Resumption
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Pov – Clarie
Vou tomando consciência do dia através da luz que vai iluminando o quarto, minha memória me traz as recordações do dia anterior, um dos dias mais longos da minha vida, mas o que domina mesmo meus pensamentos são os braços de Daryl me envolvendo no meio da minha crise de choro.
Acho que todo o pavor de perde-lo me dominou de um jeito que não pude controlar, junto veio toda a angustia de estar em perigo e não poder evitar.
Suspiro quando penso em nossos beijos deitados juntos, agora me sinto mais tranquila, dividimos a cama, ele me convidou, se preocupou, quem sabe posso convence-lo a me levar? Ficamos bem agarrados durante a noite, acho que ele nem notou isso, estava dormindo, fico tímida, o que digo quando Daryl acordar?
A última coisa que fizemos foi nos beijar longamente, será que mais uma vez vamos fingir que nada aconteceu? Tomando coragem me viro lentamente, quero vê-lo dormindo.
Estou sozinha, me sento e olho em volta, a mochila, a jaqueta e a besta não estão mais ali, meu coração bate descompassado, sinto meu corpo tremer, estou sozinha, ele se foi, nem ao menos se despediu, desesperado por se livrar de mim.
Talvez arrependido do convite de me ter em sua cama, quem sabe achou que agora eu o perseguiria exigindo qualquer coisa. Seco as lágrimas, salto da cama, pode ser que não tenha ido, estou aqui perdendo tempo imaginando um mundo de tolices e ele pode apenas estar lá em baixo a minha espera.
Desço as escadas correndo, a sala está vazia, na cozinha Carol tomava uma xicara de café olhando a vista da janela, se vira quando entro correndo.
─Ele já foi Clarie, saiu logo que amanheceu.
─Sem se despedir de mim? – Uma angustia me domina, uma tristeza sem fim toma conta do meu coração como um manto negro.
─Sem se despedir de ninguém, Daryl não faz esse tipo de coisa.
Sem dizer qualquer coisa dou meia volta e subo mais uma vez as escadas. Acabou, ele não se importa, ninguém se importa, porque se importariam? Entro no quarto que deveria dividir com Sasha, a verdade é que nenhuma das duas fica muito ali.
Sasha passa quase todo tempo na torre, eu... eu apenas perambulo atrás de Daryl, não é de estranhar que ele tenha fugido na primeira oportunidade. Vejo meu reflexo no espelho gigante na parede em frente, cabelos desgrenhados, rosto inchado pela crise de choro, vestido amaçado.
Aliso o vestido, passo os dedos pelos fios de cabelo de modo instintivo.
─Quem se importa com sua aparência Clarie? – Digo em voz alta, minhas roupas estão sobre a cama, caminho para elas. Recolho e sigo para o chuveiro, tomo um banho rápido, lavo os cabelos, me seco e visto as velhas roupas que agora cheiram a sabão e não mais a mofo e sangue.
Calço as botas, prendo os cabelos num rabo alto, me olho mais uma vez no espelho, me sinto sem direção, não sei que rumo devo seguir, penso em Aiden, em suas exigências, não posso cumprir isso.
Foram meses e meses de tortura naquele inferno chamado Grady. Me sento no chão do banheiro, dobro os joelhos, escondo o rosto, as imagens mais uma vez me dominam, aqueles homens sujos, invadindo meu quarto, me tocando, quase posso sentir tudo de novo, toda as noites um deles me dominando sem perdão, como se eu fosse nada, talvez eu não seja.
Agora tudo se repete, por alguma razão eles pensam que sou apenas isso. Menos Daryl, ele sempre me tratou com respeito, mesmo quando me teve em sua cama, mas então me deixou, porque não sou importante.
─Aquele monstro não vai me tocar, nunca mais vou permitir que um homem me toque. – Ergo meu olhar, penso em Daryl, ele sim poderia me ter, mesmo sem saber eu pertenço a ele e a mais nenhum.
Eric é sempre tão gentil, educado, calmo, talvez ele pudesse me ajudar sem criar problemas. Se o grupo perder esse espaço por minha culpa nunca vou me perdoar, me ergo decidida, seco o rosto para não chamar muito a atenção. Eric pode me aconselhar, pode quem sabe falar com Deanna ou mesmo Aiden, sem Daryl me sinto ainda mais fora do lugar, sem direção, sou apenas medo como sempre fui até ele entrar na minha vida.
A casa está vazia, todo grupo tem um lugar na comunidade, um trabalho, menos eu, antes de sair olho minha lança, ninguém anda armado em Alexandria, mas e se algo der errado, se tiver um problema? Eu me decido por leva-la, penduro no ombro como de costume e saio pelos fundos, assim não encontro muita gente.
Uma dúzia de passos e dou de cara com Aiden e seu amigo inseparável Douglas, os dois trocam um sorriso me impedindo a passagem.
─Bom dia! – Aiden me diz sorrindo bem próximo a mim, seguro a lança, ele não nota. – Vai indo Douglas, já encontro vocês.
Douglas apenas se afasta, meu coração bate acelerado, tento passagem, ele me impede, tento mais uma vez, sua mão me aperta o braço me impedindo.
─Preparada para nosso encontro noturno?
─Quero passar, por favor.
─Calma, não esqueceu não é? Quando escurecer quero você exatamente aqui, tenho um ótimo lugar para nos encontrarmos, vai gostar. – Ele se aproxima, tenta me beijar, viro o rosto com o estômago embrulhado, é como estar de novo no Grady, seus lábios tocam meu pescoço.
─Não vou. – Ser honesta pode funcionar, ele pode ver que sou firme e apenas me deixar em paz.
─Claro que vai, não quer todo seu grupo em risco, depois dessa noite vamos ser muito amiguinhos, tenho certeza que vai gostar.
─Me deixa passar Aiden, Eric está a minha espera.
─Gosta mesmo dele? Sabe que ele anda bem sozinho, machucado, aquela perna dele está longe de ficar boa, nunca se sabe quando algo ruim pode acontecer nesse mundo incerto, alguém sempre pode rolar uma escada.
─Não faria isso, é um idiota que só sabe me ameaçar porque sou mulher, Daryl te deu uma surra! – Não aguento ficar calada, sinto nojo de suas ameaças, mas o caminho é errado e só consigo enfurece-lo.
─Sua vadia! – Ele me empurra, me desequilibro com a força contraria que não esperava, meus pés não encontram apoio e caio para traz, a cabeça bate na parede e sinto tudo girar por um segundo. – Devia te dar uma lição agora mesmo, mas o grupo me espera.
Uma dor no ombro e costas erradia pelo corpo todo, me sento e noto um paralelepípedo logo abaixo de mim, toco o ombro.
Aiden me põe de pé sem muito esforço, me faz olhar para ele e não resta em mim mais nenhuma coragem, sinto tudo girar mais uma vez, me concentro, se apagar diante dele ele vai fazer o que quiser comigo.
─Confia muito naquele caçador, mas cadê ele agora? Deixou você, deu no pé sem nenhum receio, ele não liga para você.
A verdade dói, machuca e magoa, mas ele está certo, Daryl se foi sem olhar para trás.
─Sabe que é verdade não é mesmo? – Ele me puxa para mais perto de si, olho em volta em busca de ajuda, está tudo vazio como se estivéssemos em uma maldita cidade fantasma. – Talvez a gente não precise esperar até a noite, está perfumada.
Uma de suas mãos vem para minha coxa e prefiro morrer a deixar que aconteça, sei que fui covarde, que sou culpada por todos os abusos que sofri, que devia ter me atirado daquele maldito terraço do Grady como desejei tantas vezes, mas dessa vez não, dessa vez prefiro morrer e nem mesmo vou me importar.
Minha lança segue para sua garganta, bem abaixo do queixo.
─Se afasta! – Ele arregala os olhos, surpreso e assustado. Não se move a princípio, não acredita na minha coragem. – Eu disse para se afastar.
Pressiono um pouco mais, eu faria, se fosse preciso eu faria, não ligo para o que vem depois disso, morte, expulsão, não me importo, mas ninguém além de Daryl pode me tocar.
Aiden se afasta, tira as duas mãos do meu corpo, seus olhos me fulminam de ódio, engulo em seco um tanto tremula, o coração batendo a mil.
─Vou acabar com você, vai se arrepender muito disso. – Ele me ameaça, cedo demais abaixo a lança, ele ergue o braço e antes que pudesse me defender me acerta um tapa que me leva mais uma vez ao chão, depois apenas caminha para longe.
Fico ali uns minutos, a mão ferida, o rosto ardendo e uma dor que domina todo meu corpo, o braço esquerdo mal se ergue, vou ficar com muitas marcas, mas ninguém vai ver, ninguém nunca vai saber, acabou.
Alexandria é passado para mim, não me sinto em condições de lutar lá fora, mas não posso ficar aqui dentro, ele vai me destruir, a mim e a todos que me cercam.
Ajeito a lança, me limpo um pouco e caminho para os portões de Alexandria, não tem nada que deixei para trás, sou apenas eu, nem roupas, nem suprimentos, tudo que sempre tive foi doado dos verdadeiros sobreviventes, não passo de um estorvo e vai demorar para alguém perceber minha ausência.
─Clarie! – A voz de Carol me faz parar uns metros do portão. Fico em dúvida do que fazer, não me movo, não me viro, sei que ela vai perceber o que me aconteceu. – Se for ele vai caçar você quando voltar. Não vai desistir, Daryl vai perseguir seus passos dia e noite e pode acabar morto tentando.
Só a ideia me faz chorar, ninguém se importa, ele foi embora sem ao menos se despedir. Sinto sua aproximação.
─Ele não sabe como dizer que se importa, mas mostra, ninguém nunca chegou tão perto, dormiram juntos. – Ela se aproxima.
─Não aconteceu nada. – digo entre soluços.
─Foi muito para ele dividir a cama com você, mais do que ele pensou que podia, não pode ir embora. – Ela toca meu ombro sem aviso e me encolho de dor, solto um gemido e ela se posiciona na minha frente, sinto a revolta em seu olhar. – Olha para mim. – Seu tom de exigência não deixa recusa e ergo os olhos molhados pelas lagrimas, cheios de vergonha. – Vem, vamos cuidar dos ferimentos e saber como ele fez isso.
─Não foi o Daryl! – Me apresso assustada, ela sorri.
─Claro que não, foi o Aiden.
Seguimos de volta para casa, para o quarto de Daryl, ela coloca gelo em meu rosto e ombro, só de tocar já me contorço de dor, Carol me faz engolir um comprimido.
─O rosto vai ficar marcado uns dias, esse ombro está fora do lugar e vai ficar bem roxo. Talvez Pete possa dar um jeito nisso.
─Não. Eu não quero chegar nem perto dele, dane-se o ombro.
─Porque não gosta dele? – Encaro os olhos experientes de Carol, odeio mentir, não preciso fazer isso.
─Ele machuca Jessie, ela me contou, bebe e a machuca.
─A sujeira de Alexandria saindo toda de baixo do tapete, sempre soube que o paraíso tinha outro endereço. Me conte o que o Aiden fez.
Sem alternativa me abro com ela, conto todos os nossos encontros, as ameaças e a violência, o medo que senti dele e de colocar o grupo em risco, ela escuta tudo em silencio, seu tom é sinistro, instintivamente sei que ela me compreende, fica claro para mim que Carol já esteve em meu lugar de algum modo.
─Por isso estava indo embora.
─Vai a esse encontro. – Ela me diz em tom frio.
─Não Carol, eu não posso, sinto muito, eu vou embora, mas nunca vou deixar...
─Vai a esse encontro e vai matar Aiden, é isso que tem que fazer, é assim que se resolvem as coisas agora. Tenho uma arma, vou dar a você, ele não sabe disso, não espera por isso, na primeira distração dele vai enfiar uma bala em sua testa.
─Carol...
─Quem vai te condenar? Olhe para você, toda ferida, acuada, vai dizer que estava com medo, que roubou uma arma do arsenal, que só queria se defender.
─Carol eu não consigo fazer isso.
─Consegue ou não vai vencer esse mundo, Daryl quer que viva, deve isso a ele, a todos nós que te salvamos, eu vou seguir você, se der algo errado eu o mato, não vai estar sozinha.
─Eu...
─Descanse, se prepare, ele saiu, não faz muito tempo, Glenn está com ele, foram buscar algo para o Eugene, você fica pronta, ao anoitecer te dou a arma.
Ela me dá as costas, deixa o quarto e fico imóvel, não posso fazer isso, não sou como ela, não posso armar uma emboscada para matar alguém, nem mesmo se esse alguém for Aiden.
Agora não posso partir, não posso ir embora porque ela está certa, se Daryl decidir ir me buscar eu o coloco em risco, ele já provou que é capaz de fazer isso, já fez uma vez.
Rick, ele é o líder, o tempo todo Daryl me pediu para confiar nele, para procura-lo, ele pode me ajudar, controlar Carol, me proteger de Aiden, está rondando as ruas de Alexandria agora, visto uma blusa para esconder os ferimentos do ombro, solto os cabelos para encobrir ao menos um pouco o rosto ferido e parto em busca dele.
As coisas piores a cada momento, Carol não está na casa e tanto melhor, sei que ela tentaria me impedir de contar a Rick. Sinto desaponta-la. Talvez não mereça mesmo viver, mas ainda não posso fazer isso. Não a sangue frio. De caso pensado.
Rick está sozinho quando o avisto, verificava os muros de Alexandria.
─Rick. – Paro diante dele, torço os dedos pensando num modo de contar tudo a ele, Rick sorri, mas um olhar mais atento sobre mim faz seu sorriso morrer, os olhos cintilam um pouco, levo minha mão ao rosto, devia ter dado ao menos uma olhada no espelho, está tão visível assim?
─Ele se aproximou de você mais uma vez? – Me pergunta e afirmo, a angustia me domina ao sentir o olhar de Rick sobre mim, um misto de raiva e pena. – Bateu em você? – Mais uma vez apenas movimento a cabeça concordando, sem forçar para entrar em detalhes. – Não vou deixar que aconteça de novo, devia ter dito antes, ele saiu com Glenn.
─Eu sei. Quer... Não, ele exige que me encontre com ele à noite, me ameaçou, mais do que isso ameaçou todo grupo caso eu não vá. Eu falei com a Carol, ela... Rick ela quer que vá e o mate, disse que tem uma arma, não posso fazer isso.
─Não vai, eu vou falar com Deanna, ela não sabe sobre isso, tenho certeza que...
─Rick não, ela não se importa, Jessie, ela me contou, Pete a machuca, ele bebe, perde a cabeça, Deanna sabe, acho que muita gente sabe, ela faz vista grossa, se não ajuda Jessie, se não freia Pete, porque faria algo contra o próprio filho?
Percebo que a preocupação de Rick com Jessie o transforma um pouco, mais de uma vez senti seu olhar sobre ela, notei algo entre eles, saber que o marido a maltrata o incomoda.
─Então Deanna sabe? Talvez saiba sobre o comportamento do filho.
─Talvez eu tenha mesmo que partir.
─Não vai a lugar nenhum, prometi ao Daryl que cuidaria de você, já vai ser difícil ele te ver assim.
É bom de ouvir, me aquece um pouco o coração saber que ele de algum modo se importa, respiro fundo em busca de controle.
─Ela tem que fazer o que disse para fazer. – Carol surge ao meu lado, não parece brava comigo, mesmo assim sinto como se a estivesse traindo. – Talvez seja a hora de tomar esse lugar, essa é nossa chance, vamos ganhar alguns seguidores se fizermos isso para defender uma garota agredida.
─Carol não posso matar.
─Não? – Ela me encara firme, Rick parece pensar a respeito, ele a escuta, se concordar com ela não sei o que fazer. – Mas Daryl pode, é isso que ele vai fazer quando te ver assim. Se você matar está se defendendo, se ele matar é apenas um assassino.
Carol é muito incisiva, estremeço com suas palavras, mais uma vez temo pela decisão de Rick, meus olhos procuram os dele, suplicam, não vou fazer isso, não sei dissimular, mentir, emboscar.
─Carol ela não vai fazer, Daryl também não permitiria, nunca deixaria que ela ficasse nenhum momento sozinha com Aiden.
─Ela vai morrer, não adiante conversar, ele já a feriu duas vezes, sabe que pode, eles são todos iguais, Clarie vai morrer e Jessie também, como teria acontecido comigo se os zumbis não tivessem dado cabo de Ed, não tem outra maneira.
─Talvez esteja certa, mas então eu farei isso, não ela. – Rick me encara e nota meu alivio. – Vá para casa Clarie, não saia de lá, quando Aiden voltar eu resolvo isso.
─Desculpe Carol. –Digo olhando para ela um rápido instante antes de correr para dentro.
Daryl disse que devia ficar em seu quarto enquanto ele estivesse fora. É o que faço, me encolho no quarto o resto do dia, ninguém aparece por lá, nenhuma notícia de Rick ou Carol, não me atrevo a sair para descobrir o que se passa.
No fim da tarde uma confusão me chama atenção, escuto gritos, corro para janela, Glenn pedia socorro, meu coração dispara, não posso ficar aqui, se alguém precisa de ajuda tenho que me mover.
Desço as escadas correndo, percebo a movimentação e quando me aproximo Tara era tirada do carro inconsciente, não encontro Noah, não encontro Aiden, Douglas corre para longe, Eugene anda de um lado para outro.
Tara é socorrida por Pete, Maggie e Glenn se abraçam.
─Noah está morto, Aiden também. – Algo confuso acontece comigo, sinto o peso da morte de Noah, meu coração dói ao mesmo tempo se alivia, Aiden está morto, não tive que fazer nada, ele encontrou a morte do jeito que sempre acontece, nas garras dos mortos.
As coisas ficam todas confusas no resto do dia, a dor e a comoção se espalham por Alexandria, Deanna sofre a morte do filho abraçada ao marido Reg, nós lamentamos por Noah.
Rick só vem para casa tarde da noite, me encontra na cozinha.
─Acabou Clarie, está livre.
─Sim, mas Jessie...
─Eu sei. Vou cuidar disso. – Afirmo e sigo para cama de Daryl, me encolho lá, penso onde estaria, desejo que esteja seguro, mau consigo me deitar por conta da dor no ombro, mas fico ali, esperando, é desleal dormir quando ele está lá fora, talvez lutando, talvez em perigo. Mais lagrimas correm, nunca vão me deixar ao que parece.
Ele pediu a Rick que cuidasse de mim, um sorriso se forma por entre as lagrimas, talvez ele não seja indiferente como me fez acreditar partindo sem se despedir. Carol diz que ele se importa, quero acreditar, ela o conhece melhor que todos os outros, me movo uma dor no braço traz meus pensamentos de volta a terra.
Aiden está morto, não fui eu, não foi Daryl, quem sabe é a vida me dando uma nova chance? Agora só o que preciso é Daryl de volta.
Fale com o autor