Resumption
70 Capítulo 70
Notas iniciais
Pov – Clarie
Mel dorme em seu berço, um sono tranquilo de quem não sabe o que a vida reserva. As coisas já estiveram piores, mas também já estiveram melhores, de qualquer modo não podemos mais viver olhando para trás.
Só o que se vê quando se olha para trás são os mortos te perseguindo, então só o que se pode fazer é caminhar para frente.
Toco os cabelos finos de minha pequena garotinha. Ela tem três dias, setenta e duas horas de vida. Ainda não conhece ninguém além da mãe, o pai e seu irmão herói. Queria que Maggie pudesse vir vê-la, e Eric, Morgan, minha família. Quem sabe seus futuros amigos. Hershel e Judy.
Ainda não se pode sair. Os zumbis do lado de fora estão simplesmente deixando nossa cerca aos poucos, indo embora a cada som que a floresta faz, ou quem sabe os sobreviventes de Enid diz ter visto.
As casas já foram quase todas revistadas, mas ainda faltam algumas e enquanto todas elas não estiverem devidamente seguras estamos presos. Se começarmos a caminhar pelas ruas de Alexandria os zumbis não vão desistir de nossos muros.
Benjamin dorme em nossa cama, não consigo manda-lo para seu próprio quarto, não ainda. Ele é só um garotinho, tem medo, teve os mortos arranhando sua porta enquanto eu trazia sua irmã ao mundo, não está pronto para voltar a vida que tinha antes.
Olho para ele e depois para Mel, só Mel, como ele escolheu. Sorrio quando ela ressona tranquila enrolada em suas cobertas. Meus tesouros, para ficar completo falta apenas o papai que mais uma vez deixou a casa em busca de segurança.
Não gosto de pensar nele invadindo casas, sem saber se um zumbi vai saltar de trás de uma porta faminto, mas não tenho escolha. Só me resta esperar que tudo fique bem e que ele não demore.
Daryl tem se dividido na tarefa de ir lá fora ajudar e cuidar de nós. Ao menos não preciso mais ficar no quarto. Posso descer e cozinhar, mesmo sob seus protestos de que eu preciso de repouso.
Estou ótima, Denise recebeu uma escolta até aqui e garantiu que estamos bem, me sinto bem e meu leite é forte. Sei disso por que minha filha é uma garotinha muito espertinha, mama e dorme tranquila, quase não chora, nem poderia, Ben está atento a cada pequeno som e sempre corre antes de todos.
Do menino assustado e cheio de ciúme que morria de medo de perder seu lugar e jurou que jamais olharia para ela ao irmão protetor e apaixonado que tem longas conversas quando acha que não estamos olhando.
Deixo Mel dormindo tranquila no berço e vou deitar um pouco com Ben, dar um pouco de carinho ao meu garotinho para que nunca se sinta de lado. Daryl faz o mesmo, sinto o quanto luta para não lançar um único olhar para a linda menininha quando entra em casa antes de falar com Benjamin.
Benjamin dorme tranquilo, ele acorda todas as vezes que amamento Mel, por isso tenho deixado que fique sempre um pouco mais na cama. Não tem nada para fazer a não ser esperarmos Daryl voltar e isso é tão torturante para os dois que deixo que durma o máximo que pode para ao menos a sua espera ser menor.
Afasto seus cabelos dos olhos. Um dia ainda consigo dar um jeito naqueles dois e seus cabelos compridos.
─A Mel já acordou? – Sua primeira pergunta antes mesmo de abrir os olhos.
─Não. Está tranquila dormindo no berço. – Ele abre os olhos. Ficamos os dois de lado, pertinho nos olhando nos olhos. Me sinto mais ligada a ele que nunca.
─E meu pai?
─Lá fora Ben. Ele não demora.
─E você veio deitar de novo por que está cansada?
─Não. Vim ficar com meu garotinho, me deu muita saudade de você.
─De mim?
─Sim. – Aperto seu nariz. – Por que amo você.
─Desses que não passa?
─Nunca! – Garanto a ele por que ainda hoje ele precisa de certezas.
─Nem quando eu xingo. – Ele me lembra. – Nem quando nasce um bebê.
─Não. De jeito nenhum. – Ele ergue a cabeça um momento para olhar o berço, depois se arruma ao meu lado. Beijo sua testa.
─Ela está de olhos fechados. Mãe, quando que começam as aulas de novo?
─Mais uns dias Ben. Ninguém quer riscos, só quando tudo estiver bem seguro. Está com saudade? – Ele nega, nesse ponto andou um pouco para trás, está assustado como acho que nunca esteve antes. Nem mesmo quando chegou. Depois de experimentar a segurança é difícil se acostumar com o medo.
─Não quero mais ir. Quero ficar perto de você e do meu pai. Tenho que te ajudar a cuidar da Mel.
─Sua irmã vai ficar bem.
─Mãe, não conta para ela que eu xinguei ela quando ela estava na sua barriga?
─Nunca. Não vamos contar, nenhum de nós.
─Se não ela vai ficar bem triste comigo. – Ele sente um pouco de culpa pelo modo que agiu e isso é tão Daryl que me corta o coração.
Os dois são leais, protetores, mas os defeitos são também os mesmos, se sentir inferior, guardar todas aquelas culpas e medos que vão se tornando monstros e devorando tudo que tem dentro deles e que tenho sempre que lutar tanto para combater.
─Mel ama você. Ela vai saber que você salvou ela, que a protege. Ela sempre vai te amar. Sempre, você é o irmão dela.
─Eu sou. Eu gosto dela. Sabia que ela tem três dias?
─Está contando os dias? – Assim que digo me arrependo, os olhos marejam e sinto sua leve tensão. Nessa casa não se conta mais dias e não se fala mais nisso.
─A gente não conta mais os dias mãe, você disse. Meu pai também, não...
─Shiu, só brinquei Ben, não estava pensando nisso, eu amo você. É meu filho, não vai embora nunca.
─Nem a Mel. Não vai contar dias para ela? Não pode por que ela é pequenininha.
─Claro que não vou contar dias para nenhum dos dois. Não tenha medo Ben. – Eu o abraço. Aperto ele que me envolve, acaricio seus cabelos.
Me afasto e ele seca uma lagrima. Já está de novo calmo. Faço carinho em seu rosto infantil, bonito, lembra Daryl, cabelos claros, os como os dele. Não só pela cor, mas pela profundidade, pelo mundo de coisas que o peito esconde e os olhos contam.
─Sabe o que eu queria meu anjinho? – Ele sorri, quanto mais carinhosa eu fico mais manhoso ele fica.
─O que?
─Que acreditasse no meu amor. Que me abraçasse sem eu ter que pedir. Meu sonho é você chegar e correr para mim e me abraçar bem forte, me dar um beijo bem apertado, mas sem que pedir.
─Por que? Como que vou saber que você quer abraço e beijo?
─Toda hora eu quero abraço e beijo, e eu também quando você quer abraço e beijo. Mas eu nem ligo, eu abraço você, beijo, faço carinho.
─É você faz isso, toda hora.
─Uma chatice? – Ele nega muito rápido, me arranca um sorriso. – Pode tentar?
Benjamin fica pensando a respeito, os olhos pregados em mim e sei que fica tentando acreditar, primeiro pensa em coisas ruins, uma recusa talvez, mas depois sorri, talvez acredite que nunca vai acontecer e por isso sorri.
─Tá bom.
─E o seu pai? Vai fazer o mesmo?
─Ishi! Não sei não, acho que ele não vai querer muito não.
─Vai sim, se não tentar abraçar o seu pai e beijar ele vai ficar com ciúme coitadinho.
─Melhor você falar com ele primeiro.
─Melhor você fazer uma surpresa. – Ele gosta da ideia, os olhos cintilam. Benjamin sorri. – Como faz com a Mel, você faz carinho nela, beija a cabecinha dela.
─É que ela não sabe falar não ainda. – O raciocínio do meu pequeno. Beijo sua bochecha.
─Sabia que ela vai ficar imitando você? Vai ficar fazendo tudo igual a você, se não ficar beijando sua mãe e seu pai ela não vai aprender.
─Ela vai me imitar é?
─O tempo todo.
─Então não posso te xingar mais não.
─Muito bom! – Faço cocegas nele. Benjamin se contorce rindo. O tempo todo que fico ali com meu pequeno, uma parte do meu cérebro está com Daryl, assim como metade do meu coração. – Vamos descer para você tomar um leitinho enquanto faço comida?
─Isso. – Ele fica de pé no mesmo instante, primeiro vai até o berço, olha a irmã. – Mãe pega ela para me esperar na porta do banheiro?
─Deixa ela no berço, fico de olho.
─É melhor não. Tem que ficar bem pertinho. Deixa que eu pego ela para você.
Nem luto contra isso, quando toda essa confusão passar e Mel tiver que se acostumar com outra coisa que não seja colo boa parte do dia eu vou ter grandes problemas.
Benjamin ergue a irmã. Beija sua testa carinhoso, anda pé ante pé até chegar onde estou e pego Mel, ele entra no banheiro e preciso ficar de pé na porta, sai de rosto lavado e dentes escovados.
─Calça os sapatos, pega a jaqueta, as luvas e a touca. – Ele me obedece. Quero que fique tranquilo, ao mesmo tempo estou sempre preparando Benjamin para fugir as pressas, ele não é tolo.
─Me espera. – Ben cumpre minhas ordens, então pega a mochila de Mel, com agua, leite, roupas e fraldas, tudo sempre pronto para pelo menos uma semana nas ruas. Dói meu coração, mas não tenho escolha. – Pronto.
Seus olhos vão para as armas ao lado da cama, como eu odeio carregar minha filha com facas e pistolas presas as minhas coxas como uma Tomb rider da vida real. Arrumo tudo e penduro a lança no ombro, agora podemos descer.
Vou na frente, sei que a casa está limpa, mesmo assim com a respiração presa vasculho tudo e confiro portar e janelas. Finalmente relaxo e entrego Mel nos braços de Benjamin para servir seu café.
─Ela acordou mãe. – Ele diz animado, toda vez que a irmã abre os olhos é essa ansiedade, não sei se um dia isso vai passar, mas me diverte muito.
Ele não gosta nada da irmã dormindo, ele não gosta de ninguém dormindo, acho que tem medo de ser mais do que isso.
Mel abre os olhos, mas não chora ou resmunga. Apenas fica com uma ruga na testa olhando o irmão. Aquela carinha de brava ela puxou do pai.
─Oi Mel, você não pode tomar leite do copo não. Só eu que já sou grande. Não muito, não tenho dezesseis não.
Fico de costas preparando o leite em pó enquanto escuto Benjamin conversar com a irmã.
─O pai foi lá fora, ele já chega. Mãe ela dormiu de novo. Ela dorme toda hora.
─Nos primeiros dias é assim mesmo. – Coloco leite e biscoitos que mantenho em uma lata para ele e que não deve chegar ao fim da semana. Um arrepio percorre meu corpo, essa prisão precisa acabar logo. – Agora me dá sua irmã e vem tomar seu café da manhã.
Pego minha menininha. Beijo seus cabelos, ela está quietinha, ainda tem uma hora antes de querer mamar mais uma vez e me sento a espera de Benjamin.
Ele toma o leite, come os biscoitos e depois assim como Daryl limpa a boca com a manga da jaqueta. Rio e Mel resmunga.
─Quer me dar ela um pouco?
─Não. Agora ela vai ficar dormindo mais um pouquinho no sofá e você fica bem pertinho dela enquanto preparo o almoço e o banho dela.
Benjamin aceita, na sala até que ele fica bem, a casa fica trancada e ele pode me ouvir na cozinha.
Coloco Mel no sofá, ele se senta a seu lado. Pega seu caderno e começa a fazer os exercícios que passei na noite anterior, ao menos Benjamin se distrai e não pensa tanto nos mortos.
Volto para cozinha e enquanto me viro tentando preparar uma comida razoável com os poucos recursos escuto Benjamin e sua voz de menino lendo em voz alta, acho que Mel vai acabar se acostumando com sua voz constante e talvez até sinta falta.
Termino a refeição, de cinco em cinco minutos surjo na sala e sorrio para ele, assim ele fica tranquilo sabendo que está tudo bem.
Me sento com ele para esperar Daryl, agora a agonia me domina, Mel choraminga, muito rápido, logo eu a coloco no seio o choro desaparece enquanto ela suga faminta.
Benjamin me olha fechando o caderno, se aproxima para olhar Mel mamar. A porta da sala se abre, os dois olhamos apressados, o coração saltando, mas é Daryl e um alivio percorre meu corpo como uma onda de paz, como é bom vê-lo.
Para minha surpresa Benjamin se põe de pé segue até o pai e abre os braços se oferecendo para um abraço que o espanta a ponta de deixa-lo paralisado por um segundo.
Depois do choque quase imperceptível para Daryl ele reage pegando Ben no colo, abraça nosso menino com os olhos fixos em mim. Tento não chorar, mas não sou boa nisso, ver Benjamin se tornando um menino seguro de nosso amor me enche de boas esperanças.
─Você gosta de abraço pai?
─Eu... cla.. claro! Gosto muito. – Daryl responde confuso. Coloca Ben no chão. Afaga seus cabelos. – Tudo bem por aqui? – Ainda encara o filho enquanto tiro Mel do seio e a arrumo nos braços para esperar sua vez de ser acarinhada.
─Tudo certo pai, cuidei da Mel e da minha mãe. Os zumbis já foram embora?
─Estão indo Ben, as ruas estão limpas, falta pouco para tudo ficar bem.
─Vem ver a Mel que bonitinha. Sabia que ela vai ficar me imitando? Não posso mais xingar e nem brigar, se não ela vai querer fazer igual eu.
─Vou gostar de ver isso. – Daryl diz se aproximando de mim. Me beija de leve, depois se senta pegando a filha, então é aquela devoção silenciosa que me emociona. Ele beija sua testa, a barba por fazer faz com que Mel reaja abrindo os olhos e encarando o pai.
Qualquer tolo poderia notar o que aquele simples olhar de visão embaçada faz com ele, quase posso ver o disparo em seu coração. É seu tesouro, sua preciosidade.
─Maggie vem mais tarde, concordamos que está seguro e ela está ansiosa, Glenn vem traze-la, ainda não queremos pessoas andando de um lado para outro, soltas por Alexandria.
─Como estão as coisas? Os muros?
─Varremos todas as casas. Tudo está limpo. Aqui dentro. Os muros estão reforçados pelo lado de dentro do jeito que deu.
─Bom. Os muros? – Ele olha para a filha enquanto bem passava a mão nos cabelos da irmã, não o culpo, são finos e lisos e perfumados, ele adora alisa-los.
─Bem poucos. Poderíamos sair e acabar com tudo, ou pega-los pela torre, mas não estamos seguros sobre quão longe os outros estão, se podem voltar.
─Já decidiram sobre o que fazer com essa gente que Enid disse ter visto?
─Rick quer ir até lá quando as coisas aqui ficarem em ordem e seguras mais uma vez.
─Morgan e Deanna não. – Já sei como as coisas estão tensas entre eles.
─Exato. Eu acho que Rick está certo, como podemos ter paz sem saber quando vão atrair outra horda? Ou se não são eles mesmos o perigo?
Fico pensativa, não gosto nada de não saber, mas me apavora pensar que se alguém tiver que ir ele vai estar nesse grupo.
─Se Rick está certo fique do lado dele. – Digo firme.
─Morgan está do outro lado e sei o quanto gosta dele.
─Muito. – Entendo esse alerta dele, Daryl não quer que me magoe, nem que fique no meio de uma pequena guerra. – Mas nada me importa mais que meus filhos, se Morgan não puder compreender isso então...
─Você tem razão. – Ele me beija os lábios de modo leve. Me faz um carinho suave no rosto. – Às vezes aquela garota assustada com roupas de hospital desaparece por completo.
─Sente falta dela? – Pergunto quando seus olhos abandonam os filhos para se grudarem em mim.
─Não. Ela não poderia proteger meus filhos. Essa que é agora pode. Além disso a parte doce ainda está aí.
─Foi assustador, mas os muros de Alexandria venceram mais de uma vez. Então vale a pena lutar por esse lugar.
─O recomeço de que tanto fala?
─Já pensou que essas pessoas podem ser como nós? Que podemos ter vizinhos? Dividir a segurança, aprender com eles, ensinar.
─Pensei, por isso acho que temos que ir. Entende que vou quando chegar a hora?
─Entendo. – A garota com roupas de hospital se remexe dentro de mim querendo surgir em seu pavor paralisante, não permito, respiro fundo. – Vamos fazer o que precisamos fazer para que fiquem bem, e não vamos perder.
─Não vamos perder! – Ele sorri.
─Olha pai, ela acordou de novo! – Ben comunica muito animado mais uma vez. –Deixa eu pegar ela um pouco? Nem fiquei com ela hoje.
Daryl relutante entrega sua garotinha. Aproveita para me puxar para ele, ficamos abraçados olhando Benjamin distraído com a irmã.
─Foi meio inesperado aquele abraço. – Ele diz baixinho.
─Fiquei com inveja. Pensei que ganharia o primeiro abraço espontâneo que não estivesse ligado ao pânico.
─Você quer ter tudo? – Ele brinca beijando meu pescoço.
─Já tenho tudo.
─E eu tenho fome.
─Eu também. – Benjamin responde.
─Vamos comer então. Depois ficar todo mundo quietinho dando banho na nossa pequena e olhando ela dormir, como todo dia.
─Eu sei dar banho nela eu acho.
─Nem pensar pequeno duende, dar banho é trabalho do papai.
O fato é que ele realmente leva jeito com as crianças. Comemos, aqueço a agua para o banho. Depois do banho e de mamar Mel adormece e eu bem que espero ansiosa pelos dias em que vai passar mais tempo acordada que dormindo.
A porta se abre mais uma vez, Maggie entra apressada com Hershel nos braços e Glenn acompanhado de Rick.
Vem Maggie ali na sala inteira me enche de emoção. Não tive irmãos ou irmãs, mas tenho certeza que é esse tipo de amor que irmãos sentem.
Nos abraçamos chorando. Demoro para conseguir me soltar dela, é um alivio inexplicável. Secando suas lagrimas ela vai até Mel.
─Então essa é a namorada do Hershel. – Ela diz beijando a cabecinha de Mel com seu bebê nos braços.
─Maggie ela é bebê, não vai namorar ninguém. – Benjamin reclama. – Você é bem boba.
─Temos um irmão ciumento? – Maggie o provoca. – Segura ele Clarie, deixa eu pegar minha sobrinha.
Pego Hershel, estava com saudades de seu rostinho. Maggie tira Mel dos braços do irmão nada contente.
─Como ela é linda! – Maggie olha para mim, depois para Daryl. – Não sei com quem ela parece. – Ela olha para seu rostinho mais uma vez. – Já sei, ela parece com o irmão ciumento. O que acha Ben?
─Acho que você é chata um pouco e acho que não vou te deixar me chamar de Ben se ficar falando essas coisas.
─Isso não. – Maggie brinca. Olho para Daryl é um pai orgulhoso de pé encarando a cena e achando incrível que mais alguém possa amar uma parte dele. – Como foi Clarie? Quando fiquei sabendo que ela tinha nascido com você sozinha.
─Minha mãe não estava sozinha Maggie, eu estava aqui, daí ela começou a ter a Mel e eu ajudei, a doutora me contou tudo e foi igualzinho.
─Que sorte.
─Mais que isso, milagre eu diria. Não sei como tive forças. Mais de uma vez eu pensei que estava perdendo... – Não continuo, talvez em outro momento, quando estivermos sozinhas. – O que importa é que estamos todos bem.
─Ela é tão linda. – Maggie volta seus olhos para ela. – Hershel se deu bem.
─O pai olha a Maggie. – Benjamin reclama.
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