Resumption

45 Capitulo 45


Notas iniciais
Desculpem queria ter postado antes, mas não deu tempo. Espero que gostem!

Pov – Benjamin

Minha mãe é bem bonita, e tem um cheiro bom, gosto quando ela me faz carinho com a mão quentinha, até se eu não tenho febre. Ela olha minha lição com o rosto um pouco triste ainda.

Foi o maior sustão do mundo quando ela chegou. Pensei que ela ia virar um zumbi e eu ia perder ela para sempre, e depois o Daryl nem ia me querer mais, porque é preciso de mãe e pai, se não os pais não ficam muito bons.

As vezes eu tenho medo de ser ruim e me mandarem embora, porque eu não quero nunca ir, nem quero mais crescer só para ficar com eles.

O meu pai é legal, forte e sabe me deixar sem vontade de chorar, até a raiva vai embora, não sabia nada disso que eu ia ser filho deles. Ninguém me disse nada e depois eu fui vendo que era.

─Muito bom Ben, mais uma vez entendeu direitinho e acertou tudo.

─Clarie... Mãe. – De vez em quando eu me esqueço. – Se eu for na escola e acabar brigando ou xingando alguém?

─E por que acha que vai fazer isso? – Ela me pergunta e dou de ombros, não sei muito explicar, mas tento, para ela saber como que é.

─Tem coisas que me deixam bravo, e até com medo, quando eu tinha outro pai e quando ficava com os lobos, eu era assim, todo mundo era, se está bravo tem que gritar e xingar, se não o outro te machuca.

─Não, nem sempre, as vezes você pode só se acalmar.

─Me acalmo quando fico com vocês dois.

─Eu sei que precisava se defender Ben, que te machucavam e isso só te deixava com mais raiva, mas agora não precisa mais se defender toda hora, porque eu quero te defender, porque o Daryl quer.

─Porque é minha mãe e ele meu pai?

─Por que eu te amo e ele também.

─Como é isso? – Não sei como que é. Passo a mão no cabelo para tirar do olho e ela faz cara de quer cortar.

─Amor é o sentimento mais bonito que existe, o maior e mais forte, deixa a gente feliz e calmo, com vontade de sorrir, amo você e o Daryl, nunca acaba, amor nunca acaba.

─E se a gente fizer uma coisa feia e ficar triste, não acaba? – Agora eu quero ver.

─Não, vou desculpar e continuar amando.

─E o Daryl também é assim?

─É.

─Se for na escola e rirem de mim eu conto e não xingo?

─Isso é complicado Ben, as vezes a gente tem que brigar, como quando brigamos com os lobos, as vezes temos que desculpar.

─Como eu sei quando tenho que desculpar?

─Quando gostar da pessoa, quando for uma pessoa boa fazendo uma coisa má, vai acabar descobrindo, o que importa é saber que eu e o Daryl, seu pai e sua mãe, não vamos nunca te deixar.

─Eu acredito, mas se um zumbi te morder que nem eu pensei hoje o Daryl ainda vai gostar de mim assim?

─Vai.

─E se acontecer com ele, você vai gostar de mim assim?

─Eu disse que não acaba nunca, então sim vou gostar do mesmo jeito.

─O Carl é grande e o Rick ainda cuida dele, se eu ficar grande vai cuidar de mim?

─Sim senhor. – Ela me sorri, minha mãe é mesmo muito bonita.

─Acho que eu estou com um pouquinho de febre.

─Só tem uma coisa a fazer nesse caso. – Não sei o que é não, fico esperando ela me dizer. – Tem que vir aqui no meu colo me dar um abraço bem grande.

Eu vou rápido, era isso mesmo que eu queria. Fico um pouco ali, penso no meu pai lá fora trabalhando, ele bem que podia chegar, gosto quando ele está aqui.

─Meu pai demora?

─Não, ele já chega, é que tem muito trabalho lá fora. O que ficaram fazendo?

─Ele jogou comigo um pouco depois que chegamos, mas quando a gente foi no Carl ele só ficou com a Judith.

─Sério? – Ela sorri. A Judith é bebê e todo mundo gosta dela, as vezes queria ser bebê, ficar bem pequeno e só ficar no colo.

─Ela deu um sorrisinho para mim, mas não sorri para ela não, a Judy é chata, não sabe fazer nada.

─Por isso que amo você, sabe fazer umas lições linda.

─Minha perna está doendo um pouco.

Clarie me beija na testa e depois me ajuda a ficar de pé.

─Vem, vamos ficar bem deitadinhos esperando o Daryl lá na sala.

─Está triste ainda?

─Não, você está comigo.

Daryl chega quando já estava ficando de noite, me faz carinho no cabelo e depois beija a minha mãe.

─Como foram as coisas?

─Tudo bem. – Ele diz, e sorrio, gosto dos dois juntos.

─Amanhã vou na escola pai, e se alguém me xingar eu vou pensar se brigo ou conto, se for legal eu conto, se for alguém chato eu brigo.

Ele fica me olhando, depois olha para Clarie, ela dá de ombros e vamos comer. Depois de trocar meu curativo eles ficam esperando eu dormir, é bom porque daí não fico com medo.

─Boa noite Ben. – Os dois dizem e vou fechando os olhos até dormir.

Pov – Clarie

Finalmente ele pega no sono, foi um dia longo e cheio de coisas que me assustaram de muitos modos diferentes.

─Vem, vamos deitar. – Daryl me puxa pela mão e seguimos para cama. Me deito abraçada a ele, suspiro aliviada, finalmente estou onde queria estar, nos braços dele.

─Eu queria muito estar aqui. – Ele me beija a testa, me envolve mais.

─Vi o corpo, o que fez, fiquei surpreso. – Não gosto de lembrar, ainda sinto em meus dedos a pele e o sangue daquela coisa. A textura da garganta se abrindo com minha força. – Orgulhoso também.

─Não sabia o que estava fazendo, só queria desesperadamente viver para voltar para vocês.

─Sei como é, já me vi assim, sentindo uma força descomunal nascer em mim apenas para lutar pela vida.

─Quando me achou eu não me importava, se lembra?

─Completamente, odiava do fundo do meu coração ouvir você dizendo que não se importava de morrer, eu queria tanto que vivesse e você...

─Estava ferida. – Ele se move. Fica sobre mim e seus olhos são de um azul profundo, é tão meu quando estamos assim, faz tudo valer a pena e eu o amo.

─Eu amo você Clarie, cada parte sua e pensar em te perder me deixa doente, doente mesmo, então se fica em risco eu meio que perco o chão.

─A gente tem que lidar com isso Daryl. – Toco seu rosto, acaricio com cuidado, ele fecha os olhos aproveitando o carinho. Beijo seus lábios e ele volta a me olhar. – Esse seu medo pode um dia te machucar.

─Não me importo.

─Está sendo egoísta.

Daryl me olha espantado, não compreende o quanto eu o amo. Nunca vai entender, não se acha merecedor de todo amor que sinto por ele, então duvida.

─Porque me preocupo mais com você do que comigo?

─Sim. Porque se esquece que te amo do mesmo modo e que se algo te acontecer me protegendo vai me matar.

─Se não fizer morro eu. – Ele diz e sorrio, ele sorri de volta.

─Um empasse. – Brinco.

─Não, eu tenho razão e pronto, é uma garota então eu tenho que te proteger.

─Um egoísta e machista, tudo no mesmo homem? E eu ainda me apaixonei? Que coração desavisado. – Daryl sorri. Seus dedos tocam meu rosto naquele jeito atrapalhado e apaixonante que tem de me dar carinho. O sorriso some e seus olhos ficam profundos.

─Meu coração falhou quando atravessou a porta, minha mente trabalhou rápido e primeiro me apavorei e depois consegui entender que se estava aqui, então estava viva.

─Desculpe a preocupação.

─Não é essa a questão, não pode evitar. Principalmente agora, com Benjamin as coisas ficam ainda mais difíceis para mim, sem você eu acho que só me deixaria... Você sabe, mas e ele, Ben precisa de você, então tem que me deixar te proteger.

─Tudo bem, cuida de mim e eu de você. Como combinamos quando começamos, eu me lembro senhor Dixon, não pense que esqueci.

─Eu não preciso de cuidados Clarie, nem sei lidar com isso, eu cuido, de você e do Ben e pronto chega de me enrolar.

─Onde a gente chaga com essa conversa? – Eu pergunto porque me parece não fazer sentido algum.

─Fica sempre perto de mim, sempre perto.

─Recrutar ficou para trás?

─Sim, não consigo sair e deixar você, não posso te levar e deixar o Benjamin, então acabou, as coisas... Vamos nos concentrar em deixar esse lugar seguro para ele.

─Ele tem medo da gente o deixar.

─Eu sei, está com medo de errar e ser abandonado. Um dia vai ficar seguro.

─Não sei, me assusta isso, fico sendo cuidadosa demais, com medo de machuca-lo, e dai acho que ele vai ficar muito mimado.

─Que fique, já sofreu tanto, vamos mimar o garoto. – Daryl me beija o pescoço, meu corpo responde se arrepiando.

─Então agora a gente pode esquecer esse assunto e só ficar assim, um com o outro? Quis tanto isso o dia todo.

─Também quis isso, quis você o dia todo. – Fecho os olhos quando sinto seus lábios sobre os meus, as roupas vão sumindo, a noite fica inteira para nós, o dia terrível foge de minha mente, perde o peso e a importância porque pertenço a ele e isso sim me importa.

Acordo encolhida no canto da cama como de costume. Daryl espalhado na cama como se espalha na minha vida ocupando tudo, sorrio quando assisto sua mão tatear a minha procura, desvio dela me divertindo, ele se esforça mais, abro os olhos tenso e quando me vê relaxa, meu puxa para ele e me encaixo perfeitamente.

─Que saudade que estava disso! – Digo quando ele mergulha em meus cabelos beijando meu pescoço, a mão espalmada desce por meu corpo e ele desperta, definitivamente pela manhã ele é incrível. Meu coração acelera, a boca saliva e me movo pronta para mergulhar na aventura de pertencer a ele.

─Bom dia! – Ele me diz quase uma hora depois e rio. – Tão linda e perfeitinha feliz logo cedo.

─Porque será? – Ele me beija um longo beijo para completar a perfeição que é amanhecer em seus braços. – Agora é melhor eu sair daqui antes que seja tarde demais.

─Então se apresse! – Ele adverte.

─Então me solta! – Ele nega.

─Não consigo, é mais forte que eu. – Me arrasto rindo para longe, ele fica me olhando com aquele olhar pidão e desvio meus olhos. Quem disse que não sou forte? – Penso encarando o espelho, fugir dele é tarefa árdua.

Tomo banho, volto para o quarto enrolada numa toalha e ele deixa a cama e vai para o banho, gosto dessa intimidade, de nos arrumarmos juntos, de seus beijos a cada peça que cobre meu corpo. Tão apaixonado quanto quando elas deixam meu corpo.

─Quem te ajudou ontem? – Ele me pergunta de pé me olhando amarrar os cabelos na frente do espelho, a besta nas costas pronto para começar o dia.

─Ninguém. Quando chegaram já tinha resolvido.

─Falo de depois, quem te acalmou? Ficou nervosa acredito.

─Acho que ninguém, eu apenas vim para casa. Minto. – Me lembro de Eric. – Encontrei o Eric no caminho, ele me acalmou e me acompanhou.

─Humm. Quem estava lá? Trabalhando? – Termino o cabelo e olho para ele.

─Algumas pessoas, Abe, Glenn, não sei, não conheço todo mundo.

─Vamos? – Ele pergunta abrindo a porta. Afirmo o seguindo. – Spencer estava lá? – Meu coração se aperta um pouco, não gosto muito de pensar nele.

─Não. Não sei. – Minto, a voz titubeia um pouco porque não gosto de mentir, mas não sei porque não quero prolongar o assunto, não quero dizer que ele me assusta porque Spencer foi até agora apenas gentil. Daryl descia as escadas na minha frente, para um meio segundo, depois apenas continua a descer.

─Vou trabalhar. – Ele caminha para a saída e acho estranho.

─Vou deixar o Benjamin na escola. – Daryl se vira para me olhar com a mão na maçaneta e sinto qualquer magoa em seus olhos. – Depois te procuro.

Ele afirma, não responde, não fica feliz nem triste, só faz um movimento de cabeça e some sem café ou um beijo de despedida.

Benjamin fica na escola, seu olhar um tanto assustado me aperta o coração, mas tento ser forte, é importante para ele fazer amigos. Depois começo minha caçada por Daryl, meu peito um pouco apertado.

─Morgan! – Abraço meu amigo, é das pessoas com quem me sinto mais tranquila. – Viu o Daryl?

─Saiu há pouco, acho que foi com a Michonne dar uma andada por aí. Aquela mulher é uma parede de força e uma pedra de gelo. – Sinto uma ponta de qualquer coisa em sua fala e gosto de imagina-los juntos. – Não crie coisas mocinha.

─Não estou criando nada! Será que eles demoram? Daryl nem me avisou.

─Então é porque não demora. Onde vai com essa sua lança guerreira?

─Eu não quero mais saber depois de ontem não vou mais andar sem ela. Acho que vou dar um oi para o Eric, dizer que estou bem, saber da Maggie.

─Ótimo, depois falamos.

Caminho em direção a casa de Eric, Spencer surge na minha frente com Amber a seu lado.

─Como está Clarie, fiquei preocupado.

─Estou bem, obrigada.

─Admirei sua força, é uma mulher impressionante. – Eu afirmo, Amber olha para ele com uma ruga na testa. – E muito bonita também, mesmo nesse novo mundo onde a vida castiga o corpo.

─Eu tenho que ir, bom dia. – Dou as costas a eles e apresso meu passo em direção a casa de Eric, esbarro em Aaron que saia. – Desculpe Aaron, o Eric...

─Lá dentro, vá lá, ele ficou preocupado. Está bem?

─Completamente.

Ele sai enquanto entro, Eric me sorri, abraça e nos sentamos na sala.

─Vai falar docinho?

─O que acha do Spencer? – Eric arregala os olhos, depois põe a mão no peito.

─Vai quebrar o coração do Daryl?

─Meu Deus, não, eu o amo mais que tudo nessa vida, dói só de pensar minha vida sem ele. Sinto medo do Spencer, muito.

─Entendi. E porquê?

─Sem motivo, o jeito que ele me olha eu acho, os elogios e preocupações que não cabem, não somos amigos, não fico a vontade com isso. Ele me lembra o Aiden.

─Nem todo mundo é um canalha, você não se vê direito, mas é linda, atraente, uma diva eu já disse. E se o pobre homem se apaixonou? Não quer dizer que vai te agarrar a força, te machucar.

─Como ele pode se apaixonar por mim? Está maluco, ele não me conhece e além disso eu tenho o Daryl, tenho uma família.

─Docinho, começa com atração e o cara tenta a sorte, a gente sabe que o Rick e a Jessie estão de caso, ou quase, quando começou ela era casada com o Pete.

─Ele acha que faria o mesmo? Não sou Jessie, sou feliz, estou feliz e não quero nada com ele, quero ele longe.

─Então mostre isso.

─Nunca mais falo com ele, nunca mais fico no mesmo ambiente que ele. – Meu coração fica apertado.

─Não precisa nada disso, só seja feliz com seu homem, o cara vai ver isso e desiste, não pense que ele será como o Aiden, nem todos são. A maioria não é.

Ele está certo, eu devia me acalmar, ainda não sei lidar com esse medo que sinto, só conheci homens como Aiden e os policiais do Grady e Daryl, o meu Daryl Dixon que amo e me faz feliz de todos os modos.

─Vou ver a Maggie. Quero ver como ela está.

─Glenn já soube, é melhor mesmo irmos dar um oi para ela. – Eric passa seu braço pelo meu e deixamos a casa.

─Vamos passar na frente da escola quero ver se o Ben está se adaptando.

─Pobre Spencer, não tem a menor chance diante dessa sua família de comercial de tevê.

Notas finais
Beijossssssssssssssssssssssssss Comentem!