Resumption

29 Capitulo 29


Notas iniciais
Oiiiiiiii Gente mil desculpas, eu me atrapalhei toda de quinta para cá, hoje de manhã achei que estava tudo certo, mas no fim só agora que fiquei mesmo livre. Vou agora responder todos os comentários e antes do fim da noite posto em Paixões Gregas.

Pov – Clarie

Daryl não arreda pé do lugar, já é madrugada e ele está sentado no chão olhando Benjamin dormir. Ele se vê no menino, por isso todo esse desespero em cuidar dele, salvar o pequeno. Quero ajudar, primeiro porque o amo e acho que isso pode salva-lo também, depois porque Benjamin já entrou no meu coração, não fez nada para isso, talvez seja só porque é um pequeno e assustado Daryl Dixon.

─Como está a febre? – Pergunto segurando o prato de sopa.

─Baixa, quase sem febre, deve ser o remédio. De vez em quando ele abre os olhos, mas logo fecha cansado.

─Ele não come desde o café da manhã, está cheio de remédio no organismo, vou ver se ele come um pouco e assim ele descansa melhor.

Daryl afirma e coloco o prato na cômoda. Depois toco a testa de Benjamin, faço um carinho, está mesmo quase sem febre.

─Benjamin. Benjamin! – Ele abre os olhos. – Precisa comer um pouquinho. O Daryl vai te ajudar a sentar, não vai encostar nas suas costas, pode ser?

─Pode.

Daryl se ergue, é cuidadoso ao senta-lo, Benjamin ainda está sonolento e fico pensando se eu e Rosita demos mais remédio que seu corpo pode aguentar.

─Sono. – Ele diz meio confuso.

─Não dormia de dor, não é? – Ele não responde, seu silencio funciona como um sim, pego o prato, vamos ver se me permite alimenta-lo.

Benjamin vai abrindo a boca e engolindo a cada colherada, não para de olhar para mim. Está assustado e confuso, não para de comer também. Agora está explicado o porquê da fraqueza sem fim.

Ele termina de comer e continua imóvel, queria poder abraça-lo, dar um pouco de carinho, fazê-lo dormir em meus braços como o bebê que ele parece ser agora.

─Vou ver se está com febre. – Ele não se move e toco sua testa, depois o pescoço, está quente, mas não como antes. – Agora o Daryl vai ajudar você a deitar.

Mais uma vez silencio, Daryl se aproxima tão mudo quanto ele, nenhum dos dois lida com sentimentos, adultos me assustam, mas um garotinho não e posso mostrar a ele como se ama.

Ele o ajuda, eu podia fazer, ele podia fazer sozinho, mas quero uni-los de algum jeito.

─Agora pode dormir e vamos ficar aqui.

Ele fecha os olhos e dorme imediatamente. Daryl volta para seu canto e fico ali, com o prato na mão na beira da cama. Acho que ele vai ficar bem.

─Agora vai comer Daryl, eu fico aqui enquanto isso. – Ele quer recusar, mas sabe que não pode e fico sozinha ali, olhando aquela criança perdida.

Cinco minutos depois ele está de volta e então eu os deixo, vou tomar um pouco de sopa, respirar na varanda e me preparar para a luta que vem pela frente. Não será nada fácil, tem uma história difícil por trás de toda aquela ira. O dia começava a clarear e volto para o quarto.

─Sem febre. – Daryl diz sorrindo.

─Então vai deitar um pouco, eu fico e te chamo quando ele acordar.

─Não consigo, quero que ele abra os olhos e veja que tem alguém aqui. Se surpreenda porque não foi deixado como acha que vai acontecer. – Alguém ele eu penso, então me sento no chão a seu lado, me encosto nele que me abraça e ficamos ali.

─Obriguei ele a carregar um monte de caixas pesadas, ele já estava com dor, febre e eu devo ter piorado tudo. – Estava esperando pelo ataque de culpa, sabia que estava lá, só não sabia que ele dividiria comigo.

─Não sabia. Não tinha ideia, todos esses dias, o jeito como ele andava, sentava, a fraqueza, nenhum dos dois se deu conta, não sabemos nada sobre cuidar de uma criança, mas estamos aqui tentado e se a cada erro ficarmos assim, então não vai ser nada fácil.

Benjamin abre os olhos, pisca, sente o corpo, então nos vê e Daryl estava certo, ele se espanta.

─Como se sente?

─Estou com febre? – Eu me movo, toco sua testa, sim, está, mas é baixa e prefiro mentir para não assusta-lo.

─Está bem, sem febre. Daryl vai te ajudar a ficar de pé, depois eu pego seu café.

Daryl o ajuda, ele fica sentado na cama. Tira o cabelo dos olhos.

─Vou no banheiro sozinho, não sou nenhum fraquinho.

Ele vai caminhando sozinho e sorrio, até gosto desse humor defensivo.

─Vai lá, eu desço com ele, melhor ele ficar jogando, assim não fica sozinho aqui.

Concordo, logo os dois estavam na cozinha, Benjamin ainda está pálido, mas sei que vai ficar bem. Acho que superou o pior.

Ele come e então vamos para a sala. Preciso fazer um curativo e agora a luz do dia, mais calmo e quase sem febre sei que ele vai sentir muita dor.

─Benjamin eu vou fazer um curativo nas suas costas. Quer contar como aconteceu?

─Não é da sua conta! – Então ele se arrepende, eu vejo em seus olhos, na mesma hora que disse. – Desculpe.

É uma evolução e me deixa feliz. Tira a blusa sozinho, se senta e fecha os olhos. Tiro os curativos, meu coração apertado. O monstro que fez isso está por aí? Espero que esteja no estomago de um zumbi. É um garotinho bem corajoso, as lágrimas escorrem, mas não solta um gemido, um grito, não foge, aceita em silencio.

Fecho com todo cuidado, ele veste a blusa e toco sua testa, dessa vez sem pedir e ele não foge, então me afasto.

─Disse para eu ficar longe do vídeo game. – Ele lembra Daryl que mexia em sua besta, Daryl o encara.

─Vá em frente Benjamin, pode jogar.

Ele não agradece, mas se distrai jogando e eu e Daryl ficamos por perto. Rick vem saber dele e Rosita, fico preparando comida enquanto Daryl vai fazer uma ronda com Rick, quando volta Benjamin está dormindo sentado, a cabeça apoiada na mesinha de centro.

Sorrimos um para o outro.

─Coloca ele no sofá, acho que ele está com medo de ficar lá em cima.

Daryl faz o que peço, pega ele com cuidado e coloca no sofá arruma para nada encostar em suas costas, depois o cobre com uma manta, toca sua testa.

─Febre. Temos que saber como aconteceu, temos que saber quem o deixou para morrer, o que quer que seja pode não estar tão longe, pode chegar aqui.

─Ele não quer falar, talvez sinta vergonha, talvez medo. – Eu digo olhando seu sono pesado.

─É tudo isso, medo, vergonha e a certeza que ninguém se importa. – Aquilo sai meio forçado e cheio de angustia, ele é um homem e ainda não pode contar, porque Benjamin diria?

─Vem ficar um pouquinho comigo na cozinha? – Eu o puxo, estava terminando a comida, outra sopa com tudo de legumes e carne que tínhamos, algo forte para ele se recuperar rápido. – Como está tudo lá fora?

─Calmo, limpo de zumbis, Sasha se diverte lá em cima derrubando todos que se aproximam.

─Aquela história ainda me causa arrepios.

─Em mim também. – Ele diz passando a mão pelo rosto. – Temos o suficiente de remédios para ele? Posso ir em busca de mais. – Fico arrepiada só de pensar.

─Eles tinham um bom estoque, Alexandria se preparou de um modo surpreendente, tem uma pequena farmácia, a verdade é que ninguém ficou doente de verdade nesse tempo e quase não usaram nada.

─Ótimo. Glenn vai sair numa busca por suprimentos amanhã, pensei em ir com ele, mas com o Benjamin assim acho que é melhor eu ficar, ele pode precisar de alguma coisa.

─Amo você. – Ele sorri de um modo triste. – Amo seu cuidado, mas me prometeu que ficaríamos juntos e que iria lá fora com você.

─Sei o que prometi, mas... Desculpe, se perder você... Não me recupero entende? Está pronta, mas eu não.

Eu queria muito brigar com ele, esbravejar que não fiquei me acabando em um treino para cozinhar sopa, mas não consigo fazer isso, sei de tudo que tiraram dele, entendo esse medo todo e vou ser paciente.

─Não vamos pensar nisso, nenhum dos dois vai mesmo a lugar nenhum agora.

─Eu sei.

Coloco a mesa para três e adoro fazer isso, ter um tipo de família.

─Melhor deixar ele dormir, quando acordar ele come. – O menino não dorme há muito tempo, sirvo Daryl e depois me sento a seu lado, ele me beija.

Começamos a comer e então Benjamin surge de pé na porta da cozinha, é tão forte, qualquer outra criança estaria choramingando, mas não ele, Benjamin transforma tudo em revolta e quero ensina-lo a transformar em coragem.

─Estou com febre? – Ele pergunta encarando o chão.

─Vem aqui, deixa eu ver. – Sem uma reclamação ele caminha em minha direção, toco a testa, faço um afago, afasto os cabelos, depois toco o pescoço, ele está mesmo com febre, só de olhar o rosto corado e os olhos brilhantes eu já saberia, mas é um jeito de tocar Benjamin, de aos poucos fazê-lo aceitar carinho. – Acho que sim. Não tenho certeza. Daryl dá uma olhada.

Os dois olham para mim, é eu sei que estou apelando, mas tenho pressa de fazê-los felizes. Benjamin caminhos uns passos para perto de Daryl resignado. Os dois trocam um olhar longo. Daryl passa a mão pela camisa limpando daquele seu jeito Dixon de ser, depois toca a testa de Benjamin e o pescoço.

─Sim. Melhor dar aquele remédio de novo. – Ele se preocupa.

─Senta para comer Benjamin, eu vou te dar um comprimido. – Sirvo sopa a ele. – Consegue comer sozinho?

─Tenho duas mãos não está vend... – Ele para, ser grosseiro é seu instinto, um abito que ele não consegue evitar. – Eu consigo. – Ele muda o tom, queria que fosse por carinho ou gratidão, mas ainda é apenas medo.

Ele começa a comer, se concentra no prato, estendo um comprimido e um copo de água que ele aceita, engole e volta a comer. Mesmo queimando de febre ainda tem um apetite de dar inveja, fico pensando quanta fome ele já não passou.

─Vai usar uma flecha ou um tiro quando eu morrer? – Benjamin pergunta sem tirar os olhos do prato, Daryl para com a colher no meio do caminho, devolve no prato.

─Não vai morrer.

─Estou com febre, é sempre assim, a pessoa tem febre, febre, febre, depois morre e vira zumbi, nunca viu não?

─O tempo todo, mas não vai acontecer com você, não está com esse tipo de febre, vai ficar bom. – Daryl responde de um modo firme que não deixa dúvidas, como uma criança encara o medo da morte? O que passa na cabeça dele? Penso em mim, no tempo que não tinha medo, que desejava morrer, talvez assim como eu ele não se importe, mas Daryl me ensinou a me importar e pode ensina-lo.

─Oi. – Carl surge na cozinha empurrando Judy num carrinho. – Vim saber do Benjamin. Como você está?

Ele dá de ombros em resposta.

─Quer comer Carl? – Pergunto quando tiro Judy do carrinho, ela eu sei que quer.

─Quero. Depois vamos jogar um pouco Benjamin? – Carl olha para Daryl, acho que se gostam muito, eles tem um tipo de amizade que não exige muitas palavras, mas se entendem perfeitamente e sei que está fazendo isso por Daryl.

─Pode ser.

Eles comem, não conversam, depois vão para sala, fico com Judy, ela adora a sopa, toma agua e eu a levo para sala coloco no carrinho, dou um brinquedo e ela fica quietinha brincando.

Daryl vai render Sasha na torre, eu aproveito para cuidar da casa, trocar os lençóis de Benjamin, lavar louça, varrer, brinco com Judy e o tempo todo os garotos brincam, mas não tem risadas, provocações, é apenas silencio na maior parte do tempo.

No meio da tarde Benjamin me procura, vem suave, fica de pé me assistindo guardar pratos, não pergunto nada, espero sentir vontade de falar.

─Pode ver se estou com febre? – Toco sua testa e repito o processo de aproveitar e afagar Benjamin.

─Daryl falou sério Benjamin, não vai morrer.

─Foda-se!

Ele me dá as costas, dois passos para longe e sei que é hora de fazer algo ou ele vai agir sempre assim quando Daryl não estiver por perto.

─Não ligo para seus palavrões, são coisas de criancinha!

─Tenho quinze anos! – Ele me diz se virando e me olhando desafiador.

─Pensei que fosse dezesseis. – Seus olhos cintilam. – Não vou medir forças com você, não tenho medo de você, não preciso do Daryl para me defender, se desculpe ou vá para cama e chega de brincadeira.

─Eu vou para cama então. – Ele me encara, os olhos marejados de raiva. – Fica aí com seu bebezinho. – Ele olha para Judy no carrinho ao meu lado.

─Não vou deixar de gostar de você só porque xinga e grita. Vai ter que tentar outra coisa.

─Não me importo.

─Boa noite então. – Ele fica imóvel, quer me tirar do sério, não consegue, não o maltrato, não grito, não deixo que prove sua teoria de que não ligo e isso o deixa sem reação, ele me dá as costas e escuto quando sobre as escadas batendo o pé.

Carl surge na cozinha, se senta me olhando.

─Porque será que ele é tão bravo? Eu fiquei bravo assim quando o governador apareceu, mas depois passou.

─Deve ter tido um governador para ele também. Carl como são as aulas da senhora Robinson?

─Chatas, a gente fica lá numa sala improvisada e ela vai ensinando um pouco de coisas, mesmo sendo todo mundo de idades diferentes, ela vai tentando.

─Queria que o Benjamin fosse, mas ele não quer e não posso força-lo.

─Deve ser porque não sabe ler.

─Não? Ele te disse?

─Não. Mas eu descobri jogando agora com ele, o jogo sempre pede tarefas, conta um tipo de história e ele não sabia jogar direito porque não conseguia ler, então eu fui lendo para ele e agora ele está indo bem.

─É bom saber, assim posso ajuda-lo, não vai desistir dele vai Carl?

─Nem ligo para essas bobagens dele, já fiz umas coisas bem ruins, principalmente com o meu pai, ele me desculpou, eu volto amanhã, se ele não acabar de castigo de novo, é bom que você fica um pouco com a Judy, agora tenho que ir.

─Obrigada. – Abraço Carl, ele corresponde e escuto passos apressados na escada. – Acho que tinha alguém nos espionando.

─Pode ser. Jessie vai fazer o jantar lá em casa, vou ver se precisa de ajuda, estou achando que ela e meu pai estão se entendendo.

─Quer isso?

─Ele ia me deixar um pouco em paz. – Carl ri e empurra Judith para a porta, fico sozinha na cozinha.

Fico lendo no sofá a espera de Daryl se não fosse o teimoso e mal humorado menino trancado no quarto eu bem que correria para a torre, mas não vou deixa-lo sozinho.

Estava escuro quando Daryl entra, na sala só um abajur aceso. Ele encosta a besta e se senta no sofá.

─Foi tudo bem? – Eu pergunto.

─Me acostumei com você por perto. – Sorrio, largo o livro e corro para seu colo, me encosto em seu peito depois de um beijo.

─Acho que isso foi um senti saudades.

─Foi. – Ele diz desviando os olhos.

─Eu também.

─Cadê ele?

─No quarto, me xingou, acho que como não estava aqui ele achou que não me defenderia.

─E mandou ele para o quarto? – Ele sorri, orgulhoso, afirmo.

─Minha mãe era bem brava, eu já fui colocada de castigo algumas vezes.

─E seu pai?

─Não era muito presente, foi embora quando ela ficou doente, ficamos apenas eu e ela, mas ele não fez falta porque ela foi uma mãe incrível. Não tenho magoa dele nem nada, ele só era muito fraco para ter uma família.

─Você é suave demais para guardar rancor.

─Benjamin não sabe ler, Carl descobriu hoje, acho que é por isso que não quer ir para a escola.

─Eu odiava escola. Odiava muito ver os garotos todos ali, brincando, rindo, contando dos passeios de família, das férias, odiava reunião de país, odiava ser diferente, achava que todos eles sabiam e riam pelas minhas costas.

─Mesmo assim você ia.

─Não tinha escolha, se faltava muitos dias a assistente social procurava meus pais e quando ia embora... – Ele não termina, afasta meus cabelos do rosto, me beija mais uma vez.

─Começou. – Benjamin surge na sala. – A febre e a dor no corpo, agora falta pouco. – Ele nos olha, só quer atenção, sinto isso, é bom talvez não seja tão difícil como imaginamos. – Quero que use a pistola, não uma dessas suas flechas idiotas.

─Tudo bem duende, vai ser a pistola então, está com a sua aí, Clarie? – Afirmo, meio confusa. Saio do colo de Daryl. – Ótimo, viu a Clarie está com a pistola. Enquanto não vira um zumbi, vem aqui e vou te mostrar como minha besta funciona.

Daryl pega a besta quando ele se aproxima surpreso.

─Senta aqui. – Benjamin se senta e Daryl começa a falar sobre a besta, cada parte dela e como funciona, deixa que ele pegue e fico assistindo de longe o esforço de Benjamin em não sorrir.

─Quando vou ter minha arma de volta?

─Quando for morar sozinha numas das mansões, não é isso? Quer morar sozinha numa mansão daqui uns dias?

─É. – Ele responde firme.

─Agora vamos jantar, já está na hora do seu remédio.

Daryl se ergue, Benjamin continua no mesmo lugar, me olha, acho que se lembra da briga e queria abraça-lo e dizer que tudo bem, mas não posso mostrar franqueza.

─Desculpe Clarie por ter mandado você se fod...

─Está desculpado. – Eu o interrompo enquanto Daryl prende o riso. – Vamos comer.

Notas finais
Beijossssssssssssss Comentem juro que vou responder.