Resumption

60 Capítulo 60


Notas iniciais
Oiiieeeeee Sabe o quanto amo vocês? São muito incríveis comigo. Sempre. Eu recebi mais duas recomendações. Estou nas nuvens de tão feliz. Então quero agradecer a UCHIHA TAY. Sua linda. desde que nos conhecemos é sempre muito carinhosa comigo. deixando recadinhos em todos os capitulos e recomendando a fic. Agradeço Muito mesmo. Você é uma Querida. OBRIGADA E também a minha Diva, amiga querida que escreveu uma recomendação perfeita como cada um dos seus comentário. GIOVANA CATALANI. como que pode ser assim toda perfeita? Te adoro muito. Sempre digo que vocês são um presente para mim. OBRIGADA!!!!!! Só posso agradecer e dedicar um capitulo. ou melhor. me esforçar para escrever sempre da melhor maneira possível. Amo muito tudo isso. BEIJOSSSSSSSSSSSSSS

Pov – Amber

Minha mãe entra na sala, ergo meu olha um momento, ela me encara silenciosa. Se não vai dizer nada vou voltar para a leitura. Me concentro no livro. Não é uma grande história. Agora nunca é. A literatura ganhou novos ares. O mundo pertence aos mortos e qualquer história onde as pessoas caminhem pelas ruas e frequentem cinemas e parque é pura ficção e completamente longe da realidade.

─Não vai sair desse sofá? – Suspiro. Nem vou responder. Finjo continuar lendo, mas leio e releio o mesmo paragrafo e ele continua não fazendo sentido. – Se está sofrendo devia dar uma chance ao garoto. Ele afinal não está por aí com Enid.

─Mãe. – Fecho o livro e me sento. – Por que não arruma um namorado?

─Eu não estou apaixonada Amber. Você está. Agora pode afundar o sofá e tudo bem. O que eu tenho com isso? Eu no seu lugar iria lá fora olhar o dia. Faz uma semana que está enfiada dentro de casa e ele também.

─Mãe ele também não veio me procurar mais.

─Filha, Carl veio aqui, disse como se sentia, explicou o que aconteceu, deixou em suas mãos a decisão. Está sendo infantil e mimada se espera que ele se humilhe correndo atrás de você.

Suas palavras são fortes e encaro a capa do livro em minha mão. Depois penso na conversa com Carl. Ele pareceu mesmo muito honesto.

─Admiro muito a dignidade dele. Não gostaria dele se ele fosse um garoto grudento que rasteja aos seus pés. Gosta do Carl porque é um menino forte que não se rende fácil.

─O que acha que tenho que fazer? Não vou bater na porta dele e dizer que estou gostando dele.

─Melhor ficar ai mergulhada nesses romances que nunca gostou com cara de fim de mundo. – Minha mãe ri ao falar. Acabo rindo também. – Vê como é bom? Podemos brincar com isso. Não é mais o tempo todo sobre abrigo. Comida e medo. Nunca se sabe quando vai voltar a ser e quero tanto que experimente mais do que o medo e a incerteza.

Ela é incrível. Denise Loyd não tem medo de mostrar como a vida pode ser boa, não quer me guardar em um potinho como todas as mães que conheço e isso me faz sempre forte e corajosa.

─Acha que ele está em casa? – Eu não aguento mais mesmo ficar depressiva. Essa pessoa ensimesmada não sou eu.

─Acho. Ele está cuidando de Judith e está ventando muito. Então aposto que ele está em casa com a irmã. É um garoto de família. – Rimos as duas. – Para casar.

─Mãe você é muito boba mesmo.

Eu a abraço. Brigamos como cão e gato as vezes. Outras somos como irmãs e sempre não importa o que nos cerque é minha melhor amiga.

─Vai logo e demore bastante. – Ela me empurra em direção a porta e deixo a casa. Arrumo a gola do casaco. O vento está mesmo forte. O inverno se aproxima e a ideia de não passa-lo na rua me anima demais.

Caminho pelas ruas movimentadas. Gente trabalhando, caminhando de um lado a outro, um garotinho com cachorro e aquilo tudo é divertido e ela tem razão. Não posso e não quero perder as chances que a vida oferece.

─Oi Clarie! – Ela me sorri. Corro para abraça-la. – Eu soube do bebê! Parabéns!

─Obrigada! – Clarie sorri não muito certa sobre estar feliz. Acho que deve mesmo ser difícil para ela.

─Nada de barriga ainda! – Digo tocando sua barriga lisa.

─Acho que são uns três meses ainda. Por isso não dá para ver como a Maggie que está de cinco meses.

─Quando nascer conte comigo. Sou boa com crianças. – Aviso de todo coração. Ela sorri. – Vai pegar o Ben na escola?

─Vou. Depois estou em casa. Veja se vai lá. O Ben gosta muito de você.

─Eu vou. Quem sabe o Carl não vai comigo?

─Não estão mais brigados? – Ela pergunta e faço bico. Me esqueci que Carl adora eles e vive lá.

─Estou indo lá tentar resolver isso.

─Que bom. Fico feliz. Boa sorte. Agora tenho que ir se não o Ben vai pensar que não vou busca-lo.

─Tchau!

Ela segue seu caminho e eu o meu. Carl deve ter contado a Clarie que não estamos num bom momento. Fico pensando o que vou dizer quando chego em sua porta.

Demorei tanto que ele já deve ter desistido de mim. Quem sabe agora não está mesmo apaixonado por Enid? Ao menos ela não o deixa falando sozinho. Não o ameaça. Briga.

Bato na porta indecisa sobre se quero que ele esteja em casa ou não. Então vejo seu vulto pelo vidro e não tem mais volta. Ele abre e assim que me vê fica claro que sou a última pessoa que ele esperava ver em sua porta. Dou um sorriso sem graça.

─Amber. – É tudo que ele diz. Afirmo. Ficamos nos olhando. Ele podia ao menos ajudar um pouco.

─Podemos dar uma volta?

─Não. – Ele declara e aquilo me deixa abatida. Não esperava por isso. – Quer dizer. Não posso. Iria se pudesse, mas minha irmã está dormindo e não tenho como deixa-la sozinha.

─Ah! – Eu fico ali sem saber o que fazer.

─Ela não está mais sozinha. – Michonne surge subindo os degraus. Pisca para Carl. ─ Fico com Judy.

─Obrigado Mich. Eu não demoro. – Ele a abraça. Os dois se adoram. Acho as vezes que ela é a pessoa preferida dele. Mais até do que o pai.

─Pois devia demorar. – Ela brinca e então entra ao mesmo tempo que ele sai e fecha a porta.

─Quer ir em algum lugar em especial? – Ele me pergunta quando descemos os degraus de sua porta. Dou de ombros.

─Só andar um pouco. – Cruzo os braços quando uma rajada de vento me congela os ossos. Se fosse meu namorado ele podia me abraçar quem sabe. Saímos caminhando um ao lado do outro em silencio. As ruas começam a ficar menos movimentadas e quando me dou conta estamos nos fundos de Alexandria. Perto do pequeno cemitério. Olhamos as covas e aquilo é bem sinistro.

─Quase ninguém com quem já me importei teve a chance de um funeral. – Ele me diz do nada.

─Eu sei. Você só pode continuar correndo. – São muitas as lembranças doloridas.

─Às vezes não dá nem tempo de sentir e chorar e já é outro a nos deixar.

─Por isso estou aqui. – Conto a ele. Desviamos nossos olhos das covas e nos encaramos. – Eu acho que não devo me importar tanto com o que passou e devo me concentrar no que vem por aí.

─É um bom jeito de levar a vida ou o que é isso que estamos fazendo, nem sempre se pode chamar de vida. Nem todos podem.

─Desculpe pelo modo como te tratei quando me procurou. Minha mãe diz que fui mimada. Pode ser. É que sempre quero tudo do meu jeito. Acho que fantasio demais e quando não sai como planejei ou sonhei eu fico brava.

─Acredita em mim? Que não quero Enid?

─Sim. – Respondo simplesmente. Ficamos nos olhando um diante do outro. Agora tem que ser ele a fazer qualquer coisa.

─Ela não tem ninguém Amber. E tem dentro dela muito medo e angustia. Ela faz tolices toda hora eu sei. Talvez para chamar atenção ou apenas por que está perdida. Eu não posso dar as costas a ela. Não quero fazer isso. Quero ser amigo dela.

O certo era eu admira-lo por ser assim, mas tenho ciúme e desvio meus olhos encarando o chão.

─Eu tenho pessoas incríveis na minha vida que só estão nela porque dei uma chance ao que era estranho. Daryl era assustadoramente intratável. Hoje me ama como um filho. Ofereceu seu sangue por mim num dos piores momentos da minha vida. – Ergo meu olhar. Não sei do que se trata, mas o tom de voz demonstra como foi grave. – Mich é o mais perto que tenho de mãe e quando chegou era só silencio e escuridão. Isso é nossa família. É assim que somos e não posso dar as costas a Enid. Tem que me aceitar assim.

─Se não aceitar... – Deixo a frase no ar. Ele suspira. Parece um tanto triste.

─Então não é a pessoa que achei que fosse e não vou ficar triste de perder você. – Aquilo sim é honesto. Chega dói um pouco. – Você é tão forte e podia fazer tanto por ela. Uma pena que não consiga.

─Vamos com calma Carl Grimes. Aceito sua amizade com ela se isso é importante para você, mas isso é tudo por enquanto. Não gosto do risco que é ter essa garota por perto e nunca vou te perdoar se passar por esses muros atrás dela mais uma vez.

Ele afirma. Um sorriso suave se forma em seu rosto. O chapéu pretende esconder um pouco a cicatriz. Para mim só esconde mesmo sua beleza. Sorrio para ele.

─Então isso quer dizer que ainda somos amigos? – Ele me pergunta e decido ser o mais honesta que posso. Ele consegue então vou fazer como ele.

─Enid é sua amiga. Para mim isso não é o bastante.

─Mesmo eu sendo assim? – Ele me pergunta apontando o rosto. Franzo a testa. Acho que ele precisa parar de fazer tanto drama sobre isso.

─Assim como Carl? Só o que vejo é o garoto mais bonito de Alexandria e o mais legal também.

─Isso não é muito Amber. Não temos tantos garotos assim. – Sorrio. – Mas você é a garota mais bonita que conheço e não se restringe apenas a Alexandria.

─Ser mais bonita que aquelas coisas que andam depois desses muros também não é muito Carl.

Nós dois rimos. Os olhos dele são tão azuis. O sorriso some quando ele dá uns passos em minha direção e seus dedos encontram os meus. Meu peito sobe e desce de ansiedade e confusão. Fico corada como ele.

Quero que me beije e ao mesmo tempo não sei muito como se faz isso. Engulo em seco e ele se aproxima mais.

─Quer ser mais que minha amiga Amber? Quer ser minha namorada? – Quando ele pergunta está tão perto que sinto seu hálito. Afirmo primeiro com os olhos, depois com a cabeça, enquanto isso procuro minha voz e tudo parece desligado em meu corpo.

─Quero. – Respondo tão baixo que nem sei se ouviu. Não importa também por que seus lábios tocam os meus e são macios e adocicados. Depois sua língua pede passagem e seus braços me envolvem pela cintura e trocamos um longo e perfeito beijo ao menos para mim.

Ele sabe como fazer isso e fico pensando que bonito como é deve ter tido um monte de namoradas pelos lugares que passou. Passo meus braços por seus ombros e o beijo é tão bom e nunca acaba e só quero ficar ali beijando ele e sentido suas mãos espalmadas em minhas costas.

Depois como não respirar é privilégio apenas dos mortos nos separamos. Eu não queria ficar sorrindo feito uma boba. Mas não consigo evitar.

─Isso foi muito bom. – Ele me diz quando uma de suas mãos se afastam de minhas costas para tocar meus cabelos e depois meu rosto. – É tão bonita e tão especial. Nem sei se mereço isso.

De novo está ele cheio de pensamentos negativos por conta de sua aparência e não sei se são meus olhos de encantamento ou se realmente aquela cicatriz não é importante. O que sei é que só vejo o garoto lindo que acho que é.

Toco seu rosto. Bem em cima da cicatriz. Queria tanto que ele entendesse. Carl afasta minha mão, mas eu insisto e toco de novo. Não tem nada demais ali. Só a pele ferida de um vencedor. Não é fácil vencer a morte.

─Devia sentir orgulho dela. São marcas de um lutador, eu gosto dela. – Fico na ponta dos pés e beijo sua têmpora. Ele me abraça. Seu coração está batendo rápido e acho bom não ser a única assim. – Já beijou muitas garotas?

─Não Amber. Só você. – Queria que fosse verdade.

─E Aquela... Enid. – Prometi respeitar sua amizade é bom começar a fazer isso.

─Agora tenho certeza que aquilo não foi um beijo, foi um leve tocar de lábios e não teve a menor importância. Não depois disso.

─Já vi tudo. Vai ficar me enrolando dizendo coisas bonitas para nunca ficar brava com você.

─Eu sei como ser romântico. Vim te pedir em namoro num cemitério. – Nós rimos. – E já que é minha namorada devia me beijar mais uma vez.

Eu apenas sorrio. E quando me dou conta estamos nos beijando mais uma vez e ficamos assim um bom tempo. Depois Carl passa o braço por sobre meu ombro e voltamos os dois para casa dele.

Gosto de andar assim com ele. De algum jeito me sinto protegida e mais do que isso. Se ele não quisesse que as pessoas soubessem. Que Enid soubesse, não andaria assim comigo.

─Janta lá em casa comigo? – Ele me convida e afirmo.

─Pode ser. E amanhã você janta lá em casa. Assim conhece melhor minha mãe. Ela vai ficar feliz por nós. Doutora Denise está cem por cento do seu lado.

─Bom saber! – Carl me diz sorrindo e vou me esforçar para fazê-lo sorrir muito, porque ele fica perfeito quando sorri.

Pov – Clarie

─Como estão as coisas? – Maggie me pergunta quando estendo uma xicara de chá fumegante a ela. Nos sentamos na cozinha. Ben está na sala jogando vídeo game e Daryl lá fora com Rick, mas uma vez reforçando os muros.

─Todas as manhãs nas últimas duas semanas o primeiro olhar dos dois é para minha barriga. Nenhum dos dois fala muito. Ben não fala nada. Ignora a gravidez por completa. Daryl fala um pouco, mas sempre em tom de me proteger. Sou até o momento sua única preocupação.

─Glenn era assim no começo. – Maggie me tranquiliza. – Mas quando a barriga ficou evidente ele começou a se render. Agora faz carinho, beija e fala com ele. – Maggie toca a barriga de quase seis meses. ─A sua está pequenininha ainda.

─Não sei. – Tomo um gole do chá de hortelã. É doce sem precisar de açúcar. – Eu amo meu bebê. Sei que o Daryl do jeito dele ama também. Já o Benjamin...

─Eu não saí amando a Beth logo de cara. – Maggie me diz para minha surpresa. – Era o segundo casamento do meu pai e eu não esperava por uma irmãzinha. Aquela barriga não me dizia quase nada. Não me lembro bem quando foi que comecei a amar minha irmãzinha, mas desconfio que foi quando finalmente eu bati os olhos nela.

─É acho que estava esperando demais dele. – Maggie afirma. Depois toma mais um gole. – O que a Denise te disse?

─Estou bem. Pelo que entendemos o bebê chega entre doze e quinze semanas. Quando chegar perto começamos a nos preparar.

─Acho que sinto um pouco de inveja. Já me sinto ansiosa e está dois meses a minha frente.

─Meu filho vai ser mais velho. Vai ter que ensinar o seu a obedece-lo.

─Boba. E os enjoos. Foram embora de vez?

─Tudo foi embora. Agora não sinto nada. Não fosse a barriga eu desconfiaria que não tenho nada. – Toco a barriga de Maggie.

─Ainda acha que é uma menina?

─Não. Essa semana acho que é um menino. Tenho certeza que é menino.

─Maggie você tinha a mesma certeza semana passada.

─Me deixa Clarie. Parece o Glenn. – Ela brinca e depois fica de pé. – Agora tenho que ir. Eu tenho uma reunião com o pessoal da distribuição de alimentos. O inverno está a caminho e vamos ter que reorganizar.

─Espero que isso não signifique sair em busca de suprimentos. – Odeio quando Daryl sai lá fora sem mim. Mesmo que por umas horas.

─Gosto disso tanto quanto você. Normalmente o Glenn vai também, mas acho que significa sim uma saída em busca de tentar fazer um bom estoque. Pense que o pior já passou. Os lobos não estão mais lá fora.

─Mas os mortos sim e cada vez mais esfomeados.

─É. – Nós caminhamos para a porta da frente.

─Será que tem morangos na horta? – Pergunto quando passamos pela sala. Benjamin ergue o olhar. – Sonhei com morangos essa noite.

─Vou me informar e mando se tiver. – Maggie me diz sorrindo. Depois me abraça. – Tchau Ben.

─Eu deixei você me chamar de Ben? – Ele pergunta pensativo. Maggie ri.

─Não se lembra? Deixou sim. Isso quer dizer que me ama e não pode mais me xingar de chata.

─Eu sei. Tchau Maggie. – Ele acena para ela e volta a prestar atenção ao jogo.

─Vai me ver amanhã. Temos que cuidar daquele mundo de roupinhas e coisas de bebês que o povo juntou lá em casa para nós duas.

─Eu vou. Estou louca para fazer isso.

Ela caminha lentamente. Sinto vontade de me oferecer para acompanha-la. Mas Maggie anda o dia todo com Deanna. Tem muitas responsabilidades em Alexandria e a barriga nunca foi problema.

─Com fome Ben? – Pergunto me sentando no sofá. Ele desliga o jogo e se senta em sua poltrona. Nega com a cabeça. Me olha firme no rosto. A barriga ganha um único olhar pela manhã e depois nenhum outro. Ele só quer conferir mesmo se cresceu e o bebê está perto. Depois não se importa mais.

─Fiz lição e hoje a professora falou que sou bom aluno. Ela disse que vai fazer uma reunião para falar com os pais.

─Toda escola faz isso Ben. Para os pais saberem se o filho vai bem.

─Quem que vai na minha? – Benjamin está sempre tentando ter certeza.

─Seu pai e sua mãe. Que são?

─Você e meu pai Daryl. – Ele sorri. – Até meu pai vai? – É tanto orgulho desse pai forte e que tem uma besta que chega dá uma invejinha.

─Claro que seu pai vai. – E vai odiar é claro, mas nunca vai desaponta-lo.

─Será que a professora vai reclamar de mim?

─Do melhor aluno da escola? Duvido!

Ele sorri orgulhoso. São meia dúzia de crianças num sofá em volta de uma senhora gentil que se esforça a distraí-los e ensinar um pouco sobre quem um dia já fomos. Mesmo assim Benjamin acha que está numa grande universidade e se comporta muito seriamente como aluno.

─O Carl está namorando a Amber sabia? Ele anda de mão dada com ela e se beijam.

─Eu sei. Estou feliz. Gosto muito dos dois.

─Ele é meu amigo. Disse que vem brincar um pouco comigo qualquer diz. Eu falei que não precisa trazer a Judith que logo já vai ter um bebê aqui.

A sutileza em pessoa e quem pode dizer que não é afinal filho de Daryl Dixon?

─Ainda vai demorar para o seu irmão nascer. – Ele desvia os olhos. – Estou com um pouco de saudade de você. Por que não vem ficar aqui um pouquinho?

Ele é rápido. Corre para perto de mim e eu o abraço. Acaricio seus cabelos. Tenho dobrado minha atenção a ele. Beijo o topo de sua cabeça.

─É o filho mais lindo que uma mãe pode ter. Inteligente e muito educadinho.

─Eu sou.

─É. Puxou o papai. Sempre diz a coisa certinha. Principalmente para as visitas e os amigos. – Eu rio de seu ar orgulhoso. Ainda bem que Carl entende Benjamin e não se magoa. Dizer para não trazer Judith foi a cartada final. O ciúme por ela não diminuiu um milímetro. – E quando eu conseguir cortar os cabelos dos dois vão ficar ainda mais lindos.

─Meu pai não quer cortar o cabelo e o meu é igual ao dele.

─E vão acabar com o cabelo igual ao meu isso sim.

─Não. Por que o seu é de mulher.

─Espere só e vai ver. – Ele me olha e depois se encosta em mim de novo.

─Não tem morango na horta. Os de lá ainda não cresceram. A professora falou hoje. Ela tinha prometido uma torta para a gente depois da aula, mas disse que não deu porque os morangos estão bem pequenininhos.

─Tudo bem. – Eu digo um tanto triste e com agua na boca. No fundo eu sei que não tem nada cientifico nessa coisa de desejo de grávida. É completamente psicológico. Quase como inconsciente coletivo. – Esperamos os morangos crescerem. Posso ver sua lição?

─Pode. Eu caprichei eu gosto quando são números. E problemas e expressões.

─Eu sei geniozinho.

A porta se abre e antes de Daryl uma rajada de vento sopra gelada.

─Nossa que o tempo está mesmo virando! – Ele diz fechando a porta e encostando a besta. Benjamin fica de pé ansioso por um abraço. Daryl tem se esforçado para não esquecer de abraça-lo toda vez que chega. – Oi Ben. Tudo bem?

─Sim pai. A Maggie veio aqui. – Ele comunica depois do abraço. – Você não está nada com febre. Está bem gelado.

─Está bem frio lá fora. – Ele diz caminhando para mim. Os olhos como de costume me investigando em busca de algum sinal de que algo não vai bem. – Como se sente?

─Ótima! – Não importa como tenha sido meu dia é assim que o recebo todas as vezes. – Foi tudo bem nos muros?

─Muito. Dois terços estão prontos. Colocamos mais vigas e amanhã vamos cortar madeira e começar a juntar o necessário para o inverno.

─Quando o bebê nascer será o fim do inverno.

─Isso é bom. Vou tomar algo quente. Fica aí mesmo que eu pego. – Ele exige quando penso em me erguer. Quando Daryl entra na cozinha Benjamin o segue e tento fazer o mesmo, mas paro no caminho quando escuto a conversa.

─Pai. Minha mãe quer morango, mas não tem na horta. – Benjamin conta a ele e fico emocionada com sua preocupação. É um sinal.

─Como sabe?

─Ela disse. Falei que a professora falou que não tem na horta e ela disse que espera.

─Mas a gente não quer que ela espere não é?

─É.

─Então cuida dela que vou lá fora um pouquinho. Passei por um monte de morangos agora pouco.

Volto para sala. Preciso tomar cuidado com o que digo. Não quero Daryl em risco por conta de uma bobagem.

─Clarie eu vou lá fora um pouco. Não demoro. – Eu olho para ele pegando a besta em pé perto da porta.

─Daryl...

─Volto logo. Esqueci de dar um recado ao Rick. – Ele beija meus lábios. – Quando chegar vamos jantar e ficar aqui.

Ele me beija mais uma vez. Depois abre a porta e saí para o fim de tarde gelado em busca de morangos porque tenho uma boca enorme e Benjamin ótimos ouvidos.

─Quer ver minha lição mãe. Meu pai já vem.

─Quero Ben. Quero muito ver sua lição.

Verifico a lição. Na verdade finjo. Não gosto que Daryl vá lá fora. Quando faz isso sozinho e ainda mais por conta de morangos para mim fico ainda mais nervosa. Se algo acontecer eu nem sei como sobrevivo. Se sobrevivo.

Depois fico de pé e sigo até a janela. Afasto a cortina e fico prestando atenção no dia terminando um tanto cinza. Ben se junta a mim.

─Está triste mãe?

─Não. Só não quero que o seu pai chegue depois que escurecer.

─Ele vem já. – Ben é gentil. Beijo mais uma vez sua testa.

─Sabia que amo você?

─Sabia. Desses que não acaba.

─Esse mesmo. Você. Seu pai e seu irmão. – Ele afirma agora menos feliz.

─Quer jogar um pouco?

─Não filho. Estou esperando o seu pai. – Sinto uma angustia me dominar. Nunca mais vou sentir vontade de nada. Toco a barriga. Meu bebê não pode ser um problema em hora nenhuma. Então quando já estava escuro eu o vejo caminhar tranquilo com sua besta nas costas e um saco na mão.

Fico feliz por tê-lo de volta e minha boca enche de água quando penso que podem ser morangos naquele saco. Abro a porta correndo para espera-lo. Meus olhos encontram os dele e sei que morreríamos um pelo outro.

─Preocupada? – Ele pergunta quando passa a mão por minha cintura na varanda e me encosto nele afirmando com vontade de chorar. – Vem está congelando esse vento.

Dentro de casa e depois de fechar a porta ele entrega o saco preto a Benjamin e fico um pouquinho decepcionada. Será que me enganei e não são morangos?

─Mãe eu tenho um presente para você. Meu e do meu pai.

─Um presente? – Finjo surpresa. Não quero decepcionar nenhum dos dois. Ben me estende o saco.

─Abre que vai gostar muito. – Abro e o cheiro já me faz sorrir. Então lá estão eles. Vermelhos e suculentos. Minha boca e meus olhos enchem de água.

─Obrigada. – Beijo primeiro Benjamin. Depois Daryl.

─Contei para o meu pai que você queria. Ele foi buscar e eu fiquei aqui cuidando de tudo até ele chegar. Ela estava preocupada que ficou de noite pai.

─Me empolguei. Peguei morangos para uma vida. – Sorrio quando me dou conta que ele fez mesmo isso. Solto tudo na pia pensando que dá para fazer uma torta para os garotos da escola. Comer alguns e ainda quem sabe uma geleia.

─Te amo. – Beijo Daryl. – Obrigada, mas promete que nunca vai se arriscar por...

─Por minha família?

─Eu sei. – Suspiro. Ele vai fazer. Não importa o quanto eu peça ele sempre vai fazer isso. – Não pode.

─Ninguém está se arriscando mais que você Clarie. Me deixa fazer minha parte. Só fica assim. Linda e sorridente. Isso me faz bem.

Afirmo. Ele seca uma lágrima boba que teima em rolar por meu rosto e depois me concentro em lavar morangos e come-los. Talvez não dê para uma geleia. Estão bons demais.

─Se fosse vocês dois comeria uns agora antes que seja tarde demais. – Daryl se encosta na pia e apenas observa. Já Benjamin se empenha no difícil trabalho de me ajudar a saborear morangos.

Notas finais
Beijossssssssssssssssss Agora vou tentar colocar os comentários em dia e postar no bônus. Obrigada!!!!!!