Resumption
73 Capitulo 73
Notas iniciais
Pov – Rick
─Temos que manter o caminho entre as duas comunidades limpo. Tori teve problemas em chegar. Conte a eles Tori. – Peço no meio da reunião.
─Ainda não posso dispor de muitos homens, trouce o primeiro lote de munição como o combinado, mas quase ficamos presos na metade do caminho.
─Podemos fazer bons acordos, produzir coisas diferentes e negociar, mas se perdermos pessoas no caminho não sei quanto tempo vai durar até que não reste ninguém de nenhum dos dois lados. – Eu continuo diante do novo conselho.
─Podemos traçar uma rota. – Daryl diz ficando de pé. Ele mudou muito, hoje já pode expor ideias em público e gosto disso. Preciso desse apoio e ninguém quer tanto isso funcionando quanto ele. – Já fiz a travessia cinco vezes desde o nosso primeiro encontro. Tem um caminho pela floresta que segue pelo lado mais alto desde o começo, tem uma boa cabana no caminho. Podemos usar como um posto de guarda.
─Seria muito bom. Usamos uma única rota. – Morgan concorda e é muito bom nossa relação está se tornando de novo mais tranquila. – Temos dois cavalos que podem rondar em busca de hordas.
─Tornar a viagem segura é o primeiro passo. – Tori diz abrindo um mapa sobre a mesa. – Posso dispor de três homens.
─Colocamos mais três e eles podem fazer turnos de vinte e quatro horas a cada dois dias. – A reunião segue com mais acertos sobre segurança, negócios, o transito de pessoas. Tudo parece ir bem. Cada dia ficamos mais seguros sobre isso, são dois meses que achamos o grupo e nos tornamos próximos.
─Abraham vai conosco, ele tem experiência com construção, precisamos evitar barulhos para não prejudica-los mais uma vez, ele vai nos apoiar. Tudo bem Rick? – Olho para Abe, é decisão dele.
─Quero ir. Rosita vai comigo, está na hora de ajudar nesse recomeço, não é isso que estamos fazendo? Não foi isso que procurei desde sempre? Um motivo para ficar de pé?
─Ótimo. Tudo ficou bem entendido? Mais alguma questão?
As pessoas negam, Deanna segue com Tori para acertar os suprimentos, Daryl é o único que fica.
─Você está bem Daryl?
─Sim. Só que preciso de um tempo. – Ele diz encarando a cidade pela janela. – Não é fácil deixar Clarie e as crianças, cada vez que vou lá fora é uma tortura. Eu sei que posso contar com você caso algo dê errado, acontece que não quero isso.
─Nem eu. Daryl você é um dos responsáveis por termos chegado até aqui.
─A gente pode pular essa parte? – Acabo rindo.
─Pode. Só quero dizer que está na hora de descansar um pouco, pode dar um tempo aqui. Tem muito a ser feito aqui dentro, se está pronto para ficar então fique.
─Se lembra quando chegamos? – Ele me pergunta. – Achava que não podia ficar, que nunca conseguiria fincar raízes.
─Mas não esperava que Clarie fosse tornar sua vida tão diferente.
─É. Filhos. Ainda olho para eles e fico achando que não me pertencem.
─São seus. E precisam de você. Estive perto do Carl quando ele se formava, precisa estar perto deles.
─Certo. Não estou dizendo que não vou lá fora. Estou dizendo que preciso de um tempo com eles, e que numa emergência.
─Vai ser o primeiro a se erguer, eu sei disso, você não conhece muito as pessoas por aqui, mas todo mundo te conhece Daryl. Acredite, você é uma unanimidade em Alexandria.
─Isso é estranho. Eu vou indo. Tenho que pegar o Ben na escola.
─Mel está cada dia mais linda. Eu a vi mais cedo na varanda com Clarie.
─Uma boneca. – Ele sorri. Agora é bem fácil fazê-lo sorrir, basta falar dos filhos.
Fico sozinho, olho em volta, minha sala, o ponto de partida. O escritório do novo líder. O peso de manter todos vivos não me incomoda mais, alguém tem que fazer. Não sabia que podia, que queria, começou na cama de um hospital, numa busca sem esperança por minha família, e terminou aqui. Numa sala como líder de uma comunidade.
─Pai. – Carl entra correndo. Me assusto. – Tudo bem. É só pressa. – Ele ri, relaxo. – Vai almoçar em casa? Estou indo e passei para saber se vem junto. Quero pedir uma coisa. Quero fazer isso na frente da Mich.
─Precisa da ajuda dela para me convencer? – Pergunto quando saímos e encosto a porta.
─Talvez, preciso da sua autorização, é só uma conversa, nada demais por enquanto.
─Sinto que não vou gostar disso.
Mich colocava a mesa quando chegamos, Jody brincava na sala com uma boneca, ela larga o brinquedo, se coloca de pé e fico assistindo seus passos incertos em minha direção.
─Papa...
─Oi. – Ergo ela no colo. Beijo seu rosto, sorrio para sua beleza doce. – Judy.
─Vamos comer. Ela já comeu. – Mich avisa, sorrindo para ela.
─Meu pai pode ter se acostumado, mas eu acho muito estranho você sendo nossa mãe.... Quer dizer, mãe da Judy e cuidando da casa. – Carl se apressa, há muito que ele deseja chamar Mich de mãe, há muito que ela espera por isso, acho que é hora disso se resolver. Olho para Michonne, tê-la ao meu lado tornou tudo bem mais fácil, ela divide o peso das decisões comigo, as responsabilidades com as crianças e merece o presente de tê-los em sua vida por completo.
─Acho que não está velho demais para me chamar de mãe. – Mich diz a ele, Carl olha para ela. – No mínimo seria mais fácil Judy aprender se ouvisse você.
─Eu? Quer dizer... – Ele me olha pedindo autorização.
─Acho muito justo. – Eu digo me sentando com Judy no colo, os dois se olham trocando um sorriso, são mãe e filho desde o começo.
─Acho que a Judy vai aprender bem rápido. – Ele abraça Michonne, fico olhando aquele momento. Gosto da minha nova família, me enche de força para fazer esse lugar crescer.
Mich disfarça a emoção quando se afastam, ela é difícil de liberar os sentimentos, o que perdeu não tem dimensão, Judy e Carl nunca vão poder substituir suas perdas, mas de algum modo eles curam um pouco suas feridas.
─Agora vamos falar sobre esse tal assunto que quer pedir.
─A nova comunidade, eu... Amber e eu... Só escuta. – Já sei que vou odiar. – Amber aprendeu muito com a mãe e quer ajuda-los um pouco, eu quero aprender a produzir munição, queremos viver lá uns meses.
─Não. – Digo de imediato, depois Mich me repreende com o olhar. – Não sei, precisamos falar mais sobre isso.
─Já é um começo.
─Por que acha que vão te ensinar a produzir munição?
─Eu sei que é como a moeda de troca no momento, mas eles podem fazer outras coisas e eu posso ensina-los sobre plantação, me obrigou a aprender se lembra?
─Me lembro. Me dê uns meses.
─Meses?
─Semanas.
─Plural? – Ele reclama.
─Vamos com calma, só me deixe pensar, rever a segurança, se tudo ficar bem eu mesmo levo vocês. – Ele sorri. – Amber já falou com Denise?
─Denise cria a filha para ser capaz de viver sem ela, além disso ela sabe que não ensinou tudo a filha para mantê-la sob suas asas.
─Entendi o recado Carl, vamos ver isso.
Mich pisca para ele, dois contra um é covardia. Ele é agora um rapaz, não posso prendê-lo a mim para sempre. Talvez eu tenha que libertá-lo. Ainda é o apocalipse, mas não é mais o mesmo apocalipse, agora somos mais fortes que eles. Ou ao menos é o que precisamos acreditar.
Pov – Carl
Corro para contar a Amber a novidade. Finalmente vamos para o Morro, três semanas de conversar e finalmente ele permitiu.
─Que desespero! O que aconteceu?
─Ele permitiu! – Ela me abraça, beijo Amber, nos afastamos felizes. – Vai nos levar, não por uns meses como pretendíamos, só duas semanas para começar.
─Nós dois? Duas semanas sozinhos por lá?
─Sim.
─Isso vai ser... nossa! – Ela me abraça de novo. – Sabe que não significa...
─Eu sei, Tori vai nos receber na casa dela, você num quarto, eu no outro. Foi o acordo.
─Te amo sabia? Você é perfeito!
─Minha mãe, a Mich, ela diz isso.
─Carl, não precisa avisar que está falando da Mich toda vez que diz mãe. – Ela ri de mim.
─Não me acostumo. Só vim te avisar, vou juntar minhas coisas, você arruma as suas, te vejo á noite. – Beijo seus lábios e tento me afastar, ela me segura. – O que?
─Quero que fale com a Enid, ela precisa saber por você.
─Eu? Acha que...
─Nós nos damos bem agora, mas vocês são amigos, ela não está melhor do que estava há uns meses atrás. Promete que antes de fazer sua mala e espalhar a notícia vai contar a ela?
─Vou fazer isso agora. Obrigado por ser assim Amber. Me fez crescer, te amo. – Ela segura minha mão, beijo seus dedos depois seus lábios e saio em busca de Enid.
Ela está sentada nos degraus de sua porta, sozinha como sempre, olhando para lugar nenhum.
─Pensando na vida? – Me sento a seu lado.
─Só esperando.
─O que?
─Esse é o problema, eu não sei.
─Nunca mais voltou a sair, sente falta?
─Talvez, não tenho nada que fazer lá fora agora que as comunidades se entenderam, mas não tenho nada que fazer aqui dentro.
Ela dobra os joelhos se arruma ao meu lado, queria que ela encontrasse uma direção.
─Precisa encontrar uma posição. Algo que goste.
─Eu sei. E você? Parece bem feliz.
─Vou passar um tempo no Morro, aprender a produzir munição, Amber vai comigo.
─Puxa... Isso é... Fico feliz. Desejo sorte aos dois, é uma surpresa seu pai permitir.
─Minha mãe. Mich você sabe. Ela ajudou a convence-lo.
─É bom ter uma família. Fico feliz por você, por vocês, Amber tinha me dito que queria ir.
─Achei... Nós achamos que merecia saber antes dos outros. Eu vim me despedir. Vim dizer que são só duas semanas, mas depois pode ser mais.
─É estranho que tendo uma família queira se livrar dela.
─Não estou fazendo isso, quero só encontrar meu lugar, depois voltar e viver com a minha família.
─Boa sorte Carl, vai dar certo, vocês dois juntos podem tudo.
─Obrigado. – Abraço Enid, torço por ela, quero que encontre seu lugar no mundo. Depois sigo para casa, arrumar minha mochila e partir para uma nova vida. Nem acredito que ele permitiu isso.
Pov – Morgan
─Ele é um bom rapaz. – Enid se assusta quando me aproximo. – Posso? – Aponto os degraus, ela afirma.
─Carl veio se despedir.
─Imaginei, soube que ele vai deixar Alexandria por um tempo.
─Vai.
─E você? O que pretende? Viver nessa casa sozinha não parece muito saudável.
─Falta de opção. Perdi tudo.
─Todo mundo perdeu, mas reconstruiu, os que não fizeram isso enlouqueceram. Eu fiquei maluco um bom tempo.
─Também fiquei.
─Enid, posso ajudar você.
─O que vai querer em troca? – Sinto pena, a vida não foi justa comigo, mas ela é só uma garota.
─Amizade. Alguém para contar, um sorriso de vez em quando? – Ela esconde um sorriso, alguém precisa olhar por ela, olhar para ela.
─Como pode me ajudar?
─Posso ensinar o que ensinei para Clarie, a se defender, mas isso é só um começo, só para poder ir lá fora comigo em segurança.
─Ir lá fora? – Ela se espanta.
─Depois desse tempo todo de apocalipse eu aprendi que mulheres podem ser bem fortes, já viu Carol, Maggie, Clarie, Michonne, a lista é grande.
─Eu sei, e como me encaixo nisso?
─Sendo uma das fortes. Você não tem medo de ir lá fora. Se tornou corajosa, só precisa aprender a usar a sua força para algo mais que fugir no meio da noite como ontem. – Ela me olha assustada. – Eu te segui para garantir que estaria segura.
─As vezes me sinto sufocar aqui.
─Entendo isso, fiquei responsável por um grupo que vai fazer a segurança, quero que se torne membro desse grupo, aos poucos, a cavalo o que acha?
─Claro que quero. Eu nem sei o que dizer Morgan. – Seus olhos marejam. Ela tenta evitar as lágrimas.
─Mas isso não é o bastante. Acho que podemos ser algum tipo de família. Aos poucos Enid, pode tentar isso. Somos os dois sozinhos.
─Morgan, porque está fazendo isso?
─Tenho dito por aí que toda vida é preciosa, que todas as pessoas precisam de uma nova chance e acho que se aplica a mim, eu preciso disso, você precisa disso, quem sabe daqui um tempo não se muda para minha casa, tenho um quarto vazio.
─Talvez dê certo.
─Vamos tentar, meu filho teria mais ou menos a sua idade, eu quero acreditar que alguém teria feito isso por ele se fosse o contrário. Se eu tivesse ido e ele ficado.
─Minha mãe tentou, meu pai também, eu continuo muitas vezes só para fazer valer a pena o esforço deles.
─É isso mesmo, mas vamos fazer mais do que só respirar. Vamos viver. Que acha de sair dessa letargia e começar a treinar. – Ela fica de pé animada. Faço o mesmo. – Antes precisamos estabelecer uma regra. Só uma que nunca pode quebrar.
─Qual?
─Não vai sozinha lá fora até eu dizer que pode, e quando se sentir sufocada, seja dia ou seja noite vai me procurar e vamos treinar até se sentir esgotada.
Ela me olha um longo momento, sei que pode fazer isso, que quer e precisa, é só uma menina, todos aqui estão tão focados em seus próprios problemas que ela passou a ser nada além de mais um dos problemas, mas com treino e atenção ela pode ser mais que isso.
─Eu prometo Morgan.
Pego meu bastão e entrego a ela. Todos temos que preparar alguém para o futuro. Escolhi Enid e vamos unir nossa dor e ser uma família. Pai e filha quem sabe.
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