez, Sieghart não esperava viver isso de novo e gostar tanto.

“Você não espera que eu fale mais alguma coisa não é?” Sieghart murmurou baixo, sendo interrompido por um solavanco nada gentil e seu canal abrindo. Um gemido mudo cobriu sua boca, e os lábios de Dio espalharam seu calor dominante por todo seu corpo.

Dio suou um pouco ao sentir tanta resistência logo no começo. Seu rival contraia todos os músculos com bastante afinco e isso dificultava sua “abordagem”. Sua glande e certa parte haviam entrado, mas o imortal não era mesmo para se brincar. Apertava-o ferreamente, massageando toda sua extensão como jamais havia sentido. Seus sentidos ligaram-se quase como um flash de luz, fazendo-o sentir todo o tesão de um garoto na puberdade.

Sieghart viu seu companheiro ativo grunhir como um animal ao conseguir colocar mais um pouco de seu pênis vantajoso e suculento. Isso o fez ativar, seus nervos à flor da pele, e seu interior tanto quanto seu exterior vibrarem.

“AH-!” Sieghart quase fechou os olhos quando Dio para terminar de preenchê-lo estocou fortemente, atingindo seu ponto mais fundo. Um calor inexplicável correu por sua pele e o asmodiano apoiou-se pelas mãos ao lado de seu corpo tombado.

“Hm...” Arfou Dio. “Nossa... Sieg, que cú de virgem...”

Sieghart franziu o cenho com desgosto. Ele odiava essa forma que Dio tinha de falar sobre as coisas. Se não fosse o suficiente já estar dando o traseiro para um cara, ele tinha que deixar tudo pior e mais vergonhoso.

“Que tal você mudar isso então?” Sieghart resmungou, contraindo voluntariamente seu ânus, sentindo um calafrio e Dio tendo um golpe de excitação desde a base até a glande. O asmodiano arfou e ao mesmo tempo reiniciou uma masturbação lenta no moreno.

Os dois não disseram mais nada. Dio penetrou a primeira vez, sentindo a resistência cair, e Sieghart não se conteve em afastar as pernas um pouco mais, podendo sentir inteiramente como todo o pênis de Dio o penetrava com lenta e tortuosamente.

“Hng.” Sieghart mordeu o lábio quando ele atingiu o fundo e voltou lentamente pela terceira vez. “D-Dio, vai rápido!”

O asmodiano afastou sua franja, respirando pela boca. Não era tão fácil, e se ele não tomasse cuidado ia acabar saindo, por isso tinha que se acostumar.

“Ah... Calado.” Suspirou, tentando aumentar a velocidade, tanto por si mesmo, que não aguentava mais ter tanta pressão em volta, como para o moreno, que estava igualmente dominado pela sensação de prazer.

Sieghart segurou os braços de Dio, esticando o pescoço, mostrando seu corpo pálido todo marcado por uma cor avermelhada de cansaço e timidez, seus músculos contraídos e sua excitação estancada no membro rígido. O asmodiano endureceu um pouco mais.

“Isso não é um sinal tão bom quanto eu gostaria.” Dio pensou com preocupação. Seu coração acelerou mais do que o normal, junto com suas estocadas firmes. Sua garra e sua mão ocupou-se em afastar aquelas coxas maravilhosas e seus olhos se prenderam no peito liso, os mamilos rosados endurecidos. E o músculo do pescoço de Sieghart esticava, assim como seu pomo de adão, descendo e subindo. A testa do moreno estava ensopada e seus cabelos negros caíam para trás, mostrando seu rosto infantil.

“Ah! Ah, porra...” Sieghart pronunciou automaticamente com uma investida que tomou o ritmo envolvente. Dio engoliu todo o sabor daquela cena, e permitiu-se estocar ainda mais forte. O quadril de Sieghart movia-se com facilidade e suavidade, mostrando que tinha flexibilidade perfeita, e Dio aproveitava-se da posição para subi-lo um pouco e estocar adentro sem nenhum empecilho, sentindo a totalidade do corpo do moreno.

“Hm, que apertado...” murmurou o asmodiano deslizando para o canal avermelhado com força e não se contendo nenhum segundo a mais. Forçosamente, abriu espaço com bastante violência e fez a seu ritmo, forte e tão rápido que apagava os gemidos da boca do parceiro. Sua mão trabalhando arduamente no membro branco.

Sieghart era arrastado pela cama, suas costas suando e grudando na colcha, enquanto o asmodiano metia sem dó e se satisfazia a cada golpe. Gemeu alto, sentindo a sensação cobrir todo seu corpo, fazendo seu estômago rodar e seu membro arder.

Gradualmente, Dio e Sieghart entravam em um estado de semi-inconsciência. O corpo do asmodiano deitou sobre o do imortal, investindo ainda firmemente, apesar de diminuir o ritmo. Os beijos ficaram molhados e envolventes, as pernas se esfregavam, os peitos esfregavam, suas mãos corriam pelos cabelos selvagemente um do outro, as mordidas se espalhavam e de repente os dois estavam se devorando sem cansaço.

Sieghart sentia seus pêlos arrepiarem a cada estocada, e Dio via tudo ondular como uma maré quando se afundava no moreno. Dio acariciava aqueles fios escuros atrás da orelha de Sieghart e conseguia sentir o cheiro característico dele ainda mais forte. A mente do asmodiano se preencheu de sensações sobre Sieghart e extasiou-se.

O imortal não acreditou por si mesmo ao ver quando Dio adquiriu uma respiração forte e quase desesperada e ficou incansável, abraçando seu corpo, arrastando seu quadril com o dele, e beijando-o com uma vontade única de marca-lo e machuca-lo.

“Você é tão lindo.” Dio murmurou em sua boca, metendo uma estocada que fez o moreno ver estrelas, seu rosto borbulhando pelo tesão. O sangue parecia subir para seu cérebro, e isso o deixava louco. Louco por mais.

“Dio! Ah, de novo... Mais forte.” Sieghart gemeu em seu ouvido, agarrando seu cabelo e recebendo o mesmo em troca. A garra de Dio apertava suas costas ainda mais obstinadamente.

O asmodiano meio que rosnou, deixando Sieghart ainda mais perdido, e sentia que estava num transe pior do que a embriaguez. Se parecia com uma droga alucinógena, Sieghart tão irresistível em suas mãos e uma excitação que nunca havia sentido antes na vida.

“Ahn...!” Sieghart gemeu lentamente, com o membro do Asmodeus preenchendo todo seu vazio e enlouquecendo-o. “Isso! Ah!”

“Sieghart!”

Quebrando as barreiras que ainda o mantinham no plano humano, Dio sentiu seu descontrole forçar uma brecha. O moreno deslizou pela cama facilmente, como se não fosse pesado, e o asmodiano assumiu todo o controle, manuseando o corpo de Sieghart sem qualquer dificuldade.

Subiu-o para seu colo, continuando seus movimentos com o máximo de extensão. Acariciando aqueles maravilhosos fios negros e aqueles glúteos macios, beijando a pele pálida de seu teimoso parceiro. Sieghart gemeu ainda mais alto, e de novo e consecutivamente, jorrando o orgasmo em seu peito, tão abundante e quente que o asmodiano quase não sobreviveu à incrível contração do canal.

Com um som parecido com o de alguém sofrendo um ataque cardíaco, Dio parou todos seus movimentos, vendo com olhos embaçados como Sieghart tremia e não tinha mais nenhuma força para se manter sentado sequer. O corpo do moreno ficou em seus braços, sua respiração entrecortada, e ele tossia às vezes, tombando a cabeça em seu peito.

Os olhos de Sieghart pareciam não poder ver. Seu gozo escorria pelo membro e pelo abdômen de Dio. Entre suas pernas o gozo de Dio escapando pelo canal e escorrendo diretamente para o colchão.

Dio inspirou. Sua cabeça doía... Seu corpo doía. Seu alívio era total.

“Sieg.” Sua voz era de um tom grave e rouco que jamais havia escutado. Tocou o topo da cabeça do moreno, sentindo os fios úmidos e abaixados. Sieghart tossiu baixo e levantou o olhar, meio confuso.

“Não sei por que pensei que seria diferente.” Resmungou com uma voz tão rouca quanto. Mas foi tudo o que disse, sem se mexer além do necessário. Aquele pênis monstruoso ainda estava dentro de seu ânus, apertado como o caralho.

Dio suspirou. Deitou-se com Sieghart de lado, mantendo seu membro dentro dele, entre a umidade e a pressão viciantes. O moreno não queria fechar os olhos, mas parecia não estar conseguindo.

“Estou com tanto sono.” Murmurou com dificuldade, vendo pouco de Dio. Mas sabia que estava ali por causa de sua alta temperatura, seu cheiro e seu membro aconchegado em seu interior.

A mão de Dio passou em seus fios rebeldes com uma adoração desconhecida, perto da nuca, trazendo um alívio e um arrepio. Sieghart viu os olhos de Dio em cima de si quando suas bocas juntaram, e seu corpo foi coberto pelo dele. Assim que fechou as pálpebras, tudo escureceu instantaneamente.

–x-x-x-

Os olhos prateados abriram minimante. Viu o teto de seu quarto, e sabia que era ele por causa daquele buraco que Lass fez acidentalmente em mais uma de suas lutas no teto.

Olhou para o lado. O criado-mudo continha um relógio e seu par de brincos. Olhou para o outro lado, seu armamento continuava impecavelmente limpo e brilhando pelo polimento perfeito que aprendeu a fazer durante séculos. Olhou para si mesmo, embaixo de colchas pesadas, ele tinha tido um sono esplêndido. Dormiu satisfeito, teve sonhos coloridos com o mar e acordou disposto.

Levantou-se, estava limpo, cheiroso, e metido num pijama escuro. Olhou-se no espelho. Seu cabelo estava maior ou era sua impressão? Ah, ficou mais selvagem assim, então quem ligava?

“Uah...” Bocejou, indo se trocar. Estava tudo bem.

Não. Apertou os olhos para o espelho. A marca que tinha estado em seu rosto havia sumido. Mas havia uma mudança estranha na cor de seus olhos para mais clara, assim como tinha uma mudança em seu estado de espírito. Era forte e vibrante, quase dominante. Sieghart de repente se sentiu mais forte do que já era, e isso o assustou primeiramente.

“Isso é definitivamente anormal.” Sieghart saiu do quarto, bem vestido e pronto para um café da manhã reforçado, pois parecia que não comia há dias.

Mesmo andando no corredor ouviu vozes animadas no andar de baixo. Era estranho, não pensava que o grupo voltaria tão cedo de sua diversão.

Sieghart terminou de descer as escadas, atraindo a atenção de vários. Arme veio correndo em seu encontro, parecendo impressionada.

“Olá, voltaram cedo.” Sieghart sorriu abertamente, sentindo-se perfeito para um omelete e bacon, que cheirava fortemente da cozinha.

Alguns riram. Ryan deu de ombros e explicou.

“Na verdade foi você que demorou a acordar. Nós estamos aqui já faz uma semana, Sieghart.” O elfo riu, apontando para ele.

Sieghart piscou, assimilando o que foi dito. Seu olhar foi para Dio, que estava comendo, sentado no sofá sem cerimônias ou olhares estranhos em sua direção. Ele sabia o que tinha acontecido entre os dois, e isso por mais que o deixasse envergonhado, acabava sendo agora um fato inegável. Entretanto, Dio não parecia demonstrar culpa ou coisa assim.

“Como isso é possível? E porque eu dormiria tanto tempo assim?” Sieghart questionou com pouca paciência, achando a história absurda. Ele só havia transado. Que merda, ele não deveria dormir mais de uma semana por causa disso.

Alguém deu uma risadinha perversa. E essa era Rey, que olhava alguma coisa escondida em uma câmera. “Ah, puta que pariu! Ela viu tudo!” Foi o que pensou, desesperado.

“Talvez por que você teve um colapso natural após tanto tempo? Era de se esperar que seu corpo reagisse.” Mari interrompeu, mostrando um gráfico estranho qual não entendeu.

“Resuma.” Pediu, cruzando os braços e avistando Ronan com alguns pratos prontos. Sua boca salivava.

“Você não estava com aquelas marcas por causa de uma magia. Lembra-se que eu lhe disse sobre as marcas parecerem cicatrizes naturais de seu corpo?” Mari gesticulou. “Na realidade o que aconteceu foi um colapso de mana em seu corpo. Isso causou o sono intenso e as marcas, que são um meio de ‘expulsar’ a energia que estava te machucando. Quando está em Fúria, essa energia acumulada sai, mas parece que você acumulou demais para seu corpo humano.”

“Entendo.” Sieghart assentiu. Então a criança asmodiana não tinha feito nada, não é? Só o cortado.

“Mas o fato de você ter dormido por tanto tempo é exagerado.” Mari arrumou os óculos, fazendo uma expressão insatisfeita.

“O que quer dizer?” Sieghart franziu a sobrancelha, pressentindo algo ruim.

“Você tinha desmaios e dormia por algum tempo no início. A tendência desse colapso e do funcionamento da mana não é o corpo cair em sono profundo e se recuperar totalmente como aconteceu com você. Era para você ter cochilos, consecutivos e gradualmente mais longos, porém, você desmaiou no mesmo dia em que todos foram embora. Dio me pediu para te analisar e tudo o que pude constatar é que você excedeu seu corpo de uma forma bizarra.”

“B-Bizarra?!” Sieghart ficou com os olhos em branco, não sabendo se olhava para Dio ou não. A azulada continuou, atraindo a atenção de todos e o rubor de Sieghart crescendo ainda mais por pensar na coisa mais absurda de todas.

“Sim, bizarra. Você estava quase seco. Gastou uma quantia de energia física imensurável, mais da metade do que o corpo humano aguenta. Sua consciência ficou apagada totalmente e isso só pode ser efeito de um colapso mental muito forte.” Mari o analisou de perto, vendo que o imortal havia voltado completamente ao normal. “E essa é a parte intrigante. Você precisou apenas dormir e receber soro para voltar ao que era antes. E ainda, ficar mais forte.”

“Hm. Eu não me lembro disso ter acontecido antes durante minha época de guerra.” Sieghart riu sem graça, tentando puxar o assunto para outro lado e evitando ao máximo o maldito asmodiano. A culpa era dele!

“Hm. Posso dizer que sua recuperação se deu a um estado de mente mais confortável.” Arme sorriu para ele.

“O quê?” Sieghart tremeu, sentindo o olhar de certas pessoas, como Lupus e Lass, fixo em si como raposas. Eles pressentiam de longe essas coisas. Até Rey o olhava com o ar malicioso e superior.

“Quando as pessoas estão inconscientes, normalmente, para elas acordarem mais rápido é preciso um estado de mente de conforto. Quer dizer, se você estava confiante, relaxado e satisfeito consigo mesmo em suas atitudes. E sua recuperação foi um sucesso.” Arme lhe apontou o polegar. Ele agradeceu sem graça.

Ah, sim. Ele estivera satisfeito com toda certeza. Se Dio era capaz de descarregar toda sua energia e coloca-lo para dormir por todo esse tempo, ele imaginava o quanto o sexo com um asmodiano podia ser assustador. Seu corpo, por si mesmo, apagou.

“Se você não tivesse uma mente tão forte, quem sabe o que poderia ter acontecido, né?” Elesis deu de ombros. “Mas é bem feito. Perdeu toda a diversão e recebeu um bom castigo. Não saia mais da base sem permissão, ouviu? Não é porque você é o Imortal que vai desobedecer às regras enquanto eu estou no comando.” Ela o olhava ameaçadoramente.

Dio riu baixinho.

“Do que está rindo, bastardo?” Sieghart rangeu os dentes em direção a ele. Maldito Dio. Por que tinha que ser ele?

“Hm, você parecia bem fofo enquanto dormia.” Dio o olhou com atenção. Tinha vontade de morder os lábios, mas não queria nenhum membro da Caçada desconfiando da nova relação deles. Sieghart lhe devolveu um olhar forte e irritado.

“Calado.” Sieghart foi para a cozinha batendo o pé, chamando a atenção de alguns membros mais observadores.

“Ele... Não discutiu muito dessa vez, não é?” Jin comentou com o asmodiano, estranhando o moreno não ter feito um escândalo e querer voar no pescoço de Dio.

“Hm.” Sorriu misteriosamente Dio, com um brilho diferente nos olhos em direção às costas do moreno. Em vez do usual sarcasmo, tinha certo reconhecimento. Sieghart conversava com Lire e Lin, discutindo com outros na mesa, só sobraram o ruivo e o asmodiano na sala.

Jin sorriu, entendendo o que se passava e saiu dali também.

Dio desfez o sorriso. Sabia que quando tudo isso acabasse, toda a Grande Caçada acabasse, e todos os inimigos reaparecessem, o verdadeiro poder de Sieghart seria revelado. E ele devia estar lá para combatê-lo.

“Mas, por enquanto.” Dio se levantou, juntando-se aos outros. Ele tinha bastante esperança ainda de que Sieghart não perderia a linha se estivesse ao seu lado, era uma aposta alta, mas era tudo o que tinha.

Sieghart o olhou de canto, vendo sua expressão preocupada. Ele sabia que o asmodiano estava pensando em coisas desnecessárias sobre o futuro que os aguardava, mas Sieghart, assim como um jovem irresponsável, não queria pensar no depois, e sim no agora.

Meia hora depois...

“Ei, Rey. Você usou aquelas malditas câmeras não é?” Sieghart rosnou para ela baixinho. “Eu vi você assistindo descaradamente na nossa frente.”

“Dessa vez você vai ter que pagar. Esse material não tem preço!” Rey sussurrou, mostrando um pequeno objeto onde os vídeos e as fotos eram guardados. “Você sabe, isso o que aconteceu é um fenômeno muito raro nos asmodianos machos?”

O moreno levantou a sobrancelha e ficou vermelho.

“C-Claro que não. Eu não quero saber disso, apenas destrua eles!” Sieghart apertou os punhos. A Princesa sorriu de ponta a ponta.

“É um efeito muito especial. Só acontece quando os asmodianos atingem a satisfação plena com a pessoa que está destinada pelo resto da vida. Eles escurecem e drenam a energia do companheiro.” Os olhos esmeraldas de Rey brilharam e ela ficou assustadora. “Pois a atração é tanta que o prazer sexual não é suficiente, os fazendo ficar incontroláveis e sedentos como animais selvagens do inferno!”

Sieghart sentiu o suor escorrer por sua face. Sentiu uma pressão em seu ombro, se virou bruscamente. Dio olhava para a amiga com pesar.

“Não acredite nela, Sieghart. Ela só está te enrolando.” Dio o empurrou para fora dali, olhando acusadoramente para a rosada, que ria malvadamente, sem coração.

“Tch, Dio. O que ela falou é verdade não é?” Sieghart apertou os olhos para ele, assim que entraram em seu quarto. “Eu percebi que tinha algo errado.”

“Oh, você acredita que eu seja destinado a você por toda a eternidade?” Dio sorriu largamente, fechando a porta atrás de si. Sieghart assistiu a ação com indiferença.

“Não. Certamente não.”

“Então.” Dio tirou as costas da porta e pôs a mão no ombro, caminhando em direção do moreno, estalando o pescoço. Sieghart não arredou o pé do lugar.

“O que é? Você acha que agora nós vamos nos encontrar regularmente?” Perguntou com sarcasmo, vendo Dio quase encostar seu grande corpo no seu. Se ele quisesse podia derrubá-lo, mas ele não era qualquer um para se deixar cair no caso.

“Hm. Eu não acho.” Dio puxou seu queixo, juntando suas cinturas. Uma veia pulsou na testa do moreno, que por pouco não se soltou. Sieghart chasqueou a língua enquanto se direcionava para a janela aberta e olhava o fim da neve.

O inverno acabou.

“Eu não estou preocupado com o que vai acontecer depois. Na hora que tiver que acontecer, vai acontecer. Eu me cansei de esperar sempre o pior e ficar longe de tudo. Pode rir, eu continuo sendo bastante humano.” Sieghart sorriu com desgosto ao passo que Dio encostava-se também ao peitoril e fitava o sol saindo detrás das nuvens, com um brilho fraco.

“Não pensou que por causa disso você vai acabar se destruindo?” Dio perguntou com seriedade. Ele, mais do que ninguém, sabia quão assustador as pessoas poderiam ser quando corrompidas pelo ódio.

Sieghart deu de ombros.

“Eu já disse o que penso. Você vai ainda assim vai me matar se precisar, não é? Você é bom demais com esse mundo.” Disse isso, tirando um sorriso suave do asmodiano.

“É claro, mas isso não vai diminuir o meu apreço por você. Eu apenas vou acompanhar os eventos.” Dio segurou o pescoço do moreno, tirando-lhe uma exclamação, e beijou-o intensamente. Abrindo os lábios doces que tanto gostava.

Mesmo que fosse estranho para Sieghart, já fazia mais de uma semana que Dio não o beijava.

“Hm. Seu idiota.” Sieghart afastou seu rosto, envergonhado por ter se entregado tão fácil.

“Vai dizer que não ficou excitado.” Dio sorriu maliciosamente perto de seus lábios, empurrando-o para a parede ao lado e encostando seu quadril. Sieghart fixou o olhar brilhante, escondendo sua vergonha com raiva.

“Cale-se.”

“Me faça.” Dio segurou os pulsos e o beijou.

A primavera tinha chegado enfim.

Fim

Notas finais
Olá a todos! Depois de muito tempo e várias interferências: minha entrada na faculdade, minha falta de criatividade, o nyah parado e minha conta bloqueada. Eu FINALMENTE trouxe a vocês o último capítulo de Revelado, como prometido: DioxSieghart para os que amam e pediram por eles. Apesar de este capítulo ter muito do que chamo “enrolação”, eu o liguei diretamente com a minha one Entediado. Pois, claro, vocês sabem, Revelado é história continuação de Reconhecido (LupusxLass), mas nesse intervalo existe a one Entediado (DioxSieghart). Então o ponto emocional desse capítulo foca no problema de Sieghart e Dio: a imortalidade. É isso. Beijo a todos, obrigado por lerem até o final! Até mais ver.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.