Resumption

53 Capitulo 53


Notas iniciais
Oiiieeee Mais um capítulo. Espero que gostem.

Pov – Amber

─O Daryl está melhor? – Pergunto assim que minha mãe entra em casa.

─Sim. Eu permiti que voltasse para casa. Ele é difícil. Não gosta muito de ser tratado. Me faz lembrar os bons tempos do hospital. Sempre tinha aqueles pacientes difíceis.

─Agora quando alguém está diante de um médico fica tão grato e esperançoso que qualquer uma de suas decisões é seguida como se viesse diretamente de Deus. É bom ser assim tão importante?

─Não Amber. – Minha mãe sorri tirando o casaco e se sentando na poltrona com um de seus livros de medicina. – A menos que você deixe isso subir à cabeça, no meu caso sou ainda a mesma.

─Eu sei. Vai ler?

─Pretendo. Adorei todos esses livros de medicina que a Jessie me deu. Eram do doutor Pete. Preciso me acostumar a lidar com tudo que surgir.

─Só o que vejo é esse vírus maldito.

─Nem sempre. Houve aquele vírus que matou muita gente. Se lembra? Olhos sangrando...

─Sim mãe. Eu me lembro foi há alguns meses. – Às vezes ela age como se o vírus e toda essa droga existisse há mil anos.

─Eu me esqueço de como tudo foi rápido. Quer conversar um pouco?

─Achei que estivéssemos fazendo isso. – Ela sorri cínica.

─Entendeu o que quis dizer. Falar sobre Enid, sobre Carl.

─Não adianta nada falar com você. Ninguém faz nada com aquela garota irritante. Não entendo isso.

─O que espera que as pessoas façam Amber? – Ela fecha o livro e me encara tirando os óculos. – Enid tem dezesseis anos. Acha que alguém vai joga-la do outro lado do muro? Não tem o que fazer. Apenas aceitar e ficar de olho. Talvez ela esteja desenvolvendo alguma psicose.

─Oh! E isso então não é ainda pior? Não tem como entender.

─Então esqueça. E você e o Carl? Como estão?

─Não estamos. Nem vamos estar enquanto ele se comportar como todos vocês fazendo vista grossa para Enid.

─Já pensou que pode ser apenas ciúme?

─Pode ser também ciúme. Nunca só isso. Tenho olhos e ouvidos. Sei o que ela fez. O risco que corremos com ela entre nós. E sim. Eu queria que o Carl detestasse ela.

─Está sendo egoísta.

─Eu posso, tenho dezesseis anos. Não tenho que saber tudo.

─Às vezes acho que sabe. – Minha mãe sorri. A porta se abre. Um vento gelado circula pela casa, olhamos as duas para porta e lá está Spencer com metade do rosto desfigurado.

─Adoro te ver assim. – Digo apenas para irrita-lo.

─Palhaça. – Ele resmunga se sentando. – O heróizinho de vocês está melhor?

─Muito melhor. Pelo menos seus machucados são mais dignos.

─Grande merda! Para o inferno com a dignidade. É o fim do mundo. O tempo todo fazemos coisas pouco dignas.

─Vem de novo com esse papo de sobrevivência a qualquer custo? – Nem sei como um dia pude gostar tanto dele. Agora me sinto completamente decepcionada.

─Amber você é chata demais. – Ele desiste da conversa. Se arruma no sofá e minha mãe olha para ele séria.

─Como está? Com dor ainda?

─Não. Mas claro que não tem nada com isso já que se recusou a me ajudar.

─Ajudei Spencer. Mandei ficar longe dela.

─Me poupe de ouvir sobre ela. Aquela mulher perdeu toda a graça e a beleza para mim.

─Puxa a Clarie nem vai dormir essa noite! – Eu não resisto e ele me atira a almofada.

─Pirralha. Conhecem a viúva do médico?

─Meu Deus! – O Spencer só pode ter problemas. – Você não tem nenhum limite? Não contei a história que circula por aí? Que o Rick matou o marido dela apenas por que a queria?

─Denise nem você acredita nisso, só está me dizendo isso para me manter longe dela. Entendo que errei com a outra. Mas essa vive sozinha. Posso tentar a sorte se quiser.

─Vou dar uma volta mãe. Ver como estão as coisas lá fora. – Caminho para a porta.

─Geladas. As coisas estão geladas. – Spencer me avisa e como resposta apenas bato a porta antes de descer os degraus e caminhar pelas ruas tranquilas de Alexandria.

Não quero andar por aí. Não é isso que estou fazendo. Eu tenho endereço certo. Vou bater na porta daquela garota e olhar bem nos olhos delas. Quero ver se ela tem coragem de agir como se tudo estivesse bem. Do jeito que é esquisita é capaz de realmente fingir que nada demais aconteceu.

Bato decidida. Não sei quase nada dela. Não quero saber de qualquer modo. Só quero esfregar umas verdades na cara dela para me sentir melhor.

Ela abre e logo me faz aquele ar entediado de quem não se importa. Que se dane. Eu me importo.

─O que quer aqui? – Ela me pergunta sem me convidar para entrar.

─Quero falar com você. Podemos?

─Vai querer me dar um sermão?

─Vai se esconder de novo como uma covarde? – Provoco. Ela suspira. Depois passa para o lado de fora e fecha a porta atrás de si. Cruza os braços e me olha cheia de tédio.

─Não tenho o dia todo.

─Marcou algum passeio na floresta? Um encontro com o lobo mau?

─Melhor que isso, pensei em dar um pulo na casa do Carl. – Ela diz com um sorriso falso no rosto está claro que só quer me provocar.

─Por mim. Pode casar com ele. Se ele é tão tolo para cair na sua conversa não serve para mim.

─Se acha muito perfeita.

─O que tem lá fora que te atrai tanto? – Decido ir direto ao ponto. – Eu sei que não se importa com ninguém. Acontece que não é idiota. Sabe que põe vidas em risco. O que vale tanto a pena?

─Não tem nada lá fora. Vou lá para não me esquecer de como é. Vou lá para não ficar fraca.

─As pessoas acreditam mesmo nisso? – Eu questiono e ela desvia os olhos. Mantem a postura despreocupada.

─O Carl já foi comigo. Ele sabe que só fico por lá.

─Mentira. Sabia que ele estava atrás de você e só deixou ele ver o que queria que ele visse. O que faz lá fora? – Insisto.

─Já disse. Se é só isso, bom dia. – Ela me dá as costas, não vai mesmo me deixar plantada aqui sem uma resposta.

Seguro seu braço com força, ela é uns centímetros maior que eu, mas eu sei ser forte quando preciso. Já tive que me virar lá fora em momentos de crise. Forço Enid a me encarar, ela se desvencilha de mim com um tranco. Ergue o queixo.

─O Daryl quase morreu! – Digo com um tom duro. – Já viu como Clarie olha para ele? Como o Benjamin precisa dele? Sabe o quanto o grupo precisa dele? Quantas pessoas sofreriam se ele tivesse morrido? Quantas vidas ele deixaria de salvar?

─Não fui eu que atacou o Daryl! – Ela grita. – Aqueles lobos fizeram isso.

─Você fez. Você arriscou a vida de meia dúzia deles lá fora. Ele se colocou em perigo por você. Foi lá agradecer? – Grito de volta. Ela se afasta. Olha para a rua encostada nas grades da varanda.

─Não seria bem-vinda.

─E porque será? Meu Deus, como pode ser tão egoísta? O que vai fazer lá fora? – Eu paro em sua frente. Meus olhos se grudam nos dela. Não deixo que se mova. Ela tem que dizer.

─Já disse.

─Tem alguém lá? O que leva na mochila? O que pretende?

─Vá arrumar o que fazer e me deixe em paz garota. Não te interessa o que faço lá fora. Não sou uma prisioneira aqui. Posso ir e vir quando quiser.

─Covarde! Por que não pega suas coisas e não vai de uma vez? Vá enfrentar os zumbis e a fome deles sozinha. Some. Não é isso que quer? – Ela fica muda. – Não quer. Só quer chamar atenção. Colocar inocentes em risco. Uma tola.

─Não sabe o que está dizendo. Perdi meus pais. Todo mundo que já esteve comigo morreu.

─Nossa Enid que pena! Quanto sofrimento. – Sou sarcástica. – Acha que só você sofreu? Que ninguém mais perdeu? O que? Isso é seu apocalipse particular?

─Sua mãe está viva. O pai do Carl também. A irmã dele. Eu estou sozinha.

─Entendo. E decidiu que todo mundo tem que acabar como você? Vai trazer zumbis e inimigos aqui para atacar a comunidade como quase fez com os lobos? Sabe que se eles tivessem pego você e não o Daryl teria contado tudo. Eles teriam vindo aqui.

─Eram quatro apenas.

─Isso. Minimiza as coisas se te faz sentir melhor. Tenho certeza que ao menos um de nós teria caído quando eles chegassem. Quem se importa, não é? Você com certeza não.

─Ninguém se importa comigo também! – Ela grita. – Eu realmente não ligo. Ao menos não mais. Cansei de me importar. Não faz diferença, todo mundo acaba morto mesmo. Então eu não ligo. Vou sair lá fora toda vez que quiser e que se dane o que pensa.

─Dá próxima vez que sair vou me certificar que será a última vez. Vou ficar na sua cola e vou eu mesma garantir que acabe na boca grande de um zumbi! – Seus olhos se arregalam de medo. Sorrio. Ao menos a assustei.

─Talvez eu faça isso antes. – Ela me diz quando eu descia os degraus para deixar sua casa. Me volto e encaro seus olhos frios, sinto uma mistura de pena com raiva, mas nenhum medo.

─Talvez. Mas aí você precisaria ser outra pessoa. Um tipo de pessoa corajosa.

Vou embora decidida a descobrir o que afinal aquela garota estúpida tem naquela cabeça oca. Queria ir para casa. Mas penso em Spencer estirado no sofá preguiçoso e tolo e desisto.

Não quero ver o Carl, não agora, estou brava demais com ele então caminho para casa de Maggie, quem sabe ela precisa de ajuda? Está gravida e pode querer descansar um pouco nesse frio.

Pov – Carl

Michonne brinca com Judy na sala enquanto meu pai faz ronda em Alexandria. Fico por perto delas, gosto de ver como as duas se entendem, como na verdade nós três nos entendemos e penso em como seria bom se Mich e meu pai se entendessem.

─Você está bem? – Eu pergunto a ela. Mich desvia os olhos de Judy e entrega um brinquedo colorido a ela que se distrai. – Sobre... Você sabe. O passado.

─Sim. – Ela olha para Judy sentada no sofá, faz um carinho nos cabelos dela, sorri daquele jeito grandioso que ela tem de sorrir. Me lembro da primeira vez que sorriu para mim, no dia que decidimos ser amigos. Quando ela voltou lá de dentro daquele bar e me trouxe a única foto da minha família. Tudo à toa. Não tem mais foto alguma. – Acomodei tudo aquilo. Me acostumei com a culpa.

─Acha que a gente se acostuma com tudo?

─Infelizmente sim. Não devia ser assim.

─Talvez eu me acostume com a cicatriz.

─E vai. E todo mundo que te cerca também. – Ela diz recolhendo o brinquedo que Judy deixa cair. – Não tem outro jeito de viver.

─Me sinto as vezes meio que mais próximo dos mortos do que dos vivos. Não como Lizzie. – Ela me olha preocupada. – Meio cansado eu acho. Ao mesmo tempo tenho esperança e vontade de salvar essas pessoas que vivem aqui. Eles não sabem de nada.

─Acho que agora sabem Carl. Tem um monstro dentro delas também. Já falamos tantas vezes sobre isso. É que nós já tivemos que olhar nos olhos dele. Essas pessoas ainda não.

─É. Sei disso. Depois que se olha nos olhos dele é difícil esquece-lo.

─Muito. E talvez nem seja boa ideia. Às vezes ele é tudo que nos mantém de pé.

─Pegou a katana de volta.

─Queria dizer que não tive escolha. Acontece que tive e escolhi enfrentar isso.

─Sempre escolhemos isso. Eu, você, meu pai, tantos outros. Acha que está pronta para seguir em frente e namorar? – Ela ri despreocupada. Acabo sorrindo também.

─Isso é sobre mim ou sobre você, Carl?

─Sobre os dois. Você e meu pai?

─Nesse momento é amizade. Irmandade. Não sei direito. Tem muito em jogo para arriscar mais.

─O que tem em jogo? – Eu a questiono.

─Isso aqui. Todos nós juntos. Sabe Carl, foi um longo caminho até conquistar isso. Não vamos arriscar. Além disso não sei se estou pronta e nem seu pai e acho que... De onde tirou isso?

─Tem uma leve tensão entre vocês. Não sou bobo.

─Uhm! Experiente! – Ela brinca.

─Nem um pouco. Um atrapalhado que está confuso com isso.

─Queria poder ajudar. Acontece que não quero influenciar você.

Faço careta. Judith deixa o brinquedo cair mais uma vez. Dessa vez ela pede para descer e Mich a ajuda. As duas sempre se entendem e quando Mich está com ela dá para ver como leva jeito com crianças.

─Se posso dar um conselho Carl Grimes, seria apenas escute seu coração.

─Ele anda meio calado! – Brinco com ela e então uma batida na porta me desperta. Me levanto e já caminhava para porta quando me lembro da cicatriz, volto e pego o chapéu.

Enid me olha um tanto tensa. Não a vejo desde que chegaram com Daryl ferido. Penso em como me sinto sobre tudo o que aconteceu e sinto uma ponta de raiva dela. Ao mesmo tempo sinto pena.

─Enid. – É tudo que digo.

─Vem aqui. – Ela me puxa pela mão e saio para o lado de fora fechando a porta em seguida. – Todo mundo me odeia nesse lugar. – Ela me diz como um desabafo.

─Acho que um pouco é culpa sua que não se envolve muito com as pessoas.

─Pode não começar com outro sermão? Já ouvi o bastante por hoje.

─Depois do que aconteceu é normal. Não devia ter ido lá e eu não devia ter mando o Daryl atrás de você. Arrisquei a vida dele pela sua e acho que não foi uma boa troca. – Ela me olha espantada, mas acontece que quando penso em tudo que vivi com ele e com ela. Definitivamente prefiro Daryl a ela. Talvez não devesse dizer. Mas agora já disse.

─Amber me ameaçou. As pessoas me olham com raiva.

─Amber é impulsiva.

─Sempre fica do lado dela. – Não importa o que faça uma sempre me acusa de ficar do lado da outra e fico olhando para ela e tentando ouvir meu coração e não escuto droga nenhuma.

Ela dá um paço em minha direção, depois outro, já estivemos assim perto e quando aconteceu pensei em beija-la, mas dessa vez eu não sinto nada. É só aquela vontade de ajuda-la, muito mais porque se parece comigo do que porque eu sinto qualquer coisa.

Sua mão vem para meu peito. Fico imóvel, não sei como reagir, nem sei se quero reagir. Então seus lábios se aproximam dos meus e quando se tocam eu penso em Amber.

No sorriso dela, na voz suave e nos lábios dela, acho que isso deve ser a voz do meu coração e então eu me afasto. Enid me olha confusa.

─Não gostou? Não quer me beijar?

─Desculpe. Eu acho que não te vejo desse jeito. Acho que você também não quer isso. Acho que só quer se sentir segura e acho mesmo que só veio aqui porque se sente sozinha.

─Gosta da Amber? – Não quero magoar Enid. Eu sei que tem um monte de coisas dentro dela que a perturbam.

─Acho que.... – Não sei como dizer a ela.

─Gosta? – Ela insiste.

─Gosto. – Admito e ela afirma. Me dá as costas e quando deixa a varanda ainda dou um passo em sua direção, depois como não sei o que dizer desisto. Meus olhos acompanham seus passos até que desapareça e quando pensava em voltar para dentro Amber me olhava do outro lado da rua. Um pouco mais a frente.

Não preciso perguntar para saber que nos viu. Só o modo decepcionado com que me olha já é o bastante. Ela viu o que não devia ver e não ouviu o que devia ouvir. Dou um passo pensando em ir até ela. Amber faz um movimento negativo com a cabeça e depois caminha para longe.

Demoro a tomar coragem de voltar para dentro. Me sento no sofá e acho que Michonne percebe minha tristeza.

─O que aconteceu? Viu um fantasma?

─Era mesmo só o que nos faltava. Fantasmas. – Suspiro. Tiro o chapéu e atiro no sofá. Cruzo os braços e encaro o chão ainda aturdido.

─Ouvi meu coração tarde demais. – Ela ergue uma sobrancelha. – Enid me beijou. Descobri que quero Amber. Acontece que Amber nos viu.

─Que grande confusão. – Ela diz me olhando tranquila. – Acho bom que tem possibilidade de viver isso. Todas essas emoções e desencontros que se podia viver antes do fim do mundo. Não precisa resolver nada agora Carl. Deixe Amber digerir as coisas e depois conte a ela sua versão.

─E se ela não acreditar?

─Pode acontecer. Aí terá que esperar até que ela veja que não tem nada com a Enid e aceite que disse a verdade.

─Parece fácil quando coloca assim.

─Não é. Se fosse não teria a menor graça. Agora tenho que ir. Está na hora de assumir meu posto.

Fico sozinho com Judy, ela nem liga para mim. Não liga para nada. Não sabe que com ou sem fim do mundo a gente sempre consegue se dar mal. Isso é parte de ser um Grimes.

Notas finais
No próximo teremos nossos Dixons de volta. Então gente tem sempre alguém me perguntado se vou fazer mais fics com TWD e Daryl Dixon. SIM!!!!!!!!!!!! Não vivo sem esse Dixon, não me faltam ideias. O que me falta mesmo é tempo. Assim que minha sobrinha for embora eu começo a segunda temporada de Apocalipse A era dos mortos. Já era para ter começado, mas achei melhor esperar já que não me sobraria muito tempo no momento. E quando essa terminar eu já tenho planos. Na verdade tenho planos para muitas histórias sobre TWD e tantas outras coisas. Já tive quatro fics em andamento. mas percebi que quando tenho muitas fics diferentes fico muito ansiosa porque odeio deixar meus leitores esperando, então decidi que no máximo serão três. BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS