Resumption
39 Capitulo 39
Notas iniciais
Pov – Clarie
Nem a explosão me faz parar, pego a lança ganhando as ruas, Daryl ao meu lado com um rifle e a besta, um dia tudo que aprendi seria usado, mas sempre achei que seria para me manter viva e no momento isso não tem a menor importância.
Benjamin é o que importa, o que está sentindo agora, o que teve que fazer, não quero registrar que está ferido e perdendo sangue, isso me assusta, porque pode ser tarde para ele, então ignoro essa parte.
Uma mulher estava sendo devorada por dois zumbis no meio da rua, pelas roupas eram dois dos lobos, cada dia eles se levantam mais rápido. Passamos direto, é tarde para todos eles e não tenho tempo a perder. Vejo um homem atirar com um revolver velho nas cabeças dos zumbis e depois caminhar para fazer o mesmo com a mulher. Mais uns metros e um homem sentado com a barriga aberta começa a se erguer. Daryl dispara e ele nem chega a ficar de pé.
Próximo ao portão um pelotão de fuzilamento se posicionava. Sobre o muro Jessie e Maggie atiravam em zumbis do lado de fora.
─A granada despedaçou metade deles. – Maggie grita enquanto atirava.
─Vamos abrir apenas um pouco e ir deixando entrar aos poucos. – Rick grita de volta. Não quero esperar, quero abrir aquela droga e correr para fora, quero achar meu menininho que deve achar agora que está com febre, que eu sei que espera por nós.
Um aperto se forma em meu peito, uma angustia me domina e quero fraquejar. Acho que toco o peito e me dobro um pouco, a mão de Daryl toca meu ombro.
─É preciso um lugar para traze-lo de volta, ele vai aguentar. – É mentira, Daryl não acredita naquilo, nem eu e muito menos os zumbis, basta que se abra uma fresta e eles forçam a entrada abrindo todo o portão, começa uma sucessão de tiros e corpos caindo antes mesmo de conseguirem invadir Alexandria. Um após outro os mortos vão caído, em comum todos eles tem o maldito W na testa, meu ódio por aqueles lobos só me consumindo.
Dez minutos e dúzias deles tinham caído, os que conseguem se aproximar derrubamos com a katana de Michonne, minha lança e o bastão de Morgan. Acabou eu penso quando se faz finalmente silencio. Agora são só corpos, fumaça e dor. Sasha estava na torre e foi morta por eles, assim como Tara. Ben está perdido lá fora, monstros são o que a maioria se torna e nem é mais preciso morrer para isso.
─O que a gente faz com esse? – Dois moradores se aproximam, trazem com sigo um maldito lobo algemado, sujo, os olhos agora baixos. – Achamos melhor trazer Rick. O que se faz com isso?
Ergo a pistola, pro inferno com tudo, uma hora ele se liberta e mais de nós está em risco, atiro em sua testa, o corpo balança e depois cai, um tiro certeiro bem no centro do W, todos me olham surpresos. É meu filho que foi tirado.
─A gente faz isso. – Baixo a pistola. E depois de trocar um olhar com Daryl e enxergar nele todo que sinto dentro de mim caminhamos os dois para o portão.
─A região vai ficar cheia de zumbis depois de todo esse barulho.
─Sabemos Rosita, mas meu filho está lá fora e vamos busca-lo. – Michonne puxa de volta sua espada. Caminha ao meu lado, então Morgan e Glenn estão ao lado de Daryl. – Obrigada. – Eu digo com a voz embargada. Rick se junta a nós.
─Fica Rick, o Carl precisa de você, Alexandria precisa. – Daryl diz a ele, Rick aceita, fica onde está e seguimos pela floresta.
Daryl vai na frente, observando o ambiente, no começo é só a terra remexida com tantos zumbis que passaram a pouco. Depois vai diminuindo, onde meu pequenino pode estar, como pode ter sobrevivido sem abrigo? São só arvores e mais árvores.
─A touca! – Ele ergue e meu coração da um pulo, caminha para mim com a besta em uma mão e a touca na outra. – Reconhece?
Aspiro o cheirinho dos cabelos de Ben, afirmo quando as lagrimas começam a correr, seguimos. O tempo todo zumbis surgem, ninguém para, acertamos tudo que se move e essas pessoas que agora me cercam valem muito para mim.
O mundo está morto, saíram de uma guerra, não tem qualquer esperança e mesmo assim estão aqui. É estranhamente bonito, um gesto de amor depois de um show de monstruosidade, eu mesma acabo de derrubar um homem sem qualquer piedade.
─Ali Daryl! – Glenn diz apontando uma luva, é dele. Será que sabia o que estava fazendo? Foi deixando pistas ou perdendo as coisas enquanto fugia.
Guardo comigo, e seguimos em frente, matando zumbis e caminhando, depois vem a jaqueta, suja de barro e sangue, gotas de sangue seco no chão, me sinto fraca enquanto Daryl está agachado tocando a terra seca.
Morgan me segura. A dor me faz dobrar de novo. Mas então Daryl se ergue, olha para mim, os olhos que já foram vivos e esperançosos agora um pouco mortos.
─Nós não vamos perder. – Me diz firme, me aprumo, ele está certo. Seguimos em frente é só o que nos resta. Uma casa surge. Vejo primeiro um pedaço de parede, um resto de telhado por entre as árvores.
Daryl aponta o chão e gotas de sangue nos guiam, apenas corremos, a porta está semiaberta. Ele ergue a besta, é só um ambiente, vejo marcas de uma mão pequena ensanguentada na lateral de um móvel, tenho tanto medo que paraliso.
Um zumbi arranhava uma porta de armário e se vira, uma flecha atravessa seu cérebro. Quando ele cai eu vejo a porta do armário suja de sangue. Não consigo mais. Quero oxigênio, luto por ele, mas meus pulmões não parecem fortes o bastante para armazena-los, minhas pernas formigam, o coração sai do ritmo.
Assisto o homem mais corajoso do mundo caminhar a passos decididos para a porta que vai nos mandar para o inferno sem volta, eu perdi meu pequenino num armário, eu perdi a guerra, Michonne me ampara quando Morgan caminha com Daryl.
Glenn fica na porta protegendo o ambiente, só quero que todos eles me encontrem e acabe logo com tudo, eu não podia ter sonhado tão alto.
Lá está seu pequeno corpinho encolhido, os olhos fechados, Daryl toca sua pele, sente sua pulsação e pendura a besta, fica frenético.
─Ben, acorda! – A vida jorra de novo dentro de mim em jatos rápidos de sangue e energia, vivo, meu bebê está vivo. – Ele está fraco, mas está vivo. A perna.
Daryl o tira do armário, ele está desmaiado. Corro para junto dele. Daryl o segura, Morgan improvisa um torniquete com o sinto enquanto apenas o beijo, sinto seu cheiro, meu pequenino e corajoso menino.
─Já vai acabar, achamos você, achamos você. – Choro, meus olhos encontram os de Daryl e o amo mais que tudo, vejo a vida de novo preencher sua existência. Paro de beijar Benjamin para Beijar Daryl.
─Pronto, vamos, temos que sair daqui. – Morgan diz quando termina o trabalho. Puxo a flecha de Daryl da cabeça do zumbi, ele nunca deixa suas flechas para trás.
Deixamos o lugar, agora todos mais atentos e apressados, Daryl está carregando Ben e o cercamos para garantir a segurança de Ben, toco seu rosto, está gelado, ele precisa ficar aquecido e então eu tiro a blusa e o cubro.
Amo os portões de Alexandria, Maggie nos recebe. Ansiosa de olhos vermelhos. Nem quero contabilizar as perdas agora, só quero meu pequeno acordado.
─Denise está na enfermaria. – Maggie avisa, Daryl corre com Benjamin nos braços, entramos juntos, Denise de luvas, e avental.
─Coloca ele aqui. – Daryl o deita na maca, ela começa a examina-lo, eu e Daryl ao lado, fico secando lagrimas agora a coragem me abandonou e me sinto como uma mãe desesperada. – Perdeu muito sangue, está fraco. Alguém sabe seu tipo sanguíneo?
─Doador universal. – Daryl diz tirando a jaqueta apressado, dobra a manga da camisa. Seu desespero evidente.
─Rosita o material de transfusão. – Denise pede. Logo ela começa a transfusão, enquanto o sangue vai passando do braço de Daryl para o de Benjamin eu limpo meu pequeno, Denise da pontos na perna, limpa e fecha um ferimento nas costas, minhas lagrimas correndo enquanto Daryl apenas se mantem de olhos presos em Benjamin.
─Acharam ele! – Carl acorda na cama ao lado, tem um curativo tampando o olho e metade do rosto. – Ele vai ficar bom?
─Vai. – Responde determinada. Nada me tira isso da cabeça. – E você Carl? Está melhor?
─Não sei, acho que sim.
─Ele precisa ficar aqui de repouso, vamos ver mais tarde, o olho ficou ferido e não quero que se movimente. – Denise avisa, Rick entra apressado, olha para Daryl e segue direto para o filho.
─Está ficando mais corado. Logo sai daí.
─Eu sei pai. Perdemos muitos?
─Carl agora precisa descansar.
─Quem pai?
─Tara, Sasha, Billie, ainda não sabemos ao certo, tiveram alguns incêndios, mais pelo menos dez pessoas.
─Pegaram todos eles?
─Sim, fica bem, Amber está de olho na sua irmã, tenho muito trabalho, não podemos parar, venho te ver mais tarde. – Rick aperta a mão do filho, depois para um instante ao lado de Benjamin adormecido. – Ele vai ficar bom, foi muito corajoso.
─Muito corajoso! – Sorrio orgulhosa.
─Cuidem dele, eu e o resto cuidamos das coisas lá fora.
Rick deixa a enfermaria. Ficamos nós, Denise sempre de olho em Carl e Benjamin, eu me sento ao lado de Daryl. Ele me olha, toco sua mão, ele segura a minha, entrelaça seus dedos aos meus.
─Ele tinha ido tão longe, agora... Prometi protege-lo e não fiz, disse que estava seguro, que não ia mais...
─Encontrou ele Daryl, trouxe de volta, ele está vivo, tudo isso vai passar, um dia ele vai conseguir ser só um garoto.
─Eu nunca consegui esquecer.
─Ainda está aqui, ainda não acabou, ainda pode esquecer, vamos cuidar disso. Nós não vamos perder. Me trouxe Benjamin, vamos arrumar essa bagunça toda. Amo você.
Ele leva minha mão aos lábios e beija, sorrio, vou até ele, beijo seus lábios, depois continuo sentada segurando sua mão e a de Ben.
─Pronto. Acho que é o bastante, ele está mais corado, a respiração mais tranquila. Vou manter o soro, quando estiver pronto ele acorda, vai precisar de boa alimentação e descanso, temos antibióticos para impedir uma infecção, não temos muito o que fazer agora.
Denise retira a agulha de Daryl, prende um esparadrapo, Daryl movimenta o braço, abre e fecha a mão, está bem abatido.
─Obrigado doutora Loyd, pode tirar mais se for preciso, fico aqui, é só...
─Não, foi o bastante, ele vai acordar, agora precisa ir para casa, comer um pouco e tomar muito liquido.
─Quando o Ben acordar. – Daryl avisa, fica de pé, toca os cabelos de Ben, acho que fica tonto, se apoia na cama.
─Ele não vai acordar antes de estar de volta. Clarie leva ele. Uma hora de descanso e alimentação e voltam, ele precisa de roupas para se aquecer, vou deixar que o levem para casa quando acordar. Mas se estiverem em condições, não te vejo em situação de carregar um garotinho doente.
Daryl se sente obrigado a obedecer, olho para Benjamin, agora corado e parecendo apenas dormir.
─Vai Clarie, vou ficar aqui. O Daryl vai precisar de ajuda.
─Vem amor. – Eu dou um leve puxão em sua mão, quero que ele fique inteiro, que fique bom, Benjamin vai precisar.
Beijo a testa de Benjamin, depois o cubro um pouco mais, Daryl acaricia seus cabelos, da um meio sorriso triste.
─A gente já volta pequeno duende.
Deixamos a enfermaria e só então me dou conta dos estragos a minha volta, gente carregando corpos, fumaça e fuligem, caminhamos em silencio, os muros estão de pé, o portão inteiro e isso mostra que podemos conter um ataque.
─Somos fortes. Vamos construir a comunidade, Alexandria será em breve uma zona segura, tenho certeza.
─Estou tão cansado, só quero... Só quero que as pessoas parem de morrer.
Ele se senta no sofá, levo uma garrafa de água, um prato de sopa quente. Daryl aceita, mas sinto seu esgotamento.
─Vou arrumar a bagunça que ficou, recolher aqueles vidros, limpar tudo para recebe-lo, você descansa um pouco e toma um banho, vai precisar de forças para andar com ele de um lado para outro.
─É só um garotinho Clarie. – Ele me diz e vou até ele, seguro seu rosto com minhas mãos que sei que estão geladas. Sorrio.
─É o nosso garotinho, vivo, e precisando que a gente passe muito tempo medindo sua febre. – Beijo seus lábios. – Eu te amo muito, hoje eu te amo mais do que tudo no mundo.
─Você me fez ir lá fora, me despertou e salvamos Ben, não pode saber como te amo nesse minuto. Como sinto sua falta.
─Vamos matar essa falta. Descansa.
Eu devia estar cansada, devia estar chorando nossas perdas, mas não posso evitar a alegria de ter Benjamin vivo. É difícil recolher todos os cacos, varrer, trocar a roupa de cama, Daryl entra no quarto, segue para o banho, arrumo roupas quentes para Benjamin, depois eu tomo banho e faço tudo que é preciso, quando ele acordar e chegarmos em casa vou grudar nele, nada vai nos afastar.
Quando chego na sala Daryl tinha os olhos fechados, fico olhando para ele. Passou de uma hora, melhor voltarmos para Benjamin, quando abre os olhos e me vê, Daryl fica de pé.
─Se ele demorar para acordar... – Sinto um aperto no coração.
─Não vai, seu otimismo me trouxe até aqui, não faz isso agora. – Afirmo, seco uma lagrima e insegura caminho de volta para a enfermaria.
Pov – Benjamin
Abro os olhos, estou quentinho, numa sala, com teto branco, tem uma coisa presa no meu braço, será que já morri? Não virei zumbi? Olho para o lado, Carl está na cama do lado.
Acho que nós dois morremos, meu coração fica apertado de saudade de Clarie e Daryl. Carl me olha, tem um curativo bem grandão.
─A gente morreu?
─Não. – Ele responde rindo, então como que eu cheguei aqui? Minha perna está doendo, mas as costas doem muito mais, tento ficar de lado sem mexer o braço com uma agulha, só vi gente assim na televisão.
─Como que eu cheguei aqui? Cadê a Clarie e o Daryl? – Depois que pergunto fico com medo da resposta. Não sei de nada que está acontecendo.
─Os lobos morreram, depois o Daryl caçou você e agora está aqui a doutora Denise cuidou de você, fez curativos e tomou sangue do Daryl.
─Tomei nada, que nojo! Não sou vampiro não.
─Não assim Ben, pelo braço, como esse soro.
Agora eu tenho o sangue do Daryl, acho que vou ficar bem forte como ele. Amber entra no quarto com a Judy no colo.
─Oi. Só vim um instante trazer a Judy para ver você. – Ela diz para Carl, ele ergue o braço e faz carinho na irmã, ela quer ir com ele. – Não pode lindinha.
─Acho que vou ficar aqui até amanhã. – Carl diz a Amber.
─Cadê sua namorada que não está aqui cuidando de você?
─Enid não é minha namorada.
─É só uma idiota que devia estar no meio da guerra, mas estava lá fora escondida em um tronco de árvore pelo que ouvi.
─Ela é meio confusa. – Carl diz um pouco atrapalhado.
─E incapaz de olhar para os lados, não está com você, não te ajuda com a sua irmã, você é mesmo um idiota de andar atrás dela. Fica bom logo Benjamin.
Amber nos dá as costas e sai rápido com Judith.
─Acho que ela não gosta muito de você não Carl.
─Também acho. – Ele diz meio fraquinho. – Não sei se vou enxergar de novo, a doutora disse que pode ser que perca a visão desse olho e que vou ficar com uma cicatriz, disse para o meu pai, mas eu ouvi. Morreu mais gente, teve uns incêndios. Mas vencemos no fim.
Fico calado, tudo minha culpa, tudo que aconteceu. Rick vai me mandar embora daqui agora que o filho dele ficou machucado. As pessoas morreram por minha culpa, eu devia ter ficado calado, devia ter desobedecido o Travis e corrido para longe e morria só eu.
Quando a médica me mandar sair daqui eles vão mandar eu ir embora. Porque eu sou só um cachorro burro, um lixo inútil como os lobos disseram, um monte de lágrimas começa a escorrer, tento secar, mas ergo a mão com a agulha e dói, fecho os olhos.
─Desculpe Carl. – Choro, acho que já estou com febre, o Daryl e a Clarie nem vem me ver.
─De que, não foi sua culpa, salvou a Judith, não chora.
A doutora entra, me vê e vem logo perto de mim, sorrindo feliz. Se eu estiver bom ela vai chamar o Rick e vou ter que ir embora porque ele é dono de tudo e seu filho se machucou.
─Você está muito bem, acho que já vai poder sair daqui.
─Não estou nada, medica idiota, nem consigo me mexer. – Ela me olha estranha, que se dane, não quero que ela diga para ninguém que estou bom.
─Vou tirar o soro, não precisa mais dele.
─Deixa isso aí. Não mexe em nada, estou morrendo, não está vendo não sua burra.
Ela parece que é surda, tira a agulha, tampa o buraquinho, toca minha testa, não sabe nem ver febre direito que nem o Daryl e a Clarie.
─Dorme um pouco, depois vai comer e em uns dias vai estar bom.
Finjo que ela não existe, de propósito, não vou mais falar com ela nunca, é muito mais chata que a Maggie. Fecho os olhos e lembro de novo que Daryl e Clarie me prometeram que cuidavam de mim, que tenho oito anos, agora eu não sei mais de nada.
Escuto a porta abrir, não abro os olhos, fico só quieto. Alguém segura minha mão e sei que é a Clarie. Abro os olhos, olho para ela e Daryl está do lado, fico com vontade de chorar. Não queria ficar sem eles.
─Acordou. – Clarie beija minha testa, arruma meu cabelo, Daryl segura minha outra mão.
─Sabia que ficaria bom. Ele pode ir doutora? – Daryl pergunta, não quero ir embora, não quero.
─Pode, está muito bom, melhor do que esperava.
─Cala boca médica idiota! – Eu xingo, Daryl e Clarie se olham, ela tira minhas cobertas, me cobre com uma que ela mesma trouxe e vejo que estou só de cueca, nem sei cadê minhas roupas que eles me deram.
─Vai pedir desculpas para ela garotinho, muito em breve. – Daryl diz me pegando no colo. – Agora vamos ser malcriado em casa que é melhor.
─Obrigada doutora, desculpe. – Clarie diz a ela quando Daryl me arruma no colo dele e não sei o que está acontecendo. Olho para o Carl, mas ele está dormindo.
─Está doendo assim? – Daryl me pergunta.
─Está doendo tudo, e estou com febre eu sei.
─Aguenta só um pouquinho, já vou te colocar na cama. – Daryl diz bem bonzinho.
─Vem amor, eu abro. – Clarie vai na frente.
─Onde que eu vou? Estou sem roupa.
─Para casa Ben, para onde mais seria?
Fecho os olhos e não abro quando a gente vai indo, não quero ver ninguém. Vai todo mundo me xingar porque os lobos queriam me pegar e destruíram tudo.
Me lembro das coisas que destruí, as coisas de Clarie, o espelho, de xingar, eu só faço coisa feia. Quando entramos na casa eu começo a chorar, porque queria vir de novo para cá, Daryl sobe comigo direto para o quarto, já está ficando de noite, tenho medo de dormir.
─Vou aquecer a sopa e levar um suco para você amor. – Clarie diz lá da sala.
Penso no zumbi arranhando a porta do armário, da dor na perna e vou ter sonhos ruins, ele me põe na cama deles. Arruma meu cabelo que está no olho.
─Desculpe ter demorado Ben. – Não consigo parar de chorar e abraço Daryl, ele fica mexendo no meu cabelo, gosto muito de ficar perto deles.
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