Resumption

33 Capítulo 33


Notas iniciais
Oiiieeee Mais um capitulo, espero que gostem.

Pov – Benjamin

Talvez eles venham, Clarie me abraçou e tudo na hora de sair, parecia até que se importava um pouquinho. Daryl me chama de Ben, então eu acho que eles vêm.

─Oi Benjamin! – Morgan aparece e se senta perto de mim, acena para Maggie, ela sorri. – Fazendo lição?

─Tenho um monte, a Clarie vai corrigir quando ela chegar, ela vem aqui me buscar, ela e o Daryl, é lá que eu moro e eles vem me buscar.

─Eu sei. Se cansar de ficar aqui podemos dar uma volta lá fora.

─Não, o Daryl pode chegar e me procurar e se não souber onde eu estou eu não consigo voltar para casa. Gosto de casas pequenas agora e só tem aquela lá mesmo, então eu vou morar lá agora.

─Ótimo, eu só vim te dar um oi, como prometi a Clarie.

─Eu digo que veio. Ela vem me buscar aqui, me deixou aqui e vem me buscar.

─Pode ter certeza disso. Tchau, tchau Maggie.

Maggie acena de novo, sorri e Morgan vai embora, pensei que já era a Clarie me buscando. Volto para meus cadernos e Maggie continua fazendo as coisas dela.

─Maggie eles já estão chegando? – Ela nega.

─Ainda é cedo Benjamin.

─Como você sabe, nem olhou no relógio?

─Não faz cinco minutos que olhei no relógio como me pediu. Terminou sua lição?

─Não.

─Então termina. – Ela está vendo uma coisa na tv, uma pessoa contando uma história chata.

Volto a fazer lição. Pensei que eu que tinha que arranjar comida e roupa. Entrar nas passagens pequenas como tinha que fazer quando aqueles lobos mandavam. Ou juntar zumbis para eles. “ Vai cachorrinho, corre até lá se não eles te pegam” Soares era sempre o que mais ria disso. Eu corria e os zumbis vinham atrás e então eles fechavam o portão e eu tinha que escalar o muro e depois pular a grade.

Se Daryl e Clarie não voltarem talvez eu tenha que fazer isso de novo, olho para Maggie e ela via outra pessoa contando uma outra história chata. Será que ela vai me mandar fazer coisas assim? Será que eles mentiram e vão me largar aqui porque chutei as cadeiras? Se a Maggie não gostar de mim ela vai falar não e me mandar de volta para eles na hora.

─Não gosto de você! – Aviso Maggie, ela me olha.

─Azar seu! – Ela dá de ombros e volto para meu caderno.

─A Clarie é mais bonita que você.

─Também acho! – Ela volta um pouco e a pessoa começa a contar tudo de novo.

─Seu marido não tem uma besta que nem o Daryl.

─E o marido da Clarie não é o único coreano que restou, só eu que tenho um coreano.

─Gosto de morar em casas pequenas. E da comida da Clarie, é muito melhor que essa sua.

─Se deu mal, nem fui eu que fiz, foi a Jesse. Ela que me mandou o almoço.

Fico calado, bem que a Clarie falou que ela era boa disso de briga. Agora tem outro cara falando, olho bem para ele, conheço aquele rosto. Ele já até morreu, os lobos que mataram ele no meio de uma daquelas brigas de dar muito medo.

─Quem é esse aí? – Pergunto.

─Um cara que morou aqui e criou problemas, foi embora. Faz tempo, antes de chegarmos aqui.

Faz tempo mesmo, já até virou zumbi com letra na testa. Não sabia o que era que eles escreviam na testa com faca e saia sangue. Agora eu sei, é um w.

Todo dia alguém dizia que faria um na minha testa. Ainda bem que não fizeram.

─Falta muito?

─Não. Termina a lição Benjamin. Depois eu te deixo escolher um livro para ler. Gosta de desenhar?

─Não é minha professora Maggie, não pode me mandar ler e desenhar, isso é coisa de pro fes so ra.

─E a sua já te ensinou a separar si la bas. – Ela é muito respondona.

Fico com a cara no meu caderno até terminar, se um dia a Clarie chegar e me buscar ela vai gostar de ver que fiz. Acho que eles vêm, ela chorou que me queria morando lá.

Me lembro do rosto na tela da TV ainda bem que a Maggie desligou, não gosto nada de pensar naqueles lobos que são bem ruins. Me encolho numa cadeira, sinto falta da Clarie e do Daryl, faz muito tempo que eles foram, acho que não vem mais.

Não tem nenhum dos dois aqui para ver se tenho febre.

Fecho os olhos e fico quieto não quero que essa Maggie chata me veja chorando, coloco uma almofada no rosto.

Penso no Daryl, ele falou que gosta de meninos de oito anos, como é que eu ia saber? Agora eles pensam que tenho dezesseis anos e se eu contar a verdade vão me chamar de mentiroso e me mandar embora. É bem feito, eu contei mesmo uma boa mentira.

Seco uma lagrima embaixo da almofada. Queria contar que tenho oito anos e sou criança ainda, mas me ferrei. Se eles descobrirem, se os lobos chegarem? Tanta coisa ruim, esse monte de zumbis, eu aqui sem o Daryl e a Clarie.

─Está com fome Benjamin? Quer comer?

─Quero que vá a merda! – Respondo escondido em baixo do travesseiro, escuto sua risada.

─Vai você que não está fazendo nada. Tenho muito trabalho.

─Foda-se!

─Foda-se é meu palavrão favorito, serve para tudo. Qual o seu? – Que mulher louca.

─Porra.

─Porra é muito fraquinho, nem parece palavrão.

─Não quero conversar com você, me deixa.

Escuto uma batida na porta, me sento secando as lágrimas.

─Entra! – Maggie diz escrevendo num caderno. Então a porta abre e vejo a Clarie. Meu coração bate forte, ela veio mesmo me buscar.

─Oi Maggie. – As duas se abraçam. Fico de pé. – Glenn está bem, todos estamos e tem gente nova.

Maggie sai correndo e Clarie me vê. Sorri daquele jeito dela de sorrir toda hora.

─Chegamos. ─Eu queria que ela me abraçasse de novo, mas ela apenas fica sorrindo.

─É.

─Vamos? O Daryl está nos esperando. Vim te buscar.

─Fiz minha lição.

Pego meu caderno e meus lápis e vou com ela. Daryl me vê, a gente vai andando os três para casa. Para casa como ela prometeu.

─Não me deu tchau Daryl. – Eu lembro ele.

─Estava apressado Ben. – Afirmo quando a gente entrava em casa e ficamos bem quentinhos de novo.

─Não quero ficar com a Maggie de novo não, ela é muito respondona.

─Muito! – Daryl ri, será que ela já respondeu para ele?

─E ela fala palavrão. – Conto assim não me deixam mais lá o dia todo. É muito ruim. – Acho que fiquei com um monte de febre. Vê Daryl. – Ele me bagunça os cabelos, toca minha testa.

─Se ficou agora já passou.

─Minha lição Clarie, se tiver algum errinho é culpa da Maggie que ficou me irritando. O Morgan foi lá, me chamou para dar uma volta, mas eu não fui, porque me deixaram lá e fiquei.

─Ben se um dia tivermos problemas e precisar ir com o Morgan quero que vá. O Morgan sabe o que faz, e eu posso encontrar ele.

─Daryl eu não quero ir com ninguém.

─Eu sei Ben. – Porque ele está falando essas coisas? – Mas pode ser que um dia zumbis apareçam aqui, ou pessoas ruins, se eu e a Clarie não estivermos por perto tem que ir com quem estiver aqui para te ajudar.

─Então eu vou ficar perto sempre. – Não quero ir com ninguém em lugar nenhum, eu me escondo, sei me esconder muito bem, sou pequeno e caibo nos buracos, não vou e pronto.

─Tudo bem, é uma boa solução essa sua. – Daryl diz e chega desse assunto.

─Sua letra está muito bonita Ben, adorei a lição. Parabéns. – Clarie me devolve o caderno. – Agora vem ver o que trouxemos para você.

─Coisas para mim? – Eles acharam coisas para mim? Clarie sorri e me entrega um saco. – Tudo isso?

─Sim, são só roupas.

Eu começo a tirar do saco, tem blusa, tem calça e meias quentes e mais blusa e touca. Do meu tamanho e sem rasgo, eu gosto de tudo. São minhas e ninguém me deu como as roupas do Ron que eu uso.

─Eu vou guardar tudo no meu quarto, e tomar banho e colocar uma.

─Isso, vou arranjar algo para comermos. – Clarie sempre se preocupa com comida para a gente.

─E eu vou limpar as flechas e a lança. – Daryl vai com a Clarie e subo correndo. Enfio minhas roupas na gaveta, depois a Clarie vai arrumar tudinho, ela tem mania de arrumar.

Depois do jantar eu vou direto para minha poltrona, nem jogo vídeo game. Acordo no meio da escada, no colo do Daryl, ele me coloca na cama, nem abro os olhos, Clarie me dá um beijo e fico sozinho.

Não gosto de ficar sozinho, lembro dos lobos, dos zumbis me perseguindo de todos eles rindo, do meu pai gritando, tudo misturado, então eu aperto mais os olhos até ficar com muito sono.

Escuto barulho de zumbi, olho na janela e tem um monte e subindo as escadas e no quarto e não sei o que fazer, então eu grito, Daryl vai ouvir e me salvar. Chamo por ele e Clarie.

Pov – Daryl

─Daryl, Clarie, socorro! – Salto da cama, ainda um pouco confuso caço a besta ao lado da cama. – Zumbis, Daryl.

─Clarie, cuidado! – Abro a porta com a besta em punho, não tem nada, olho para a escada, limpa, corro para o quarto de Benjamin, ele se debate na cama num pesadelo.

─Ben acorda! – Toco seu ombro e ele salta assustado. –Está tudo bem, foi um sonho.

Abaixo a besta e para minha surpresa ele corre para meu colo, Clarie está ao meu lado ainda atordoada.

─Tem zumbis, eu vi, lá fora, na escada em todo lugar! – Ele soluça e só o abraço.

─Não, você sonhou. Olha. – Levo ele até a janela, ele olha pelo vidro a noite tranquila e silenciosa. – Viu? Vou te mostrar a escada, não tem nada.

─Não, não! – Ele chora, soluça, se aperta a mim em completo desespero.

─Ben. – Clarie toca seu cabelo. – Fica calmo.

─Eu menti, menti, tenho oito anos, oito não dezesseis, não sei fazer as coisas.

─Tudo bem, não tem problema, sabe que a gente gosta de meninos de oito anos. – Abraço Ben. Ele segura minha camisa firme como se fosse solta-lo, olho para Clarie, ela está confusa também.

─Tenho oito anos, não nada de dezesseis.

─Que bom prefiro mesmo, agora não chora mais não tem zumbis aqui foi só um sonho. Volta para cama....

─Não, não... – Ele se desespera ainda mais, me aperta. – Não quero ficar sozinho.

─Não vai Benjamin eu e o Daryl vamos ficar aqui.

─Eu vou dormir e vão embora, não quero.

─Daryl traz ele, vamos para nossa cama. – É boa ideia, assim ele se acalma, coloco Ben na cama ele soluça.

─Pronto, vai ficar aqui essa noite, não precisa chorar mais.

Ele fica sentado, tentando secar as lágrimas, Clarie o cobre, em meio a soluços ele vai se acalmando, Clarie abraçando ele e acariciando seus cabelos.

─Posso ficar aqui hoje?

─Pode. – Sorrio. – Mas espera, disse que tem oito anos? – Ele afirma. – Então não é um duende?

─Não.

─Tem certeza? Você tem cara de duende, um bem baixinho.

─Nem tenho chapéu verde. – Ele está se acalmando e hoje pretendo saber todo o resto.

─E essas orelhas pontudas? – Benjamin ri, é a primeira vez, e troco um olhar com Clarie, ela está emocionada. – Está rindo porque é um duende querendo me enganar.

─É verdade, sou um menino de oito anos e você disse que gosta de meninos de oito anos e a Clarie adora.

─Eu adoro mesmo. – Ele ergue o rosto para olhar para ela, Clarie beija sua testa e de novo Benjamin sorri.

─Ben, com quem estava quando o apocalipse começou? Se lembra?

─Com o meu pai, eu ficava com ele, minha mãe morreu quando eu era bem menor e fiquei com meu pai, ele bebia muito, e derrubava as coisas esquecia de me dar comida e não me levava na escola, nunca fui na escola.

─Onde era isso tudo?

─Não sei, na nossa casa, não sei direito como chamava não.

─E quando os zumbis chegaram? – Clarie pergunta, ele se arruma a seu lado, os olhos vagam um pouco, deve estar buscando na memória.

─Um soldado bateu na porta, a gente estava trancado lá e ele só ficava vendo as coisas na TV, o soldado mandou a gente ir com ele que estavam tirando todo mundo de casa, ele era bem bonzinho, mandou eu arrumar mochila e tudo.

─E foram com ele?

─Andei num caminhão cheio de gente, deram comida, tinha gente chorando, gente com febre, daí ficamos num lugar cheio de grades e com um monte de barracas.

─E porque saiu de lá? – Pergunto sabendo o que aconteceu.

─Começou um monte de tiro e grito e vi um zumbi de pertinho, mas eu sou bem rápido passei por baixo dele e fiquei sempre correndo atrás do meu pai e dai ficamos andando pelas ruas uns dias e ele achava legal que podia entrar em todos os lugares e pegar o que queria.

─E ficou com ele até quando?

─Até quando os lobos mataram ele e ele virou zumbi.

─Lobos? Disse lobos? – Eu me alarmo, me arrumo mais, Clarie fica até pálida. – O que sabe sobre os lobos Ben?

─Sei de tudo. São ruins, matam todo mundo, juntam zumbis, um montão, eles nem ligam quando um deles morre, eles brigam entre eles, e sempre morre um, não pode nunca ficar ninguém vivo, ninguém, até criança.

─Eles usam os zumbis para pegar pessoas, é isso?

─Não, eles usam as pessoas para pegar os zumbis.

Aquilo demora a fazer sentido para mim, o que afinal esses caras querem? Porque juntam zumbis, como preparam aquelas armadilhas?

─Eles encontraram você com seu pai, mataram seu pai e machucaram você com a corrente e pensaram que tinha morrido?

─Não.- Ele diz simplesmente, está com sono e não vou conseguir tirar tudo dele, mas preciso de tudo que ele puder contar.

─Como foi então?

─A gente encontrou eles e eram bem pouquinhos ainda, só... – Ele conta nos dedos – Acho que eram uns cinco, daí meu pai virou um lobo também, com w na testa e tudo. E eles começaram a juntar zumbis e levar nos lugares e soltar eles para pegar as pessoas e fazer mais zumbis e roubar as coisas e quando encontravam gente sozinha ou de pouquinho eles logo já matavam, faziam o W na testa.

─E você ficava vendo tudo isso? – Clarie pergunta tão assustada que puxa Benjamin para seu colo, ele se espanta um pouco, mas não recusa.

─As vezes eu fechava os olhos, mas nem sempre, porque tinha que ver se não vinha zumbi. E quando eles queriam prender zumbis me mandavam chamar eles. Eu chorava, mas eles ficavam dizendo que iam me dar de comida para eles e eu tinha que fazer isso, porque sou pequeno e corro e subo nos lugares e entro nos buracos.

─Como é isso Benjamin? – Aquilo não pode ser verdade, ninguém faz isso com crianças.

─Já viu aquelas caixas bem grandes que guardam comida?

─Contêiner.

─Então, eles tinham uns com armadilhas para pessoas e quando queriam levar zumbis para lá me mandavam correr para dentro, os zumbis iam atrás de mim, eles fechavam e eu tinha que dar jeito de sair e pulava as grades. – Me lembra o lugar que eu estive com Aaron.

─Seu pai...

─Nem ligava só ria, aí um dia eles brigaram, todo mundo queria sempre mandar, e meu pai também quis e morreu, fizeram um corte no pescoço dele.

─Você viu isso? – Clarie aperta Ben, ele me olha achando estranho.

─Eu vi e continuou tudo igual, eles queriam que eu ficasse, eu fazia coisas que não queria, tinha medo, me batiam. – Não quero ouvir tudo, aquilo me fere, me dói, ele está assustado, sofreu muito, não entendo como sobreviveu, mas faz sentido a revolta, o medo. – Daí um dia um deles me acertou com a corrente e acordei depois sozinho, fiquei lá e não tinha nada para comer e eles não voltavam e pulei a janela, mas fiquei com medo, dei uma voltinha, mas não entrei em lugar nenhum, tentei no outro dia de novo, mas voltei e vocês chegaram.

─E chega por hoje, já é de madrugada e você precisa dormir.

─Não precisa Clarie, é melhor eu ficar acordado mesmo, quer que eu faço lição?

─Nada de lição, deita ai que vou cobrir você. – Mais uma vez ele fica olhando de um para o outro. – Vai Ben, precisa dormir, a cama é grande e vai ficar com a gente essa noite e se tiver medo é só me acordar.

Ele olha para Clarie, se arruma na cama ela o cobre.

─Menino de oito anos pode ficar com um pouco de medo né?

─Pode.

─Só de dezesseis que não pode.

─Isso. – Clarie dá um beijo em sua testa, depois vem para meus braços.

Ficamos os dois mudos olhando Benjamin pegar no sono. Nem sei se um dia vou poder dormir. Tem muitas peças ainda para se encaixarem, mas já dá para saber que são monstros e que não podem chegar aqui.

Notas finais
Benjamin não sabe se expressar direito, mas agora que começou a falar vai se abrindo mais e mais. Beijosssss