Resident Evil: Dark Heart
10 Capítulo 10 - Saída
Chris Redfield tinha ouvido falar que loucos não gostam de ser contrariados e, por isso, pelo menos no começo, fingiu acreditar em Rebecca. Por mais inventiva e estúpida que fosse a história dela, ele tinha de admitir que era boa suficiente para um romance popular. Pena que Rebecca não era uma escritora, e eles não estavam em uma noite de lançamento em Nova York.
Quando ela terminou, Chris (que estava sentado na cadeira ao lado da escrivaninha) esboçou um sorriso amarelado.
— Quer dizer que você já viveu tudo isso, e sabe exatamente o que vai acontecer, antes de acontecer? – perguntou ele, ainda incrédulo.
Rebecca assentiu.
— Então, você veio do futuro?
— Eu não sei... Só sei que eu já vivi isso tudo... Isso aqui não pode ser real...
— Já ouviu falar de déjà vu?
— Chris, você não acredita em mim, não é mesmo?
Chris Redfield estava tentando (estava mesmo) acreditar em Rebecca, mas aquilo era absurdo demais – mesmo em comparação com uma mansão cheia de monstros e criaturas horripilantes.
— Eu estou tentando – disse ele, visivelmente constrangido.
— Tudo bem – rebeca colocou a mão no queixo, e pensou um pouco. – Eu proponho um teste. Se eu estiver certa, você acredita em mim?
— Depende do resultado do teste.
— Saindo deste quarto e virando à direita você encontrará uma porta no final do corredor. Passando por esta porta você estará em um grande corredor com papel de parede floral. Seguindo em frente, haverá outra porta. Atravessando essa porta e entrando pela primeira porta à direita, chegaremos a um bar com um piano. Quando alguém toca Moonlight Sonata nesse piano, uma passagem secreta se abre – disse Rebecca, ofegante.
Chris ergueu as sobrancelhas.
— Você foi bem específica.
— Tenho certeza absoluta do que estou falando.
— Muito bem, soldado Chambers – disse Chris, se levantando – Vamos verificar sua história. Se estiver certa, dou o braço a torcer.
Rebecca sorriu. Ela estava certa. Não havia porque acreditar no contrário.
***
O vídeo era uma versão acelerada das últimas setenta e duas horas da vida do Dr. Erick Bernstein.
Erick Bernstein nasceu em maio de 1944. O pai havia morrido seis meses depois de voltar da França (sem a perna direita), e três meses antes de Erick vir ao mundo. Atirou com uma Beretta no próprio ouvido (ele não queria mais ouvir o choro das crianças mortas). A mãe desenvolveu um quadro depressivo após o nascimento de Erick, e então ele cresceu sozinho em uma casa com quartos demais e amigos de menos. Por outro lado, havia também uma enorme biblioteca, e ele passava muitas tardes e noites lá, lendo e aprendendo.
Foi o primeiro de sua classe até o final do colegial. Escolheu cursar Medicina, e fez seu doutorado em infectologia em Stanford. Orgulhava-se de trabalhar em pesquisas buscando a cura de diversas doenças tropicais. Conheceu uma bela mulher. Casou-se. Divorciou-se. Enfim, descobriu a caverna que o levaria à morte. Mas não qualquer morte – uma morte lenta, dolorosa e horripilante.
Agora, a criatura que, nem de longe, lembrava o que um dia foi o brilhante cientista Erick Benstein, estava há exatas duas horas de sua morte. Uma espessa camada preta cobriu-o da cabeça aos pés, consumindo seus tecidos e levando-o a uma espécie de transe horrível. No vídeo, Yerik viu a criatura se soltar da maca onde estava amarrada, e diversos tentáculos se desprenderem de seus braços. A criatura começou a gritar, e a se chicotear com os tentáculos, liberando nuvens no ar que se pareciam com... Esporos.
Yerik pausou o vídeo.
Então, era aquilo que eles enfrentariam no interior da montanha. Pelo menos um dos tipos de criatura, quem poderia saber quais outras? As árvores, Yerik viu uma delas agarrar e erguer Rebecca Chambers, e até onde ele sabia árvores comuns não faziam aquilo.
Yerik deixou o vídeo continuar. Depois de se chicotear durante muito tempo, Erick Bernstein caiu no chão, e lá permaneceu, sem se mexer. As nuvens que ele liberou ainda ficaram no ar por muito tempo, e depois se assemelhavam a um pó cobrindo tudo.
Voltando o vídeo, Yerik parou no momento em que Erick Bernstein ainda era humano (parecia), e apertou o play. Não havia som, mas alguém colocou legendas para ele. Erick Bernstein gritava, repetidamente: Eu quero sair daqui! Me digam como sair daqui!
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