Resumption
38 Capitulo 38
Notas iniciais
Pov – Benjamin
Eles me deixam ali, parado de pé e se afastam, a Clarie saí chorando e sei que foi a última vez que a vi, gostei do abraço e do beijo. Acho que só mesmo Clarie e Daryl fazem essas coisas de me dar carinho. Faziam, acabou, se Travis não me pegar os lobos vão chegar e vou morrer de qualquer jeito, ou ainda pior que isso.
Um arrepio passa por meu corpo. Amber toca meu ombro. Olho para ela chorando, não queria chorar, mas como posso não chorar se sei que vamos todos sofrer muito?
─O Carl tem vídeo game, que tal a gente jogar um pouco?
─Vocês nem parecem grandes. Não sabem que a gente vai morrer? São muito burros mesmo. – Me afasto deles, me sento num canto, queria não tremer tanto, mas não consigo parar, Tara está com uma arma na mão, Carl também, um fica em uma janela, o outro fica em outra. Suspiro angustiado.
─Vou olhar lá em cima, acho que tem uma visão melhor, Carl ninguém vai lá fora. – Tara avisa e ele afirma voltando a olhar pela janela. Ela sobe e escuto um barulho na cozinha. Fico de pé, me abaixo atrás da poltrona, Amber sorri me achando um bobo, mas então vejo Travis andando com uma arma na cabeça de Denise.
─É ele, com a sua mãe. Vou correr e achar alguém. – Sussurro e Amber salta assustada, corro para janela, abro e Carl grita meu nome, já estou do lado de fora, me abaixo no meio da escuridão, preciso achar o Daryl. Minha visão fica atrapalhada porque não paro de chorar.
─Larga a arma se não ela morre. – Escuto ele dizer, depois escuto um barulho e sei que o Carl se rendeu, vejo um vulto bem longe, seja quem for posso correr até lá e pedir ajuda, eu sei que sim, então quando penso em me erguer escuto um barulho de coisas quebrando, um gemido e o choro de Judith. – Se o Benjamin não sair do esconderijo mato o bebê.
Ela é só um bebê, e o Daryl e a Clarie amam muito ela, se ela morrer eles vão sofrer muito, eu não posso fugir, os lobos fazem o que prometem e então mesmo chorando eu pulo de volta.
─Olha ele aqui. Meu cachorrinho, tão arrumadinho. Vem aqui agora. – Obedeço, eu sei que tenho que obedecer a ele. – Viram como é um cãozinho treinado? – Ele passa o braço com a arma por meu ombro e deixa Judy no sofá, a arma vem para minha cabeça. – Todo mundo subindo.
─A menina não pode ficar aqui jogada. – Amber diz sem medo, que burra, muito mesmo.
─Você carrega ela gostosinha. – Amber pega Judy, Denise fica na frente das duas. – Mamãe também é bem gostosa, vai subindo ou mato meu cachorrinho aqui.
Todo mundo obedece, vamos atrás, no fim da escada damos de cara com Tara com uma arma erguida, ela apontava para Travis, mas me vê e ergue a mão se rendendo, ele ri, escuto sua risada e então a arma sai da minha cabeça e ele dispara, vejo o buraco na testa de Tara e o sangue, então ela cai. Tem choro e medo em todos, acho que só fico como sempre, eles estão toda hora matando e eu só fico ali, esperando quando vai ser eu, como sempre foi.
─Arrasta esse corpo para o quarto, anda! – Ele grita com Carl, ele me olha e obedece. Sinto seu medo e raiva quando puxa Tara pelos braços. Depois volta a arma ainda na minha cabeça, a mão que aperta meu ombro se afasta um instante e ele atira um saco para Carl. – Pega e vamos todos para o banheiro.
Ele fecha a porta, mal consigo respirar. Judy está bem quietinha, é pena que vai morrer, é pena que eles todos vão e tudo porque vim aqui, tudo por minha culpa.
─Amarra as garotas, bem forte. – Ele ordena e Carl obedece. As duas sentadas uma do lado da outra com as mãos para trás, Judy sentada entre as pernas de Amber. – Muito bom, agora amordaça. O bebê pode ficar, a menina parece retardada, devia estar berrando, daria um bom cachorrinho, não acha? – Ele me aperta, encosta mais a arma na minha cabeça.
─Pronto. – Carl olha para ele, depois para mim. – Obrigado por voltar por ela.
─Conversa! – Travis diz e então da uma coronhada no rosto de Carl, ele cai e um monte de sangue se espalha. Era meu amigo e agora morreu. Minha culpa, nunca que Rick ia me deixar ficar aqui depois disso, mas acabou. – As duas ficam aqui, daqui a pouco volto com uns amigos e vão ser bem úteis, estamos um tempo sem uma boa mulher.
Ele me arrasta, fecha a porta atrás de si e me arrastando chegamos a porta da cozinha.
─Qualquer tentativa eu mato você e depois a gostosa da sua nova mamãe. Ela não está longe. Então você vai comigo encontrar os lobos, vamos pular o muro. Os lobos vão gostar de te ver e temos um servicinho para nosso cachorrinho.
Eu faço o que ele manda. Subimos por uma corda, está escuro e ninguém pode nos ver, tento olhar, mas não enxergo nada, então ele me empurra e fico pendurado, Travis passa a corda, me segura e me pendura, pela mão, sinto o pulso abrir, ele solta e caio, mas não estou mais tão longe do chão e dói um pouco só. Ele cai ao meu lado, ri e me faz ficar de pé, me puxa e corre me obrigando a correr com ele pelo escuro, cinco minutos e estamos no meio da floresta, vejo uma fogueira e sei que são eles.
Travis me puxa pelo pescoço o tempo todo, de vez em quando eu escorrego porque não aguento acompanha-lo.
Ele assobia, é seu jeito de avisar que está chegando, os lobos sempre saem matando quem se aproxima e se um lobo não assobia, se esquece acaba morto, já aconteceu isso.
─Olha o que eu encontrei? –Ele me empurra e caio rolando no chão, acabo quase perto do fogo, escuto o riso de todos. – Quem diria, o cachorrinho sobreviveu.
─Olha só ele. – Sean me põe de pé com um puxão, me olha todo. – Voltamos lá e achei que iriamos achar um zumbizinho para nossa coleção e nada. Como foi que sobreviveu?
─Me acharam. – Sei que não adianta não responder. Ele me dá um tapa na cabeça. Depois eles me deixam jogado ali.
─Como foi? Como vai ser? Então a porra da comunidade existe, caralho se tivéssemos vindo quando o corno contou.
─Existe é como ele disse, comida, luz, mulheres. O melhor de tudo, muros, vai dar para guardar uma multidão de mortos.
─Armas?
─Esse pequeno traidor estúpido me entregou e não descobri tudo. – Sean me olha cheio de fúria, tremo quando ele dá dois passos para mim.
─Você sabe que está fofido? – Ele ri e aperta a corrente que sempre carrega, dá duas voltas na mão, cubro o rosto e escuto o barulho antes de sentir a dor, mas ela vem e me derruba no chão. – Burro! Idiota! Lixo.
─Deixa ele vivo, vamos precisar dele. – Travis pede e fico no chão, sentindo a dor nas costas, abriu tudo de novo, mas agora não tem ninguém para cuidar, ele disse que cuidava de mim, ela também falou, mas me deixaram e agora acabou.
─Que porra que a gente vai fazer, estou de saco cheio de esperar e merda nenhuma acontecer. – Um deles diz, mas não olho qual.
─Trouxe o caminhão com os mortos?
─Na beira da estrada, cinco minutos e estão prontos.
─Certo, senta moleque! – Ele se aproxima e me põe sentado. Eles se juntam num círculo abaixados no chão. Travis faz um quadrado com o dedo na terra. Depois vai apontando coisas. – Aqui é o portão, onde vamos direcionar os zumbis, aqui a torre, quando os zumbis começarem a chegar o atirador da torre vai se distrair pegando eles, a gente vem por aqui, é como um ponto cego, pulamos, dois sobem e pegam o cara da torre, ganhamos a torre de lá podemos começar a pegar eles e vamos dominando o lugar por terra e pela torre.
─O portão aguenta os zumbis enquanto estivermos dominando o local?
─Provavelmente, mas se não aguentar eles vão ter muita comida para se distraírem, mas tem que ser agora, já vai amanhecer e eles estão em alerta me caçando, logo vão dobrar a segurança.
─Ok. Peter vai buscar o caminhão e posiciona. De pé preguiçoso é sua vez de trabalhar. – Ele grita comigo e me ergo, minhas costas doem muito e tudo em mim, a cabeça, as pernas. – Entramos e matamos, fogo e fumaça para confundir, depois que acabar temos muitos planos.
─Se alguém se render?
─Foda-se, se render só mostra covardia. Mata.
Sean me empurra para Travis, os dois rindo, alguns acendem lanternas quando Sean começa a apagar a fogueira. Um zumbi se aproxima e um deles enfia uma faca nele.
─Ei idiota, porque não arrebentou as pernas? É sempre um a mais.
─Vem cachorrinho, hora do trabalho. – Ele me arrasta para a estrada que leva a entrada de Alexandria. – Nunca será um lobo, só um cachorro mesmo, é covarde e chorão, sempre chorando para trabalhar, ingrato estúpido.
Ele para e me vira para ele quando os fundos do caminhão estão virados para a nossa direção. Travis se abaixa.
─Olha para mim, sabe o que tem no baú? – Afirmo calado. – Fala! – Ele me chacoalha.
─Zumbis.
─Bom a gente não quer que eles se espalhem por aí, eles têm que ir para o portão, quem vai leva-los para lá?
─Não vou nunca! – Ele me bate.
─Corre até perto do portão, depois segue pelo muro e te passo para dentro, assim acha seus amiguinhos.
─Não, por favor. – Choro ainda mais, não quero ajudar eles.
Travis pega a faca, a tremedeira aumenta muito, meu coração dói.
─Vai correr Cachorrinho, com a perna sangrando eles vão seguir o cheiro de sangue fresco, então eles vão te pegar, só tem uma chance que é fazer o que eu mandei. Abram! – Ele grita para os lobos, escuto o barulho do ferro da porta, não quero mais enfrentar zumbis, Daryl disse que era trabalho dele que eu sou criança, ele me deixou. A faca entra na minha perna, eu seguro o local quando ela sai e quase caio, minha mão fica melada de sangue, mas então os gemidos me fazem ter forças para olhar e um monte deles saia do caminhão.
Olho em volta, eles todos se foram, só tem eu e os zumbis se atropelando em minha direção e corro como ele me mandou fazer. Sempre faço como eles mandam sou mesmo um cachorro burro.
Os zumbis vêm atrás de mim, atrás do sangue que vai escorrendo pelo chão. Avisto o portão, escuto uns disparos e sei que alguém na torre está derrubando os zumbis como os lobos disseram, viro em direção ao muro, corro mais, caio, desvio de um zumbi que não sei como apareceu, corro muito e então Travis pulava o muro.
─Não me deixa aqui! Socorro! ─Mas escuto os tiros e agora já estava de dia e tudo fica confuso e sei que ninguém vem me pegar. Tem zumbis no portão, tem outros vindo atrás de mim, eles escutam os barulhos e não sabem o que querem, eu corro.
Tiro a touca e deixo no chão, ele disse que me achava que seguia pistas, corro mais entro na floresta, deixo uma luva, um zumbi me vê e começa a vir atrás de mim, minha barriga dói de tanto correr, eu deixo a outra luva, bato o joelho no chão, não tem mais zumbis atrás de mim, tem um monte de tiros vindos de Alexandria, tiro a blusa de frio e então corro mais, vejo uma casa velha e entro, não tem zumbis, é só uma cabana, a janela está quebrada, a porta não tranca e corro pelo lugar, o sangue sujando tudo, abro um armário me enfio apertado lá dentro e fecho a porta, seguro a perna machucada, fecho os olhos, vou ter febre e morrer aqui, mas é melhor que ser devorado então eu fico esperando, sinto frio, depois sono, e tento dormir.
Pov – Daryl
─Se protege atrás de mim. – Digo a Clarie quando tentamos sair pela frente, Rick está comigo.
─Denise está com eles. Os outros estão saindo pelos fundos.
Abe vem correndo pelos cantos, se abaixa conosco na varanda, Michonne e Rosita com ele.
─Tomaram a torre! – Ele avisa, uma mulher corria pelas ruas e um tiro vindo do alto a derruba.
─Tem fogo na rua de trás, duas casas, quilos de zumbis no portão. – Michonne avisa.
Só penso que preciso ser rápido, que não posso perder tempo em busca de ajuda. Benjamin precisa de mim. Em algum lugar meu garotinho precisa de mim, ele não morreu, não morreu.
─Me dão cobertura, vou chegar a torre. – Aviso me preparando. Abraham me segura pelo braço.
─Tem combustível, dois galões ao lado da parede esquerda, põe fogo, eles ficam presos lá e morrem ou tentam descer e pegamos eles.
─Certo. Fica aqui. – Aviso Clarie.
─Não. – Queria discutir, mas não há tempo para isso e apenas me preparo, o grupo começa a atirar em direção a torre e corremos abaixados, pelos cantos por um quarteirão.
Tem tiros de todos os lados, gente correndo e gritando, caindo pelo caminho. Encontro os galões, enquanto molho o local Clarie faz alguns disparos nos protegendo, derruba um homem com um tiro certeiro no meio da testa. Pego o isqueiro no bolso.
─Cuidado! – Peço quando atiro em direção ao chão molhado e logo o local ardia em chamas. Então vamos nos afastando, uma mulher tem um ferimento na perna, está no chão, Clarie corre para ela, a ajuda a se erguer. – Ali! – Aponto um carro e colocamos a mulher dentro. – Fica abaixada.
Mais tiros são disparados, de todos os lados, vejo Rick atrás de um muro atirando, todos agindo, mas é difícil encontrar os tais lobos com os tiros vindos da torre. Um grito se sobrepõe a todos os outros e um homem saltava da torre numa viagem suicida, seu corpo cai para o lado de fora, ainda escuto o baque.
Vejo um homem correr seguido por outro. Pelos trajes são lobos, as roupas estão sujas e rasgadas, corremos atrás deles, agora que não tem mais tiros vindos da torre fica mais fácil, a besta está nas costas, mas uso um rifle.
Glenn e Maggie estavam atirando da sala onde guardamos nosso arsenal e me sinto aliviado por não termos perdido esse ponto para eles. Uma mulher caminha agora como um zumbi. Clarie pega a lança, deixo aquilo para ela concentrado em perseguir os lobos que correm pelos cantos sem saber que estão sendo seguidos.
Um minuto depois Clarie já está mais uma vez no meu encalço.
─Cadê os outros? – Os dois param abaixados, escuto a conversa deles. – Não sei, pelo menos meia dúzia já caiu.
─Devia acabar com você agora mesmo Travis, disse que dava para fazer. O jeito é tentar chegar ao portão e abrir para os zumbis.
─Eu vou. –Faço sinal para Clarie ficar abaixada. Ela afirma, a pistola firme na mão.
─Caralho Travis, não vou confiar mais porra nenhuma em você, eu vou. – Me movo, o homem na minha mira, disparo tomando cuidado de não acertar Travis. O homem cai e Travis corre para dentro de uma casa, eu o persigo.
Ele tentava abrir uma porta quando chego por trás dele, seguro seu pescoço, acerto com toda força que tenho sua cabeça contra a madeira da porta, ele fica atordoado.
Se vira tentando usar a arma, acerto um soco em seu rosto o rifle que carregava voa para longe. Ele me acerta um chute, vem para cima de mim, mas não podia me pegar num momento de fúria mais intenso e o atiro contra a parede. O homem tosse.
─Cadê ele. – Sigo até ele, acerto um soco no rosto ensanguentado.
─O cachorrinho? O que? Quer ele para você? – Ele ri. – É treinadinho não achou? – Mais riso em meio ao sangue e a respiração alterada. Acerto outro soco.
─Onde está ele? – O homem amolece, eu o chacoalho. – Cadê meu filho?
─Filho? O pai daquela coisinha morreu, era tão inútil quando o cachorrinho. – Eu acerto dois socos, sinto os ossos do nariz quebrarem. – Ele tem muitas utilidades, eu sei, é precioso, mas agora já era. Deve ter sido devorado. Me mata de uma vez.
Não pode ser, eu disse que não ia perde-lo, eu prometi cuidar dele. A fúria me domina por completo acerto outro soco e mais um.
─Desgraçado! Foda-se! Eu ia morrer mesmo. – O maldito ri enquanto eu o acerto e ele tenta se proteger. – Enfiei uma faca na perna dele, mandei guiar os zumbis, ele obedeceu, ele é um merda obediente.
Vou acertado Travis, repetindo os golpes, um depois do outro, até ele apagar e então eu continuo a socar e socar e o rosto vai se tornando uma massa desforme e meus dedos vão perdendo a sensibilidade, mas não me importo, o sague espirra para todos os lados cada vez que meu punho afunda o rosto partindo ossos.
Até que a mão de Clarie segura meu braço. Olho para ela, sua expressão é vazia quando ela aponta a pistola para a massa morta diante de nós dispara duas vezes contra ele, o punho firme, os olhos fixos.
Clarie baixa a arma lentamente, me obriga a ficar de pé, meus olhos encontram os dela, fiz um mundo de promessas e agora não restou nada, só consigo olhar para ela. Quero me entregar, mas nunca consigo, quero deixar a dor finalmente dobrar minhas pernas, mas tem sempre algo que me impede.
─Quero encontrar meu filho, não pode gastar nosso tempo com isso.
─Ele não... Ele... Ouviu o que ele disse?
─Ouvi. Benjamin sobreviveu anos com esses monstros, ele sabe se virar, Benjamin está lá fora e eu vou buscar meu filho. – Nunca vi nada igual, está firme, me encara de um modo tão decidido que parece crescer, Clarie me dá as costas caminhando para a porta com sua lança, suas luvas, botas e pistola, uma guerreira.
Eu a sigo, não importa, nada importa, vamos achar Benjamin. Ela está certa, ainda podemos, não vamos desistir. Apresso meu passo e seguro seu braço, ela me olha pouco antes de abrir a porta.
─Ele é parte de nós e nós não vamos perder. – Clarie afirma, depois se solta de mim e abre a porta, os tiros acabaram me dou conta, mas então escutamos uma explosão e seja o que for não vai nos parar.
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