Resumption
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Pov – Benjamin
Eles pensam que estão me enganando, eu sei o que vai acontecer, sempre acontece, mas não vou deixar me enganarem, não vou me acostumar, não vou gostar de ninguém. Merda nenhuma de ninguém.
A dor nas costas não para nunca, tomar banho dói mais que tudo, arde e preciso ficar bem forte para não gritar, sempre era agua fria, no mundo todo que fui era sempre agua fria e eu queria quente, agora que queria fria é quente.
Eles não mentiram sobre o vídeo game, tem um agorinha na sala, e joguei a tarde toda e ontem o dia todo e é só isso que fico fazendo e não sei não quando vou ter que fazer coisas que não quero.
Me dão comida, cama e vídeo game, não trabalho para eles, não faço nada e isso é muito esquisito, fico no escuro a noite toda com medo de algo acontecer, sempre bem quieto, mas sempre é igual, não acontece nada, tiro toda a roupa e deixo a camiseta por último, porque ela gruda no machucado e dói muito.
─Aí! Cassete! – Vejo as manchas de sangue e jogo no chão em baixo do chuveiro para lavar sem ela ver. Ela fica toda boazinha comigo, lavando minhas roupas e querendo sorrir toda hora, me engana as vezes. Está frio, olho no espelho, me contorço um pouco e então dá para ver, está bem ruim.
Vou morrer, virar um zumbi e ele vai me acertar uma daquelas flechas na minha cabeça. Encaro o chuveiro, queria não ter que entrar ali, a fumaça embaça o banheiro e fecho os olhos.
Me lembro da corrente acertando minhas costas, da dor e de perder o ar, depois tudo ficou escuro e quando acordei aqueles lobos nojentos tinham ido embora.
Devem ter pensado que morri, aposto que foram buscar mais zumbis e se não tivéssemos saído eles teriam matado os dois quando chegassem.
Fico me molhando e me lavando sem entrar debaixo da água quente, mas depois acabo entrando, se chegar sujo e ela me mandar embora? Estou morrendo, não vai demorar, até lá só quero ficar jogando um pouco e quieto, sem correr e me esconder e chorar toda hora.
Mas choro quando lavo o cabelo e a agua quente bate nas costas e a ferida enorme parece que se abre mais.
Me seco e visto a roupa rápido, aquela dor o tempo todo, me sinto tão cansado e mole.
Desço para jantar, senti o cheiro da carne a tarde toda, meu estomago está nas costas de fome, a dor me irrita, não durmo nunca de tanto que dói. Me sento em silencio.
Os dois estão lá de olharzinho um para o outro, de beijos, ele é todo certinho com ela, mas não ligam para mim, só fico aqui. Ninguém liga mesmo, nunca, mesmo quando o mundo nem tinha acabado.
Quase me encosto na cadeira, me lembro um segundo antes e ainda bem que se não eu ia gritar muito de dor e eles iam descobrir e achar que fui mordido e me matar.
─Esse cheiro está fantástico hoje. Assim não vou sentir falta do espaguete! – Ele diz para ela que já fica de risinho, a dor aumenta um pouco quando me curvo e sinto a camiseta grudar nas costas. Passo a mão no cabelo para tirar dos olhos, ela coloca um prato cheio de comida na minha frente.
─Amanhã Benjamin acho que já pode ir para a escola com os garotos.
Eu não vou para merda de lugar nenhum, eu não vou sair daqui, eles já querem se livrar de mim, eu não vou ficar sentado num lugar, não sei escrever eles vão rir de mim, ninguém mais vai rir de mim.
─Você é uma vadia bem estúpida se acha que pode me obrigar! – Eu grito, e ela me olha espantada, eu estava tentando não xingar, mas ela pediu por isso, quer rir de mim.
Daryl bate a mão na mesa com força, os pratos balançam, um copo vira quando ele se levanta e me encara se curvando sobre mim. Eu sabia, estava demorando, mas sabia que ia acontecer.
─Saia da mesa agora! Ela lava e cozinha para você, não pode e nunca mais vai falar assim com ela. – Ele grita, fico parado, me sinto fraco para fugir, mais ainda para apanhar. – Quer comer sem ter que ser grato? Vá caçar sua comida! Aqui só vai comer quando se desculpar com ela. Saia! – Ele aponta a porta e obedeço tremendo. Não subo, me sento na sala.
Prendo o choro, muito e muito, até ele sumir e a garganta parar de arder, não sei o que tenho que fazer, eu tenho oito anos, posso fingir que me desculpo, só fingir.
Olho escondido para a cozinha, Daryl e Clarie estão lá, de mãos dadas, se olhando, tomo coragem e vou até a porta da cozinha, olho para meus pés.
─Desculpe Clarie. – Sai baixo, mas os dois me olham e encaro Clarie, eu não sou nenhum bebê chorão. Ela demora para responder, acho que está decidindo se desculpa.
─Está desculpado Benjamin. – Ela diz por fim, mas não sei o que tenho que fazer agora e fico parado.
Daryl puxa a cadeira que eu estava, me faz um gesto para voltar para ela, pega meu prato e coloca de volta.
─Vai esfriar. – Ele diz quando não me mexo e sinto a garganta arder de novo, mas dessa vez eu não sei porque. Me sento e volto a comer, está muito bom.
Me sento na sala com eles, os dois ficam sempre conversando, falando das pessoas que nem conheço, do trabalho que fazem, não quero ir ficar lá em cima, tenho medo da febre começar e eu morrer.
Meus olhos pesam, querem fechar e se as costas não doessem eu bem me encostava um pouquinho, sem alternativa eu subo, não falo nada, mas quando chego na escada os dois dizem boa noite.
─Tanto faz. – É boa para eles, para mim não.
De manhã Clarie me dá leite, só eu tomo, um copo grande e quentinho, depois como pão, aqueles lobos não podem achar esse lugar, com tanta coisa boa vão matar todo mundo. Eles sempre matam todo mundo de qualquer jeito.
─Sabe onde são as aulas? – Meu coração acelera, vão rir de mim, não sei ler, não sei escrever, não quero ir, mas Daryl está aqui e já vi que ele pode me machucar. Afirmo. – Ótimo. – Ela me entrega um caderno e lápis, pego sem escolha e com muita raiva daquele sorriso dela. – Boa sorte hoje.
Clarie estica a mão em minha direção, me afasto apressado e ela desiste. Odeio eles, odeio todo mundo, saio para a rua e não vou a porra de lugar nenhum, ninguém vai rir, não fui na escola nunca, o mundo acabou e não sei nada de coisa de escola.
Me escondo atrás de um muro, é só ficar ali um tempo. Vejo um homem arrumando caixas perto de um muro, uma em cima da outra em duas pilhas, dá quase para ver o outro lado, ele sai e decido ir até lá e dar uma olhada como é lá fora.
Começo a escalar as caixas, mas meu pé falha em algum momento, as caixas caem e tudo escorrega e se espalha e o homem vem gritando comigo e minhas costas doem e não consigo correr quando ele me põe de pé segurando meu braço.
─Que merda é essa? Viu o que fez seu palhaço! – Ele me chacoalha gritando.
─Vai pro inferno seu velho nojento!
─Moleque maldito, do que me chamou? – Ele me chacoalha mais.
─Ei! Larga ele! – Olhamos os dois e Daryl vem vindo com passos firmes e muito bravo e tremo um pouco, acabou, por causa de umas caixas acabou. – Está surdo? Solta ele! – Daryl diz bem perto do homem que me larga com um pouco de medo.
─Olha o que ele fez?
─Eu vi, não sou cego, nunca mais toque nele, ouviu, sabe onde moro, se ele fizer algo vá até lá e me avise, mas nunca mais se atreva a machucar o menino.
─Desculpe, está certo, só perdi a cabeça.
─Pode ir. – O homem olha para mim e depois para as caixas.
─Tenho que arrumar tudo de novo.
─Benjamin espalhou, ele arruma. Pode ir.
O homem sorri e vai embora, Daryl me encara sério e me encolho um pouco, ele me defendeu, mas pode ser que seja só para me bater pessoalmente.
─Arrume, se tivesse ido onde devia não estaria encrencado.
─São pesadas.
─Tem dezesseis anos. Não é isso? Então crie músculos. Quando terminar vá para casa e fique bem longe daquele vídeo game.
Fico sozinho, meus dedos estão congelando de tanto frio, minhas costas doem mais do que nunca e começo a arrumar, vou passar o resto da vida ali e não vou conseguir, são pesadas demais.
─Precisa de ajuda? – Carl aparece com sua irmã num carrinho de bebê. Queria dizer para ele ir para o inferno, mas não consigo mais, sinto frio e sono.
─Quero.
Ele começa a me ajudar enquanto a menininha fica ali olhando.
─Daryl é bem legal, ele que te mandou fazer isso.
─Eu derrubei ele me mandou arrumar.
─A cara dele. Meu pai é assim também. Está doente? – Nego, mas me sinto cansado. – Vai eu termino.
─Não posso enquanto não terminar. – Ele ri, tem pai para cuidar dele, não sabe como é quem não tem, por isso ri como se nada fosse me acontecer. Me esforço até terminar. Depois ele fica me olhando. – Obrigado! – Sei que é isso que ele espera.
Carl pega a irmã e vai embora e faço o mesmo, não tem ninguém quando chego, vou para cama, me deito com a cara enfiada no travesseiro, acho que está começando, não quero ser um zumbi.
Aperto o canivete que achei no carro na mão sob o travesseiro, queria ter coragem de fazer, como eu vi o Mark fazer de tanto apanhar dos lobos. Choro, não queria, mas choro com tudo, sem me preocupar com nada, de medo, de frio, de dor. O canivete na mão bem firme ainda tomando coragem.
Pov – Daryl
Eu não queria fazer aquilo, gritar com ele, manda-lo sair da mesa, mas de que outro modo ele se convenceria a tratar Clarie como ela merece? Odiei fazer, me vi em seu lugar, senti seu medo e sua magoa.
Ser duro com ele não quer dizer que não me importo, mas ele não sabe disso, porque não entende a diferença, toda vez que alguém foi duro com ele foi apenas porque não se importa.
Se não fosse Clarie segurar minha mão e me acalmar não sei como teria sido, é muito mais difícil do que parece, mesmo com o falso e forçado pedido de desculpas ainda tive a pior noite da minha vida, com uma culpa sem fim me corroendo e uma vontade absurda de pedir desculpas pelos gritos.
Eu sabia que meia dúzia de gritos não seriam suficientes para convence-lo a ir para a escola e mudar seu comportamento, vi quando se escondeu, deixei e teria deixado ele achar que estava nos enganando se Steve não tivesse perdido a cabeça.
Nem posso culpar o cara, o garoto é o demônio, sem limites, cheio de fúria, mas isso não dá direito a ninguém de feri-lo.
Espero que junte as caixas como mandei e vá para casa e vamos ver como vai ser essa coisa de aulas. Clarie foi falar com Rosita e Maggie, o menino fica mais e mais fraco. Come sem parar e nada de sumir a palidez, a fraqueza visível que nem permitiu que escalasse meia dúzia de caixas.
Pete era o médico, mas está morto, precisamos de alguém, é necessário, todas essas pessoas aqui, uma hora alguém precisa de cuidados e nada de alguém capacitado.
Por isso recrutar é tão importante. Mas agora não podemos ir, ninguém além de nós será paciente o bastante com ele, se formos lá fora ele vai aprontar.
Benjamin é a prioridade. Carol passa por mim, acena e sorri, meneio a cabeça, vê-la me irrita, sigo meu caminho e quando passo pela frente da casa de Aaron eles estão na varanda.
─Como estão? – Pergunto e os dois sorriem.
─Bem. Soubemos do garoto, é bonito o que estão fazendo. – Eric diz sorrindo.
─Tentando fazer. Ele é difícil.
─Amor cura tudo Daryl, sabe que meu trabalho antes do fim do mundo me ensinou que as pessoas só querem uma chance.
─Estamos dando essa chance, mas talvez ele não entenda ainda.
─Disse tudo. Ainda.
Afirmo, depois olho em volta, melhor ir logo ver a Clarie e seu treino e depois ir para casa.
─Vou indo.
Morgan e ela já tinham começado quando chego, ele não dá um desconto para ela, mas Clarie está tão boa que acho que agora ele apenas a usa para se exercitar, ainda não sei quase nada sobre ele, apenas o que Rick me contou, mas o que aconteceu entre o encontro com Rick e quem ele é hoje ninguém sabe.
Michonne surge com sua katana, para ao meu lado, trocamos um olhar. Morgan se distrai um segundo olhando para ela e Clarie o domina, seu bastão voa longe e ele olha para ela surpreso.
─Viu o que eu fiz? – Ela pergunta feliz. – Viu isso Morgan?
─Vi! – Ele diz meio bravo quando Michonne se aproxima dele para entregar seu bastão.
─Que tal uma adversária a altura? – Ela pergunta e Clarie sorri para os dois.
─Bom, nós vamos indo, até amanhã. – Eles estão se medindo e não gastam tempo respondendo, Clarie segura minha mão.
─Vamos? – Pergunta de olhos brilhantes e afirmo. No caminho conto o ocorrido.
─Estava super feliz de ele ter apenas ido para a escola, que tolice.
─Está cansada? Tenho medo que isso te afaste de mim.
─Acha que ele pode me fazer deixar de te amar? Acha meu amor bem superficial então.
─Desculpe. Só estou confuso. É difícil para mim. Não sei o que fazer. Fico sendo duro com ele, mas o que eu queria mesmo era ensinar as coisas que eu sei, queria ficar olhando de longe ele correr com os garotos, mas ...
─Vamos conseguir, não vejo a hora de poder abraçar ele. É tão lindo, nosso duendezinho! – É Clarie, só podia ser ela, já está encantada pelo menino e ele nunca a tratou nem mesmo com respeito.
Entramos de mãos dadas, fiz o caminho todo segurando sua mão, nem me dei conta disso, sei lá o que essa mulher está fazendo comigo.
─A Maggie me disse que....
─Shiu! – Peço a ela quando escuto um choro abafado, ela me olha, aguça a audição.
─É ele! – Clarie dispara escada acima e apenas a sigo apressado, quando chego ela já invadia o quarto, ele estava chorando com o rosto escondido no travesseiro, um choro alto e não pode ser pelo que aconteceu mais cedo. – Benjamin o que foi?
Ela se ajoelha ao lado da cama, põe a mão em suas costas para acalma-lo e ele grita tentando se erguer. Clarie se afasta confusa.
─Meu Deus o que foi? – Ela pergunta de olhos arregalados ele soluça apertando os olhos sem encarar nenhum dos dois ou responder. Mas não precisa, está machucado, eu sei, ela tocou nele e ele gritou de dor.
─Espera Clarie, deixa eu ver uma coisa. – Me aproximo, não quero ver, não quero saber, mas não posso correr e ergo a blusa de frio junto com a camiseta e sinto quando o tecido se desgruda da pele. E mais uma vez, sou eu ali.
Clarie dá um passo para trás horrorizada, a mão na boca contendo um grito, está feio, infeccionado, vai de um lado a outro das costas.
─Não foi um zumbi, não foi. – Ele se defende, claro que não, está aqui há cinco dias, já teria morrido.
─Eu sei.
─Meu Deus isso deve estar doendo muito! – Clarie não para de chorar quando toca a testa dele que dessa vez não se esquiva, a mão vai para o pescoço. – Febre Daryl, febre alta.
Sua mão sai de baixo do travesseiro e algo brilha.
─Eu não quero virar zumbi, mas não consegui fazer.
Puxo aquilo de sua mão, é um canivete, atiro longe, cheio de fúria e medo, somos iguais, as coisas também me arrasam e grito quando isso acontece.
─Ficou louco? O que tem nessa cabeça? Nunca mais pegue em uma arma! Nunca mais. Onde encontrou isso?
Ele apenas chora, Clarie fica de pé.
─É o canivete que achou com aquele zumbi, ele deve ter pego no carro. Vou buscar a Rosita. Fica calmo meu amor.
Ela sai e encontro a maldita arma caída num canto, guardo o canivete e me aproximo dele, toco sua testa, a febre é alta, talvez ele não resista, sinto medo de a infecção ter ativado o vírus, da febre ser característica aquela maldita que te leva a morte sem esperança.
Idiota, tão preocupado em educar e o pequeno morrendo diante de meus olhos sem que eu visse isso.
─Vou tirar essa roupa, não vou deixar que doa, precisa de remédio e curativo, não vai morrer.
Ele não se recusa, evito que se mova muito, que qualquer coisa encoste na pele, não sei quem foi o maldito, mas sei que alguém fez isso.
─Um cinto? – Eu pergunto.
─Corrente. – Ele agora chora mais baixo, um pouco mais confiante.
─Precisa abaixar a febre, vou molhar um pano, não precisa ter medo, a Clarie já vem com remédio.
─Água quente machuca mais. – Ele chora.
─É fria, na testa. Não precisa ter medo.
─Eu não tenho medo de nada! – O tipo de coisa que eu diria, o tipo de coisa que eu já disse. Encosto uma toalha úmida em sua testa e escuto Clarie e Rosita subindo as escadas.
Rosita não é médica, mas aprendeu com algum com quem conviveu, Clarie também aprendeu um pouco no Grady e preciso confiar nisso. Me encosto na parede quando as duas e uma caixa de primeiros socorros se ajoelham ao lado dele.
─Nossa! Vamos limpar, fechar, tenho antibióticos aqui, são bem fortes.
─Rosita vamos dar uma injeção, ele deve estar morrendo de dor, precisamos manter a febre baixa.
─Limpa enquanto preparo a injeção.
As duas trabalham, ele chora, mas não se move, não impede o cuidado e mesmo com dor não resiste como um garotinho faria. Aguenta a injeção em silencio, agora são só lágrimas rolando.
─Observem, Mantenham a febre baixa e vamos ver, se a infecção ceder ótimo, se não... Vocês sabem, pode se espalhar, pode ter entrado na corrente sanguínea, isso está ruim há muito tempo.
Rosita vai embora, me sento no chão do quarto, Clarie mata sua vontade de cuidar dele fazendo carinho em seus cabelos e tenho impressão que ele aceita porque está fraco demais para reagir.
O choro vai embora, ficam os soluços cansados. Depois ele apenas se entrega adormecendo.
Ela se senta ao meu lado, passo meu braço por seu ombro.
─Sei o que ele precisa, cada pequena coisa, sei como ele se sente, já senti tudo isso, mas não sei como dar a ele, como fazer parar de sentir.
─Vai descobrir, basta que a gente não desista e que ele vença essa coisa. Então você vai encontrar uma maneira.
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