Resumption
37 Capitulo 37
Notas iniciais
Pov – Daryl
─Desculpa ter te deixado, eu nem demorei, está bravo? Não vai falar comigo? – Escuto Maggie se desculpando com Ben antes mesmo de entrar. – Ben o que aconteceu? Está me assustando.
Suas palavras me alarmam assim como a Clarie e abrimos a porta apressados. Ben está de pé encarando o chão, um tanto tremulo, Maggie de joelhos diante dele, tentando tirar alguma reação do pequeno, assim que nos vê Maggie se ergue.
─Que bom! Ele está assim desde que voltei.
─Ben. – Clarie o chama, algo nele volta a se conectar, ele corre para nós, pula em meu colo, eu o abraço sem entender muito. – O que foi Ben? – Ele não responde, mas sinto seu tremor.
─Em casa a gente descobre Maggie, obrigado. – Eu digo para uma Maggie preocupada, depois só caminhamos para casa com ele agarrado a mim, me apertando como se nada mais existisse. Entro e nem isso basta para que me solte.
─Bem, você e a Maggie brigaram? – Clarie pergunta e ele nega ainda escondido em meu ombro, ainda agarrando minha camisa. – Vamos comer um pouco?
Vamos para a cozinha, era onde estávamos quando fomos chamados para a reunião, prestes a jantar e um prato de sopa pode animá-lo. Tento solta-lo, mas ele se aperta a mim e fico sem saber o que fazer.
─Precisa comer Ben, vou ficar com você no colo, mas vai comer um pouco. – Me sento enquanto Clarie aquece a sopa, ele mudo e escondido em meus braços.
─Ele foi muito bem não acha Daryl? Ficou com a Maggie um pouquinho, está muito bonzinho e aposto que se eu der na boca com ele no seu colo ele vai comer um pouquinho antes de ir dormir.
─O que acha Ben? Come um pouquinho? Vai parecer que é a Bravinha. – A ideia não o ofende, pelo contrário, ele se arruma em meu colo quando Clarie se aproxima com a sopa. Não desencosta de mim um segundo enquanto vai engolindo as colheradas de sopa e acho que só faz porque nesse momento quer se sentir um bebê.
Seu silencio e medo me assustam, não sei de onde veio, o que aconteceu no tempo que ficou sozinho que o apavora a ponto de nem conseguir dizer.
Depois ele fica ainda ali em meu colo e comemos eu e Clarie, esperando que se sinta pronto para quem sabe se abrir um pouco.
─Quando sinto medo eu conto. – Clarie me diz. – Assim me sinto melhor, ás vezes fico sozinha um pouco e penso em coisas ruins, e então eu te conto.
─E eu te ajudo, você tem razão, contar é bom. – Mas isso só o assusta mais, Ben se encolhe, sinto seu corpo reagir num estremecimento que me angustia. É como se tivéssemos dado dez passos para trás.
─Vou deixar a louça para amanhã, vamos dormir, estamos todos cansados hoje. – Clarie se põe de pé e me ergo com Benjamin em meus braços e vamos pela escada, a cada degrau ele vai se prendendo a mim como se fosse sua salvação, paro entre as duas portas sem saber que direção tomar com ele agindo como um bebê assustado.
Clarie decide por mim seguindo para nosso quarto, talvez seja só o reflexo do pesadelo da noite anterior, quem sabe a ideia de que iria para seu quarto quando o dia acabasse o assusta?
─Acho que quero que fique aqui hoje Ben. Você se importa? Gostei tanto que dormiu com a gente. – Clarie o convida e ele ergue o olhar. Queria que ao menos chorasse, mas não, ele só treme e guarda, a angustia tão visível que dói em mim.
Tento colocá-lo na cama, mas seus braços se apertam a mim, troco um olhar com Clarie, agora estamos os dois sem argumentos, me sento, encosto na cabeceira da cama e quem sabe posso só esperar que durma e colocá-lo na cama.
─O que aconteceu Ben? Eu preciso saber.
Ele me olha, sinto a indecisão, quer falar, mas talvez tenha medo, ainda não confia o bastante.
─Pode contar qualquer coisa. – Clarie insiste, ele nega.
─Está com sono? – Só quero ouvir sua voz, agora já nem sei mais o que afinal pode ter acontecido. Apenas quero que diga uma palavra.
─Não.
─Frio? – Clarie continua, quem sabe aos poucos ele se abre.
─Não.
─O que você quer Ben? – Eu pergunto, seja o que for podemos resolver.
─Eu quero ir embora daqui. – Ele diz me olhando abatido, os olhos marejam.
─Ir embora? Não gosta mais da gente? – Clarie pergunta, ele nega, desce do meu colo e a ansiedade o domina, uma crise se anuncia, sinto só de olhar para ele.
─Vamos todos, vem, chega de casa pequena, casa grande, de Alexandria, aqui é ruim, vamos embora, vem. – Ele tenta me puxar, não me movo.
─Ben...
─Não! Vamos logo, vem Clarie, agora mesmo. – Ele tenta puxar Clarie, assim como eu ela não sai do lugar, sua expressão começa a se alterar.
─Lá fora é perigoso Bem.
─Não é nada Clarie, pega a lança, anda! – Ele aponta a lança, está nervoso a doçura vai embora.
─Calma. – Uso um tom tranquilo para acalma-lo.
─Se mexe! – Ele grita. – Quero ir embora daqui. Chama o Carl, a Judith pode ir, leva a Maggie para carregar ela, vamos logo embora! – Outro grito, lágrimas e tensão, ele andando de um lado para outro.
─Não vamos deixar Alexandria Ben. Porque quer ir embora? – Clarie pergunta.
─Não interessa! Você é burra? Quer ficar aqui, porque é burra, vem logo, a gente mora na rua, vai chamar os outros, anda porra!
─Benjamin, não fala assim com a Clarie, fica calmo.
Ele vem em minha direção, faz toda força que tem me puxando, tenta de todos os modos tentando me por de pé.
─São dois idiotas! – Então ele grita a plenos pulmões, se afasta, vai até o móvel onde Clarie guarda suas coisas e empurra tudo, perfumes e maquiagem voam para todos os lados se espatifam no chão. – Foda-se esse lugar. Foda-se!
Clarie paralisa chocada, os gritos ecoam pelo quarto, me apresso para detê-lo, antes ele empurra o espelho comprido encostado na parede, ele começa a cair lento e corro prevendo o estrago, só consigo pegar Ben e gira-lo para não se ferir, minhas costas como proteção, sinto cacos baterem no colete e então o quarto está forrado de vidro.
─Chega Benjamin, agora! – Não queria gritar, mas ele está fora de si. Eu prendo o pequeno pelos braços, ele se debate aos gritos.
─Burros, burros, vamos embora, quero sair daqui, me leva embora, caralho! – Os gritos somem quando vencido pelo cansaço ele para de se debater e cai numa crise de choro.
Clarie chorava quase tanto quanto ele, enquanto eu apenas o mantenho em meus braços agora afrouxando um pouco o aperto.
─Calma Ben, está tudo bem, não pode continuar assim, passou.
─Por favor, vamos embora, por favor. – Ele pede entre soluços.
Clarie se aproxima, vem passando por cima de todo tipo de vidro e se junta a nós.
─Me leva embora Clarie, pega a lança e me leva embora.
Ele sai um instante dos meus braços para ir para os dela, fico de pé, encaro o estrago e parece uma zona de guerra, como se faz para recuperar alguém tão ferido?
─Pronto querido, estou aqui, vai ficar tudo bem.
─Não vai, quero ir embora agora de noite mesmo, eu deixo a Judith ir, eu deixo, chama ela, o Carl, a Maggie pode levar o marido dela, o Morgan é forte, leva ele também, morar na rua é melhor. – Então vem mais choro, uma crise de lágrimas e soluços, uma luta confusa dele querendo controlar a fúria quando ela parece domina-lo.
As mãos apertadas, os olhos serrados, gemidos que me rasgam o coração porque as vezes apenas não sei fazer como Clarie que agora o nina como se ele fosse um bebê, acaricia seus cabelos molhados de suor pelo ataque, o rosto vermelho.
─Shiu! Dorme Ben, está tudo bem.
─Me leva daqui, por favor. – Ele soluça perdido e me dói, seus olhos procuram os meus, ele me chama com a mão, vou até ele, seguro sua mão. – Vamos embora.
─Ben aqui é seguro, lá fora tem zumbis, me conta o que aconteceu. – Tento parecer tranquilo, minha voz baixa, seus olhos apavorados e nenhuma resposta.
Se não conhece Maggie eu acharia que ela fez algo grave, mas Maggie seria incapaz de machuca-lo. Então quem? Ou o que?
─Daryl, eu não quero que a gente morra, eu quero ir embora.
Os olhos estão inchados e ele mal consegue abri-los, Clarie ainda o balança, acaricia seu rosto tentando acalma-lo. Noto a pele vermelha e não sei mais se foi apenas ele em seu ataque ou se alguém em algum momento o machucou.
As lagrimas são constantes, as de Clarie também. Escuto uma batida forte na porta. Era tão tarde que acredito que só pode ser alguém preocupado com seu ataque.
Benjamin deve ter acordado toda Alexandria.
─Vou lá avisar que está tudo bem. – Ele aperta minha mão, crava os dedos fundo que chega a me machucar, o pavor o domina mais uma vez.
─Não vai, não vai, por favor, vamos sair pela janela, shiu, não abre. – Ele sussurra.
─É o Rick, conheço a batida, confia no Rick?
─Manda ele ir com a gente embora.
─Fizemos muito barulho e ele deve estar preocupado, eu já venho. – Me liberto e antes de sair eu o vejo se apertar a Clarie, agora os dedos cravados nos braços dela.
Abro e pretendia me explicar, mas Rick está armado, Michonne, Glenn, Abraham e mais alguns estão com ele.
─O que foi? – Será que nunca vamos ter paz?
─O cara sumiu. – Rick anuncia. – Não está onde o deixamos, pode ter deixado Alexandria pelos muros, pode ter se escondido em qualquer casa, precisamos varrer tudo.
─Merda. Merda! – Passo a mão pelo cabelo, penso um momento.
O que quer que seja, Benjamin sabe, de algum modo ele sabe e por isso o pavor.
─Vem comigo Rick, acho que o Benjamin sabe de alguma coisa.
─Ouvimos uma gritaria. – Ele me diz quando subíamos as escadas.
─Está em pânico e quer ir embora, ficou uns minutos na casa da Maggie sozinho e agora isso. Algo deu errado.
Entramos no quarto, ele arregala os olhos quando nos vê, Rick com um rifle, eu sério.
─A gente vai embora? Chama o Rick e vamos todos.
─Como aquele homem se chama Ben? – Me tom é firme quando o tiro do colo de Clarie, faço com que se sente na cama e me abaixo para olhar em seus olhos. – O homem que chegou. Como ele se chama?
─Travis. – Ele não me olha. – Puxa a touca dele.
─O que eu vou ver se fizer isso? Um W?
─É. – Troco um olhar com Rick, sinto a tensão em Clarie, sem nem mesmo olhar para ela.
─Ele te viu? Falou com você? Foi na casa da Maggie? – Benjamin se atira em meus braços chorando.
─Eles acharam, vão matar todo mundo, eu vou ser o cachorrinho de novo. Temos que ir embora. Vão prender a Clarie nua e soltar os zumbis para devorarem ela depois de fazerem coisas.
Me lembro da imagem da mulher na floresta quando estava com Aaron, o rosto da mulher se transforma no de Clarie e meu sangue gela.
─Quantos Benjamin? Quantos lobos?
─Dez, quinze, depende, já teve vinte, eles ficam separados as vezes, morrem também. Não sei, não sei, quero ir embora.
─Vamos alertar as pessoas, armar e vasculhar. Te encontro lá em baixo. ─Rick diz caminhando para a porta. – Leva ele para minha casa, melhor deixar as crianças juntas com alguma segurança.
─Isso. Vem Benjamin, vai ficar tudo bem. – Eu o ergo, pego a besta, Clarie sua lança e a pistola. Descemos todos. Enquanto Rick vai explicando tudo eu caminho com Ben no colo para casa de Rick.
─Não podia contar, ele vai me machucar, não podia contar.
─Fez tudo certinho Ben. – Clarie avisa.
─Fica comigo Daryl, não me deixa sozinho. Desculpe quebrar as coisas, desculpe xingar. Não me deixa sozinho.
Subo os degraus da casa de Rick, Tara abre a porta, lá dentro, Carl e Judith observam nossa chegada.
─Ben. Não posso ficar aqui com você, preciso encontrar esse cara e dar uma lição nele, e você vai ficar aqui, a Tara está armada, um segurança vai ficar na porta, então está seguro, ninguém vai te machucar.
Ele me solta, Carl se aproxima sem entender o que se passa, Rick chega com o resto do grupo.
─Está armado Carl? – Ele pergunta ao filho que nega. Rick entrega o rifle a ele. – Para matar, sobe com o Ben a Judy e a Tara. Alguém vai ficar aqui fora protegendo a casa.
─O que aconteceu pai? – Carl pergunta confuso.
─O Benjamin te explica. Tara, pode...
─Claro! – Tara ainda está se recuperando do acidente que quase a matou, então é mais seguro que fique e já está boa o bastante para atirar. Denise entra arrastando a filha, todos olhamos para as duas.
─Amber vai ficar aqui. – Amber suspira. – Ela não quer, acha que pode ser mais útil lá fora, não a deixe sair. – Denise diz a Tara que afirma.
─Vou verificar janelas e portas. – Tara avisa.
Benjamin apertava minha mão e a de Clarie. Nós dois trocamos um olhar e depois encaramos o pequeno.
─Obrigada por avisar Ben, agora fica com o Carl, quando acabar a gente vem te buscar.
─Não vem. Eu vou morrer, os lobos não perdoam, eu contei e vou morrer por isso. Eles vão me arrastar para a floresta e me matar.
─Não vão não, vai ficar seguro aqui, e além disso eu sou um caçador, eu sigo pistar e acho você, então te trago de volta, agora vai se distrair um pouco com o Carl, todo segundo é importante.
Clarie beija seus cabelos eu o afago. Ele segura Clarie pela mão.
─Estou com muita febre Clarie, por favor, eu vou morrer com essa febre e minhas costas, acho que está tudo machucado de novo, precisa fazer curativo.
Clarie o abraça. Aperta Benjamin, beija seu rosto com carinho.
─Volto logo para cuidar disso. – Ela se solta dele e corre para fora chorando, faço o mesmo sem conseguir olhar para ele, sinto seu pavor e não sei lidar com isso, só sei que quero esse Travis para mim, quero acabar com ele pessoalmente depois de dar uma boa lição.
Agora o celeiro e o que fiz com Randall parece brincadeira de criança perto do que aguarda ele homem.
─Se ele estiver aqui e o pegarmos eu o interrogo. – Aviso frio quando nos reunimos na frente da casa de Rick.
─Tudo bem. – Rick concorda meio sombrio. – Billie e Denise fazem a ronda em volta da casa, Aaron e Eric dão uma volta pelos muros buscando algum sinal de que ele tenha saído, o resto se divide em grupos e vamos de casa em casa, ele pode ter feito reféns, pode ter se escondido em casas vazias.
─O esquema é vasculhar, alertar e trancar. – Glenn comunica. – Sasha não viu nada de anormal da torre, mas está atenta.
─Mais duas horas e amanhece, de dia fica mais fácil. Se encontrarem ou tiverem problemas disparem. – Rick pede e nos dividimos. Vou com Clarie e Morgan.
─Ninguém pensou em manda-lo tirar a touca, sabemos dos perigos desses lobos e deixamos passar essa. – Morgan se recrimina. ─E você mantenha o foco Clarie, Ben precisa de você focada em protege-lo, deixa as lagrimas para o alivio final.
A primeira casa que entramos está vazia, assim que entramos eu vou por um lado com Clarie e Morgan por outro, cinco minutos e nos encontramos na sala.
─Isso parece tolice, não podemos olhar tudo, armários, sótão. O cara pode se esconder em tantos buracos.
Reclamo quando trancamos a porta e vamos para casa ao lado, Clarie ainda secando lágrimas e sei que Benjamin é a razão delas mais até do que a possibilidade de um ataque.
─Isso se ele ainda estiver aqui. – Ela comenta quando batemos na porta ao lado, um casal de idosos demora a abrir, vestiam pijamas e acho aqui absurdamente desproporcional ao que nos cerca. – Desculpe se incomodamos, mas temos u homem perigoso por aí e precisamos ter certeza que não se escondeu aqui.
─Ah Meu Deus, quanta desgraça! – A mulher diz tampando o rosto e nos dando passagem.
─Notaram algo estranho ou diferente? – Clarie pergunta enquanto eu e Morgan vamos varrendo o ambiente. – Ótimo, precisam ficar trancados, não saiam daqui a menos que um de nós peça, fiquem juntos e armados está bem?
Nem reconheço Clarie, sua aparente calma ao falar com o casal de idosos é surpreendente. Nos encontramos todos na sala mais uma vez, com movimentos negativos contamos sem palavras que tudo está bem.
─Tranquem! – Digo simplesmente quando passamos pela porta, não sou tão paciente quando o resto.
Depois mais uma casa, e outra e nada de qualquer sinal de perigo, ninguém realmente parece ter notado nada de diferente ou preocupante.
Nos encontramos com Michonne e Carol, o dia começava a clarear, mais de duas horas inúteis batendo de porta em porta, talvez ele já tenha ido se encontrar com os outros, talvez esteja enfiado em algum buraco esperando seu grupo chegar.
─Nada. – Carol avisa. – O maldito evaporou ao que parece.
─Cobrimos toda Alexandria, vamos voltar para o ponto de encontro e armar uma defesa para recebe-los. – Eu determino.
Caminhamos todos juntos, quando avisto a casa de Rick alguns grupos começavam a chegar também. Todos de mãos vazias e queria muito um minuto com aquele desgraçado.
Paramos todos na frente da casa.
─Vamos juntar todo mundo que pode se defender, pegar tudo que temos de armas, e munição, fazermos barricadas e...
─Cadê o Billie? – Clarie interrompe Rick quando olha para a casa. Apressa o passo e a seguimos, agora todos tensos. ─A meu Deus! – Ela grita olhando para o chão da varanda, Billie está caído atrás de um banco comprido, a garganta cortada e uma poça de sangue.
Rick chuta a porta e invade a casa, eu logo atrás dele, só penso nas crianças, Benjamin, Judith e Carl, não teve nenhum disparo, o homem não pode ter conseguido. A Sala está limpa, a cozinha também.
Glenn entra pelos fundos correndo.
─Dei a volta e Denise não está lá fora. – Ouvimos um barulho continuo no andar de cima, subimos apressados eu e Rick sempre na frente, meu coração gelado, nunca vou estar pronto para perder nossas crianças.
Vamos direto em direção ao som, no banheiro, eu e Glenn erguemos as armas e fazemos mira quando Rick se prepara para abrir, Clarie está encostada na parede e sei que não pode lidar com isso.
Rick chuta. Amber e Denise estão amarradas e amordaçadas, Judith está sentada no chão, Carl caído com um ferimento no rosto, Rick se ajoelho ao lado do filho, meus olhos correm pelo pequeno ambiente, ele não está, ele não está.
A ideia me atordoa, Glenn começa a libertar as mulheres, mais pessoas se aproximam.
─Ele está respirando! – Rick grita aliviado.
─Ele matou a Tara, mandou o Carl nos amarrar e prender aqui, tinha o Benjamin de refém e o Carl obedeceu, depois ele acertou o rosto dele com a arma e levou o Benjamin.
Amber conta, Denise assim que se liberta corre para junto de Carl e apenas consigo me afastar dali tonto de medo.
Clarie está ainda encostada na parece, sinto sua dor muda. Escuto a voz assustada de Ben dizendo que eles o levaria e matariam, que os lobos não perdoam.
─Vou encontrar ele. – Consigo dizer sem qualquer esperança. – Quanto tempo! – Chacoalho Amber.
─Estava escuro ainda, vinte minutos depois que saíram. Ele pegou a Judy, o Ben estava conseguindo fugir para busca-los, mas ele pegou a Judy e disse que mataria ela se Benjamin não aparecesse, ele ouviu e voltou.
Um pequeno herói que não vou perder, eu não vou perder mais ninguém, eu não consigo mais perder, eu vou acha-lo. É meu filho, eu prometi protege-lo.
─Vem Clarie. – Digo com a voz embargada, não é hora para fraquejar, é hora de encontrar meu garotinho e matar um por um desses lobos, Travis vai ser o último vou transforma-lo numa ovelha antes de manda-lo para o inferno.
Descíamos as escadas rumo a saída quando escutamos tiros e gritaria, olho para Clarie, sinto um medo que nunca na vida senti antes, junto com ele vem um ódio que me domina e consome, que me põe vivo e alerta.
─Eu vou matar esses canalhas, eu vou trazer o Ben de volta e não vou perder você. – Aperto seu braço, meu rosto tão lívido e minha voz tão gelada que sinto o choque de Clarie, isso a desperta. – Nós não vamos perder.
Não tem gentileza em minhas palavras, só fúria e certeza. Abandono qualquer sentimento que me mova e me deixo guiar pelo instinto, são lobos? Também já fui um animal, talvez ainda seja.
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