Resumption

27 Capitulo 27


Notas iniciais
Oiiiii Cheguei agora, Não era essa a fic que pretendia postar, mas andei meio atrapalhada aqui, como esse estava pronto desde ontem vou postar e correr para escrever Paixões Gregas, quero ver se posto ainda hoje.

Pov – Daryl

Quem nunca pensou em voltar no tempo? Em dar de cara com quem era e simplesmente dar um conselho? Começar de novo e fazer diferente? Todo mundo, ao menos uma vez pensou a respeito de como teria sido se...

Nunca achei que um dia, ainda mais no meio de um apocalipse eu daria de cara comigo mesmo, aos oito ou nove anos, mas foi isso que aconteceu, lá estava eu, cheio de ódio e revolta, me sentindo um nada e querendo ser visto, ser salvo, gritando palavrões que no fundo só querem dizer me veja, me salve, olhe para mim, eu estou aqui, preciso de ajuda.

Agora não sei o que fazer, como fazer, entendo o garoto que luta contra o sono no banco de traz do carro, eu sei quem ele é, mas não sei o que fazer, me assusta, me machuca, e quero salva-lo, é por ele, mas é também por mim, pelo menino Dixon que cresceu sozinho e com medo.

Sinto vontade de dizer para ele aguentar firme, ficar vivo, ficar de pé e esperar, um dia ele vai encontrá-la, e ela vai dizer que o ama e tudo vai ter valido a pena.

Foi assim comigo, aconteceu hoje, no meio do meu medo desesperado de perde-la, quando não sabia se salvava o pequeno Dixon ou a mulher que amo, ela escolheu por mim e quando escolheu ele de algum jeito me escolheu, por que sou um pouquinho ele.

Quero ajuda-lo, quero ficar perto, não tenho dúvida, não tenho medo, quero ele por perto como sonhei que um dia alguém iria me querer e me livrar daquela dor sem fim que me consumia e enchia de revolta.

Não aconteceu comigo, mas acaba de acontecer com ele mesmo que ainda não saiba e não vou desistir por mais que ele tente me convencer disso. Eu sei que é medo e apenas isso, que não se entrega porque sempre perde, porque sempre se engana.

Olho para Clarie sentada ao meu lado com um ar feliz observando a estrada, tão linda, será que ela pode fazer isso? Ele a chamou de vadia só para começar, apontou uma arma, esbravejou e praguejou, será que Clarie pode suportar isso ao meu lado? E se não puder, o que eu faço?

Ela se vira para olha-lo, depois se arruma sorrindo.

─Ele dormiu com a testa encostada aqui nas costas do meu banco, não deitou, não se encostou, está muito assustado.

─Acho que sim.

─Benjamin é nossa responsabilidade. Nós o encontramos. – Ela me diz, olho um instante para ela, seu olhar está atento a mim e minhas reações. Não sei o que espera ouvir. ─ Eu sei que não estou pronta para esse mundo, que precisa cuidar de mim o tempo todo, mas eu... Daryl não quero me livrar dele, entregar para alguém quando chegarmos a Alexandria.

─Não vamos fazer isso. Ele fica com a gente, mas depois conversamos melhor sobre isso.

Melhor ele não ouvir, não achar que estamos em suas mãos ou vai se divertir nos torturando, deixe que lute um pouquinho também.

Um zumbi surge do nada tomando a estrada, atropelo o corpo que suja os vidros e causa um solavanco, Benjamin é jogado para trás e desperta assustado, fica pálido quando bate no banco, se arruma rápido e não sei se a palidez é medo ou dor.

─Se machucou? — Pergunto preocupado.

─Não sou nenhum fraquinho não.

─Já estamos chegando Benjamin, vê aqueles muros lá na frente? Aquela é Alexandria.

Ele não responde, mas sinto que fica tenso, nós ficamos quando chegamos, imagino como será para ele. O portão se abre quando me aproximo, passo com o carro quando Sasha acerta da torre a cabeça de um zumbi que tentava entrar conosco, Benjamin se encolhe um pouco.

Quando descemos um pequeno grupo se aproxima, Rick, Deanna, Jessie que vê Benjamin e fica logo curiosa, Morgan e Mich, os dois caminham lado a lado em direção ao carro.

Clarie abraça Morgan. Benjamin está de pé, olhando feio para todos.

─Bons recrutadores nunca voltam sozinhos. – Deanna diz tentando sorrir. Aaron estava em uma varanda e acena sorrindo. Balanço a cabeça em resposta.

─Pobrezinho, todo sujo e cansado! – Jessie se dobra diante do menino ao meu lado, ergue a mão para tocar seus cabelos ele dá um tapa em sua mão e um passo para traz ela fica chocada.

─Este é Benjamin, ele veio ficar... um tempo apenas! – Eu encaro Rick, ele entende o recado, é bom ir com calma.

Algumas crianças se reúnem ao longe, isso chama atenção dele que olha curioso e preocupado.

─Tem um monte de casa vazia? Quero escolher a minha! – Diz sem olhar para ninguém.

─Crianças não moram sozinhas aqui! – Rick diz definitivo, ele o encara de olhos firmes, desafia Rick como desafia todos.

─Não sou criança seu idiota, não tenho medo dessa sua arma não! Eu tenho dezesseis anos.

Rick ri, não é capaz de disfarçar como eu e Clarie, Deanna e Jessie trocam um olhar.

─O rapaz tem problema com altura Rick, ele é meio... Pequeno? – Digo fingindo estar sério. – Um duende!

─De qualquer modo vai ter que ficar com vocês um tempo como todo mundo que chega. – Morgan se aproxima do grupo. – Quando me acharam foi assim, não é Clarie?

─Desculpe Benjamin, tem que passar por uma experiência para ver se o grupo confia em você, todo mundo que trazemos fica vinte dias morando em nossa casa. – Clarie diz a Benjamin e estou achando que está muito confiante, não vamos dobrar esse garoto em vinte dias.

─Depois escolho minha casa e moro sozinho?

─Sim. – Ela diz firme e ele dá de ombros, eu sei que ele quer isso, que teria medo de ficar sozinho, que está apenas nos testando.

─Benjamin pode me acompanhar em uma entrevista? Eu vou gravar se não se importa, são apenas algumas perguntas. – Deanna diz com voz doce, e ele faz careta de nojo, achei ridículo quando cheguei, fiz por Rick, não queria também.

─Não vou responder merda nenhuma, nem gravar nada, não sou artista.

─Ele não precisa. – Clarie diz a Deanna. – Se um dia ele quiser ele te procura.

Deanna aceita o olhar firme de Clarie, me surpreende essa sua força pelo garoto. Admiro e toco seu ombro, estamos no meio da tarde, não dormimos e comemos muito mal, é melhor irmos para casa.

─Vamos, está tudo igual lá fora, depois falamos Rick. Vem Benjamim.

As pessoas se dispersam e começamos a caminhar para casa, ele vai olhando as mansões de olhos arregalados, as ruas limpas, as pessoas passeando, um garotinho passa correndo puxando a coleira de um cachorro e ele para de andar acompanhando aquela cena que ainda me causa estranheza.

─Chegamos! – Clarie aponta a casa orgulhosa, ele faz careta.

─Essa? Vocês são burros? Um monte de casa grandona, mansões cheias de coisas e moram nessa casinha? São os pobres daqui é isso?

Rimos, dessa vez muito e com vontade, Clarie se encosta em mim, olhamos a cara feia dele, sua incredulidade por ter que morar na casa mais simples do lugar quando passou por belas casas.

─É um jeito de ver as coisas. Somos os pobres de Alexandria, mas somos bem felizes. – Ela diz se afastando e abrindo a porta.

─Vou escolher a maior de todas, com banheira bem grande e camas fofas, são burros demais. Os dois burros me acharam.

Ele sai olhando as coisas, se familiarizando com o lugar, alguém bate na porta e ele arregala os olhos, aperta a mochila na mão tenso.

─Oi Clarie! – Jessie sorria com uma sacola na mão. – Trouxe roupas do Ron para ele, e um par de tênis, vão ficar grandes eu acho, ele é magrinho. Tem uma costureira, a senhora May, ela vai adorar ajeitar umas coisas para ele. Mas por uns dias isso deve servir.

─Obrigada Jessie, estava pensando nisso, está muito frio.

─Leva ele para jogar vídeo game com os garotos depois. – Ela sorri, não acho que ele esteja pronto para isso. – O Carl pode instalar um aqui para ele se permitirem, tem uns por ai.

─Vamos ver. – Eu respondo e ela acena, dá uma olhada curiosa para o menino de pé agarrado a sua mochila vazia, depois deixa a casa.

─Todo mundo aqui é mentiroso, não tem vídeo game porra nenhuma!

─Para você não tem mesmo. – Eu respondo e Clarie apenas caminha em sua direção.

─Vou te mostrar o banheiro e seu quarto Benjamin, vai tomar um banho, arrumar suas coisas e depois descer para comer.

─Eu faço o que eu quiser. – Clarie ignora, mas ele vai ter que parar de maltrata-la, isso é a primeira coisa que precisa acontecer.

Os dois desaparecem e aproveito para olhar tudo e ver se tem alguma arma perdida ou algo que ele possa se meter em encrenca, vamos ter que nos preocupar ao menos no começo.

Clarie desce e me abraça, suspira, beijo seus lábios. Ela se encosta em mim.

─Queria que tivesse um médico para examina-lo, ele está fraquinho e ainda gasta toda a energia que tem maltratando tudo e todos.

─É medo. Vou te ajudar a cozinhar qualquer coisa.

Ela sorri sem acreditar muito e está certa, apenas me sento numa cadeira e fico observando seus movimentos de um lado para outro, o garoto nada de descer, quando ela coloca a mesa para três eu me dou conta do que estamos começando a fazer e me assusta.

─Fiz um espaguete que é rápido. – Sorrio, começo a achar que seus talentos na culinária começam e se encerram em espaguete, ela me olha, franze a testa, faz uma careta. – O que?

─Nada! Adoro espaguete.

─Acha que não sei fazer outra coisa? Cozinho muito bem, vou provar isso!

─Acredito!

Estávamos rindo quando ele surge na cozinha, parece quase outra criança, seus cabelos são castanhos claros, o rosto ainda é pálido como cera, mas é um menino bonito, de olhos verdes, ele empurra o cabelo comprido como o meu do rosto, as mãos, não se pode dizer que estão completamente limpas, mas não é sujeira que se saia num único banho.

─Gostou da água quente?

─É só água. Vou comer no quarto.

─Vai comer aqui ou não vai comer. – Eu aviso, quanto mais sozinho ele ficar mais difícil fica conquista-lo. Sem uma palavra ele arrasta uma cadeira, Clarie o serve primeiro e ele não espera nada, começa sua saga por encher o estomago, enfia garfada atrás de garfada na boca, vai engolindo tudo e sou eu mais uma vez ali.

Eu e Clarie começamos a comer ignorando seus modos e sua presença, conversamos sobre as coisas do nosso dia, os planos para o dia seguinte e então o prato dele está vazio.

Benjamin não se move, fica onde está, encarando o prato vazio a sua frente, será que um dia ele vai sorrir? Detesto ignora-lo, mas eu sei que no momento é o melhor a fazer.

─É melhor que o do Eric, admita?

─O Eric pensa que é amiga dele, não sabe dessa sua implicância, eu devia me abrir com ele. – Clarie sorri, se move sobre a mesa para me beijar, depois volta para seu lugar.

─Ele sabe sim, me mandou conquista-lo pelo estomago e bem que deu certo. E amanhã vou buscar um pouco de carne e fazer assada, sabia que nem tocamos na nossa cota de carne?

─Porque será, não é? – Ela faz careta.

─Bobo, vai ficar dois meses sem espaguete.

─Talvez eu visite o Eric e o Aaron. – Termino, ela sorri ao ver meu prato vazio, leva jeito para dona de casa, parece uma daquelas mães de filmes que eu via na tv e achava que não existia.

─Quer mais um pouco? – Nego.

─Não. Obrigado. – Se quero que ele se eduque preciso começar por mim, dando exemplo.

─E você Benjamin, quer mais? – Ele afirma, os olhos brilham e meu coração se aperta. Com um largo sorriso ela o serve, ele se concentra no prato, não demora a devorar tudo, logo vai ganhar peso. Aprendi a caçar de fome, ele não vai precisar disso.

Clarie recolhe os pratos, escurecia, mas caminho para a sala com minha besta e as flechas, começo o trabalho de limpa-las, deixo Benjamin livre e ele se senta na poltrona que normalmente ignoro porque me faz lembrar meu pai e odeio me sentir se quer parecido com ele.

Benjamin fica reto, não se encosta em nada, não amolece, não baixa a guarda, só fica ali, silencioso e imóvel me assistindo limpar minha arma. Clarie se junta a mim, pega um livro romântico que anda lendo e acendo um abajur, o menino fica surpreso.

─Energia solar. – Clarie diz a ele que finge não se importar. – Quando quiser dormir é só ir para cama.

─Não tem chave na minha porta, não confio em vocês.

─Encoste uns móveis. – Eu digo sem olhar para ele, mas pensando sobre seu medo de ter o quarto invadido no meio da noite.

─Quero minha arma de volta, são ladrões, os dois.

─Não. E isso é tudo.

─É minha, me roubaram.

─As flechas estão limpas, que tal deixar esse livro para amanhã, foi um dia longo. – Eu digo e Clarie o solta na mesma, hora. – Vamos dormir?

Ficamos de pé, ele para na minha frente, furioso.

─Não me ignora! Quero minha arma! – Benjamin me empurra, não saio do lugar, é só um pequeno e frágil garotinho, os olhos estão cheios de lagrimas, mas uma vez é só raiva que tem ali.

─Não. – Eu seguro seu braço, só quero que pare, mas apavoro o garoto que salta para longe de mim assustado. – Boa noite Benjamin. Vem Clarie.

Quando fecho a porta do quarto e respiro para me acalmar escuto a porta ao lado bater com um estrondo que faz a casa tremer.

─Ele vai ficar bem. ─Ela tenta me tranquilizar, seus instintos compreendem meus medos mesmo que não conte.

─Se tentar fugir á noite?

─Não vai, está com medo, muito medo da gente eu sei, mas tem mais medo ainda dos zumbis, eu vi, ele tem muito medo deles.

─Pode ser, mas se ele quiser ele consegue, é esperto, pode pular o muro e sumir.

─Benjamin está curioso e acho que ele quer muito ficar e acreditar, é só darmos um tempo a ele.

─Espero que esteja certa.

─Eu estava com muito medo quando Rick ofereceu ajuda, quando ele disse que podia ir com vocês, mas arrisquei porque ficar era ainda pior e o Benjamin fez o mesmo. Me mostrou que eu não tinha o que temer e vai fazer o mesmo com ele.

─Espero que sim. ─Tranco a porta, nossas armas estão aqui e não quero correr o risco de ele nos roubar durante a noite.

─Você é paciente com ele, tanto que me assusta.

─Estou tentando. – Ela se deita e faço o mesmo. Clarie vem para meus braços. – Ele pode ficar?

Clarie se afasta para me olhar nos olhos, quero muito fazer isso, mas acho que não consigo sem ela.

─Quando diz ficar... Está falando de ocupar o quarto ao lado? De dar comida a ele ou....

─Isso que está pensando.

─Eu sei que não é bom com palavras, que tem muita coisa envolvida nisso, mas eu não sei amar e depois desistir e dar as costas, se for assim então precisa ser para sempre, não importa o que venha pelo caminho.

─Ele vai ser difícil, e se mudar de ideia?

─Não vou. Quero que ele fique, pode ser bobagem, mas acho que é mais do que uma simples coincidência, não importa no que acredite acho que algo mais forte que a gente providenciou esse encontro.

─Obrigado! – Ela sorri, CLarie tem tanto carinho a oferecer que ele não vai resistir.

─Agora a gente pode falar sobre o que me disse mais cedo?

─O que? – Me faço de desentendido.

─Sobre me amar.

─Aquilo! Você sabe, eu estava nervoso, não leve a sério. – Ela me olha surpresa, os olhos se enchem de lágrimas, por um momento me esqueci que é Clarie e sua inocência. – Estou brincando! – Conserto rápido. – Amo você. – Ela me abraça. – Desculpe!

─Eu sou mesmo uma boba, achei que estava voltando atrás.

─Me esqueço que é assim, toda delicadinha, que acredita em tudo que digo, desculpe, eu te amo, estava procurando um jeito de dizer, não diria se não estivesse no limite, mas foi bom dizer.

─Foi bom ouvir, pode ficar dizendo isso de vez em quando?

─Posso, mas vou ter que ouvir algo parecido em troca!

─Eu te amo! Não me importo de ficar dizendo toda hora.

─Acho que pode mostrar também, quase perdi você hoje, é que o pequeno atira muito mal, ainda bem! – Ela se move, os olhos brilham, se cola a mim e podemos deixar Benjamin de lado um pouco, eu senti falta disso, dessa cama e de ter Clarie inteira para mim, só quero matar a saudade e então eu a beijo.

Ela me faz esquecer os medos e a insegurança, quando estamos abraçados e perdidos no meio do desejo nada mais importa, mas depois ela adormece em meus braços e custo a pegar no sono, minha infância fica surgindo em minha mente o tempo todo e me machuca lembrar.

O esgotamento me faz dormir. A consciência começa a me dominar pela manhã, a primeira coisa que sinto é falta de Clarie, tateio a cama, sinto ela ao meu lado e a puxo para meus braços.

Me enrolo nela, aspiro seu cheiro e acabo dormindo de novo, quando abro os olhos ela dormia, sempre acorda primeiro, mas essa manhã parece cansada e fico olhando seu rosto suave.

É linda acordada, é linda dormindo, e disse que me ama, e mostra isso o tempo todo, e mergulha comigo na vida sem medo de se ferir e isso a torna muito mais forte que eu.

─Bom dia meu amor! – Sinto algo mover minhas entranhas só de ouvir, olho para ela abrindo os olhos suaves.

─Não vai me chamar assim na frente das pessoas. Vai?

─Vou. – Parece que vai e que não tem muito o que eu possa fazer, posso fingir que não é comigo, ou posso me encher de orgulho e ficar feliz que sou eu e não outro qualquer.

Beijo seu pescoço, ela se espreguiça, beija meus lábios e simplesmente foge de mim, nunca foge de mim pela manhã.

─Onde vai?

─Alimentar aquele dragãozinho que trouxemos para casa.

─Sério? Vai me largar aqui? Vou me arrepender logo no primeiro dia?

─Se visse sua cara! – Clarie volta, é bom saber que não resiste.

─Que cara?

─Sofrimento! – Ela responde quando me distraio beijando sua pele e livrando nós dois da camisola transparente.

Quando descemos ele está sentado na sala, no mesmo lugar e na mesma posição que a noite anterior, ainda mais abatido e cansado, com mais olheiras.

Clarie o convida para o café e ele se senta a mesa. Toma chá e come biscoitos caseiros.

─Conseguiu dormir?

─Não é da sua conta. – Ele responde a ela. – Tenho que ficar preso aqui?

─É livre, pode andar por ai, não se meta em encrenca e tudo bem.

Benjamin deixa a casa, nos olhamos ansiosos, mas ele não pode mesmo ficar preso, vou arrumar o carro, conferir se está em ordem e procurar Rick, ela vai em busca de Maggie e depois vai ver Judith, nos perdemos um do outro toda manhã.

Procuro por Benjamin, ele está sozinho, olhando uns garotos jogarem bola, depois o grupo de meninos o convidam para qualquer coisa, ele gesticula irritado, não sei o que diz, mas termina sozinho.

─Carl! – Ele se aproxima.

─O menino é meio idiota, chamamos para jogar e ele foi mal educado, xingou os garotos.

─Ele tem problemas, os meninos daqui não podem entender, mas você pode, ele viveu lá fora como a gente, imagina o que passou?

─Vou relevar. Posso levar uma TV pequena para sua casa e um vídeo game, assim ele se distrai um pouco. Quer?

─Quero, mas não dá muito mole para ele, responde a altura, não deixa ele vencer.

─Pode deixar. Sua porta está aberta? Vou instalar agora. A Enid vai comigo.

─Vai. Olha lá você e ela sozinhos lá em casa.

Ele revira os olhos, sai resmungando e sorrio. Cresceu rápido, me lembro dele roubando minha pistola na fazenda e se metendo em todo tipo de encrenca. É sorte ainda estar vivo.

Notas finais
No próximo começa com Pov do Benjamin. Beijosssssss