Resumption

30 Capitulo 30


Notas iniciais
Oiiiiiii Espero que gostem, amanhã posto mais um e agora vou terminar o Bônus de Hell.

Pov – Daryl

Tateio a cama em busca de Clarie, passei a noite indo e vindo do quarto de Benjamin e toda vez que voltava me enrolava nela, nem sei se a deixei dormir, eu a encontro e puxo para meus braços, beijo seu pescoço quando ela ronrona feito um gatinho.

─Porque nunca está pertinho de mim quando acordo?

─Por que é folgado e se espalha na cama, minha sorte é ser pequena e ocupar pouco espaço, se não ia acordar no chão todo dia. – Beijo seu pescoço, aspiro seu perfume suave, sinto sua pele. – Como ele está?

─Sem febre. – Ela se move mais em minha direção, passa os braços por meu pescoço. – A última vez que fui lá agora de manhã já estava acordado, mas fingiu que estava dormindo.

─Então vou preparar algo para ele comer e você dorme mais um pouquinho, andou a noite toda.

─Dormir? Quem está com sono aqui? – Ela sorri, me beija, fica sempre tão linda quando acorda.

─Você é sempre tão... animado de manhã. – Ela brinca, depois eu começo a tirar sua camisola que nem sei porque ela insiste em usar já que é transparente e então o dia começa realmente a ficar bom.

Nunca pensei que começaria todos os meus dias assim, é bom ter Clarie, é bom ter o seu amor.

Nos vestimos muito tempo depois, ela com um arzinho de culpa porque Benjamin deve estar com fome.

─Tadinho.

─É mesmo, um menino tão doce! – Eu brinco, ela ri calçando os sapatos. – E os elogios então, sempre dizendo delicadezas para você. Um príncipe anão.

─Quantos anos acha que ele tem?

─Uns dez, eu acho, menos que isso eu nem sei, seria assustador demais para ele. Um bebê.

─Vou ensina-lo a escrever e ler, então se prepara. Ele vai fazer um escândalo.

Me aproximo dela, espero que termine de prender o cabelo, depois a envolvo, beijo Clarie.

─Ele não vai reclamar, acredite, vai ficar feliz de aprender aqui, onde ninguém pode ver.

─Acha? – Ela pergunta esperançosa.

─Tenho certeza, vamos eu tenho muito o que fazer hoje, tenho que ajudar o Eugene com umas instalações, formamos um mutirão para isso.

─E eu sempre em casa.

─Por uma boa causa, ninguém está reclamando.

Ela vai ao quarto de Benjamin, depois ficamos na cozinha e uns minutos depois ele chega.

─Estou com febre? – Essas são sempre suas primeiras palavras, imagino que sinta medo de ter febre, ela sempre nos assusta, é como a morte nos enviando um convite.

Como ele para bem na minha frente eu toco sua testa, afago os cabelos e depois toco o pescoço, é isso, eu e Clarie passamos nossos dias roubando carinho de um garotinho.

─Nada de febre.

Assistimos enquanto ele toma leite e come biscoitos. Clarie tira a mesa, nós dois sentados assistindo, eu apenas esperando ela avisar das lições para poder sair, Clarie se aproxima com o caderno e o lápis, ele fica de pé, os olhos logo se enchem de lágrimas que ele prende na luta contra elas, sinto sua angustia e agonia que ele disfarça em raiva e irritação.

─Estou com febre, com dor, muita dor nas costas, não posso ir, não posso, vou morrer no meio de todo mundo e virar um zumbi e devorar aquelas pobres crianças.

─Senta Benjamin, não vai para a escola, eu vou ensinar você a ler e escrever. Só nós dois, todas as manhãs.

Boquiaberto ele se senta, eu me levanto, ela também está surpresa, beijo Clarie e teria feito um carinho em Benjamin antes de sair se não soubesse que ele iria se esquivar.

─Aaron quer falar comigo, então vou almoçar lá, tudo bem?

─Tudo! – Ela responde, mas está alarmada.

─Se for para recrutar eu vou dizer que não posso ainda, não vou sem você. – Isso a tranquiliza, ela me dá um beijo e parto ainda achando muito estranho que minha garota se despeça de mim todas as manhãs quando saio para o trabalho.

Desejo que os dois fiquem bem, O trabalho é grande, usamos toda a manhã, um grupo grande de homens mexendo em fios e placas, vejo ao longe o grupo que trabalha na horta colhendo legumes frescos, Alexandria está a todo vapor.

Me lembro do drama de devorar pobres crianças e rio sozinho, o pequeno foi as últimas consequências na apelação.

Decidimos parar para comer e retomar depois do almoço, sigo com Aaron para sua casa, estou curioso e preocupado.

─Sua mulher me deu o cano! – Morgan brinca passando por mim. – Mas já vi que o motivo é justo, garotinho terrível! – Ele brinca. – Cuide dele, nunca se sabe.

Afirmo, sinto o peso do seu olhar e entendo, ele perdeu um filho, que tipo de homem sobrevive a isso? Acho que não poderia.

Eric nos aguardava, comemos falando sobre o trabalho e Benjamin, nada de chegar no assunto principal. Só quando terminamos é que ele se recosta na cadeira e me olha tenso.

─Perdi a minha mochila. – É isso? Me chamou para dizer isso, olho sem entender.

─É isso? Perdeu a mochila? Isso é um problema?

─Dos grandes provavelmente, demorei a me dar conta disso, só há uns três dias eu me lembrei dela e descobri que não estava no carro, fiquei tranquilo, depois comecei a pensar a respeito e acho que ela ficou lá onde quase fomos pegos por aquela armadilha.

─O que tinha nela? – Pergunto com medo da resposta, passo a mão pelos cabelos e me encosto também.

─Fotos, as mesmas que mostrei a vocês, as que sempre levo comigo.

─Merda! Mas não tem um mapa, uma indicação.

─Não. Sempre deixo isso fora porque é um jeito de ficar seguro, se sou o mapa ninguém se arrisca a me matar, mas se os responsáveis por aquela armadilha acharam, bom, eles vão saber que existe um lugar, e podem tentar nos rastrear, não sei. O que faria?

─Deixamos o carro e a moto longe, então eles não tem pistas da nossa direção, se voltaram lá, se encontraram a mochila vão saber que existe um lugar, eu pensaria que alguém que vive num lugar como esse não se afastaria mais do que dois ou três dias de viagem, mas isso pode ser em qualquer direção, as fotos não dão pistas do lugar.

─O que não quer dizer que não possa ser encontrado. – Ele me lembra.

─Muito mais por sorte, qualquer um pode achar esse lugar, então, acho que temos que dar um alerta, mas não sei quanto isso é mesmo perigoso.

─Está certo, vamos contar a Deanna e Rick, deixar o pessoal da torre mais espertos sobre possíveis perigos. Desculpe Daryl.

─Bobagem, nenhum dos dois esperava por aquilo.

─Você não queria entrar, eu insisti, devia saber que era bom demais para ser verdade.

─Aaron não vamos voltar nisso agora, entramos, caímos em uma armadilha, Morgan nos ajudou e estamos aqui, vamos lidar com o que temos.

─Tudo bem. Vamos terminar o trabalho e depois eu mesmo converso com o Rick e a Deanna.

Durante toda tarde minha mente se divide entre pensar em Clarie e Benjamin em casa e me preocupar com o que Aaron me disse, Benjamin tinha ocupado meus pensamentos de um modo que esqueci que ele é na verdade o menor dos meus problemas, que ter um lugar como esse pode ser ainda mais perigoso que estar na rua.

Volto para casa no fim da tarde, com o frio tomando conta de tudo as noites começavam mais cedo e eram mais longas e quando se tem um teto isso nem chega a ser ruim, por isso não podemos perder Alexandria.

Benjamin está em frente ao vídeo game, se vira e me olha quando entro, Clarie se aproxima vinda da cozinha e penso no medo que tenho de perder essa coisa de família.

─Terminaram?

─Finalmente.

─Está com fome? O que o Eric cozinhou? – Eu tinha certeza que teria que responder aquilo e sorrio dando um beijo em Clarie.

─Um ensopado horrível. Comi por pura educação. – Minto fazendo Clarie rir.

─Você come até pedra e não é por educação! – Ela brinca me puxando para a cozinha.

─Oi Benjamin! – Eu digo enquanto sou arrastado, aqueles olhos brilhantes devem significar que Benjamin não xingou muito hoje.

─Fiz legumes cozidos e atum enlatado, eu sei que não é muita coisa perto do ensopado do Eric...

─Deixa de ser boba, eu nem ligo para isso, como você mesma lembrou como até pedra.

Me sento e ela serve a mesa, Logo Benjamin se junta a nós, se senta enquanto ela nos servia.

─Aprendi a escrever meu nome. – Ele não resiste a me contar.

─Sério, logo no primeiro dia? – Ele afirma, os olhos brilham, me lembro de como caçava um maldito elogio e nunca recebia nenhum. – Posso ver?

Benjamin afirma, some um momento e Clarie não consegue parar de sorrir. Ele retorna com um caderno, me mostra a letra imperfeita, o nome escrito e repetido uma página inteira.

─Clarie não era ele que devia escrever? Fez a lição para ele?

─Não foi ela, essa é minha letra. – Ele diz ansioso, aponta o caderno. – Está escrito Benjamin, um monte de vezes.

─É sua letra? Isso está mesmo muito bom, aprende rápido, parabéns.

Entrego o caderno que ele some para guardar.

─Me perseguiu o dia todo com esse caderno, por isso a comida não está grande coisa, ele não me deixou, nem brincou direito.

─E está toda feliz. – Ela me beija e então Benjamin está de volta, comemos, não conto sobre os lobos e a mochila perdida na frente dele, não quero assustar o garoto, depois ficamos na sala, é apenas para ele não ficar sozinho, Benjamin joga um pouco, depois desliga, se senta na poltrona.

Clarie faz seu curativo com ele sonolento, agora seu banho não é mais tão quente, as dores estão melhores e não teve febre o dia todo, acho que não corre mais risco.

Ele adormece, troco um olhar com Clarie, ela se encosta em mim, envolvo seus braços. Ficamos um pouco olhando para ele dormindo encostado no braço da poltrona.

─Talvez não seja assim tão difícil, ele é só uma criança afinal.

─Espero que não. Acordo ele ou levo dormindo?

─Leva dormindo coitadinho, tem tanto sono acumulado.

─Você é muito mole! – Brinco quando me ergo, pego Benjamin no colo, é um garoto leve e pequeno, mais uma vez penso em quantos anos ele pode ter.

Subo as escadas, quando entrava no quarto ele abre os olhos, mas logo os fecha e se aconchega, eu o deito, Clarie já está ao meu lado, ela o cobre, e ele só se arruma sob as cobertas.

─Vou treinar um pouco com o Morgan de tarde, não faço isso há dias, ele está me cobrando.

─Tudo bem. – Eu digo me sentando para almoçar. Benjamin se aproxima com o caderno, todos os dias na hora do almoço ele vinha me mostrar as lições, uma semana de aulas e ele estava cada dia melhor, é mesmo um menino esperto, faço mil elogios que o deixam tímido e cheio de orgulho, não teve mais febre, mas pergunta se está com febre cinquenta vezes por dia.

Ainda dá seus ataques, xinga, depois vem um encabulado pedido de desculpas, sempre antes das refeições e nunca sei se é honesto ou medo de ficar sem jantar.

A palidez desapareceu, as olheiras também, Carl vem de vez em quando brincar com ele.

─Está aprendendo matemática também? É muito difícil, não?

─É fácil, os números são infinitos, sabia? Quer dizer que não acabam, dá para contar para sempre.

─É sério? E isso o que é?

─Um problema que a Clarie me mandou resolver. Tem seu nome aqui. Daryl, ela te colocou no problema.

─Estou vendo, eu tinha dez flechas, ganhei mais cinco e fiquei com quinze, e onde estão essas flechas?

─Ah! Não é de verdade. É só para eu treinar.

─Entendo. Bom então mais uma vez parabéns, está ótimo.

Comemos e Clarie pega sua lança, eu a besta, seguimos para a porta, é um teste, vamos ver como ele se comporta sozinho. As coisas caminham para melhorar, mas Clarie não pode ficar presa o tempo todo.

─Benjamin, nós vamos sair, você termina sua lição e pode jogar vídeo game, não vamos lá fora, estamos na rua de trás se precisar.

Ficamos duas horas fora, Clarie treina, eu converso com Rick enquanto assisto, ainda a mesma preocupação com a mochila perdida. Depois caminhamos para casa. Os dois um pouco inseguros, quem sabe o que o menino pode ter aprontado?

Assim que entramos ele salta da poltrona, os olhos vermelhos.

─Estou com febre, muita, podem ver. – Ele pega minha mão, coloca na sua cabeça, depois pescoço. – Viu, está alta. Olha Clarie. – Faz o mesmo com ela, está fresco, apenas ansioso. – Achei que ia morrer, virar zumbi e morder vocês quando chegassem, é perigoso, eu estou virando, não estou?

─Não Benjamin, está ótimo, se estava com medo devia ter ido nos encontrar, eu disse para ir se quisesse. – Clarie diz inocente, mas ele reage.

─Não estava com medo porra nenhuma! Tenho dezesseis anos, não tenho merda de medo nenhum, não ligo nada para você. Para nenhum dos dois! – Ele grita, está furioso. – São dois burros, idiotas, odeio morar aqui! Odeio! – Ele some para seu quarto e escutamos a porta bater com força.

─Pelo menos agora sabemos que ele não gosta de ficar sozinho. – Eu digo envolvendo Clarie para acalma-la.

─Não sei o que me espanta mais, os ataques dele ou sua calma absoluta.

─Não vou perde-lo para sua revolta. – Ela sorri emocionada. Me beija e vamos para cozinha juntos. – Mas ele vai ter que descer sozinho.

─Ele vem, seu estomago é nosso aliado. – Ela brinca remexendo panelas. Quando servia a mesa ele surge com o caderno na mão e os olhos triste, está envergonhado, antes não ficava, mas agora quando tem um desses surtos de raiva se envergonha.

─Rabisquei todo o caderno, não tem mais folha limpa, tentei apagar, mas usei a caneta e não consegui consertar.

─Ainda bem que temos outro caderno. – Clarie avisa e só então ele pode nos olhar.

─Desculpe.

─Está desculpado. – Ela diz séria, ele me olha.

─Desculpe. – Sei o quanto aquilo é dolorido para ele, queria que não tivesse que ficar se desculpando toda hora, doía em mim quando tentava me desculpar, me sentia sempre ainda menor e menos importante.

─Passou, vamos jantar.

Mais uma vez ele dorme na poltrona, descobri que na maior parte das vezes ele apenas finge dormir, não sei se quer apenas ficar ali quieto conosco, ou se isso é para me fazer carrega-lo para cama no colo.

Os dias vão seguindo, a guarda no portão e na torre fica mais intensa, as saídas lá fora mais planejadas, Benjamin se mantem como sempre, estudando, comendo, nos pedindo de hora em hora para medir sua febre, e dormindo na poltrona.

De vez em quando perde o controle, xinga, chora e se desculpa. Os vinte dias chegaram ao fim, não sei se ele já se deu conta, se vai nos criar algum problema exigindo viver sozinho em uma das mansões. Nunca mais tocou no assunto, mas não pode ficar para sempre aqui dentro, precisa se acostumar com as pessoas, com as crianças, precisa se encaixar e com o tempo o assunto viver sozinho virá à tona.

Sei que não quer, ficou duas horas sozinho um único dia e quase teve uma sincope, mas é teimoso, cabeça dura e adora nos desafiar, pode ser que tente só para criar um problema, só como mais um teste.

Até que aconteça vamos levando, as coisas estão melhores do que pensei, ao menos ele convive quase bem conosco, já consegue ler um pouco, de vez em quando puxa assunto e está sempre nos rodeando.

A porta de seu quarto agora fica aberta a noite toda, ele ao menos confia em nós, mas não revela nada, não sabemos coisa alguma de seu passado, de onde veio, o que aconteceu, quantos anos tem. Não sei como tirar isso dele e não me esforço muito porque no fundo eu e Clarie temos medo da verdade, medo de saber o que aconteceu a ele que o deixou assim.

Notas finais
Beijos No próximo teremos mais um pedacinho de Pov do Benjamin