Resumption
26 Capitulo 26
Notas iniciais
Pov – Clarie
Eu devia estar com medo, devia estar tensa. Sempre me senti assim quando estávamos na rua, mas me sinto bem, apenas isso, não porque agora sei me defender de um zumbi, mas porque agora eu tenho Daryl. Não como antes, quando sentia sua proteção meio distante, agora é diferente, agora estamos juntos e isso sim me deixa leve e corajosa.
Ele dirige atento a tudo a sua volta, uma música country toca baixinho em um CD velho, sorrio, quem diria que Daryl Dixon gostasse desse tipo de música? Ele me olha de lado, apenas um segundo e logo sua atenção volta para a estrada.
─Que foi? – Me pergunta depois de desviar de três zumbis caminhando pelo canto da estrada.
─Achei que gostava de rock, do tipo pesado.
─Merle gostava, eu nem sei, acho que gosto de música, não tem um tipo especial.
─Eclético. – Ele afirma concordando, é estranho descobrir essas pequenas coisas.
─Vamos parar, está com fome?
─Não muita, tenho sanduiches e uns pacotinhos de sopa instantânea.
─Certo, vamos parar, entramos um pouco na floresta, fazemos uma fogueira e comemos a sopa, deixamos os sanduiches para amanhã.
─Vamos dormir no carro?
─Melhor, a próxima cidade fica aqui perto, dirigimos o bastante, nunca vim para esse lado, de manhã damos uma olhada na cidade e se não tiver nada voltamos.
Ele estaciona, entramos pouco na floresta, ainda podemos ver o carro por entre as árvores, Daryl acende um fogo baixo e coloco um pouco de água para ferver, está muito frio e aqueço a mão no fogo.
─Só queria um tempo aqui fora. – Ele me olha, se preocupa se vou ficar brava por não estar realmente em busca de nada, mas sorrio para acalma-lo.
– Tudo bem! Eu sei, não rastreou nada, não observou pegadas, corpos. Se está melhor já fico feliz.
─Está por perto, então sim, estou melhor.
Eu me aproximo, ele me beija, depois passa um braço por meu ombro e me encosto nele.
─Acho que é bom lembrar porque estamos lá dentro daqueles muros. – Ele me diz esfregando meu braço para me aquecer. – Foi tolice sair, se não tem um objetivo especifico não temos que estar aqui fora.
Concordo, podíamos estar na nossa cama, quentinhos. A noite cai e me encolho mais enquanto beberico a sopa uma caneca ouvindo a noite. No fundo é bem assustador.
─Vamos para o carro, não gosto que fique assim ao relento. – Ele me ajuda a ficar de pé, recolho as coisas e acendo a lanterna, Daryl apaga o fogo. Caminhamos para o carro.
Um zumbi vinha pela estrada sozinho, sinto meu peito se apertar, era um jovem, tem uma mochila ainda nas costas, no braço uma mordida, Daryl me olha, percebe minha tristeza.
─Entra no carro, eu resolvo. – É carinhoso, mas ainda assim uma ordem e sei que ele não pode evitar, tomou para si a responsabilidade de me manter viva. Daryl acerta uma flecha, caminha até o corpo, pega a mochila, depois entra de volta no carro onde eu já estava. – Eu sei que não precisamos disso, é meio mania.
Tem apenas uma blusa suja de sangue, uma foto de um casal de meia idade, talvez os pais, um abridor de latas, e um canivete. Daryl joga a mochila no banco de trás e se ajeita ao meu lado, esfrego os dedos com frio, ele se move mais uma vez, pega uma manta sobre o banco traseiro, me cobre.
─Pronto, agora dorme e cuido da gente. – Cuida da gente, adoro ser um par. – Não sei o que me deu, mas senti necessidade de sair, uma coisa estranha. Não planejamos nada só...
─Eu sei. Tudo bem, estou feliz de estar aqui, de ser parte das suas escolhas agora.
─Está sempre em todos os meus planos. – Ele não para, aquilo é de deixar qualquer uma tonta. Me aproximo, me encolho a seu lado, divido a coberta com ele.
─Não estou com sono, vamos ficar assim juntos.
Ele me beija, acaricia meu rosto. Está escuro, quase não nos vemos, mas ficamos ali, trocando carinhos, beijos, olhando as estrelas e falando baixinho como se alguém pudesse nos ouvir.
─Acho que não vai dar para sair tão cedo, está muito frio, deve nevar em breve.
─Onde estava da última vez que nevou?
─Na prisão. Foi meio complicado para mim, meio sufocante, mas acho que agora pode ser diferente.
─Pode! Vai ser, vamos dar um jeito de gastar o tempo. – Brinco e ele me beija.
─Linda! – Ele diz me envolvendo mais. – Estava no... Esquece. – Ele diz e suspiro.
─Sim, eu estava no Grady, tudo bem, não tem problema falar. Ficava olhando a cidade pela janela e pensando se tinha mais alguém vivo, e tinha você.
─Indo te buscar.
─Era meio bravo no começo. Me dava medo as vezes, mas sempre queria ficar perto de você.
─Tinha medo do que me faz sentir. Eu não entendia o que era na época.
─Salvou o Carl? – Ele se recosta no banco, me deito em seu peito.
─Não foi bem assim. – Daryl me conta seu encontro com Joe e seus amigos. É uma história pesada, eles viveram tantas coisas, perderam tanto, depois ele me conta sobre Karen e David e fico surpresa de estar se referindo a Carol, não sei muito o que pensar sobre ela. Chegamos a Sophia, sua caçada pela menina, e por fim quando estava perto de amanhecer ele me conta sobre o nascimento de Judith.
─Deu a primeira mamadeira para ela? Queria estar lá para ver isso. Gosta de criança. – Constato, ele dá de ombros, não nega.
─Só me preocupo, são sempre tão indefesas. Sei como é ser uma criança e... Esquece, falamos a noite toda. Vamos dar uma olhada na cidade e voltar para casa.
Daryl não está pronto para enfrentar o passado, eu aceito isso, não vou forçar.
Ele me dá um beijo leve, volto para meu banco, foi bom saber mais sobre ele, mesmo que ele não conte os detalhes, não se gaba, não revela suas dores também, mas essas eu percebo nas entrelinhas, nas não palavras.
Deixamos a beira da estrada e vamos em direção a cidade, cinco minutos de carro e ele para a cidade fica num vale e podemos vê-la um pouco abaixo.
São apenas umas ruas abandonadas, pequenos comércios, casas simples, um posto de gasolina, uma escola, uma pequena e comum cidade.
─Não vamos entrar na cidade? – Pergunto e ele sorri.
─Quer a verdade? – Ele diz pegando um binóculo e se posicionando a meu lado. Eu já tinha o meu em mãos. Afirmo e ele suspira. – Desculpe, não consigo entrar lá com você Clarie.
─Daryl...
─Não consigo sozinho, eu tenho... Eu não sei, desculpe, esse medo que tenho de perder você.
Ergo o binóculo para olhar a cidade e pensar no que disse, gosto de saber que sou o centro de sua preocupação, mas ao mesmo tempo sinto medo de isso me deixar em casa quando ele sair da próxima vez.
─Não fica brava. Quando estivermos com o Aaron eu....
Olho a cidade distraída, vejo um ou outro zumbi caminhando a esmo, outro parado numa esquina, mas então algo me chama atenção, não é um zumbi, não é o andar de um, é uma criança, com uma mochila nas costas caminhando sozinho.
─Aí meu Deus! Daryl, olha! – Ele ergue o binóculo. – Uma criança!
─Onde?
─Coitadinho! Sozinho? Que estranho.
─Onde? – Ele repete. O menino caminhava apressado, com uma mochila nas costas.
─Três horas.
─Três horas? – Ele ri. – Três horas sargento!
─O Morgan me ensinou, para eu me organizar se estivesse cercada.
─Achei. Sozinho? – Ele e eu acompanhamos os passos do garoto, um zumbi o percebe, começa a segui-lo. – Droga!
─Onde estão seus responsáveis? Sai daí menino. Corre! – Ele se aproxima de uma janela. – Não, não faz isso. Não entra assim sem olhar.
Meu coração batia descompassado.
─Tem umas caixas de apoio, não é a primeira vez que ele entra ali. – O zumbi se aproximava, a mochila prende na janela, o menino empaca, o zumbi se aproximava e eu parecia prestes a desmaiar de tensão, ele desiste da mochila, deixa que caia na calçada e salta para dentro no último segundo. O zumbi fica ali. Até que algo lhe chame atenção vai simplesmente ficar ali. Pode durar uns minutos, umas horas, uns dias. Nunca se sabe.
─Vamos até lá. – Daryl diz correndo para a direção, me sento ao lado, os dois tensos, talvez ele esteja em perigo, morto agora, pode estar com alguém ferido, não sabemos, mas não podemos apenas dar as costas.
Daryl para no começo do quarteirão, me olha ajeitando a besta.
─Não adianta me olhar assim. Não vou ficar no carro. Em uns minutos vai estar cercado de zumbis.
─Morgan te ensinou isso também?
─Não. Inventei agora para não ficar para trás. – Ele desce e faço o mesmo com a minha lança. Caminho ao lado dele.
─Só faz o que eu mandar. Ele pode não estar sozinho, podem não ser cordiais.
─Ele não sobreviveria sozinho, acho que tem alguém com ele.
─Que tipo de pessoa Clarie, deixa uma criança daquele tamanho sair aqui fora?
Fico calada, ele está certo, suspiro, Daryl vai um pouco a minha frente, pela lateral um zumbi se aproxima, dou uns passos para longe dele e uso a lança o zumbi cai, quando me volto Daryl tinha o olhar pesado, me quer dentro de um vidro de proteção, mas não existe e precisa aceitar.
─Vamos pela janela? – Eu pergunto, ele nega.
─Não, pela lateral. Vamos ver o que temos ai dentro. Prometa que vai correr para o carro e voltar para casa se algo der errado.
─Desculpe, não vou fazer isso e não devíamos perder tempo discutindo.
Ele aceita, passamos por um portão lateral aberto, tem lixo, dois corpos em decomposição, o cheiro de morte que cerca o lugar é insuportável, vamos olhando pelas janelas, tem uma sala com alguns zumbis trancados, eles grudam na janela agitados quando passamos.
Sinto um arrepio pelo corpo, em outra tem apenas corpos pelo chão. A porta dos fundos está aberta. A lança está firme na minha mão. Vamos passando pelas portas que vimos pelas janelas, todas trancadas reforçadas com madeira e móveis encostados, chegamos a um tipo de sala. Tem duas portas semi abertas, uma onde o garoto deve estar e outra que não sabemos o que pode ter.
Daryl segue até a janela, olha em busca de algo diferente na rua e então eu o vejo, o garoto surge com uma pistola na mão, me aponta tremulo, não sei se de medo ou frio.
É pequeno, veste uma jaqueta cinco números maiores, as mangas dobradas, está muito sujo, o rosto pálido, os lábios brancos e profundas olheiras, deve ter uns oito ou nove anos.
Está todo rasgado, treme de modo compulsivo, sinto pena, antes de qualquer coisa, sinto pena.
─Solta essa merda ai vadia! – Ele manda cheio de fúria, não me movo, Daryl se vira, aponta a besta para o menino. – Você também. Larga essa merda, vou matar os dois.
─Calma, não queremos te fazer mal. – Tento acalma-lo usando um tom tranquilo.
─Foda-se! – Ele grita tremendo e com a voz esganiçada. – Eu não estou sozinho, meus amigos estão chegando!
─Que bom, vamos esperar, agora abaixa a arma. – Daryl diz firme.
─Cala a boca babaca! Eu não vou abaixar merda nenhuma, vou matar a mulher, então enquanto você vem chorar desesperado eu mato você e roubo tudo que vocês têm aí na mochila.
─Está tudo bem. Meu nome é Clarie, só queremos ajudar.
─O caralho que querem!
─Mas que boca suja! – Daryl reclama.
─Anda! – Ele grita nervoso, a arma treme muito, ele a segura com as duas mãos, os cabelos ensebados nos olhos atrapalhado sua visão, ele não desvia os olhos de mim e começo a ter medo de ele fazer uma besteira.
─Para de apontar isso para ela! – Daryl grita, o menino estremece assustado, as coisas piorando.
─Vá para o inferno, não largo porra nenhuma, se não soltar eu mato a vadia! – Daryl faz mira com a besta, um zumbi surge vindo dos fundos onde deixamos a porta aberta.
O menino está tão cego que não o sente vindo por trás, os passos lentos e famintos, meu coração bate forte, não me movo, ele não se move, mantem a arma em mim. Sinto a indecisão de Daryl, ele precisa acertar o zumbi antes que pegue o menino.
─Daryl! – Eu peço. Agora eu começo a tremer, não quero a vida de uma criança pela minha.
─Larga essa merda garoto!
─Não! – Ele agora chora, não é um choro de medo, é um choro de raiva, um ódio contido que escorre em lágrimas e tremor. – Vou matar os dois!
─Daryl! – O zumbi cada vez mais perto.
─Não posso Clarie.
─Disse ontem, se lembra? Que não matava crianças por mim.
─Eu te amo! – Ele diz, queria poder olhar para ele, meu coração bate forte. É tudo que importa, se acabar assim, nas mãos de uma assustada e solitária criança, tudo bem. Eu estive em seus braços um dia e tem que ser o bastante.
─Eu sei, também amo você, faça o que é certo.
Tudo acontece num longo segundo, Daryl dispara a besta que atravessa o crânio do zumbi, o corpo despenca em direção ao menino, com o susto a arma dispara, o tiro pega na parede uns metros de mim, o tranco derruba o garoto, a arma rola em minha direção e eu a chuto para Daryl.
Daryl se abaixa, recolhe a arma, coloca na cintura, fico no mesmo lugar sem forças para me mover, depois ele caminha em direção ao zumbi, o menino se encolhe sentado no chão, espera o pior e isso só me enche de pena.
Não vem ninguém, ele não tem amigos, está sozinho, perdido e assustado.
─Me mata de uma vez seu merda. – Ele desafia Daryl que apenas passa por ele, pega sua flecha de volta na cabeça do zumbi e caminha para mim. Eu o abraço, ele disse que me ama, eu fiz o mesmo e só queria não estar ali no momento mais bonito da minha vida.
─Eu amo você. – Repito quando ele me beija de leve.
─É bom saber. – Ele diz antes de me beijar mais uma vez e então temos o garotinho que parece ser um problema difícil de resolver. – Vamos entrar ali e fechar a porta, logo vem mais.
Entramos os dois na sala, o menino fica onde está, mas não deixa de acompanhar cada um de nossos movimentos. O cheiro do lugar é insuportável, de algum modo isso deve ter impedido os zumbis de sentirem o garoto.
─Vou fechar com você aí fora se não entrar. – Daryl usa seu tom mais frio, o menino encara o corpo estendido a seu lado e fica de pé, entra na sala e Daryl fecha a porta, tem um móvel ao lado e o menino arrasta encostando na porta.
Era ali que ele estava vivendo? Em um cômodo vazio, com uns pedaços de tecido num canto onde ele devia deitar e mais nada? Quanto tempo? Porque?
Sua aparência deixa claro que está no limite, fome, cansaço, sede, um garotinho apenas.
─Meus amigos vão matar os dois, melhor irem embora de uma vez.
─Já disse que vamos esperar seus amigos! – Daryl diz olhando pela janela, sabe tanto quanto eu que não vem ninguém. – Coma Clarie, beba água, até esses amigos chegarem vamos descansar. É seu jeito de oferecer comida ao menino e amo ainda mais aquele homem fechado e gentil.
Abro minha mochila, tiro um sanduiche e uma garrafa de água, não tem condição nenhum de comer no meio daquela podridão, com aquele cheiro me enjoando o estomago.
─Quer? – Ofereço, ele saliva de fome e sede. Meu coração se aperta.
─Não preciso de esmola. Tenho uma mochila cheia de comida e água.
─A que deixou na calçada quando entrou? – Ele se espanta que sabemos disso.
─Depois vou lá fora mato o zumbi e pego. Enfia isso...
─Ei! – Daryl o interrompe.
─Tudo bem que tem comida, mas pode pegar só até ir lá fora. – Atiro para ele, o pão embrulhado e uma garrafinha de água. Ele não resiste. Com os dedos negros de tanta sujeira abre e devora, é como um pequeno e faminto animal. Ficamos assistindo enquanto come.
─Como é seu nome? – Eu pergunto, os olhos de Daryl não conseguem desgrudar dele, estão cheios de mistérios, sinto sua tensão, sua angustia e paciência. Nem o reconheço, não sei como ainda não arrastou o menino para o carro e pegou a estrada para casa.
─Não interessa.
─Certo não interessa, eu sou o Daryl, essa é a Clarie e sabemos que não vem ninguém.
─Não sabe porra nenhuma.
─Temos uma comunidade onde recebemos pessoas, quer ir não interessa?
─Vai ficar me chamando assim? É idiota?
─Qual o seu nome? – Daryl diz baixo, num tom ameaçador. O menino o encara.
─Benjamin.
─Quer vir conosco, Benjamin?
─Eu me viro, não preciso de porra nenhuma, vão embora logo!
─É uma criança, não pode ficar sozinho. – Meu tom é mais uma vez calmo, quero tentar deixa-lo confiante.
─Criança uma ova! – Ele diz em voz alta. – Tenho dezesseis anos! – Chutou bem alto, olho para Daryl me controlando para não rir.
─Dezesseis? É anão? – Daryl pergunta fingindo acreditar.
─Cala a boca! Eu vou crescer babaca!
─Bom, não sabia que estava diante de um duende. – O menino faz careta para Daryl, atiro mais um sanduiche para ele, dessa vez ele não diz nada, apenas devora do mesmo modo, enfiando tudo na boca como se fossemos arrancar de sua mão.
─Temos que ir Daryl, a comunidade nos espera, quero tomar banho e descansar, ver nossos amigos.
─Não vou cair nessa, não tem porra nenhuma, sei bem o que querem.
─Tudo bem, tem dezesseis anos, faça o que quiser. – Daryl arruma a besta, olha pela janela. – Vamos Clarie, aquele tiro convidou muitos zumbis, logo isso aqui vai estar cercado.
Os olhos do menino se arregalam de medo.
─Pode vir conosco por um tempo Benjamin, até decidir o que quer fazer, temos muitas casas vazias, comida. – Convido antes de ter que arrasta-lo e assusta-lo ainda mais. – Se quiséssemos matar você ou fazer qualquer mal já teríamos feito.
─Vem Clarie. – Daryl me chama, depois olha para o menino. – Vem ou não?
─Por um tempo, acho que posso... eu vou. – Ele fica de pé, não tem nada para juntar.
Daryl acerta o zumbi que ainda estava sob a janela, depois me pede para saltar, eu obedeço, então vem Benjamin e depois ele. Pego a mochila do menino ao lado do corpo, está leve para toda comida e água que ele diz ter.
─Me dá essa merda aqui sua intrometida! – Ele esbraveja quando abro a mochila.
─Me apontou uma arma, antes tenho que ter certeza que não tem outra. – Vasculho enquanto ele se empertiga de vergonha, não tem nada ali além de uma lanterna quebrada. – Tome. – Não comento o fato de estar vazia, eu sabia que estaria, o menino está magro demais, fraco demais para ter comido nos últimos dias.
Zumbis começam a surgir, ele sente medo, é visível, não vamos saber sua história tão rápido, mas um dia tenho esperança de descobrir como sobreviveu sozinho.
Apressamos o passo, Daryl abre a porta, ele titubeia olhando do carro para nós dois, mas zumbis nos perseguindo o ajuda a se decidir e ele entra no banco de trás. Partimos com alguns zumbis batendo nos vidros e fico aliviada.
O menino ainda tremia, as roupas gigantes tinham tantos furos que ele devia estar congelando.
─Pode usar essa coberta ao seu lado se quiser.
Ofereço, ele cobre as pernas, está sentado no centro do banco, não encosta em nada, o corpo ereto e a expressão assustada. Pego outra garrafa de água, mais um sanduiche e estico para ele. Vejo um meio sorriso de Daryl, é bom irmos para casa sem imprevisto acabo de oferecer o resto de comida que tínhamos.
Ele come tudo, bebe toda a água, depois está cansado e começa a lutar contra o sono, tem olheiras profundos, fico pensando no medo que devia domina-lo quando a noite caia.
─Agora eu sei porque escolhi virar à direita. – Daryl desvia um instante os olhos da estrada. Me encara, quero que me diga o que está sentindo, mas ele apenas afirma enigmático.
Pareceu necessário para Daryl sair, sem planejar, pareceu a coisa certa a fazer quando disse direita, foi tudo definitivo e urgente, agora entendo, fomos buscar Benjamin, estávamos indo a seu encontro. Mais um dia e talvez fosse tarde para ele.
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