Resumption
47 Capitulo 47
Notas iniciais
Pov – Clarie
Deixo a casa de Maggie com Eric ao meu lado, agora vou buscar meu menino na escola, seu primeiro dia de aula, estou curiosa sobre como foi e não vejo a hora de contarmos a Daryl.
─Maggie está bem melhor do que imaginei. – Eric comenta caminhando ao meu lado, vou vasculhando as ruas em busca de encontrar Daryl.
─Beth me disse que a irmã era forte, não imaginei que era tanto, mas ela é aquele tipo de pessoa que acaba por se refazer. – Digo com o pescoço dobrado para olhar em uma esquina, Eric não questiona, sabe que estou buscando Daryl.
─Acho que ela assumiu esse lugar um pouco como fuga dos seus problemas. – Ele me diz sorrindo, Maggie cuida mesmo de tudo com muito capricho, luta para fazer dar certo mais que todos os outros.
─Pode ser, o que importa é que está bem e o Glenn como ela acredita vai ficar também.
─Docinho, está se cuidando? – Eric me pergunta, fujo desse assunto porque ele me apavora, toda vez que penso a respeito afasto a ideia muito rapidamente, mas quando sou questiona assim, só posso falar sobre isso.
─Eu... Eric não posso mentir, não me cuido, quer dizer, não uso nenhum método, quando soube da Maggie eu até me assustei um pouco. Antes nem me passava pela cabeça. Mas depois, acho que talvez eu tenha algum problema, sabe o que me acontecia no Grady, foi um ano daquilo e nada aconteceu, teve uma garota que ficou gravida e o médico fez um aborto nela.
─Que horror. – Ele diz chocado, ninguém além das pessoas que lá viveram sabem o inferno que aquilo foi, mas não sobrou ninguém além de mim, Beth está morta, Noah também. Sou a única testemunha dos horrores do Memorial Grady Hospital.
─Ela quis, mas não aconteceu comigo, então acho que não posso. Talvez seja algo físico.
─Olha docinho, até entendo que isso seja bem mais fácil de acreditar, mas acho que precisa pensar em alguma coisa. Quem sabe não fala com a doutora Loyd? Juntas chegam a uma decisão.
─Eu sei que está certo, prometo procura-la. – Ele me olha um momento buscando em mim um sinal de que estou falando sério. – Prometo! – Eu o tranquilizo.
─Tudo bem, acredito em você, mesmo assim vou pegar no seu pé. – Paramos em sua porta, ele me beija o rosto. – Vai buscar seu garotinho na escola, sei que está aflita. Que surreal buscar uma criança na escola! – Eric ri da constatação. Depois apenas aceno e me ponho a caminhar.
Vejo a casa onde a escola funciona no fim da rua, fico ansiosa, preciso me preparar para Benjamin, se ele tiver alguma insegurança ou problema tenho que incentiva-lo a não desistir. Quero que seja um menino forte que não tem medo nem se esconde no primeiro problema, isso é mais do que tudo, uma questão de sobrevivência nesse novo mundo.
Benjamin vai vencer a morte, vai liderar uma multidão no futuro, eu sei, sinto isso e vou providenciar para que aconteça, vou ser forte por ele e ensina-lo a não se render ao medo como fiz por muito tempo, como ainda faço as vezes.
─Acho que só pode ser o destino sempre te colocando no meu caminho. – A voz de Spencer ao meu lado me assusta, olho para ele apressando o passo para se colocar a meu lado. Desvio meus olhos. – Onde vai?
─Buscar meu filho na escola. – Não paro de andar, não olho para ele.
─Garotinho de sorte o seu. Uma mãe dedicada e bonita.
─Preciso ir, boa tarde. – Apresso mais ainda o passo me distanciando dele. Quase corro, ele não me segue e fico grata. Meu coração batia assustado quando paro na varanda a espera de Benjamin. Indecisa sobre bater ou aguardar.
Com tanta gente nesse lugar porque justo eu tinha que ser alvo desse cara? Tantas mulheres livres, tantas mais fortes que eu para fugir disso. Talvez precise falar com Daryl sobre isso, por mais que Eric e Maggie insistam que é só um homem interessado eu o quero longe de mim. Que se dane seu interesse, ele que arrume outra, não me sinto lisonjeada, não me sinto atraída nem nada parecido, só sinto medo e raiva.
Mas o que vou dizer? Daryl aquele Spencer já disse meia dúzia de vezes que sou bonita? O cara me elogia toda vez que me vê? Não, isso definitivamente não faz sentido, ele vai se meter numa briga boba sem motivo. Daryl é esquentado e cabeça dura. Já não somos os mais queridos de Alexandria, o grupo que chegou aqui com Rick sempre parece atrair problemas e não quero ser responsável por mais um.
O certo é fazer como fiz, correr dele até que veja que não tem chance e desista.
─Oi mãe! – Benjamin surge com o caderno na mão e um largo sorriso que me faz esquecer qualquer outra coisa. – O Ron me chamou para fazer lição na casa dele, mas eu disse que tinha que pedir a você. Posso ir? – Os olhos brilham e me emociona.
─Quer ir? – Pergunto esperando um não como resposta, mas ele apenas afirma movimentando a cabeça. – Nesse caso tudo bem. Pode ir.
Ron sorri surgindo a seu lado. Me dá uma leve nostalgia dos bons tempos de escola, do quanto gostava de brincar com minhas amiguinhas. O rosto da minha mãe surge na memória e me sinto como ela. É bom ter essas recordações.
─A gente vai brincar um pouco depois, pode pegar ele só de noite? – Ron me pede e fico contente, Ben agora começa a ser apenas uma criança, como tem que ser. Como nunca pode ser.
─Só a noite, mas o que a Jessie acha disso?
─Acho ótimo! – Jessie responde subindo os degraus, ela sorri. – Deixa eles Clarie, eu levo o Ben antes de anoitecer.
─Tudo bem. Se eles querem. – Ben e Ron trocam um olhar feliz, sorrio orgulhosa do meu garotinho, é bom vê-lo tentar. – Se comporta Ben e obedece a Jessie.
─Tudo bem. Não faz mal fazer meu curativo só a noite?
─De jeito nenhum, pode ser.
─Ótimo. Então vamos garotos, tem uma comida bem quentinha a espera de vocês. – Ela me abraça. – Obrigada Clarie, depois do que aconteceu com o Pete ele anda precisando se distrair um pouco.
Afirmo, beijo as bochechas de Benjamin que sorri contente, mas um dia vai morrer de vergonha e pedir para não ser beijado em público. Rezo para ter a chance de ver esse dia chegar.
Caminho para casa. As horas passam lentas, nada de Daryl voltar e me pergunto se ainda estaria lá fora. Começo a me preparar para ir atrás dele quando a porta se abre no fim da tarde.
─Daryl, nossa como fiquei preocupada! Até agora lá fora, teve algum problema?
Ele não me olha nos olhos, não para de andar para falar comigo, segue em direção a escada e só confirma a impressão que tive pela manhã.
─Faz tempo que cheguei, estava trabalhando por aí. – Eu o sigo insegura, afinal o que se passa?
─Está tudo bem lá fora? Achei que viria me dizer que estava de volta.
─Fiquei ocupado. – Ele responde remexendo suas coisas, normalmente me pediria o que procura, mas não parece muito interessado em ajuda.
─Não vai me perguntar do Benjamin? – Ele calça luvas, e coloca a jaqueta por sobre a camisa, vai sair?
─Está na Jessie, cruzei com eles. – Nem um único olhar. – Vou para a garagem do Aaron, dar uma revisada na moto.
─Agora? Não pode deixar para amanhã? – Porque precisa da moto a noite? O que tem ela que não pode esperar amanhã?
─Posso, mas não quero, vamos sair em dois dias, então quero ver se a moto está bem.
─Sair? – O que deu nesse homem? O que tem de errado com ele? Conosco?
─Sim. Recrutar, eu e o Aaron.
─Como assim? Me disse que não faria mais isso, que não podíamos deixar o Benjamin.
─Você fica com ele. – Ele passa por mim, começa a descer as escadas e o sigo mais uma vez confusa.
─Deu algo errado? Teve problemas lá fora? Porque quer ir lá fora assim do nada?
─Porque quero, tenho que ir, não me espere, vou passar a noite mexendo na moto.
─Mexendo na moto? Tem certeza?
─Não sou o tipo que mente. Se estou dizendo que vou fazer isso é porque vou.
─Sem comer, nesse frio? Disse que sempre sairíamos juntos.
─Eric me arruma algo para comer.
─Claro que arruma, o Eric sempre cuida muito bem de você. – Odeio sentir ciúme do meu melhor amigo.
─Não tenho tempo para isso. – Ele está fugindo ou me dando um basta? O que afinal deu errado?
─Mentiu. Disse que não mente, mas mentiu, disse que sempre ficaria perto, mas foi uma mentira, está se livrando de mim, e está fazendo isso com muita facilidade.
─Será que sou mesmo eu que estou fazendo isso?
─Se não diz o que está acontecendo não posso adivinhar. – Ele me olha um momento, os olhos frios. Abre a boca para dizer, desiste e gira a maçaneta da porta. ─ O que digo ao Benjamin?
─A verdade, que estou no Aaron cuidando da moto, ele pode ir até lá se quiser.
A porta bate e fico de pé no meio da sala tentando entender o que estragou tudo, se fui eu, ou ele apenas se cansou, me sento na sala completamente atônita, os olhos cheios de lágrimas que não posso conter.
Fico um tempo incalculável ali, olhando para o nada, sem forças para me mover. Nada me vem à mente. Nenhuma razão para sua indiferença. Anoitecia quando começo a repassar meu dia.
Quando amanheceu tudo estava bem, foi perfeito como todas as manhãs, mas quando ele desceu já estava distante, o que quer que seja foi no quarto, enquanto nos arrumávamos.
Ele não pode ter apenas olhado para mim e decidido que estava cansado, acredito no seu amor, ou acreditei. Repasso a conversa, ele quis saber quem estava comigo, o que fizeram e disseram e perguntou por Spencer.
Fico de pé, ele sabia que Spencer estava lá, estava apenas me testando, porque não confia em mim? Porque acha que estou interessada em Spencer? Não posso ficar parada, preciso descobrir a verdade.
Abro a porta e dou de cara com Jessie acompanhada de Ben e Ron.
─Foi difícil convence-los, queria brincar mais, achei que poderia ficar brava ou pior preocupada, por isso o bico desses dois.
─Jessie. –Abraço Ben, meus olhos procuram os dela, acho que ela sente a tensão. – Se eles querem tanto brincar mais um pouco acho que não tem problema, eu posso pegar o Ben mais tarde. – Jessie compreende que algo está errado.
─Claro, demore o tempo que precisar o Benjamin é um menino muito educado. – Olho para Ben e ele dá de ombros, definitivamente meu Benjamin é tudo, menos muito educado.
─Divirtam-se. – Eles dão meia volta Ben e Ron caminhando na frente animados, quando desaparecem eu encosto a porta e sigo em direção a garagem de Aaron.
Meus passos são decididos, mesmo que não tenha a menor ideia do que vou dizer. No momento sinto raiva, dele, de Spencer e de mim, de ter sido boba sobre tudo, de ter sido fraca, aprendi a me defender, porque tive medo daquele idiota do Spencer? Porque acreditei em todas as coisas bonitas que Daryl me disse se no fundo ele fugiria na primeira oportunidade?
Quando estou diante da garagem de Aaron, prestes a abrir a porta mais uma vez Spencer surge diante de mim e se antes tinha medo agora sinto nojo do sorriso idiota que se prende em seu rosto como se vivesse num mundo vivo e perfeito.
─Não disse que é o destino sempre te colocando no meu caminho? – Ele brinca, sua mão toca meu braço e me desvencilho de modo firme, encaro aquele rosto de cabeça erguida.
─Não sei se é o destino, acredito na verdade que é o fato de você ser meio inútil e passar todo seu tempo batendo perna. – Seus olhos se arregalam.
─O que é isso Clarie? Nem fica bem um rosto lindo e delicado como o seu tendo uma atitude tão...
─Grosseira? É o mínimo que posso fazer, acha mesmo que esses seus elogios me interessam? Acha mesmo que alguma mulher que se preze se deixaria levar por palavras tolas e superficiais?
─São verdadeiras.
─São desnecessárias e fora de lugar, num mundo como o nosso, qualquer mulher que caia numa conversa como essa não merece nada além de um cara como você, mas não acho que tenham sobrado mulheres assim aqui. Sabe que tenho um compromisso?
─Compromissos são desfeitos.
─Não para mim, talvez para alguém como você. Mas primeiro precisa saber que nunca me interessaria por um homem como você.
─Como pode saber, não me deu nenhuma chance? – Ele insiste, parece surdo, burro. Talvez arrogante demais para achar que alguém lhe diria não.
─Spencer você não é bonito, não é atraente e muito menos interessante. Vê como não tem nada que me interesse? Além disso é um idiota que não respeita os sentimentos alheios. Queria acabar com meu relacionamento, parabéns, conseguiu, mas isso não te coloca na minha vida, isso te coloca a mil quilômetros de mim.
─Brigaram por minha causa?
─Adoraria dizer que sim, mas não é verdade, brigamos por que meu namorado é um idiota fraco como você, incapaz de confiar no que sinto por ele, incapaz de enxergar o quanto você é inferior.
─Você não é como eu pensei.
─Decepcionado? Que bom, que bom que não sou como pensou, seria uma vergonha se fosse. – Ele está diante de mim com os olhos esbugalhados. Não sabe o que fazer, como reagir, não esperava por isso, talvez não tenha ouvido muitos nãos em sua vida. – Agora escute bem. – Caminho para ficar firme diante dele, a noite sobre nós, nem ela me assusta, talvez pela raiva ou apenas porque acabo de descobrir que sou forte e que nunca mais me deixo enganar e usar. – Eu aprendi a usar essa lança, eu aprendi a me defender, e eu vou fazer isso, sua vida não vale nada para mim, não vale nada para qualquer um aqui, então fique longe, homens não me metem medo, não quero, nunca quis e jamais vou querer qualquer coisa com você, então fica bem longe de mim.
─Desculpe, apenas achei que era uma jovem delicada que gostaria de um pouco de atenção e carinho.
─Eu tinha tudo isso, até demais, não sabia que não era honesto, mas tinha, e mesmo se não tivesse os seus não me interessariam, agora saia do meu caminho.
Ele se afasta apressado, eu fico um longo segundo ali, apertando a lança com toda minha força. Então relaxo um pouco, coloco a lança de volta no ombro e dou alguns passos em direção a garagem e Daryl surge das sombras.
Paramos diante um do outro. Sinto raiva dele, de tudo que eu sei que ele pensou, de não ter me dito, de estar ali escondido ouvindo tudo e não se mover em minha direção.
─Clarie eu não...
─Tem uma moto para consertar, não é? Vá em frente. Vai cair na estrada depois disso, não é assim?
─Eu não sabia, eu achei...
─É um grande mentiroso, disse que me amava, que morreria sem mim, disse coisas lindas e só queria me iludir, não é verdade, não me ama, não vai morrer sem mim, pelo contrário, foi bem fácil me dar as costas, se livrar de mim e da nossa história. Fez um monte de promessas falsas.
─Eu não menti, nenhuma vez era mentira. Estava com medo.
─Volte para seu trabalho, vou buscar meu filho na casa da Jessie, vou cuidar dele porque aquele é um amor verdadeiro. Foi seu primeiro dia de aula, ele arrumou um amiguinho, está feliz como nunca esteve e não está lá para ver isso. – A voz embarga e não quero dar a ele esse prazer.
Dou as costas e ele e corro para longe, quando ganho distancia deixo as lágrimas caírem livres, deixo os soluços me dominarem e mal consigo enxergar o caminho a minha frente, esbarro em alguém.
─Desculpe! – Soluço, mãos me seguram e quando ergo meu olhar é Rick. Fico aliviada, se fosse mais uma vez aquele inútil do Spencer eu provavelmente usaria a lança.
─Que droga aconteceu agora? – Ele me pergunta surpreso.
─Nada, eu e o Daryl brigamos, na verdade eu é que briguei com ele e com o mundo e... – Desato a chorar, Rick fica completamente sem saber o que fazer, me olha confuso. – Desculpe Rick, pode por favor pegar o Benjamin na Jessie e leva-lo para casa? Não quero que me vejam assim.
─Claro, vá se recompor, eu chego com ele daqui a pouco, onde o Daryl está?
─Na garagem do Aaron eu acho, ou se enfiando em algo estúpido, não sei.
─Sei o que quer dizer, ele nunca se acha bom o bastante, sempre espera que as pessoas o abandonem, acho que não conhece muito mais que isso.
Eu não quero ouvir nada que me deixe culpado então apenas corro para casa, quando fecho a porta atrás de mim me dou conta de como tudo isso é insuportável e só me entrego, choro como se todas as dores do mundo estivessem sobre meus ombros me oprimindo, mas não pode durar muito, fiz uma promessa a Benjamin e vou cumprir, ele merece isso, subo até o banheiro, lavo meu rosto. Junto forças para recebe-lo, e desço, Rick vai trazer Benjamin e não quero que ele sinta medo, já vai ser muito duro dizer a ele que Daryl está indo nessa porcaria de viagem de recrutamento.
─Oi mãe! – A voz de Ben ressoa no andar de baixo, eu vou recebe-lo. – O Rick que me trouxe, eu sou criança, não é? Ele disse que você pediu para ele me buscar porque eu sou criança e não posso andar sozinho.
─Isso mesmo, onde ele está?
─O Rick me disse que meu pai está trabalhando e ele ia ajudar ele, disse para você não se preocupar que eles vão trabalhar juntos.
─Sei. E como foi tudo? – Engulo o choro.
─Sabia que ninguém riu de mim? E que a professora ensinou um monte de coisa que eu já até sabia e que eu ajudei o Ron e ficamos amigos?
─Que bom, estava mesmo precisando de um amigo.
─Eu disse a ele que pode me chamar de Ben. – Então é alguém que se importa, todo mundo que importa para ele pode chama-lo de Ben.
─Com fome?
─Não, comi na Jessie, mas a sua comida é mais gostosa, um dia o Ron pode brincar aqui?
─Sempre que ele quiser. – Ele me olha, busca alguma reação minha, investiga meus olhos.
─Você chorou?
─Não, foi sabonete, fui lavar o rosto e ardeu meus olhos.
─AH! Eu sei como é, tem que passar a toalha.
─Foi o que eu fiz, vamos fazer os curativos e dormir?
─E não vou contar para o meu pai como foi meu dia? Aposto que ele quer muito saber?
─Ele vai demorar Ben. ─ Talvez nunca mais volte, penso com o coração partido, engulo o choro mais uma vez. – Amanhã conta para ele, se ele tiver que trabalhar muito eu te levo para vê-lo.
─Então tudo bem. – Troco seu curativo, depois ele me mostra o caderno, está animado e quando se deita e eu o cubro seus olhos encontram os meus e sinto as lágrimas virem. – Mãe, é muito ruim só nós dois. Queria que meu pai ficasse aqui também. E se um zumbi aparecer?
─Ei garoto, eu sei matar zumbis, sou forte! – Uma lagrima escorre apesar de sorrir, ele sabe, seus olhos dizem que sente minha dor e como eu finge que tudo está bem.
─Sabe mesmo! – Ben sai de dentro das cobertas para me abraçar e eu o aperto num choro mudo e dolorido que me consome, luto internamente para não me entregar diante dele.
─Pronto, agora dormir, vou ficar aqui com você até pegar no sono.
Ele se afasta, me dá um beijo no rosto e acho que é a primeira vez que faz isso, me acalma o coração. Benjamin volta para as cobertas e fecha os olhos apertando minha mão, aos poucos o aperto relaxa e ele adormece.
Eu vou para minha cama, quero só me deitar ali e me consumir. Chorar tudo que existe dentro de mim para conseguir sobreviver por Benjamin.
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