Resumption
55 Capítulo 55
Notas iniciais
Pov – Clarie
─Tem certeza Daryl? Só faz quatro dias? – Pergunto com ele de pé diante de mim no meio da sala com a besta nas costas e uma cara de menino pidão.
─Clarie ficar mais tempo preso aqui dentro vai me matar. Só vou pegar o Ben na escola. Ele me pediu isso quando me machuquei e não pude ir. Me sinto em dívida. Uma surpresinha para ele.
─Se machucou é eufemismo. – Ele desvia os olhos um momento.
Devia ficar feliz por ele estar aqui gentilmente perdendo tempo explicando quando não tem nada que o impeça de ir.
─Certo, anda devagar e não fica por aí. – Daryl ri de mim abertamente. – Eu sei que estou sendo ridícula. – Me encosto em seu peito, ele me envolve.
─Só um pouco ridícula.
─Que animador. – Ele me faz olhar para ele. Me beija de modo lento e carinhoso e já sinto falta de mais do que isso.
─Os pontos já secaram e me sinto muito bem. Talvez eu cace você pela cama e te arraste para mim. – Sorrio. Isso sim é animador. Fico na ponta dos pés e beijo seus lábios. Depois ele me deixa.
Minha vontade era ir para a varanda e ficar lá esperando por ele feito uma esposa apaixonada, acenando com um pano de prato na mão. Não faço isso, acho que ele teria tanto medo que talvez nem voltasse mais.
Vou para a cozinha preparar o jantar. Ainda é cedo, mas no momento a vida está tão pacata que não tenho nada para fazer. Começo a preparar a comida, coelho cozido com purê de batatas. Agora a horta vai de vento em poupa e temos uma boa quantidade de carne de caça.
Plantei temperos num pequeno vaso na janela da cozinha há dois dias. Um dia vão crescer e vou cozinhar com eles como minha mãe fazia. Desde a conversa com Daryl sobre o passado tenho pensado nela.
Sinto falta do modo carinhoso que me tratava, da sabedoria e penso se um dia vou ser uma boa memória para Benjamin. Espero que sim. A porta da frente se abre e fico feliz de tê-los de volta.
─Mãe. Chegamos. – Benjamin anuncia enquanto caminha para cozinha. Olho seu rosto corado e penso no garoto revoltado que chegou odiando tudo e todos.
─Que tal vir aqui e me dar um abraço? – Ele sorri. Se não peço ou o envolvo ele nunca toma a iniciativa e queria que um dia ele corresse para mim.
Benjamin vem para meus braços e só tem um abraço tão bom quanto esse, o abraço de Daryl Dixon. Poucos tem esse privilégio, mas quem recebe aquele carinho sabe que ele abraça com tudo que tem.
─Como foi seu dia? – Pergunto me afastando. Daryl está de pé encostado no batente e refreio o desejo que questionar sua condição física. Acho que ele não aguenta mais tanta preocupação.
─Normal. Ron me chamou para brincar na casa dele. Eu disse que não dava porque estou cuidando do meu pai doente.
─Já sarei Ben. – Daryl anuncia. – Estou ótimo. Até fui te buscar.
─Foi mesmo. Fiquei contente. – Ele deixa o caderno sobre a mesa. – Mãe eu mostrei meu pai para todo mundo.
─Aposto que ele adorou isso! – Digo irônica e o olhar de Daryl demonstra o quanto ficou feliz em ser o centro das atenções.
─Tenho dever. – Ele comunica. Adora mostrar que é um bom menino fazendo a lição assim que chega. – Vem pai me ajudar. – Ele pede a Daryl que me olha atrapalhado, dou de ombros. Os dois seguem para sala.
Termino o jantar. Começava a escurecer. Olho o fim do dia pela janela. As ruas calmas. Pego a panela limpa para guardar e quando me viro em direção ao armário tudo gira e escurece. O som estridente da panela caindo no chão me traz de volta.
As coisas começam a clarear aos poucos. Meu peito se aperta num susto infinito. Estou gravida é a primeira coisa que penso. O rosto de Eric insistindo para que falasse com Denise me vem a mente. Maggie. O medo de Glenn, as palavras de Daryl sobre o tema. Tudo saltando do meu cérebro em imagens dramáticas.
─Clarie! – Daryl me apoia pelo ombro. – O que foi isso? – A realidade ganha espaço.
─Não precisa chorar mãe. Olha já peguei a panela, não estragou. – Ben está diante de mim com a panela na mão e os olhos preocupados, encaro Daryl e são os mesmos olhos. Entrei em transe e os assustei.
─Clarie! – Daryl me chacoalha de leve e retomo minhas forças. Toco o rosto e tem mesmo lágrimas rolando.
─Estou bem. – Aviso tentando sorrir.
─O que foi isso? Está branca como papel. – Ele não esconde sua preocupação.
─Mãe. – É o tom angustiado de Ben que me faz reagir. Sorrio.
─A panela escorregou da minha mãe e tomei um susto, foi só isso. – Os dois não acreditam.
─Clarie. Está pálida.
─O barulho me assustou, por um minuto me vi naquele tempo que evitávamos qualquer som. Foi só isso. Estou ótima. – Me solto de Daryl e pego a panela da mão de Benjamin. – Vou guardar isso.
Os dois aceitam minhas palavras sem escolha. Voltam para sala e me sento um momento assustada. Não posso mais fugir disso. Tenho que fazer qualquer coisa. Falar com Denise. Será que ela ainda está na enfermaria? Provavelmente não.
Eu poderia procura-la em casa. Seria até melhor. Acontece que Spencer mora com ela e quero evita-lo a todo custo. Engulo em seco. Eric ou Maggie. Um dos dois pode me ajudar.
Eric é a melhor escolha. Maggie não tem que se preocupar com isso ainda. Já basta suas próprias preocupações.
─Preciso resolver isso. – Digo baixinho e me ponho de pé. Caminho para sala. Não saio de casa desde que Daryl chegou ferido, não vou além de levar e buscar Benjamin na escola. Não precisa de muito para convence-los. Eles não têm porque duvidar de mim.
─Ainda é cedo para o jantar e pensei que se não se importam vou ver a Maggie e quem sabe o Eric. – Os dois me olham. – Quero pegar algumas coisas que estão faltando também.
─Agora? Quer que a gente vá com você? – Daryl pergunta.
─Não. Uma hora. É tudo que preciso. Volto para jantarmos. – Os dois afirmam e deixo a casa fingindo um controle que não tenho. Bato na porta de Eric. Assim que me vê ele sorri de modo largo. Sempre faz isso para me deixar culpada de ser uma boba ciumenta.
─Docinho. O que faz aqui?
─Aaron está? – Pergunto olhando além dele.
─Sim. Quer falar com ele? – Eric faz careta como se estivesse ofendido de procurar Aaron e não ele. Nego rapidamente. Faço sinal para que ele saia e Eric fecha a porta atrás de si agora preocupado.
─Eric. – Meus olhos marejam. – Acho que... Acho que posso estar gravida.
─A gente já não achava isso antes?
─Não. Você achava. Agora acho também. Quero ver a Denise, mas não quero ir na casa dela. Pode correr lá e pedir que me encontre na enfermaria? E ser discreto?
─Discrição é meu nome do meio docinho. – Ele beija minha testa. – Vai lá, chegamos em um minutinho. Não chora na rua que todo mundo vai achar que está maluca.
Afirmo sem ânimo para sorrir e caminho para a enfermaria. A porta está só encostada, entro e me sento numa cadeira. Cubro o rosto com as mãos. Tento algum controle. Nada me deixa mais apavorada e confusa que isso.
Pode ser só paranoia. Quem sabe foi apenas uma queda de pressão? Seria uma grande sorte se fosse. A ideia me causa algum remorso. Se estiver gravida e meu bebê escuta isso vai se sentir rejeitado.
A porta se abre e Denise entra acompanhada de Eric.
─Denise. Desculpe incomodar você assim. – Fico de pé e ela segura minha mão.
─Tudo bem. Eric já me colocou a par de tudo.
─Não aguentei docinho! – Ele se defende. Melhor assim. Ganhamos tempo.
─O que acha Denise? Como posso ter certeza?
─Sente-se. – Ela me pede e nos sentamos os três. – Me conte por que acha que está gravida. Quais os sintomas?
─Sintomas? Eu não sei. Tive uma tontura há pouco.
─Só isso? – Ela pergunta.
─Nunca usei qualquer proteção. Antes do Daryl eu estive um tempo presa em um lugar. Um ano. Lá aconteceram abusos. Muitos. – Seco uma lágrima. Só consigo pensar que vou chegar em casa com cara de choro e não vou saber como me explicar. – Nunca aconteceu de ficar gravida. Devia, mas não aconteceu.
─Sei. – Denise fica pensativa. – Clarie. Não sabemos quase nada sobre esse vírus. A única coisa que temos certeza é que quando morremos uma parte do nosso cérebro continua ativa. E tudo o que isso significa. Nem temos certeza sobre imunidade. Ou como ele age em nosso corpo.
─Acha que por isso não fiquei grávida?
─Quase não se fica doente mais. Reparou? Talvez o vírus mate células doentes. Talvez ele funcione como um anticorpo para algumas doenças e dificulte a gravidez. Não impede. Judith e agora Maggie gravida são provas disso.
─Então eu posso não ter ficado gravida antes e agora estar?
─Pode. Acho que sim. A vida da gente é tão complicada, tanta tensão, alimentação ruim. Tudo pode ter impedido antes, não é garantia que não possa ter filhos.
─Como posso ter certeza? – Só o que me resta é confirmar.
─Sua menstruação.
─Nunca foi regular. Depois do apocalipse então ficou ainda pior, mas faz pelo menos dois meses que não vem.
─Um grande indicio. Vai fazer um teste desses de farmácia e vou fazer um exame de toque para confirmar.
─Viu docinho. Mais uns minutos e acabamos com a angustia. – Eric aperta minha mão. – Que mão fria. Acalme-se, não é o fim do mundo. O fim do mundo já foi! – Acabo sorrindo. Ele tem razão. O mundo acabou, e eu fui o ser mais irresponsável do apocalipse não me preocupando com isso.
─Se for um alarme falso vamos cuidar para se prevenir. A menos que queira um bebê. Quer? – Denise questiona.
─Seria um sonho. Ter um filho do Daryl. Dar um irmãozinho para o Benjamin. Claro que isso no velho mundo. Agora eu sei que seria um... – A palavra trava. Não quero dizer problema. Um filho não pode ser tratado assim. Me calo.
─Vamos com isso de uma vez. Saímos os dois fugidos. – Eric bate palmas e se põe de pé. Denise faz o mesmo e eu me demoro um pouco mais. Ela remexe um armário. Depois caminha para mim com uma caixinha.
─Sabe como se faz? – Afirmo. – Então vai lá. – Ela me aponta o banheiro. Fecho a porta atrás de mim e com mãos tremulas abro a caixa. Ela cai duas vezes de minhas mãos.
Respiro fundo. Depois que faço o teste. Penso em ficar ali esperando para saber o resultado. Acho que não aguento passar por isso sozinha e deixo o banheiro. Denise pega o exame de minha mão. Eric me envolve a cintura.
─Até que é bom passar por isso. – Eric brinca. – Se bem que melhor ainda é não ser o pai, nem a mãe.
─Eric! – Gemo e ele beija minha testa. Denise olha o exame. Depois me estende e demoro um longo tempo para ter coragem de pegar de sua mão. Dois tracinhos. Me sinto fraca e agradeço o abraço de Eric que me mantem de pé. – Meu Deus! – Meu coração bate alucinado.
─Calma! – Denise me segura as mãos. – Eric fica de costas. Você tira a calça e deita ali. Vamos ver como você está.
Obedeço. É uma mistura de constrangimento e angustia. Uma felicidade que quer surgir, mas que se esconde por conta do medo que me domina. Medo da reação de Daryl, de tudo que pode dar errado e do futuro incerto e perigoso.
Faz dois minutos que descobri que estou grávida e ele já é a coisa que mais amo e meu maior medo. É o mesmo medo que tenho de algo acontecer a Benjamin ou Daryl. Só que é mais possível. Tudo pode dar errado.
─Sei que não é confortável, mas tenta relaxar. – É impossível. Ela faz o exame que não dura nem um minuto. Depois me pede para me vestir. Eric ali na sala de costas e batendo o pé ansioso.
─Pronto Eric. – Aviso quando estou vestida. Denise espera que calce os sapatos e me sente.
─Está realmente gravida Clarie. – Eu já não tinha mais dúvidas. – Agora vamos acompanhar. Maggie está indo bem. Nenhum imprevisto e mesmo toda tensão dos últimos dias não abalou em nada. Sabe como ela ama você e o Daryl e ela ficou bem preocupada com a aventura dos dois lá fora. Temos comida. Alguma medicação. Sou uma cirurgiã e estou pronta até para uma cesariana.
─Eu sei Denise. É que quando penso em Daryl e como vai ser difícil para ele. No mundo que temos hoje. O que uma criança vai ter aqui? Quais as chances?
─Muitas. Ela venceu muitos obstáculos para estar aí. Esse mundo precisa dela para reconstruir. Estamos aqui para um recomeço, não é? Como vamos conseguir isso sem novas pessoas? – Denise sorri. – Vá para casa. Conte a seu marido e vamos acompanhar.
─Preciso de um tempo para contar. Não sei como fazer isso. Podem não contar para ninguém?
─Claro docinho, e apenas porque amo você. Adoraria contar ao Aaron.
─Obrigada por tudo Denise. Tenho que ir. Vou lavar o rosto e tentar não chorar mais.
Isso parece missão impossível, mas me controlo, o ar da noite enquanto caminho de braço dado com Eric ajuda. Ele fica silencioso ao meu lado, acho que sabe que qualquer palavra dita agora vai me arrancar lágrimas.
Ele me beija a testa quando chegamos a minha porta. Sorri carinhoso.
─Seja a garota forte. Daryl vai pirar e depois será um príncipe com você. Sabe disso. – Afirmo de boca fechada.
Dou as costas a ele e subo os degraus da minha pequena casa onde planejei ter um pouco de felicidade que fosse. Agora não quero migalhas de felicidade. Quero uma vida completa e segura. Quero um mundo novo para meu bebê e Benjamin.
Sinto uma força me invadir. Uma coragem me domina e me sinto mãe de um modo poderoso. Se expande e não é apenas sobre meu bebê no ventre. É sobre Benjamin, Daryl e tudo que essa família pode ser. Não tenho medo, não como antes.
─Demorou em mãe. Eu e o pai já estávamos indo te buscar. Deixou a lança. – Bem me aponta a arma ao lado da porta. Saí tão atordoada. Consigo sorrir para os dois. Não é um dia ruim. Não mesmo.
─Iam atrás de mim porque me amam ou estão com fome. – Os dois trocam um olhar cúmplice. – Que bonito em? Só preocupados com o estomago! – Eles riem e vamos para cozinha.
Me esforço muito para ficar presente na conversa. A mente o tempo todo voando para as palavras de Denise e meus planos de como contar. Que palavras usar. Imaginando as mais variadas reações e sei que não vou aguentar muito tempo esse segredo. Nem posso.
Daryl vai colocar Benjamin na cama, espera-lo adormecer como sempre. Se acha a pior pessoa do mundo e no fundo é a melhor de todas. Arrumo a cozinha. Tomo um rápido banho e faço a cama. Desço em busca de água e um minuto de silencio para me recompor.
Não vou contar hoje. Amanhã quem sabe. Hoje não estou pronta para o pânico de Daryl. Hoje quero seu carinho mesmo que ele não saiba o porquê.
Quando volto para o quarto Daryl estava na cama à minha espera. Me deito em seus braços. Ele me envolve carinhoso. Beija meu ombro.
─Tão linda. – Diz daquele jeito simples que tem de me comover. – Foi bom ir lá fora. Respirar um pouco. Amanhã vou deixar o Ben na escola, passar na doutora para tirar os pontos e trabalhar.
─Tudo bem. – Digo sem querer discutir isso, ele me olha surpreso. – Sou muito razoável amor.
─Isso ficou estranho. Você está estranha. O que aconteceu na cozinha?
─Nada.
─Não acredito. Onde foi realmente? Não trouxe nada. – Me esqueci disso.
─Passei no Eric para ele ir comigo na Maggie, mas ficamos distraídos conversando e no fim não fiz nada e fiquei preocupada com o jantar e voltei. – Ele me olha de um modo profundo.
─É oficial. Você é a pior mentirosa da face da terra. – Me encosto nele. Me aconchego desesperada por proteção e força.
─Então me abraça bastante e vamos dormir. Só quero ficar assim hoje. – Ele aceita. Tão compreensivo que estranho. Me beija com carinho e fechamos os olhos. Daryl acaba adormecendo. Já eu custo a pegar no sono. Tudo vivo e em movimento dentro de mim. Só adormeço quando a madrugada me esgota.
Acordo na ponta da cama. Daryl espalhado por toda ela e sorrio. O sorriso se desfaz quando as recordações da noite anterior me dominam. Vou ter um filho.
Não sei como isso vai nos atingir, mas não vou deixar nada nos quebrar. Vou ser forte por nós todos. A menos que Daryl aceite bem. Nesse caso acho que vou me entregar ao pânico e deixar que ele cuide de tudo.
Sinto sua mão tatear a cama, encontrar minha cintura e me puxar daquele jeito Dixon que amo. Me encaixo a ele e sinto seu nariz aspirar meu pescoço enquanto sua mão percorre meu corpo e me faz estremecer.
Deixo escapar um gemido de prazer e todo medo se apaga. Ele sorri de olhos fechados ainda. Depois seus lábios fazem o caminho de volta do meu colo aos meus lábios e depois de um leve beijo ele abre os lindos olhos azuis.
─Bom dia! – Digo sorrindo e ganho mais um beijo.
─Estou liberado? – Ele pergunta depois de ter fugido dele duas noites e duas manhãs com medo de abrir os pontos. Minhas mãos passeando por suas costas são a resposta que ele precisava e então ele toma meus lábios num beijo longo e profundo.
As mãos ficam livres para me enlouquecer e reajo a cada toque queimando de desejo e saudade. O fruto de tanto amor só pode ser uma benção, nunca um fardo.
─Daryl. – A voz sai estrangulada pelo desejo. Afundo meus dedos em seus cabelos quando o sinto me invadir lento e gentil. Seus olhos buscam os meus mais uma vez, me perco naquele azul profundo e cheio de amor.
─Senti sua falta. – Ele diz antes de descer os lábios mais uma vez de encontro a minha pele. Beijo seu ombro. Sinto seu sabor e sei que nada pode nos afastar. – É minha Clarie. – Ele sussurra em meu ouvido.
─Te amo!
─Perfeitinha! – Ele sorri. Me beija e as palavras se perdem, ficam desconexas. Completamente desnecessárias. Pertencemos um ao outro e quando o mundo fica suspenso eu sei disso. Depois vem a calmaria, a leveza de sempre. Uma paz intensa e ficamos um longo momento nos olhando.
─Você é tão bonito. – Ele sorri.
─De onde tirou isso?
─Caçando elogios? – Ele me morde o lábio.
─Amo você. Minha perfeitinha. Vou levar o Ben na escola e voltar para ficar com você.
─O que é isso? Não vai correr para ficar trabalhando por aí?
─Não. Por que depois vou ter que esperar o Benjamin dormir para ter você assim toda só para mim.
─Quando eu digo que fala as coisas mais bonitas do mundo e nem se dá conta não acredita. Você é romântico Daryl Dixon!
─Boba. Vamos começar o dia. – Ele fica sempre tímido com elogios.
Antes de deixar a cama nos beijamos. Depois começa a rotina da manhã. Sem economizar água ou Benjamin acabaria atrasado.
Os dois partem animados e me preparo para contar a ele. Pretendia pedir a ele que voltasse, ainda bem que não foi preciso. Quero fazer isso longe de Benjamin. Fico na sala pensando num modo de dizer a ele. Que palavras usar. Me preparando para ser forte e só consigo tremer de medo.
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