Resumption

23 Capítulo 23


Notas iniciais
Oi Gente! Mais um capitulo espero que gostem.

Pov – Daryl

As coisas são completamente diferentes agora. Uma semana depois da crise por conta da pistola tudo mudou, nós mudamos. Estamos muito mais próximos, me sinto mais confiante. Me deixo ficar um pouco mais livre quando estamos juntos, ao menos nesses momentos solitários que temos fico tranquilo para demonstrar como me sinto.

Clarie se mostra uma boa surpresa, descobrimos que tem ótima mira, a pistola não é mais problema e rifles apesar de mais pesados também não a assustam. O treinamento com Morgan é intenso, ele não dá folga, mas ela já começa a me assustar. Sinto que estou criando uma máquina assassina como Eric costuma brincar.

E mesmo isso não muda em nada o jeito doce e delicado de Clarie, ela ainda conserva a inocência, a timidez e isso só me faz mais desesperado por ela.

Clarie começa a dar mais espaço para as pessoas, se divide entre Maggie e Eric como amigos íntimos, se dá bem com Carol, embora sinto que Carol está em outro mundo, não tem muito espaço para sentimentos nesse mundo que Carol vive agora, sobreviver virou um vício para ela, de algum modo isso é muito mais importante que qualquer coisa ou pessoa. Quer tanto sobreviver que se esquece de viver.

Rick está em um mundo complicado, eu o vejo lutar contra o que sente por Jessie, não é fácil para eles, foi ele a pôr fim a vida de Pete, fez isso diante dela e mesmo achando que ela está interessada, Jessie tem dois filhos que perderam o pai e que no momento temem Rick Grimes.

Carl anda com ares de garoto apaixonado, vive para cima e para baixo atrás de Enid que só pode ser muito especial para desfocar o garoto sempre tão concentrado na sobrevivência. Judy está segura, tem um batalhão de babas.

Morgan é reservado, não fala muito, mas sinto que aos poucos ele vai ficando, algo me diz que Clarie o conquistou, prepara-la parece seu objetivo atual e a tolice do ciúme passou. Ele a vê como uma garota indefesa que ele quer proteger.

Uma filha talvez. Admiro aquela amizade.

─Por hoje chega! – Ele a libera do treino, sorrio para ela quando seu olhar segue para os degraus onde eu assisto o treino como todos os dias, com o peito subindo e descendo pelo cansaço ela caminha para mim, seca o rosto com a manga longa da camisa.

Ela se senta ao meu lado, Morgan ao lado dela, ele retira um par de luvas do bolso da jaqueta pesada que quase nunca tira.

─Me esqueci disso, são suas Clarie. – Ele estende a ela que pega o par de luvas de couro meio dedo pretas. – Assim não cria calos nas mãos com o uso da lança e seus dedos ficam livres para não perder o tato.

─Que legal! – Ela sorri, coloca as luvas, é sexy tenho que admitir. – Ficou bom? – Me pergunta feliz.

─Ótimo! – Digo para agrada-la, mas queria dizer que ficou sexy, deu um ar Badass que cada dia fica mais evidente em Clarie, agora ela usa uma lança e tem uma pistola presa na coxa, só faltava mesmo um par de luvas como essas.

─Obrigada Morgan. – Ela dá um beijo em sua bochecha, ele ri meio sem graça.

Clarie fica de pé, faz alguns movimentos com a lança. Me perco em sua beleza, nem noto que Morgan me encarava risonho.

─Não atrapalha, não escorrega e não dói a mão. Adorei!

─Ela é mesmo linda! – Olho para ele. – Formam um bom par, Clarie está fisicamente pronta Daryl, mas isso tudo é só teoria você sabe. Quando estiverem lá fora...

─Eu sei, vou continuar cuidando dela, como se fosse ainda indefesa.

─Ela é, Clarie é alguém que o apocalipse não engoliu. As coisas que tem lá fora, ela ainda não está preparada para enfrentar.

─Queria que nunca tivesse que enfrentar isso. Ainda penso naquela armadilha, sinto que algo pior que a morte nos aguardava ali, não fosse você nos ajudar.

─Eu sei. Acho que pode ter algo a ver com aquele grupo que falei, os tais lobos.

─Os caras que marcam as pessoas com um W.

─Estive falando sobre eles com o Rick hoje cedo. ─Morgan me conta enquanto olhávamos Clarie envolvida treinava sozinha. – Não é à toa que se denominam lobos, pensei sobre isso, sobre o comportamento de uma alcateia.

─Eles têm comportamento bem definido. – Eu reforço, conheço bem animais e seu comportamento. – Um alfa, que lidera o grupo, ocupam grandes espaços, caçam em grupo, aquela armadilha, me lembra um pouco isso.

─Foi sobre isso que falei com Rick, lobos atacam de modo bem especifico. Eles cercam a presa, se posicionam de modo a parecer quase como uma armadilha.

─Encontramos zumbis marcados aqui perto.

─Pode significar muita coisa, ou nada. – Morgan me diz, depois pensa um instante, sorri olhando os movimentos de Clarie. – Lobos, marcam seu território de muitos modos, um deles é arranhando, deixam suas garras como marcas. Andei seguindo umas marcas, um símbolo que era deixado em árvores.

─Acha que pode ser deles?

─Falei com o Rick e vou voltar a seguir essas pistas, Clarie está pronta. Não precisa mais de mim. – Ele me aponta ela com o rosto. – Ensinei tudo sobre como usar a lança, vou voltar, mas preciso ir.

─Talvez eu possa...

─Não Daryl. Faço isso melhor sozinho e não quero Clarie conosco e nem você sem ela.

─Está certo, mas vai voltar?

─Sim, esse lugar está ficando grande, com cara de passado e ao mesmo tempo futuro, tem muita gente aqui e mais por vir, sei que vai continuar recrutando, então se tem um grupo como o que estamos pensando é bom saber quem são, quantos e onde vivem.

─Você tem toda razão.

Clarie retorna, se senta ao mesmo tempo que Morgan fica de pé.

─Vou deixar você aproveitando seu marido um pouco e descansar, não tenho mais todo esse seu vigor.

─Muito obrigada Morgan. – Ele acena e caminha para longe com seu bastão.

Clarie está no degrau abaixo do meu e se encosta em meu peito, beijo seus cabelos.

─Morgan vai ficar um tempo fora. – Conto a ela sabendo que isso vai preocupa-la.

─Eu sei.

─Ele te disse? – Pergunto estranhando, estou sempre perto dos dois e só agora fiquei sabendo disso. Ela ri. Beija meu braço que a envolvia.

─Ouvi vocês agora Daryl, enquanto treinava, ouvi toda a conversa sobre os lobos, Morgan me ensinou a manter meus sentidos em alerta, enquanto me movimento procuro ouvir tudo a minha volta.

─Uhm, toda ninja!

─Bobo! – Ela ri. – Ainda bem que ele não quis sua companhia.

─Cansada? – Pergunto, ela se vira para me olhar, os olhos brilhantes.

─Depende. – Clarie me beija. – O que quer fazer?

─Nada. – Suspiro, ela sai do degrau de baixo e se senta ao meu lado, eu a envolvo. – Acho que se não tivesse você já teria ficado louco. Essa tranquilidade. É maçante, me deixa angustiado.

─É difícil para você, eu sei.

─Passei muito tempo em risco, correndo, caçando, ficar aqui matando o tempo está me consumindo.

─Como era na prisão?

─Água fria, o som das grades, os mortos nos portões rosnando para dentro, tudo isso me lembrava o tempo todo que estava por um fio. Então eu tinha um teto e podia ficar um ou dois dias sem fazer nada zanzando por dentro da prisão, mas eu sabia que o mundo tinha morrido.

─Quer sair lá fora? Recrutar?

─Acho que será seu teste, vamos apenas nós dois, nada muito longe, sem todo aquele esquema do Aaron.

─Daryl não pode ser um teste, precisa entender que testes podem dar errado e não temos espaço para erros.

─Você está certa. – Ela se aconchega em meus braços, era meio da tarde, ainda tínhamos umas horas de luz, duas ou três, podíamos dar uma volta, quem sabe caçar um pouco. – Vamos lá fora?

─Se quiser, por mim tudo bem. As pessoas estão se mudando já reparou?

─Sim. – Rio da situação. – Glenn e Maggie já foram, Rick e os garotos, Abraham com a Rosita.

─Sobraram os avulsos. – Ela diz. Olho torto. Que história é essa?

─E desde quando você é avulsa? – Me afasto um pouco dela, todo tempo juntos e ela vem com essa conversa?

─Não nós! – Clarie se explica. – Quis dizer que sobramos nós dois e os avulsos.

─Sei. – Não fico muito convencido.

─Temos um acordo de vencer isso juntos, somos ligados, não acho que somos avulsos. Eu não sou, e você também não. Me pediu em namoro.

─Pedi?

─Gosto de pensar que sim, daquele jeito confuso, foi isso que fez.

─Foi. Eu pedi e aceitou, então não se coloque no mesmo grupo que os outros.

─Tudo bem! Mas eu entrei nesse assunto porque... Posso te mostrar uma coisa? – Ela está corada, meio tímida, acho estranho, afirmo e ela se ergue me puxando pela mão.

─Onde estamos indo?

─Vai ver, é aqui pertinho. – Viramos à direita, caminhamos meia quadra, ela parece ansiosa quando para no meio da rua sorrindo tímida.

─O que? Chegamos? – Ajeito a besta nas costas, ela me aponta uma casa pequena.

─Está vazia. Não é como as outras, mansões modernas, é só uma casinha simples, vê o jardim? A varandinha com balanço? Eu entrei, é só uma sala pequena, uma cozinha, escada de madeira e dois quartos.

Eu sei que aquilo deve querer dizer alguma coisa, adoraria acompanhar seu raciocínio, mas não sei onde quer chegar e fico olhando da casinha branca para ela sem dizer nada.

Ela morde o lábio, essa mania tinha que parar, qualquer hora acabo na boca de um zumbi por culpa dessa distração que é ficar olhando para ela quando faz isso.

─Quer entrar? A decoração é bem simples, sem luxo, parece um lugar onde uma família pequena e cheia de vontade de ser feliz viveria.

─Ou vivia. – Completo e ela fica meio triste, acho que falei bobagem. – Tem algo lá dentro que quer me mostrar? Algum problema? Andou por aqui sozinha?

─Estava passeando com a Maggie ontem, viemos juntas, não tem nada ruim ou errado lá dentro, só queria te mostrar.

Eu fiz uma grande merda, sinto pelo olhar triste, o torcer de dedos nas luvas de couro, como alguém que veste calça justa, botas de cano longo, usa luvas de couro, tem uma lança e uma pistola pode parecer assim tão doce e delicada e prestes a chorar porque eu sou um idiota e não entendi o que fazemos diante de uma casa branca com varanda e jardim abandonada.

─Vem, vamos caçar antes que anoiteça. – Ela diz sem me olhar nos olhos acho que pensa que assim não noto que vai chorar.

─Vamos entrar na casa. Quero ver como é. – Passo a sua frente e entro. Parece mesmo um lugar simples, eu bem que ficaria mais à vontade num lugar como aquele, aquela casa cheia de coisa me sufoca. – Parece um bangalô, uma cabana, móveis simples, nenhum exagero, sem TV o que é ótimo, isso só lembra a porcaria que tudo se transformou.

Subo as escadas de madeira, gosto do som das botas nos degraus. Abro uma porta, uma cama de solteiro, uma estante com alguns livros e uma escrivaninha. Abro a outra. Cama de casal, um móvel com gavetas e um banheiro.

─Gostei.

─Achei que ia gostar. – Ela me diz quando começamos a descer as escadas.

─Vamos deixar para caçar amanhã, já está ficando tarde. Vamos para casa.

─Se prefere. – Estava abrindo a porta da frente para sair quando tudo faz sentido, casa. É isso. Me volto.

─Quer morar aqui! – Constato, ela ergue o olhar.

─Eu sei, é uma bobagem, a gente não precisa de mais nada. Temos nosso canto, ninguém incomoda a gente e foi só.... A Maggie disse que está feliz por ter uma vida perto do normal com o Glenn, estávamos passando, achei que esse lugar parecia com você, com a gente. Esquece.

Ela tenta passar por mim, toda atrapalhadinha do jeito que gosto, seguro seu braço. Aquilo é perfeito, só eu e ela, num lugar simples, não sei viver mesmo cercado, odeio ficar o tempo todo vendo gente entrar e sair.

─Espera Clarie.

─Eu sei Daryl, estamos há pouco tempo juntos, você deve estar me achando uma maluca, forçando esse tipo de situação. Eu fui uma boba.

─Calma, gosto da ideia. Não importa quanto tempo faz que estamos juntos, estamos e vamos continuar.

─Gosta? Não me acha...

─Acho que é perfeita, e teve uma ideia perfeita e podia ter facilitado, sabe que minha mente é um pouco limitada. – Ela sorri, eu a trago para meus braços. Beijo Clarie.

─Vamos morar aqui? – Ela abre um largo sorriso.

─Já estamos morando! – Brinco antes de beija-la mais uma vez.

Então escuto um tiro. Nos separamos, escuto outro disparo, alguém grita do lado de fora, longe demais para entendermos o que está sendo dito, depois mais gritos.

─Que merda é essa? – Corro para a porta. Vejo Michonne passar correndo.

─Zumbis tomando o lugar. – Ela grita sem parar, estava tranquilo demais para durar muito. – Se espalharam.

─O que diabos aconteceu? – Digo em voz alta, olho para Clarie que já segurava sua lança. – Clarie.

─Não vou me separar de você. – Ela está certa, se estivermos perdendo esse lugar é melhor estarmos juntos.

─Fica perto de mim e por favor, não faça loucuras. – Peço enquanto armo a besta, dois zumbis viram a rua, três pelo outro lado. – Merda.

Como entraram? O que afinal está acontecendo? Clarie corre ao meu lado, quero chegar até o grupo, encontrar Rick, ver se temos feridos. Desvio da maioria que posso, para não perder tempo.

Acerto com o cabo da besta um zumbi que se aproxima demais, viramos a rua, Clarie usa a lança quando ficamos cercados numa esquina, quatro deles, pego dois e ela os outros dois. Está indo bem.

Seguimos e então vejo o portão principal aberto, uma horda invadindo enquanto um paredão de fuzilamento ia tentando derrubar todos.

─Rick! – Me posiciono ao seu lado, jogo a besta para o lado quando Glenn me atira um rifle. Clarie saca a pistola, começamos a atirar também.

─Como entraram?

─Alguém abriu os portões, só pode ser isso. – Rick responde, somos um grupo grande, mas eles estão vencendo, me dou conta disso quando começamos a andar para traz.

Os tiros que vinham da torre do sino sessam.

─Estou sem munição! – Sasha grita da torre. – Ainda tem um bom número.

Eles começam a ganhar território, vamos acabar com a munição, escutamos gritos, olho e uma mulher caia cercada por um grupo. Os zumbis se debruçam sobre ela.

─Todos para dentro das casas! – Rick grita, no meio de tiros e desespero as pessoas começam a correr, vejo mais dois caindo vindos do outro lado. Uma mulher e um idoso.

─Não estão ouvindo! – Eu grito.

─As pessoas vão morrer, temos que colocá-las para dentro das casas. – Clarie diz guardando a pistola e pegando a lança, então dá as costas para o grupo de atiradores.

─Clarie não! – Eu grito.

─Vai com ela Daryl, coloque as pessoas para dentro. – Rick me diz e não tenho mesmo escolha. Quando começo a segui-la ela derruba dois zumbis e empurra uma mulher agarrada com uma menina para dentro de uma casa. Outro vinha pelas suas costas, acerto uma flecha.

A mulher entra na casa, fecha a porta. Continuamos pela rua, escuto gritos de socorro e corremos, uma mulher está cercada em uma varanda. Clarie tem muita agilidade, salta pela grade enquanto subo pelos degraus, pega dois zumbis antes que eu chegue.

Está mesmo se transformando em uma máquina.

─Fica dentro da casa senhora, não saia até que receba uma ordem.

Ela avisa e continuamos. Na rua lateral Morgan usava seu bastão, estava cercado por seis zumbis, mas não precisa de ajuda, quando chegamos os seis estavam no chão.

Zumbis arranhavam uma porta três casas depois. Alguns andavam em busca de carne um pouco mais a frente, Morgan vai atrás deles e ficamos com os da porta.

─Ei! Aqui! – Grito e eles se viram famintos, nem chegam inteiros até nós, vão rolando as escadas com o pouco talento que tem para qualquer atividade motora que não seja mastigar.

Clarie acerta sua lança nas cabeças, piso em uma, acerto o cabo da besta em outra cabeça e só resta o choro das pessoas dentro da casa.

─Não saiam! – Grito tocando o ombro de Clarie e corremos mais uma vez juntos.

A saraivada de tiros ainda ressoava pelas ruas vinda do portão principal. Alguém consegue chegar a torre com munição porque vejo Sasha voltar a derrubar zumbis.

Mais alguém atirava com ela. Jessie surge com os filhos, carrega uma arma, os olhos estão apavorados.

─Sem munição! – Ela me avisa.

─Entre numa casa Jessie! – Clarie pede a ela. – Proteja os meninos.

O menino grita ao lado da mãe, se liberta e corre para longe.

─Ron! Ron! – Ela grita, mas assustado Ron vira a rua correndo de um grupo de zumbis que surgia, corremos todos, desesperados, antes de virar a rua escuto os gritos do garoto, meu coração gela, então três disparos e quando viramos Rick está com a arma em punho, Ron encolhido no chão e três corpos de zumbis estirados a sua volta.

─Oh! Deus! – Jessie corre para o filho, o abraça e vejo seu olhar de gratidão para Rick, acho que ele limpou sua barra com ela. Deixamos os quatro ali, estão seguros com Rick.

Continuamos. A noite começa a cair. Os portões são finalmente fechados, alguém acende as luzes da rua e agora precisamos varrer o lugar.

Não fica menos perigoso, eles podem surgir do nada, é preciso cuidado e atenção, minhas roupas estão sujas de sangue, as de Clarie também. Sua lança toda manchada mostra sua eficiência.

Ela não ficou em desvantagem nenhuma vez, não perdeu o foco, foi inteligente, caminhamos ao lado de Carol e Rick.

─Como isso foi acontecer? – Pergunto com a besta erguida.

─Duas vezes. – Carol comenta.

─A primeira vez Gabriel explicou, ele achou que tinha fechado. Dessa vez não sabemos, o corpo do guarda do portão está dilacerado, mas não tem sinal de tiro, foram os zumbis. – Rick comunica.

─Talvez seja alguma vingança, retaliação, pode ter gente insatisfeito porque de algum jeito tomaram o lugar. – Clarie comenta.

─É só isso que penso. Sasha ainda está lá em cima com o Eugene, no fim ele tomou coragem e foi levar munição para ela. Quando descer quero saber o que viu.

Carol dispara em um zumbi tentando passagem na porta de uma garagem. Passamos pela casa que eu e Clarie estávamos mudando quando tudo começou, olho para ela, mesmo no meio de tudo aquilo ela sorri.

─Está limpa. ─ Ela diz sorrindo.

─O que? – Carol pergunta, Clarie me olha, quer saber se pode contar, dou de ombros.

─A casa que vamos morar quando...

─Quando esse dia interminável chegar ao fim. – Eu continuo. Armo a besta quando vejo um zumbi se arrastando sem as pernas. Clarie é mais rápida e usa a lança. Rick e Carol sorriem.

─Onde está Judy? – Clarie pergunta preocupada.

─Jessie está com ela, Carl, Enid estão juntos lá. – Agora eu e Clarie sorrimos, Rick finge não notar.

O grupo se reúne mais uma vez na frente do portão. Demos duas voltas por toda Alexandria, tudo parecia bem e seguro mais uma vez. Mas todos se olhavam com desconfiança, alguém que não sabemos convidou o ataque, temos muito que entender sobre tudo aquilo.

O ambiente está pesado. Contabilizamos sete mortes. Nunca é fácil, mas isso é só mais um indicio do quão despreparados são os moradores de Alexandria.

─Eu e Maggie vamos revezar a segurança dos portões com Abe e Rosita essa noite. ─ Glenn avisa.

─Assumo amanhã cedo. – Michonne comunica. – Até entendermos como tudo isso aconteceu não vamos confiar em qualquer um.

─Vou investigar. – Rick avisa. – Me ajuda Deanna? – É uma bandeira branca para os membros de Alexandria e uma boa jogada de Rick, ela afirma.

─Com certeza vamos descobrir quem e porquê. Chega de perder! – Deanna diz sombria.

Puxo Clarie pela mão, me sinto cansado, não acredito que acabou, está cheio de corpos, mas é noite, isso pode esperar, tudo pode esperar.

─Acho que podemos nos mudar amanhã. – Ela diz esfregando o ombro.

─Boa ideia. Agora quero um daqueles banhos quentes que tanto acho estranho e dormir.

Notas finais
Gostaram? Comentem! Beijos