Resumption
66 Capitulo 66
Notas iniciais
Pov – Clarie
Todo meu corpo dói. Sinto um cansaço absurdo que me deixa fraca e zonza. Meus dois bebês ao meu lado. Eu vi seu rostinho, linda, delicada e faminta, consegui traze-la ao mundo, é a filha do homem que amo, eu a esperei toda uma vida e ela está aqui, viva e mesmo no meio do caos sei que é uma vencedora.
Ben está tão agarrado a mim que mal me mexo. Meu garotinho foi mesmo um herói, é como o pai.
Quero desesperadamente parecer calma. Não estou, Alexandria parece cercada por mortos. Se Daryl estiver lá fora. Se não puder chegar até mim. São tantos corpos caminhando, se algo aconteceu a ele. Afasto a ideia quando uma lágrima escorre e sinto Ben estremecer.
Daryl vai mover o mundo para chegar até nós e tenho medo que se descuide no caminho, que a essa hora as coisas já tenham acontecido. Que as pessoas tenham deixado Alexandria e se estivermos sozinhos eu não tenho forças para sobreviver.
Não sem ele. Nós não vamos perder ele disse. Eu preciso acreditar nisso. A tensão me tira as forças. Foi só um parto, apenas isso. Tento me convencer enquanto meu bebê mama.
A fraqueza que sinto vai passar, eu e Daryl vamos conseguir. Benjamin vai conseguir e esse bebê que adormece em meu seio também. Meus olhos querem se fechar. Meu corpo implora por algum repouso e tento me manter firme.
─Mãe. Meu pai não conseguiu? – Ele sofre ao perguntar e não sei como responder a isso. Então me lembro de ter esperança, foi ela que me trouxe até aqui.
─Seu pai vai chegar.
─Está ficando gelada de novo. – Ele diz com a voz tremula. Eu sei que sim, mas foi apenas um parto e isso é só o reflexo do meu desespero.
Queria que tivesse sido na enfermaria, com Daryl segurando minha mão, com Maggie perto de mim, e depois Benjamin entraria para me abraçar e ver a irmã.
─Ben. Sua irmãzinha precisa ficar segura e você também. Talvez demore para o papai chegar. Pega aquela agua do lado da sua cama. Coloca no guarda-roupa.
─Não mãe. Não morre.
─Shiu! Não vou morrer, só estamos tomando cuidado. Só isso. –Ele obedece. Tenho medo, não aquele medo de antes. Quando eu era fraca e solitária. Agora meu medo me faz forte. Por que não é sobre mim, é sobre quem eu amo. Sobre meus filhos e por eles eu posso enfrentar tudo.
─Mãe, eu gosto dela. Da menininha. – Ele diz tocando o rosto da irmã.
─Sua irmã. Como o Carl. Pensou num nome?
─Não consigo, tenho muito medo! Quero meu pai.
─E ele quer você. É o duende dele, já viu como ele é forte? ─Daryl pode morrer, mas nunca desistir e não vou deixar que nada machuque meus filhos, principalmente eu. Vou guarda-los para entregar ao pai seu maior tesouro. – Consegue segurar sua irmã?
─Sim, mas não quero, não quero, por favor! Fica viva. É minha mãe eu não faço mais coisas feias, eu nunca vou xingar ela.
─Eu sei Ben, amo você, é corajoso como seu pai e forte, e vai ser muito feliz e crescer. Vai ser um grande líder.
─Não quero. Quero ser pequeno e ficar perto de você e do meu pai. Eu estou com medo mãe.
─Pega sua irmã. Tem sempre que segurar a cabecinha. – Passo o meu bebê para seus braços inseguros, ele treme tanto. Meus filhos, minha família.
─Assim? – As lagrimas do meu pequeno herói escorrem por seu rosto e caem sobre a irmã adormecida. Dói tanto ser forte.
─Isso. Quanta força. Que bonitos vocês ficam juntos. – Beijo a mão de Benjamin que envolve o corpo do meu anjinho. Seus dedos estão sujos de sangue. Olho para meu corpo e também estou. A saia está ensopada de sangue e fluidos do parto. É uma visão triste para ele guardar de mim. Não posso morrer e permitir isso.
Daryl não vem, não chega e me desespero por dentro, não consigo sem ele, sinto que o medo quer me dominar, que meu corpo exige repouso e tenho medo de perder a batalha e partir na frente dele, de voltar como um daqueles monstros e destruir tudo que me importa.
A besta agora vive em todos nós e ela não faz distinção. Ela chega com fome e força, devora e não tem remorso.
─Amo você! É um bom filho. O melhor que eu podia ter e estou tão feliz. Tenho vocês dois.
─Mãe, eu amo você. – Meu coração se expande mais uma vez, fica repleto, meu garotinho assustado, meu menino perdido que só conhecia ódio e revolta. Venci a guerra contra os mortos, ele aprendeu a amar.
─Eu sei. Também te amo. Agora vai. Fica lá dentro com ela. – Aponto o guarda-roupa.
─Não... – Ele soluça e escuto barulhos na casa. Mais zumbis, se empurrarem a porta não posso vencê-los. Seguro a pistola caída ao meu lado. Derrubo quantos puder antes de sucumbir. Protejo meus filhos enquanto existir e ainda depois disso.
─Vai filho, já chamo você de volta. É só um pouquinho.
Numa crise de choro e mesmo assim cuidadoso eu o vejo entrar no guarda-roupa. Me dar um último olhar e então puxar a porta. Meu coração para pôr um segundo de tanta dor. Luto desesperadamente para me manter acordada, apertando a arma forte na mão direita. Não são para mim essas balas, são para os mortos. Eu estou viva e não vou me deixar vencer pelo cansaço e o medo, a dor e a tensão vão passar, não estou desistindo, isso não é o fim, é só o cuidado de uma mãe.
Daryl tem que conseguir. Eu preciso dele. Meus filhos precisam. Fecho os olhos para uma prece. Nada mais me resta se não rezar.
Pov — Daryl
Corro como um louco com Mich sempre perto, hora em minha frente, hora atrás. A besta em punho, mas não me preocupo com flechas, não é momento para elas, uso o cabo quando algo surge em meu caminho.
Derrubo tudo que aparece sem tempo para pensar em nada, não quero saber se caiu para sempre ou se ainda pode se erguer. Só não aceito que tente me impedir de chegar. Se os muros forem tomados antes que Clarie me veja do lado de dentro eu nem sei o quão nervosa ela pode ficar.
Ainda falta um mês pelas contas da doutora, mas nunca se sabe ao certo. Um zumbi preso a uma arvore tenta me alcançar quando passo, eles algumas vezes parecem inseridos a paisagem, como parte da natureza selvagem.
Assim que passo por ele escuto logo atrás de mim o som comum de Mich cortando cabeças. Ela nunca os ignora.
Meus pulmões parecem não ser mais capazes de armazenar oxigênio, mesmo assim eu não desisto. Continuo a correr e me desviar de árvores, mortos e plantas.
Tem mais deles perdidos pela floresta que de costume. Mesmo aquela horda parece maior que de costume e surgiu do nada. Não faz três dias Abraham saiu para uma busca e não encontrou com nada por perto.
Algo os convidou e não pode ter sido Alexandria.
─Vamos pelo norte precisamos chegar aos muros antes deles.
─Eles estavam muito a frente Mich, não vamos chegar antes. – Grito quando emparelhamos. A folhagem começa a balançar muito forte a nossa direita e vejo tecidos por entre as árvores.
─Esquerda então! – Ela grita mudando seu curso e mesmo ficando mais longe eu a imito, corremos morro abaixo, caindo e levantando, empurrando um corpo vez por outra.
─Acha que Rick chegou?
─Não sei Mich, ele deve ter feito outro caminho. Rick sabe se cuidar.
Ela não prolonga o assunto, mau respiramos que dirá conversar. Os muros de Alexandria começam a surgir assim como os gemidos dos mortos. Eles chegaram primeiro.
Agora não temos alternativa se não parar, o portão fica na lateral, um grupo caminha para lá, ficamos imóveis e em silencio numa distância segura. Preciso pensar em algo.
─O que consegue ver? – Sussurro ao lado de Mich, ela faz um movimento negativo, assim como eu não vê muito. – Estão muito acumulados ali. Vão acabar achando uma passagem.
─Eles podem fazer barulho por dentro para dispersá-los.
─Será que sabem deles aqui? Acha que dá para ver da torre?
─Sim. – Ando com cuidado sob as folhas, no frenesi que estão completamente determinados a entrar não podem nem nos perceber.
─Merda! – Meu coração dói com o que vejo. Mich sente minha tensão e se aproxima, só consigo pensar em Clarie e Ben.
─O que?
─Uma placa cedeu, estão passando aos poucos, tem zumbis lá dentro. – Minha mente fica frenética. Algo precisa ser feito. Imagens se formam, nelas é sempre o pior cenário e tudo em mim se quebra. – Vai embora Mich, vai para longe. ─ Me ponho reto, pego minha besta. Eles virão, ao menos boa parte deles.
─O que pensa que vai fazer?
─Eles virão. Eu posso diminuir o número, distraí-los. – Minhonne segura meu braço quando tento andar.
─Está louco? Não está pensando direito, vai alimentar vinte deles e uns minutos depois seus restos perdem a importância e eles voltam para Alexandria.
─Minha família! – Tento me soltar.
─Nossa família. Acredite eu te acompanharia de bom grado se isso resolvesse as coisas. – Ela fica na minha frente. Os olhos firmes, o ar competente de quem sabe o que faz. – Se eles podem entrar nós também podemos, vamos resolver as coisas de dentro para fora.
Ela tem razão, isso não resolve e Clarie e Ben ainda acabam sozinhos com meu bebê. Quero ver meu bebê nascer, quero ao menos uma vez olhar seu rosto. Eu nunca tive nada tão meu quanto esse ser que Clarie protege e alimenta dentro de si. O mundo não pode me tirar esse direito.
─Vamos. – Eu a convido e nos afastamos, vamos seguindo pela floresta dando a volta até chegarmos em um ponto sem zumbis. – Aqui. Está limpo.
Corremos para o muro, eu e ela usamos nossa força para afastar uma placa, podemos ver zumbis caminhando pelo lado de dentro pela fresta. Michonne passa primeiro. Vou logo depois dela me espremendo e arranhando a pele no aço da placa.
Quando chego do lado de dentro Michonne cortava uma cabeça, empurrava um zumbi e em seguida outro corpo tem seu cérebro perfurado por sua lâmina. Ajudo com mais outro que se aproximava e depois alguns deles nos percebem, e começam a caminhar.
Corremos para longe, algumas ruas têm muitos deles, não vejo pessoas, mas tem um corpo dilacerado não chão, e uma porta aberta em uma das casas.
─Não estavam prevenidos. – Isso significa que Clarie e Benjamin... Apago a ideia. É Clarie, ela sabe lutar, anda com a lança e uma pistola, Ben não fica nunca sozinho, eles estão vivos e protegidos. Eu preciso acreditar nisso.
Tentamos virar a esquina, é impossível e voltamos. Puxo Michonne para uma casa. Entramos e corremos escada acima para tentar ver qualquer coisa pela janela. São duas ruas até minha casa que fica afastada do pequeno centro habitado em Alexandria. As casas ocupadas estão quase todas perto do portão.
Tem alguns zumbis arranhando uma porta, outros em uma janela de vidro que logo vai ceder. Muitos caminhando pelas ruas e sei que não podemos começar a simplesmente atirar.
─Mich não posso ficar aqui. Tenho que chegar até Clarie.
─Não. Temos que chegar até onde eles estão entrando. Fechar a passagem, espalha-los pelos muros e depois derrubar todos que estão aqui dentro.
De novo Mich tem razão e agradeço ela estar comigo, não estaria vivo sem ela. Já teria feito alguma loucura. Ouço o caminhão.
─Abe. Vamos aproveitar que o barulho do caminhão vai atraí-los para a frente.
Descemos correndo, não preciso dizer a Mich para evitar barulho, na porta um zumbi tentava subir os degraus. Chuto seu corpo e piso em sua cabeça, depois começamos a correr em direção ao furo no muro. Talvez os outros ainda não saibam por onde estão entrando.
O fato de serem lentos nos ajuda a fugir deles, mas até conseguirmos dar um jeito na passagem apenas os dois, vamos estar cercados. Não importa. Se eles pararem de entrar em algum momento o grupo da conta dos que estão aqui dentro e Clarie e Benjamin tem uma chance. Meu bebê tem uma chance.
─Atrás de você! – Aviso Michonne que só gira a espada. Vejo os corpos passando pelo vão quando nos aproximamos, eles vão deixando partes do corpo pelo caminho, se dilacerando e dissolvendo ao passarem. A entrada casa vez maior e agora mais de um pode passar. Zumbis vem de todas as direções. Uns mais perto, outros mais longe.
Escuto um disparo. Tem mais gente nas ruas, sei que são minha família fazendo mais do que se esconder. Abe surge correndo, zumbis caindo a sua volta a cada vez que seu facão corta o ar.
Todos nós acertando corpos. Numa luta interminável de corpo a corpo. Não sinto cansaço, não quando disso depende a segurança de minha família.
─Glenn está trazendo um carro para encostar aí. – Abe avisa. – Rick e alguns homens estão lutando e tentando espalha-los para não ficar muito pesado e o muro ceder.
Escuto o motor do carro, não podemos deixar que se juntem ou acabamos sem saída. O carro vira a rua e Glenn se aproxima passando por cima dos mortos. Encosta o carro na passagem.
─Não vai resolver. – Michonne avisa.
─Diminui a entrada. E Segura um pouco o muro. – Eu aviso abrindo caminho para Glenn conseguir descer e se juntar a nós na tentativa de derrubar corpos que não param de chegar.
─Viu a Clarie? – Eu pergunto e ele nega. Começamos a correr, ainda não dá para chegar na minha casa. Tem muitos zumbis naquela área.
Nos juntamos a Rick. Ele dá um tiro para o alto. Começo a bater com a besta no ferro que produz eco e convida os mortos do lado de fora, mas também os que estão dentro.
Quero chegar em casa e quando me dou conta que os mortos estão vindo faço mais barulho, quero afastá-los da minha casa.
─Daryl chega! – Rick me puxa me trazendo de volta da minha cegueira desesperada, eu o sigo até uma casa. Entramos junto com Glenn, Michonne e Abe.
─Viu a Clarie? – Pergunto a Rick.
─Não. Cheguei quando eles começavam a invadir. Tentei avisar o máximo de pessoas que consegui. Carol e outros ajudaram.
─Passei por alguns corpos, nem todo mundo conseguiu. – Abe diz e corro para porta. Glenn se põe na minha frente.
─Eu sei como se sente. Maggie está com Hershel trancada num quarto. Eu tive que sair por uma janela e deixá-los lá. – Sua voz sai estrangulada. – Talvez eles estejam na escola. Nem mesmo sabe se estão lá. Não pode chegar até sua casa sozinho.
─Vou com você. – Abraham comunica. – Clarie está gravida, é quem mais precisa de ajuda agora.
─Obrigado. – Nunca vou me esquecer disso.
─Vamos todos tentar chegar lá. Só não vai ser assim. – Rick comunica.
─Muita gente se reuniu na casa de Deanna. Outros foram levados para enfermaria. Denise está lá. Aaron, Eric e Spencer, estão mantendo o lugar enquanto ela trata alguns feridos. – Glenn esteve o tempo todo aqui dentro e sabe mais do que nós.
Eu respiro fundo, olho pela janela. Já tem corpos caminhando para a porta. Deixo o desespero de lado. Não posso ficar burro e errar. Nós não vamos perder. Esse é nosso acordo e vai dar certo.
Me decido por sair pelos fundos. Cruzar a rua e correr um quarteirão e então estarei em casa. Não posso ficar na incerteza e essas pessoas não vão me impedir.
─Vou sair pelos fundos. É minha família e vou encontra-los. Se algo der errado... – Me calo. Eu não tenho essa opção. Tenho uma mulher e dois filhos que não estavam em meus planos quando essa droga começou, mas que não posso abrir mão agora. – Nada vai dar errado.
Me apresso e quando passo pela porta da cozinha todos me seguiam. Num grupo assim vencer os zumbis que surgem é menos perigoso e finalmente avisto minha casa.
O grupo me acompanha de perto, só quero abrir a porta e abraça-los, garantir que estão bem e seguros e depois posso voltar aqui fora e fazer o que é preciso.
O mundo desaba quando vejo um corpo de zumbi ao lado dos degraus da varanda e a porta da frente aberta. Ela o derrubou. Clarie, fez isso com aquela barriga. Depois correu para dentro, não deu tempo de fechar a porta e sinto meu corpo todo se desconectar quando penso por que.
As coisas perdem um pouco o foco quando me precipito para dentro, tenho medo do que vou encontrar. Mas não posso evitar ser eu a descobrir. A casa pequena não faz suspense, tudo está limpo. Um zumbi caído na escada patina tentando subir. Acerto seu cérebro e Rick o puxa pelas pernas livrando a passagem.
Na curva da escada eu vejo cinco zumbis arranhando a porta de Benjamin, gemendo, e se esmagando naquele modo constante e robótico que o cheiro de vida cria neles.
─Ei! Aqui! – Como bichos treinados eles se viram todos ao mesmo tempo, a porta perde o valor quando sou visto. Desço as escadas a espera deles e eles vem rolando caindo um por cima do outro e num trabalho rápido acertamos todos.
Tudo é sempre rápido. Frenético. Corro escada acima mais uma vez e tento a porta. Os móveis de Benjamin causam resistência e a porta não abre. Tentamos em grupo forçar a porta.
─Benjamin! Clarie! – Não tem resposta. Um flash passa por minha mente e me lembro de Ben saindo pela janela. Se ele saiu eu posso entrar. Largo todo mundo forçando a porta e apenas corro pelas escadas, abro a porta dos fundos. Derrubo um zumbi, Rick me seguia e acaba com ele enquanto escalo pela janela e ele logo entende. Ando pelo parapeito e depois pelo pequeno telhado que cobre a varanda dos fundos e estou na janela felizmente aberta.
Passo para o lado de dentro sem coragem de ter certeza antes. Quando meus pés tocam o chão ergo o olhar. Vejo Clarie no chão, com sangue no vestido, pálida, olhos fechados.
Fraquejo, não tem Benjamin, não tem mais bebê ali, meu corpo se curva sem que possa domina-lo. Acabou tudo, minha vida, de novo eu perdi e dessa vez não quero mais lutar. Quero me deitar a seu lado e ser eu a saciar sua fome quando mais uma vez ela despertar.
─Daryl. – Seus olhos se abrem como se milagres ainda existissem.
─Clarie! – Me ajoelho a seu lado, tento abraça-la ela me empurra.
─Ben, nosso bebê. – Ela aponta o guarda-roupas e me apresso. Tropeçando, abro a porta para o novo mundo e lá estão eles. Ben encolhido com meu bebê em seus braços.
Ele reage quando a porta se abre abraçando forte aquele pequeno ser e sei que ele já o ama mais do que tudo e isso faz a vida voltar a pulsar.
─Pai. – A voz falha quando a coragem o abandona e ele se sente seguro para fraquejar.
Pego meu filho de seus braços. Choro quando sinto suas formas se moldarem aos meus braços protetores. Ajudo Ben a sair. Seus olhos vão direto para a mãe, os meus o acompanham e ela tem um sorriso fraco no rosto, nos juntamos todos.
Abro o lençol meio cego de amor, uma garotinha, perfeita e forte, viva e respirando. Minha filha.
Beijo sua cabeça ela resmunga, está tremendo, eu volto a enrola-la no lençol e puxo uma manta da cama de Ben. Ergo meu olhar e Benjamin chorava, eu o trago para mim. Aperto meus filhos, procuro os olhos de Clarie, suas lagrimas rolam livres e sinto meu rosto umedecer, também choro.
Não sei se alguma vez na vida chorei de alivio, ou de felicidade como agora. Não. Sempre foi de dor, medo, perda, o amor nunca me trouxe lagrimas ou forças como agora. Não importa quantos mortos tenham além desse cômodo, vou derrubar um por um e manter minha família.
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