Resumption

72 Capítulo 72


Notas iniciais
Oiiiieeeeeee Desculpem pela demora, serão mais dois capítulos. Espero que gostem.

Pov – Daryl

Subo os degraus para minha casa de dois em dois, nem acredito que estou aqui de volta que tudo está bem e seguro. Finalmente seguro. Clarie abre a porta antes que possa fazer isso.

─Meu amor. – Ela me abraça apertado, sinto a rapidez do seu coração e faz cada segundo de uma vida infernal ter valido a pena, por que termina com ela assim em meus braços.

─Meu pai. Daryl.... – Me afasto dela para ver Carl assombrado, o rosto pálido e me apresso.

─Ele está bem. Vivos os dois, Mich também. Fica calmo. – É bom ver o rosto do garoto relaxar. – Só que temos que esperar aqui, depois vai para casa, ele trouxe uma pessoa. Entra quero ver as crianças.

Na sala Benjamin está de pé com cara de bravo olhando a irmã no sofá.

─Todo mundo sai e não cuida dela. Nem deixam eu falar oi para o meu pai. – Como gosto desse leve mau humor que surge as vezes e me enche de orgulho, é preciso esse tipo de fibra e birra para vencer essa guerra e um dia ele vai lá fora e será um guerreiro.

─Pronto, eu vim te ver. – Abraço Benjamin. Louco para beijar minha garotinha, mas ele tem que vir primeiro para não se assustar, para nunca duvidar.

─Olha ela que boazinha que ficou pai. Só minha mãe que chorou de novo.

Me afasto dele e começo a achar que ele nem estranharia se corresse para Mel, afinal acho que é isso que ele vai fazer a vida toda.

Pego minha menininha no colo, os olhinhos se abrem como se ela soubesse que sou eu. Beijo sua testa, aspiro seu cheiro, linda, forte e saudável, inteira e segura. Tão diferente daquela criança gritando de fome. Tanto medo que senti, tanta saudade.

Beijo Mel mais uma vez. Podia ser ela, podia estar dependendo de estranhos no meio de uma emergência, não se pode dizer não a uma criança.

─Eu te amo meu anjinho, senti saudades. – Ergo meus olhos e todos me olhavam pacientes. – Oi bravinha. – Acaricio a garotinha ao meu lado.

─Como foi lá? O que aconteceu Daryl? – Carl me questiona e entendo sua ansiedade.

─Encontramos a tal comunidade, ainda está se formando, muito poucos recursos. Um grupo de gente da paz deu para sentir. Com crianças e um bebê. A chefe deles, líder sei lá, está aqui, veio conosco.

─Trouxeram assim Daryl, sem ter certeza das coisas?

─Carl durante o tempo que ficamos lá, poucos minutos, um bebê berrava de fome. Podia ser sua irmã, ou minha filha. Já ouvimos Judy chorar de fome. Se lembra?

─Eu sei.

─Eles podem ajudar. Ofereceram um acordo, alguns suprimentos e ajuda em troca de munição.

─E onde vão conseguir munição? Não conseguem leite e vão...

─Vão produzir.

─Acreditou neles? – Carl pergunta olhando para porta.

─Sim, e você fica aqui. Seu pai pediu. Depois ele vem conversar. Somos um número maior, estamos mais seguros e somos muito mais fortes, traze-los foi boa ideia. Agora eles conhecem nossa força e mesmo se tivessem alguma intensão, vão pensar antes.

─Entendi, posso ir até lá?

─Não. Seu pai te conta tudo.

─É melhor que recrutar sobreviventes. – Clarie diz tranquila. Todos olhamos para ela. Eu com Mel no colo e Ben grudado em mim com uma mão no cabelo da irmã.

─Acha? – Amber pergunta.

─Sim. Eu acho. Pensem nas possibilidades, negócios, proteção, um refúgio, como pequenos países. É um novo mundo agora, acho que muitos pequenos lugares vão surgir, podemos prosperar juntos.

─Você é muito esperançosa Clarie.

─Minha mãe é muito esperta Carl. – Benjamin se sente na obrigação de defender a mãe no caso de esperançosa ser uma ofensa. – Não é nada disso aí não.

─Esperançosa é bom Ben. – Carl se explica.

─Ah! Entendi. Ela é um pouco então.

─Novas fronteiras, caminhos seguros e protegidos. – Clarie sorri. – Nem acredito que está começando.

Ela me beija. Sorri para todos. Espero que esteja certa, nunca precisei tanto acreditar como agora.

─Vamos ajudar e vamos ser ajudados. Eu gosto disso. – Amber me olha. – Daryl acha que minha mãe está lá?

─Não sei Amber. Por que?

─Minha mãe é médica. Cuidar de pessoas é sua missão, seu juramento, se eles precisarem, se não tiverem ninguém lá para ajudar ela vai querer ir de encontro a eles. Posso ir até a enfermaria pedir que ela vá a essa reunião?

─Podem. – Já sei que Carl vai junto. – Depois...

─Voltamos para cá. – Os dois se apressam. Ficamos sozinhos.

─Claro que vão dar uma espiadinha. – Clarie sorri, realmente confiei naquelas pessoas e não me lembro de ter errado alguma vez.

─E aqui, como foi tudo. – Pergunto com os olhos grudados em Mel que agora me olha quietinha.

─Senti medo.

─Sei que sentiu. Também senti, quando ouvia o choro da criança ficava pensando em vocês e não conseguia pensar em nada além de voltar para ter certeza de como as coisas estavam.

─Pai tem meninos da minha idade lá? Vai ter escola para eles?

─Talvez, mas disse que não vai mais na escola.

─Melhor eu ir para aprender mais coisas. Minha mãe fica com a Mel, mas acho que ela vai chorar.

─Se ela chorar vou correndo te buscar na escola.

─Vai ter que ir, ela gosta de ficar comigo, rindo e brincando.

Rindo e brincando é muito otimista, minha garotinha ainda é pequena demais mesmo para rir. Às vezes ele ganha uns sorrisos tenho que admitir, mais do que eu ou Clarie, mas isso é porque passa todo tempo olhando para ela, não podia ser diferente.

─Com fome amor?

─Não. – Acho que não consigo comer pensando em um bebê chorando de fome. – Mais tarde. Agora quero só cuidar um pouquinho da... das crianças.

─É. Porque eu sou criança, não é só a Mel que é.

─Não mesmo, tenho duas crianças.

Carl e Amber retornam. Denise foi se juntar ao grupo e acho bom, talvez a criança precise de um médico. Uma hora depois, talvez mais Rick surge para buscar os filhos. Sempre me pergunto como ele faz isso. Eu mal consigo respirar longe deles.

─Pai. – Carl abraça o pai, Amber faz bem ao garoto, ele agora se aproximou realmente do pai. Rick abraça o filho, depois pega Judy do colo de Clarie. Beija a filha e penso se tenho esse olhar de devoção e amor quando encaro os meus filhos. Nunca pensei que um dia me igualaria a ele.

─Eles já foram. – Rick me avisa. ─ Denise foi com eles. Morgan e Abe foram acompanha-la. Volta amanhã. Aaron também foi.

─Levou o leite?

─Sim, leite, algum suprimento para uns dias, remédios, não podemos dividir muito, mas não podemos ignorar também. – Ele se senta.

─Como foi e os outros?

─Tudo bem. Concordaram, Aaron ajudou muito na intermediação, ele sabe como fazer isso.

─Ele é um bom diplomata. Foi com eles para continuar as mediações? Acho que ele pode ser o cara para fazer isso.

─Pode.

─Tori ficou impressionada, fizemos alguns planos, quem sabe montar uma rota entre as duas comunidades com seguranças, aos poucos vamos expandindo. – Rick olha para Carl. – Acho que estamos recomeçando filho.

─Bom. Cadê a Mich? – Rick desvia os olhos um tanto envergonhado.

─Foi para nossa casa arrumar algo para comermos.

─Que coisa! – Carl sorri. – Amber pode ficar lá em casa?

─Não. Denise quer que ela durma na Maggie e vamos todos respeitar isso.

Eles trocam um olhar e penso que um dia meus filhos vão estar nessa idade. Que tipo de pai eu vou ser? Será que vou saber dizer não?

─A escola reabre amanhã. – Rick nos avisa, depois olha para Benjamin. – Ben. Você que é um menino muito corajoso pode me fazer um favor?

─Eu posso Rick, se o meu pai deixar.

─Pode cuidar das coisas na escola? Acalmar seus amigos? Acho que eles podem ficar um pouco assustado amanhã.

─Você deixa pai, eu ir na escola amanhã? – Até que admiro o talento de Rick em convence-lo.

─Acho boa ideia. Eu levo você e busco depois. Quer ir?

─Eu não queria, mas agora tenho que ir, eu sou bem corajoso.

─Nesse caso você vai então.

─Eu vou Rick. Pode deixar. – Me esforço para não rir de sua pose de rapaz. Rick afirma. Estende a mão que ele aperta achando aquilo ótimo, estufa o peito e acho que nunca mais vai faltar na escola.

─Obrigado Ben. Boa noite pessoal.

Rick vai embora levando Amber e os filhos, ficamos só nós, e pela primeira vez desde que minha filha nasceu posso relaxar e aproveitar meus filhos sem medo.

─Que acham de dar banho na minha garotinha enquanto cuido de umas coisas? – Clarie pede, sei que ela quer apenas me dar um tempo com eles.

─Vem pai eu te ajudo, quer que subo com ela?

─Não Ben, eu levo.

─Ta bom. – Subimos os dois, deixo que escolha a roupa e brinque com ela enquanto encho a banheira, mais uma vez penso no choro do bebê, se ele tem agua quente para um banho.

Dou banho me lembrando da primeira vez que fiz isso, Clarie na cama ainda suja do parto, cansada e corajosa, sinto falta de tocar minha mulher.

─Viu o que aprontou garotinha?

─O que ela fez pai? – Benjamin pergunta e olho para ele, nem tinha percebido que pensei em voz alta.

─Ela? Ela... ela... espirrou agua em mim.

─Ah. Pai a gente vai dormir no nosso quarto já?

─Ben se quiser ir tudo bem, mas ela ainda precisa ficar perto da sua mãe.

─Então a gente fica mais uns dias. – E pelo visto ele não vai se mudar sem a irmã. E ainda se porta como se estivesse fazendo um grande favor. Não tem nada que a gente possa fazer se não olha-los dormir enquanto respeitamos o resguardo, por isso não chega a ser um problema. Até ajuda. Não sei se posso resistir tanto tempo.

─Obrigado Ben. – Trocar Mel não é tarefa fácil, penso como foi comigo, quem fez isso, que cuidados tomou.

─Pai você é muito atrapalhado, minha mãe sabe fazer isso bem direitinho. Quer que eu chamo ela?

─Não pequeno duende, a gente consegue.

Depois ela começa a resmungar, e descobri nos últimos dias que mães desenvolvem a audição num nível quase espantoso, onde quer que Clarie esteja ela simplesmente escuta.

─Cheguei! Se saíram bem? – Ela pega Mel no colo. Investiga a filha. – Muito bom, pena que o macacão está ao contrário, os botões são nas costas.

─Nas costas? Mas isso complica muito!

─Amor, não é como se ela fosse se vestir sozinha. – Eu acho que faz sentido vendo por esse lado. – Depois que ela mamar arrumo isso.

Aproveito para arrumar minha bagunça. Depois fico olhando minha menina mamar, ter as roupas arrumadas e uma pequena confusão sobre coloca-la para dormir no berço.

─Minha mãe só quer que ela durma no berço. – Ben agora se sente tão seguro que já consegue resmungar como um garotinho. – Amanhã vou ficar muito tempo longe ela vai esquecer de mim.

─Ben se ela ficar só no seu colo ela fica com dor no corpo.

─Já sei, minha mãe falou. Ninguém vai contar mesmo as coisas que eu fiz? Ela vai ficar triste comigo.

─Ninguém vai contar. – Seu novo medo é a irmã saber que um dia um garotinho assustado disse que ela terminaria devorada.

─Então está certo.

Quando depois do jantar os dois adormecem eu tenho um tempinho com Clarie. Ficamos os dois abraçados. Acaricio seu rosto. Ela me beija.

─Foi estranho sair. Fiquei angustiado, com medo.

─Foi horrível ficar. Pensei em você lá fora, em mim com os dois, no parto e precisei ser firme para não me derreter.

─É forte agora. Uma mãe especial.

─Uma mãe com muita saudade.

─Sinto falta de caçar você na cama pela manhã. Acho que é do que mais sinto falta.

─Eu também, mas agora estou sempre espremida no meio dos dois espaçosos.

─Esse garotinho não tem intensão de voltar para própria cama. – Ela ri, beijo seus lábios.

─E que pequeno possessivo com essa irmã. A pobrezinha não vai nem poder namorar.

─Acho é bom. – Clarie ri. – A Maggie é bem espertinha, fica jogando aquele bebezinho para cima dela, chegando aqui com ele perfumado e de macacão novo, com aquele cabelo de coreano penteado, ainda bem que a Mel é bem firme, não dá bola para ele.

─Daryl você sabe que está falando de dois bebês?

─Sei, a pergunta é a Maggie sabe? Não, ela já quer juntar esse casal, Benjamin vai ser um irmão muito cuidadoso e ele tem uma besta, já vou logo avisando.

─Amo você. Amo que a gente possa estar na cama brincando sobre o futuro. Seguros, esperançosos.

─Esperançosos? Olha lá como fala! – Clarie ri. – Está muito difícil manter a postura depois que ele começou a se soltar.

─É estranho que esse garotinho vivia dentro dele tão escondido e protegido, fico pensando que talvez... Daryl, já percebeu o quanto você mudou?

─Acha?

─Muito, não comigo, ou apenas comigo, mas com todos, eu gosto de pensar que ajudei nisso.

─Ajudou Clarie? Você fez isso, derrubou todas as barreiras. Amo você. Depois de descobrir isso, ou antes talvez, você, desde sempre.

─Te amo. Vamos construir esse lugar, grandes passos foram dados. Agora precisamos só trabalhar sem medo.

─O que significa que eu talvez precise enfrentar as coisas lá fora.

─Daryl, eu sei o quanto é importante lá fora. Sei que eles precisam de braços como os seus. Da sua inteligência, de alguém capaz de entender a floresta, mas não esquece que temos duas crianças e que não consigo sem você.

─Não vou. Não dou um passo sem ter certeza, manter minha família está acima de tudo, fica tranquila.

─Estou. – Ela se aconchega em meus braços, Benjamin se espalha na cama dormindo tranquilo. Seguro. É bom de ver. – Acha que um dia vou poder ir até essa nova comunidade conhecer? Acha que eles vão poder fazer essa viagem?

─Parece utopia, mas acho que sim. Não agora, nem tão rápido, mas sim, eu acho e até isso foi você que fez por mim. Antes de você eu não me importava.

─Estava machucado, eu também estava, você me curou, seu amor Daryl, isso foi e é uma troca muito justa.

─Toda perfeitinha.

─Toda cheia de saudade. – Ela se arruma para me olhar. Faz carinho em meu rosto. – Beijar pode Daryl.

─Pode. É um consolo. – Ela sorri. Os olhos brilham, beijo minha mulher, isso é algo que vamos falar. Será que ela sabe que é minha para sempre? É bom que saiba. Se não souber vai descobrir.

Quando acordo pela manhã depois de uma noite toda de sono o que me parece bem estranho Clarie alimentava Mel.

─Ela dormiu a noite toda?

─Não amor. Você dormiu. ─ Faço careta. – Está tudo bem, precisava de descanso, são dias e dias de trabalho pesado e noites em claro, é só um homem, precisa repor as energias as vezes.

─Cadê o Ben?

─Foi se trocar. Leva ele?

─Levo. Depois faço uma ronda, converso um pouco por aí, descubro se Morgan chegou bem e volto com o Ben.

─Vamos ficar bem, não é filha? – Beijo os cabelos de Mel, os lábios de Clarie e vou cuidar de tudo.

Essa vida é tão estranha. Agora eu sou um cara que dá café da manhã para um garotinho antes de leva-lo a escola. Isso seria estranho e inacreditável se fosse um mundo comum, mas no meio do apocalipse, com os mortos circulando é quase como se fosse só um sonho irreal.

─Vamos pai, não posso atrasar, tenho que cuidar dos outros.

─Já deu um beijo na sua mãe?

─Sim e na minha irmã também. Ela é minha irmã.

─É.

Saímos para a varanda. Fecho a porta com o coração apertado, corro os olhos por toda Alexandria para ter certeza que meu filho está bem. Quando pretendia caminhar ele segura meu braço.

─O que eu digo para o Ron se ele for hoje pai? O irmão dele morreu, toda hora alguém diz que a mãe dele está muito triste.

Encaro Benjamin, não sei o que dizer. Fico pensando a respeito, como consolar alguém que perde tudo?

─Só fica perto dele, diga que sente muito. Você sente, não é mesmo?

─Sim. Eu fico perto dele então, e digo para ele não se preocupar que a mãe dele já vai ficar boa.

─Tudo bem. Eu fico muito orgulhoso, está pronto para ir agora?

─Estou. Depois você me pega?

─Como sempre foi.

─Da última vez minha mãe que me buscou e tinha zumbis. – A lembrança o assusta um pouco, ele procura minha mão. Eu sou o cara que o protege, segurando minha mão ele se sente seguro.

─Está tudo bem, esqueceu que fui lá fora ontem e tudo está seguro?

Deixo Ben na porta da escola. Ele me olha ansioso.

─Você vem correndo pai?

─Venho, ajuda o Rick como prometeu.

─Tchau.

Ele toma coragem e se afasta de mim, são os primeiros passos para o dia que tiver que caminhar sozinho, vou gostar de ver isso. Quase posso vê-lo um rapaz, com a besta nas costas e cheio de coragem.

Nesse dia Clarie vai estar ao meu lado chorando de emoção e orgulho, toda perfeitinha. Acho que posso voltar um momento em casa para ver se estão bem, paparicar um pouco minha filha sem ter que disputar com Ben.

Notas finais
BEIJOSSSSSSSSSS Obrigada. Sabado tem mais um.