Resumption
59 Capitulo 59
Notas iniciais
Pov – Clarie
O longo abraço de Maggie é reconfortante. Mesmo que ela ainda não saiba por que precisei tanto dele.
─Aquilo foi o Daryl te trazendo até a minha porta? – Afirmo. Ela sorri me apontando o sofá. Me encolho nele.
─Depois de ir comigo levar o Bem na escola.
─Ciúme do Spencer? – Ela pergunta se sentando ao meu lado. Ficamos de frente uma para outra no sofá confortável e elegante. Tão absurdamente oposto à nossa condição que parece uma piada sórdida de algum ser superior.
─Não. Como você está? – Quero ter certeza que está bem antes de soltar a nova bomba. Ela dá de ombros. Encara as mãos um longo momento. Olho e vejo que brincava com a aliança.
─Não posso dizer que meu marido é o homem mais feliz do mundo. Ele é sem dúvida o mais preocupado. – Disso não tenho certeza. – Mas também não é como se estivesse bravo ou sei lá. Culpado. Ele e eu, sabemos que não é o melhor dos mundos. Tínhamos desistido dessa ideia. Eu tinha. Isso nunca esteve nos planos dele. Então aconteceu.
─E como está se sentindo. Está tudo correndo bem?
─Já viu essa gente? – Ela sorri. – Eles... Meu Deus. São completamente malucos. Vem senhoras aqui me trazer pratinhos com docinhos. Me dão dicas e conselhos. É como morar num subúrbio feliz de vinte anos atrás. Como se não tivesses mortos arranhando nossos muros. Como se meu marido não saísse lá fora toda hora arriscando a vida por suprimentos.
─Eu sei. Tem poucas pessoas com os pés no chão.
─Amo meu filho. Mesmo com tudo isso eu o amo. Mesmo com tudo que fiz e vi. A gravidez da Lori e o nascimento de Judy. Quer dizer. Era eu lá. O que vi foi tanto amor que transcendeu vida e morte. Eu quero isso.
─Maggie eu estou grávida. – Digo de uma vez. Ela fica muda. De olhos arregalados um momento. Fico imóvel encarando seu rosto perplexo em busca de algum sinal.
─Daryl sabe? – Eu digo que sim com a cabeça. – E ainda está respirando? Que grande vitória. – Ela aperta minha mão. – Que mãos geladas.
─Medo.
─Eu sei. Estou feliz de ter alguém para dividir esse momento. Foi uma crise de inveja? – Ela brinca e rimos.
─Só um pouquinho!
─Benjamin já te chamou de vadia quantas vezes depois que soube?
─Ele ficou com burra. Estúpida, imbecil. Não está de todo errado.
─Não. Que coisa. Vamos ter bebês. – Ela aperta minha mão. Meus olhos marejam e os dela também. Nos abraçamos. Um longo abraço de irmãs.
─Que bom ter você Maggie. É como ter mesmo uma irmã. Obrigada. Eu sei que sente falta dela. Que a substituo um pouquinho.
─Clarie eu vi muito de Beth em você. No começo ter você era como ter um pouco dela. São as duas delicadas. Depois com o tempo eu vi que não. Você é Clarie. Minha irmã mais nova e especial.
─É bom ter uma irmã. – Tentamos secar as lágrimas, mas elas continuam a rolar. – Eles vão ser primos. – Toco a barriga, ela sorri, faz o mesmo e de novo choramos as duas.
─Acostume-se com as lágrimas. O Glenn fica chocado com isso. Tem dias que nem sei porque estou chorando e quando ele me pergunta eu só faço chorar mais.
─Sabe o que é mais estranho? Até ontem eu não me sentia grávida. E hoje eu sou quase que só isso. Parece que me entreguei por completo a essa condição e só faço me sentir grávida.
Maggie começa a rir. Acabo rindo também. Que situação fomos nos meter. Eu e ela esperando bebês no meio do apocalipse. Isso é mesmo uma grande loucura.
─Maggie... – Seguro firme sua mão. Aperto e o sorriso dá lugar a mais lágrimas. – Se não conseguir... Cuida dele? Junto com o seu? Amamenta e enche de amor. Todo esse amor que tem dentro de você?
─É uma promessa. E você vai fazer o mesmo?
─Sim. Com todo meu coração! – Nos abraçamos. E choramos juntas. Depois as lágrimas vão embora.
─O que acha que é? – Ela pergunta com os olhos inchados e acho que estou igual.
─Não sei. Todo mundo diz que tanto faz e que o que importa é ter saúde, mas para você posso dizer. Queria que fosse uma menininha para o Ben não ficar tão assustado. E porque eu bem queria ver o Daryl com uma garotinha nos braços.
─Fofo! Mas já vimos. Ele adora Judith.
─Talvez por isso. Uma garotinha dele e não do Rick. Claro que se for um menino vou amar muito. Você e o Glenn já falam sobre isso? – Pergunto tocando a barriga. ─ Nomes, sexo?
─Clarie eu sou um monstro! – Maggie me diz com seus olhos arregalados e um sorriso amplo. – Nunca penso nos sentimentos dele e saio falando tudo. Foi meio que tratamento de choque. Ele acabou se acostumando. Se for menino que é o que quero será Hershel. Se for menina não cheguei a um nome.
─Entendo. Quer homenagear seu pai.
─Sim. Se for menina não posso colocar o nome dela. Meu pai era idoso já. Mesmo tendo tido aquela morte... É mais fácil. Ela não. Sinto que seria um peso.
─Vamos fazer uma lista. Para você. Eu vou deixar isso para o Ben. Quem sabe assim ele fica mais confiante.
─Bonitinho. Uma boquinha tão suja. Sempre tão gentil! – Ela ri do meu bico.
─Ele mudou Maggie. É um doce. Quando não está no meio de um ataque.
─E como vai ser? Daryl será seu guarda costas?
─Acho que sim. – Fico de pé. – Adoro seu sofá, mas já vou. Quero contar ao Morgan.
─Acho que ele vai ficar feliz com a novidade e devia deixar aquela casinha e arrumar uma grande com um quarto para o bebê.
─Não! Eu amo minha casinha.
─Vou contar por aí que não sou a única esperando bebê e espere a casa cheia de senhoras.
─Benjamin corre com elas de lá rapidinho! Meu anjinho sabe ser fofo. Puxou ao pai. – Maggie tem um acesso de riso no caminho para a porta. – Se Daryl aparecer aqui diz que daqui a pouco estou em casa. Algo me diz que ele vem me buscar.
─Aviso. Morgan está na torre do sino.
─Vou até lá.
Deixo Maggie e caminho pelas ruas de Alexandria. No caminho me aproximo do muro. Toco nele. Tão frágil. Placas de metal que podem conter alguns. Nunca uma horda. Não por muito tempo.
Tudo sempre tão frágil.
─Papai vai fazer de tudo para ficar seguro bebê. Vai ver que ele pode ser perfeito quando quer e ele vai sempre querer por você.
Uma batida na placa me assusta. Dou um pulo para trás com a mão no ventre quando vejo pelas frestas um zumbi que me farejou, ou seja lá como eles percebem a gente.
Os gruídos me assustam mesmo sabendo que ele não pode me pegar. Minhas mãos tremem. Meus olhos marejam. Não é um mundo para ele. Desculpe bebê. Desculpe ser esse o mundo que tenho para você.
─Deixa a gente em paz!
Escuto um disparo a distância e o corpo despenca do outro lado. Não vejo. Apenas escuto o baque. Olho para a torre e sei que foi Morgan. Sigo para lá.
─Quantos degraus tem aqui afinal? – Digo suspirando quando chego na torre.
Morgan me olhava sorrindo. Me encosto na parede para recuperar o folego.
─Não devia ter subido Clarie. Não é bom no seu estado tanto exercício.
─Já sabe? Daryl...
─Não. Vi agora. Você lá em baixo no muro. O modo como acolheu a barriga. Me trouxe memorias. – Eu faço isso agora. Desde hoje. Fico tocando minha barriga e é como tocar meu bebê.
─Estava vindo te contar. – Uma lagrima escorre. – Eu precisava contar para alguém que fosse me encher de esperança. Então faça isso. – Morgan sorri.
─Vou começar com um abraço de parabéns! – Ele me abraça e só me arranca lágrimas. É a primeira pessoa a me felicitar. – Estou feliz e te desejo toda saúde do mundo. – Nos afastamos.
─Me deseje segurança Morgan! – Ele seca uma lagrima minha.
─Não. Isso eu e se marido providenciamos. Como ele está?
─Acho que triste. – Digo chorando e Morgan me abraça. Ri das minhas lágrimas.
─Ele vai ficar feliz. Eu sei que sim. Não queria tudo de uma vez? De um tempo ao homem! – Morgan pede. Depois caminha para perto do rifle de longo alcance e usa sua mira para olhar os muros. – Daryl é bom homem. Vai ser bom pai.
─Isso eu sei. O problema é que cada vez que conto a alguém sinto vontade de me desculpar. Como se tivesse cometido um crime.
─Porque é muito boba. Toda a vida é preciosa. Já tirei algumas Clarie. Já estive a beira da loucura. Hoje eu sei que temos que lutar por mais momentos como esse. – Ele toca minha barriga. – Esse bebê virá abençoado. Talvez seja um recado de Deus. Quem sabe ele não está dizendo que acabou? Que é o recomeço e que podemos parar de sentir tanto medo?
─Ele podia ser mais claro e objetivo. Ainda estou com medo.
─Quer um bebê medroso? Por que ele se sente assim se você se sente assim. Então abra um lindo sorriso. Vamos ter mais uma nova vida.
─Duas. Tem a Maggie.
─Isso. Duas. E Judith e tantos outros que ainda virão. E os filhos dos filhos e um dia vamos estar de novo em maior número e tudo vai se refazer.
─Você acredita mesmo nisso. – Sinto que ele tem tanta fé. Ela venceu toda a culpa que talvez ele carregue dentro de si. Morgan é um homem que venceu seus limites. – Quando bater o desespero eu vou te procurar.
─Venha, só que me espere descer. Quando seu marido souber que subiu aqui vai ficar uma fera.
─Gosto quando dizem marido. Todo mundo costuma dizer isso. – Brinco já podendo sorrir.
─No meu tempo era assim que chamavam. Agora vai. Vou te acompanhar, não é boa ideia descer sozinha.
─Vai entrar para o time dos protetores?
─Vou. – Ele responde simplesmente. Foi bem mais fácil que pensei. Agora é voltar para casa e encher os dois homens da minha vida de amor até que todo medo vá embora e só fique a fé de que tudo vai dar certo.
Pov – Daryl
Puxo a placa de aço com força, ela está presa em algo na carroceria da picape. Tento de novo. A mente perdida em todo tipo de perigos e sempre criando imagens aterrorizantes. Junto força e quando puxo a lamina corta meu dedo e atiro a placa para o lado.
─Merda! – Esbravejo antes de levar o dedo a boca. Rick solta a outra placa e me olha preocupado. Michonne e Abraham fazendo nossa segurança.
─Está tudo bem? – Rick pergunta e me encosto um momento no carro. Puxo o ar com força. Solto lentamente.
─Clarie está gravida. – Aviso sem rodeios. Ele ergue uma sobrancelha. Afirma lentamente. Da um meio sorriso.
─Bom. Então vamos lá terminar de fortalecer esse muro. – Diz com um tapa em meu ombro. – Não está sozinho. Sabe disso.
─Se ela...
─Não vai. Aquilo não vai se repetir. Não vamos deixar.
─Não temos controle. – Digo a ele puxando mais uma placa. Dois homens de Alexandria iam prendendo as placas ao longo do muro. Estamos do lado de fora a uns metros do portão.
─Vamos ter. Eu. Você. Nossa família. A gente não vai perder esse lugar e não vai deixar nada nem ninguém nos tirar isso. – Ele diz de modo firme. Depois se volta para as placas. Puxa uma e eu a outra. Os homens começam a pregar.
Michonne passa a espada em um zumbi que surgia. Abe a ajuda com outro pouco a frente.
─Se algo me acontecer...
─Sua família é minha responsabilidade. – Rick me diz firme. As sobrancelhas erguidas uma mão no meu ombro. – Como a minha família foi sua responsabilidade tantas vezes. Como sempre vai ser se algo me acontecer. Por que é assim que fazemos.
Afirmo. É assim que fazemos. Fico tranquilo. Rick pode até ser chamado de maluco por um ou outro. Mas ele vai as últimas consequências por nós e é disso que preciso no momento.
─Vamos fazer dar certo. – Eu digo a ele para mostrar que estou confiante e agradecido. – Ben está... nem sei dizer. – Os homens se aproximam. Rick entra no carro atrás do volante. Sento a seu lado e o restante sobe atrás onde antes estavam as placas. Abe bate na lataria do carro avisando que estão prontos e Rick da partida.
─Você tem jeito com ele. Vai dar certo. E a Clarie?
─Não estou sendo muito legal com ela. Não pude mostrar felicidade ainda.
─Acredite. Eu sei como é isso, mas mostre. Cuidados e atenção vão ajuda-la. Pense que para ela é duas vezes mais difícil.
─É. – Só o que consigo dizer. Mesmo Rick nunca tira muito de mim. As palavras sempre saem cortando minha garganta. Felizmente ele é um bom entendedor. E minhas meias verdades são o bastante.
─Michonne parece bem. Eu a vi conversando com o Morgan. Treinando com ele. Acha que os dois... – Rick se cala e olho para ele confuso. – O que foi?
─Não entendo nada de romance mesmo. – Digo quando o carro entrava em Alexandria. – Sempre achei que fosse a Jessie.
─Eu? Eu e Mich? Não... quer dizer.... Não sei, o Carl é que ficou buzinando na minha orelha e comecei a pensar em coisas que não pensava. – Rick para o carro, desliga o motor enquanto as pessoas vão saltando. – Esquece. Não é hora de pensar nisso. Vamos nos concentrar em Alexandria segura.
─Se consegue. – Dou de ombros saltando do carro. – Vou pegar o Benjamin na escola e procurar Clarie.
Deixo o grupo conversando. Olho para Mich ao lado de Rick quando me afasto. Se dependesse da minha escolha Mich estaria na frente e com larga vantagem.
Bato na porta de Maggie. Ela abre sorrindo.
─Oi futuro papai! – A frase me assusta um pouco. – Sua linda e grávida esposa foi para casa.
─Certo. Vou pegar o Benjamin e encontra-la. Ela estava bem?
─Sim. Só apavorada e meio gravida. Cuida dela. Enche ela de carinho. Clarie precisa de você. Não só cuidando da segurança dela. Fala com ela sobre o bebê. Nome. Essas coisas. Seja um bom pai.
─Tchau Maggie. Estou do lado dela. Não se preocupe. – Dou as costas a ela e caminho para a escola.
Ben está na porta. Ron e outros garotos estão por lá. Os olhos brilham quando me vê. Sinto que ele se acalma na mesma hora. Como faço para ele ver que nunca vou deixa-lo?
─Pronto para ir? – Ele afirma. Acena para os garotos e caminha ao meu lado. – Passei na Maggie. Sua mãe não está mais lá. Vamos ver se está em casa. Se não vamos procurar por ela.
─Acha que ela foi embora? – Os olhos se assustam. – Por que a gente fez ela chorar?
─Não Ben. Não fica preocupado. Ninguém vai a lugar nenhum. Nem Clarie, nem eu e muito menos você. Nunca! – Ele afirma mais tranquilo.
─A mãe da Judith morreu.
─Não tinha medica e nem enfermaria. Agora tem. – Meu coração se contorce. – Não vamos deixar Clarie preocupada com isso. Quando tiver medo fala comigo.
─Pai. Se nascer um menino... De quem é a besta?
─Não sei Ben. Ela não é minha. É sua. Disse que só estava tomando conta até você ficar pronto.
─Até se for um menino na barriga da minha mãe?
─Sim. Sempre. Não importa. Se for um menino ele será seu irmão mais novo e se for uma menina sua irmã. Não vai ficar no seu lugar.
─Só um pouco. Como a Judy quando você fica com ela, abraça, beija.
─E não faço isso com você? – Eu não posso continuar assim. Preciso ficar mais atento com isso. Passo a mão em seu cabelo, depois apoio em seu ombro. – Desculpe Ben. Vamos mudar isso. Eu vou tentar. E você também.
Ele afirma e chegamos a nossa porta.
─Fiquei com medo de não ir ninguém me buscar na escola.
─Precisa confiar Ben. Se não formos te buscar é porque tem algo errado. Nunca vamos deixar você. Não vai mais tentar fugir?
─Não.
─Onde ia quando pulou a janela?
─Eu não sei. Pensei que ia me bater. Porque xinguei seu bebê. Estava com medo.
─Um dia não vamos mais sentir medo. – Ele afirma e então abro a porta. Clarie sorri de pé no meio da sala. Nunca esteve mais bonita. Os olhos agora brilham o tempo todo e simplesmente tem um ar maternal. Tudo nela mudou do dia para noite e gosto de cada mudança.
─Chegamos mãe. – Benjamin comunica como todos os dias.
─Que bom. Que tal me dar um beijo e um abraço? – Ela pede como todos os dias e como todos os dias ele se apressa em atender seu pedido.
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