Resonantie

5 Tragedie - Tragédia


O senhor me entregou uma pequena garrafa d'água dizendo:

– Não fica muito longe, mas como você estará coberto e no meio das mercadorias, pode ser que sinta muito calor e sede. Tenha o cuidado de não fazer barulho quando estiverem dentro da cidade. Esse é o meu filho Nícola.

Disse com as mãos nos ombros do rapaz. O rapaz era jovem, e foi logo subindo na carroça e tomando as rédeas.

– Suba pequeno forasteiro.

Disse Nícola. Eu subi, e me escondi por debaixo da lona que cobria as mercadorias. A estrada era sinuosa, e cheia de buracos. Eu conseguia enxergar por entre as frestas de madeira do solo da carroça, a estrada passando por debaixo de nós, isso me distraía um pouco.

Eu estava com calor e já havia bebido toda a água devido a sede que estava desde bastante tempo. Depois de mais ou menos 20 minutos trepidantes e suando em baixo daquela lona, sinto um impacto forte, que me lança para fora da carroça, e apenas consigo ouvir o relinchado do cavalo e a madeira se espatifar numa pequena e perigosa ladeira na curva do caminho até Lákia. Eu havia me machucado todo, mas nada tão grave, a carroça agora eram apenas tábuas empilhadas e uma das rodas nem se tinha sinal de onde havia parado. As caixas e embrulhos estavam espalhados pelo chão, e Nícola estava lá em baixo da ladeira, esticado de bruços e aparentemente desmaiado, o cavalo não se feriu. O motivo do acidente foi uma pedra no caminho, que danificou a roda direita, a que havia ficado.

Eu desci cuidadosamente, preocupado com Nícola que ainda não havia se levantado. Minha surpresa foi ter visto seu rosto coberto de sangue, seus olhos abertos e estáticos. Fiquei paralisado por alguns segundos, mesmo estando óbvio que Nícola estava morto, eu chequei seus sinais vitais e não tive nenhuma resposta. Seu pescoço parecia ter sido quebrado na queda. Eu não queria acreditar no que estava acontecendo, não sabia se deveria voltar e avisar o velho que seu filho havia falecido e chamar ajuda, ou se eu tomava o cavalo e iria para casa. O cavalo estava aparentemente com sede, e o caminho até minha casa parecia ser longo, ainda mais sem ter como atravessar a cidade.

Já era quase noite, estava uma penumbra escura e logo menos eu não conseguiria enxergar o caminho. Eu precisava de uma solução rápida, pois meus pais uma hora dessas estariam absurdamente preocupados com a minha falta.

Eu subi a ladeira e olhei ao longe, e consegui ver que os muros de Lákia não estavam tão distantes, eu conseguiria chegar a cavalo rapidamente. Então eu troquei minhas roupas, colocando uma armadura de ferro e bronze, embainhei uma espada de ferro e guardei outra de bronze. Embrulhei algumas facas e temperos caso precisasse, e escondi o restante das mercadorias atrás de um arbusto. E principalmente, cobri o corpo de Nícola com a lona.

Meu plano era entrar na cidade como um guarda, alimentar e dar água ao cavalo, passar a noite e voltar para Regenshein e dar a notícia ao pai de Nícola. Tudo planejado, o cavalo estava selado, subi e tentei alguns comandos que havia ouvido a viagem toda. O coitado não aguentava correr, estava com sede e dolorido da queda, mas andava muito bem.