Resumption

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Oi gente, espero que estejam todos bem e desculpem pela demora, eu expliquei na outra fic, mas vou repetir aqui porque não sei se tudo mundo lê Hell. Cortei a mão direita, lavando louça, uma tolice, tomei uns pontos, já estou bem, mas fiquei sem digitar uns dias. Agora estou super bem.

Pov – Clarie

Ele me pediu desculpas, foi meio que como admitir que se importa, é estranho alguém se importar, principalmente alguém como ele. Daryl parece ser tudo que Beth disse que era, me lembro de achar um tanto fantasioso o modo como ela o descrevia.

Não conhecia o mundo aqui fora, alguém como ele parecia para mim que só podia existir em filmes de ação e quadrinhos da Marvel, mas Daryl Dixon existia, e era um tanto perfeito.

Balanço a cabeça para afastar os pensamentos que vinha a seguir, sua aparência, as mãos, o modo como me olhava, não quero e não vou pensar sobre isso.

Homens são um terreno que quero evitar, sentimentos românticos não tem lugar no fim do mundo, principalmente para alguém como eu. Imagino o que eles pensam de mim, vivi naquele hospital, nas mãos daqueles homens, Noah esteve lá o tempo todo, sabe o que se passou e claro já deve ter contado.

É estranho que nenhum deles tenha me procurado para cobrar a proteção, talvez ainda façam isso, talvez não precisem, tem muitas mulheres no grupo, não sei quem é de quem.

O sol escaldante e o calor úmido da Geórgia me sufocam, seco a testa de modo inútil, logo ela está úmida mais uma vez, a boca seca me faz calar a vontade de viver, a estrada parece nunca ter fim, todo o grupo está esgotado, mas continuam, nunca vou entender porque.

A fome foi embora há algumas horas, agora só o que sinto é um grande buraco e sede, muita cede, a visão embaçada pelo suor e luz do sol, é como caminhar no inferno.

O bebê passa de colo em colo, sempre quietinha, fico pensando como será para ela crescer nesse mundo, se vai ter a chance de fazer isso, se vale a pena.

Talvez exista um lugar, talvez não, pode ser que tudo se resuma a caminhar até que distraídos os mortos nos devorem num dia qualquer, como aconteceu com Tyreese, com uma bala disparada por reflexo atravesse seu cérebro e te tire do inferno.

Mas nem todo mundo tem essa sorte, para alguns, só resta caminhar pelo vale da morte, dia após dia.

Olho para trás sem acreditar que apenas continuamos andando quando um grupo de corpos sem vida nos segue. Meu coração ainda encontra forças para bates descompassado, mas nenhum deles se importa.

Com medo apresso o passo, logo estou ao lado dele, Daryl me olha de lado, não esboça reação.

─Quando decidirmos parar damos conta deles. – Me avisa percebendo meu medo, afirmo sem convicção.

Andamos mais uma hora quando encontramos uma ponte, Rick conversa com o grupo sobre pega-los apenas deixando que rolassem pelo barranco, fico logo tensa, acho que nunca estarei pronta para enfrentar aquelas coisas.

─Você fica com a Judith do outro lado da ponte. – Daryl me avisa, sente meu medo, sabe que não estou pronta, pego a pequena no colo, o que eu faria para mantê-la viva, se morrerem todos ainda assim eu poderia tentar, sempre tentaria por uma criança.

Eles começam bem, os mortos vão caindo no truque e rolando pelo barranco, mas então Sasha parece se descontrolar, ataca um deles e eles tem que lutar, mesmo assim não demora para os corpos estarem no chão, são mesmo fortes.

O grupo agora tenso com os momentos anteriores volta a caminhar por mais um tempo, paramos na estrada, cansados, famintos, perdidos, Daryl some pela mata, ele sempre está em busca de algo para a pequena, acho bonito o carinho com que trata Judy.

Vejo que ela e Carl são um pouco de todos. Não gosto de estar ali sem ele, parece que algo pode acontecer e nunca mais nos vermos, um arrepio percorre meu corpo e balanço a cabeça para afastar a ideia.

Ele retorna de mãos vazias e olhos perdidos, suspiro de alivio, desvio meus olhos que encontram os de Carol, ela tem um ar quase risonho, como se de algum modo pudesse ler meus pensamentos.

Meu rosto cora, felizmente o calor disfarça o rubor.

Um barulho entre as folhagens nos desperta e deixa todos em alerta, um grupo de cães surge, uma pequena matilha rosna em nossa direção, um dia foram domésticos, mas o fim do mundo os atirou ao passado e agora são selvagens.

Sasha dispara derrubando um por um sem qualquer preocupação, o rosto impassível e sinto que o mundo a tenha levado a isso, tem uma frieza assustadora em seus movimentos, um ódio que trasborda e arroubos agressivos, um silencio poderoso nos domina quando Rick se ergue e começa uma fogueira.

Não sei se posso fazer isso, assisto quando Daryl, Rick e Glenn limpam os animais retirando sua carne que Carol coloca para assar, lagrimas escorrem por meus olhos quando me dou conta que preciso ser como eles e esquecer a civilização, ou como ou morro.

Carol me entrega um pedaço de carne, nos encaramos um longo momento enquanto decido quem sou e o que quero, sinto o olhar de Daryl sobre mim e quero que ele acredite que posso vencer, aceito a carne, ela sorri com um leve movimento de cabeça.

Mastigo a carne queimada e sem sabor, empurro goela abaixo fazendo força para não mostrar meu desconforto, não acho que alguém ali saboreie aquele animal sem remorso.

Maggie se senta ao meu lado limpando as mãos nas calças, ficamos em silencio um longo momento, alguns cochilam depois de se alimentar, outros apenas tem os olhos perdidos em lugar algum, Daryl remexe sua besta, ela parece fazer parte dele.

─Queria um banho e uma cama. – Maggie me diz como se estivesse apenas pensando alto. – Um jarro de água fresca, isso seria perfeito também.

─Seria. – Ela sorri para mim, não se parece com Beth, mas olhar para ela me lembra Beth e me dá uma sensação agradável de proximidade, ela me soa como familiar.

─Maggie você e o Glenn estão... Quer dizer são um casal? – Ela sorri, depois franze a testa.

─Ele é meu marido.

─Por que escolheu? – Sinto os sons que Daryl fazia com a besta pararem e penso se ele estaria ouvindo.

─Claro! Que pergunta, amo o Glenn.

─Desculpe. – Me sinto um tanto ridícula pela pergunta. Será que ela pensa que posso estar interessada em Glenn? Quero me explicar, mas não quero que ela saiba como me sinto, meus medos, as coisas que passei.

─Tudo bem, só achei estranho, acha que ele me obrigaria?

─Eu... Não sei, apenas pensei que... Eu vejo o perigo a nossa volta o tempo todo, pensei que a proteção...

─Nossa! – Ela me encara de modo assustado, deixa claro que compreendeu, baixo a cabeça silenciosa, maldita boca essa minha. – Somos uma família Clarie. Acredite nisso e não tenha esse tipo de medo, não com relação a essas pessoas.

Afirmo. Ficamos as duas em silencio, me sinto tão ridícula e inadequada, quero que voltemos a caminhar, acho boa ideia me manter calada e longe, o desconforto daquela meia conversa me martiriza por um longo momento até que Rick nos põe de volta a caminhar.

Logo a sede volta a dominar e o cansaço corroer o corpo, o silencio domina mais uma vez o ambiente, no meio da estrada paramos diante de garrafas de água e um bilhete.

É como um oásis, pisco algumas vezes, a garganta parece secar ainda mais, os homens leem o bilhete, trocam olhares, ninguém quer tocar nas garrafas, aceitaria de bom grado servir de cobaia, mataria minha sede e se tivesse que morrer então eles não estariam perdendo nada, dou um passo quase imperceptível, mais por instinto que coragem, sinto a mão firme de Daryl segurar meu braço, paro na mesma hora.

Eugene pega a garrafa, Abraham acerta um tapa jogando a garrafa para longe e espalhando as milagrosas gotas de vida, me assusta toda aquela violência e sem perceber busco proteção em Daryl, quando me dou conta estou a seu lado tocando seu braço com o meu.

Todos ficamos um instante ali, indecisos e desejosos até que a chuva nos refresca, Tara e Rosita se deitam deixando a água lavar seus rostos, fico imóvel apenas sentindo o calor deixar meu corpo me refrescando.

─Recolham o que conseguirem! – Rick decide, mas então o céu está negro, as nuvens pesadas próximas demais, uma tempestade se aproxima, todos sabemos do perigo que corremos.

─Tem um galpão! – Daryl avisa, me puxa pelo braço caminhando na frente enquanto guia o grupo até o abrigo, fechamos as portas e ficamos ali, quietos enquanto o céu parece descer em raios e trovões.

O grupo fica conversando, Rick, Glenn, Carol e Daryl, eles parecem ser as pessoas que tomam as decisões, os lideres, fico um pouco afastada, sozinha e pensativa.

Algo desagrada Daryl, ele se põe de pé, caminha pelo galpão vem em minha direção e meu coração acelera mais uma vez, me sinto humilhada por meus sentimentos, não devia querer estar assim.

Quando Daryl passa direto e segue em direção a porta que balançava um pouco por conta do vento me sinto solitária e decepcionada, acho que queria que ele apenas se sentasse ao meu lado.

Daryl observa um instante, então eu o vejo apoia a porta, escuto por entre os sons de trovões os gemidos dos mortos, a porta começa a ceder e corro para ajudar.

Logo o grupo todo está lá, escorregando pelo barro, tentando ficar de pé, impedir os corpos de invadirem o lugar, uso toda força que tenho e demora para que a porta volte a ficar imóvel e podermos nos afastar a chuva já não era tão forte e quando saímos dali Daryl e Rick observam pela fresta.

─A chuva os destruiu.

As pessoas voltam para seus lugares, me sento em silencio, talvez um dia eles acabem, no fundo são tão frágeis, a força de uma chuva pode parti-los, não podem nem mesmo se defender da natureza.

─Se machucou. – A constatação de Daryl de pé diante de mim me confunde, ele me aponta a mão, se senta ao meu lado, olho e vejo algum sangue seco, procuro pelo machucado e vejo a palma esfolada pela força que fiz contra a madeira áspera.

─Nem tinha visto.

─Tome cuidado para não inflamar.

Ele puxa o lenço do bolso, limpa minha mão e queria sorrir por que sem algo pode estar enfestado de germes é definitivamente aquele lenço que ele carrega no bolso da calça e que já o vi usar para tudo.

─Obrigada.

─Feliz? – Ele me pergunta e olho para ele confusa.

─Ahm?

─Parece feliz, seu rosto... está feliz?

─Não. – Como dizer que achei bonito o cuidado e engraçado o lenço? Ele com certeza não gostaria muito de saber.

─Não tem problema ficar feliz, tem umas pessoas que são mesmo com essa merda toda.

─Eu não sou. – Ele se encosta na parede, apoia os braços nos joelhos dobrados, brinca com uma de suas flechas.

─Está tudo bem agora, pode dormir se quiser. Ninguém vai te deixar para traz. – Completa como se lê-se meus pensamentos.

Fecho meus olhos, estou mesmo tão cansada, foi tudo tão alucinante e sem descanso, apago quase que instantaneamente.

Abro os olhos completamente confusa, já era dia, minha cabeça repousava no ombro de Daryl, me afasto rápido, olho para ele que tinha uma caixinha de música nas mãos, pisco quando meus olhos encontram com os dele.

─Eu não devia... – Sem fala aponto o lugar onde me recostei, ele dá de ombros como se não fosse importante, mas não me olha muito. – Dormi muito?

─Toda a noite.

─E ficou parado me apoiando... Desculpe. – Me sinto completamente ridícula, ao mesmo tempo foi tão seguro e bom, sinto vontade de me encolher ali para sempre.

─Estava ocupado arrumando isso para Maggie, não foi nada. – Ele abre a caixinha e uma bailarina dança ao som de uma música instrumental, queria ser erudita o bastante para saber que música era aquela, mas não era. – Ela não sabia, mas era durona.

─Está errado Daryl, Beth sabia, aprendeu com você.

Seu rosto suaviza de um modo que o deixa tão mais bonito, queria que fosse por mim e a ideia apenas me faz sentir ainda mais medo.

─Vou fazer uma ronda lá fora com a Sasha! – Maggie avisa a ele. – Durma um pouco Daryl. – Ela pega a caixinha que ele estende a ela, sorri em gratidão, são próximos, todos eles são, tanto tempo juntos, quero desesperadamente me sentir parte de algo assim. – Obrigada.

Daryl não se move, apenas fecha os olhos, eu me afasto indo ao encontro de Judy, depois de incomoda-lo toda uma noite acho que ele quer se livrar de mim.

─Acho que nunca vi ninguém tão perto dele desde que o conheci. – Tara diz ao meu lado enquanto distraia Judy com uma garrafa de plástico vazia. – Está afim dele?

Fico sem saber o que responder, não sei se é uma pergunta despretensiosa, se eles têm algum envolvimento. Felizmente estamos longe o bastante de todos para sermos ouvidas por mais alguém.

─Você e ele.... Eu não sabia...

─Eu? Não. Esse definitivamente não é meu negócio, gosto de garotas, desculpe invadir sua privacidade, só achei bonito ver os dois juntos, sempre acho ele tão sozinho, nunca tive muita coragem de chegar perto e vejo vocês tão próximos e tão rápido.

─Acho que ele sente um pouco de pena de mim, só isso.

─Pessoal, eu trouxe o Aaron. – Me viro quando escuto a voz de Maggie, ela entra com Sasha e um homem, logo Daryl o domina, revista, o clima fica tenso, todos apontam armas, me sinto perdida no meio daquela confusão.

As pessoas estão tão apavoradas com um homem ali que fico pensando o que já passaram, sei que existe muita gente ruim, Beth contou uma coisa ou outra, eu vive coisas horríveis, mas ainda acho tudo aquilo confuso.

Tento acompanhar a conversa. É sobre uma comunidade, a chance de um recomeço, sobre muros altos e segurança, tem fotos, Rick no meio da conversa acerta o homem e nem sei muito porquê.

Logo ele é amarrado, todos tensos, olhando pelas frestas com medo de estarmos cercados, o que poderiam querer conosco? Não temos nada, são apenas pessoas perdidas, sem comida, abrigo.

─Formem duplas e deem uma volta.

Seguro a faca que tenho nas mãos, meus olhos arregalam quando todo grupo começa a sair e apenas faço o mesmo, meio perdida sem saber a quem seguir, mais uma vez sinto a mão de Daryl envolver meu braço num puxão delicado.

─Vem comigo.

Seu tom é sempre imperativo, não queria que meu coração batesse tão forte quando fico perto dele, mas bate e eu sigo a seu lado, saltamos corpos dilacerados pela tempestade, passamos por zumbis presos a troncos de arvores, o lugar a nossa volta está devastado, sem abrigo não teríamos vencido a tempestade.

─Você nos salvou.

─Sorte.

─Raciocínio rápido, mas acho que não estaria aqui não fosse isso. – Ele me olha de lado, salta um tronco caído e volta sua atenção ao ambiente. – O que estamos procurando?

─Pessoas, gente disposta a nos por em perigo, quero que fique perto de mim e faça tudo que eu mandar.

─Eu sempre faço. – Ele afirma me olha mais uma vez, me perco naquele olhar, seus olhos são tão profundos, tem tantas coisas ali que queria compreender, coisas que o machucam, meu coração se aperta só de imaginar.

Meu pé afunda em qualquer coisa, me desequilibro e os braços de Daryl me envolvem me impedindo de cair. Seguro seus braços, meus olhos assustados encontram os dele, mais uma vez mergulho nas profundezas do seu olhar.

─Barro... Afundou no barro. – Ele me avisa, acho que percebi isso, ele devia me soltar, ou eu devia fazer isso, queria me soltar, mas não faço, fico ali, de pé, olhando para ele, sendo observada por ele.

─Não vi. Obrigada.

Acho que um dos dois se move, provavelmente ele porque meu pé ainda está atolado na lada, ficamos ainda mais perto, sinto sua respiração de encontro a minha, devia ter medo, no fundo tenho.

Penso nas coisas que passei no hospital, no quanto era asqueroso, na ânsia de vomito que sentia, na louca vontade de morrer que me dominava cada vez que um daqueles monstros uniformizados se aproximava assim.

Busco dentro de mim aquelas emoções, não encontro nada daquilo, só coração batendo fora do ritmo, a boca seca, o sangue jorrando rápido aumentando minha pulsação.

O que tudo isso significa? Essas emoções todas, será que ele pretende me beijar? Acho que ele se dá conta do que está prestes a acontecer.

Suas mãos me soltam de modo rápido, meio confusa me desequilibro mais uma vez, aperto seus braços, nos olhos se desconectam e ele me puxa para fora do buraco que meu pé estava, logo em seguida ele me solta.

─Melhor voltarmos. – Ele diz rápido enquanto caminhava para longe de mim, eu apenas o sigo meio cambaleante.

Entramos mais uma vez no galpão, meu coração ainda bate descompassado eu me sento ao lado de Carl e Judy.

Devia me concentrar em sobreviver, nos perigos que aquele homem representa, mas só consigo pensar em Daryl, no calor se sua pele, nos olhos, no quase beijo e em como tudo aquilo mexe comigo.

Eu teria aceitado o beijo, não senti repulsa alguma e aquilo é bem confuso, mordo o lábio tentando desesperadamente não olhar para ele, o restante do grupo começa a voltar, é bom ver todos bem, sinto que começo a me afeiçoar a todos eles. Meus olhos me traem e buscam os dele, ele me olha por baixo dos cabelos crescidos, desvia rápido, faço o mesmo.

Notas finais
Beijos!!!!!!!!!!!!! Obrigada! Comentem.