Reparo. {hiatus}
10 9. Deprimo.
Notas iniciais

• Deprimo.
Este feitiço cria uma pressão escendente imensa em seu alvo, o que pode causar uma violenta ruptura.
| 9 |
— Ele está vindo! Hermione, ele está vindo!
— Precisamos te manter segura, não esqueça da sua condição, Hermione.
— Não pude protegê-la! Não pude!
Ela acordou, o coração batendo forte, o dormitório feminino estava completamente em silêncio e ela sentia-se abafada em ficar em sua cama. Soltou um arfar, a voz que falou com ela dessa vez era totalmente diferente das que falavam na noite passada. Era uma voz masculina, tão desesperada quanto a outra.
Ela estava tremendo.
Demorou um pouco para perceber que não era a única acordada, havia alguém lendo com a varinha acessa debaixo da colcha. Quem quer que fosse, colocou a cabeça do lado de fora para ver o que acontecia.
Hermione conhecia a garota, era Liu Chang, uma garota asiática que parecia tímida demais para falar com qualquer um.
— Pesadelos de novo? — a menina sussurrou para ela.
Hermione estreitou os olhos.
— Como sabe que tenho pesadelos?
A menina saiu de sua própria cama, e caminhou até a de Hermione, sentando na ponta.
— Eu tenho problema com insônia, vejo você acordar todas as noites desde que começamos a dividir o quarto. — a garota esclareceu, sorrindo gentil.
Hermione ficou constrangida, por toda a vida a única pessoa com quem dividiu seus pesadelos foi Dumbledore, e agora mais alguém sabia que ela acordava toda a noite parecendo ter corrido uma maratona.
Colocou uma mecha de seu cabelo cheio atrás da orelha.
— Desculpe por isso. — pediu, ficando vermelha.
A menina Chang no entanto, não parecia se importar.
— Tudo bem, eu costumava ter muitos pesadelos quando era pequena, acontece. — deu de ombros. — Eu tenho um pouco de Poção Sono sem Sonhos, se quiser.
Hermione ficou surpresa.
— Não, eu também tenho. — se encolheu. — Ela não está mais funcionando tanto.
Liu Chang assentiu.
— Talvez possa pedir algo mais forte para Madame Welch, você parece sempre horrível quando acorda desses pesadelos. — ao ver a expressão de Hermione, a garota logo tratou de se corrigir. — Quero dizer, deve ser horrível acordar assim toda noite.
Hermione ergueu os olhos cansados.
— Você nem imagina. — suspirou.
No dia seguinte, ela estava saindo da sala de Defesa contra as Artes das Trevas, cabisbaixa. Não ousou levantar a mão para responder nenhuma das perguntas que lhe foram oferecidas, somente sentou-se, respondeu suas atividades e saiu completamente aérea e pensativa.
— Hermione? — era Charlus, ele tocou o ombro dela e percebeu a garota se encolher como se estivesse machucada. — Tudo bem?
Hermione o olhou por cima do ombro antes de se virar completamente.
— Sim, estou bem.
Charlus tinha um olhar gentil.
— Você tomou café da manhã? — ele parecia preocupado. — Você fica tão mal por que não come direito.
Seu coração se aqueceu com a preocupação do rapaz.
— Eu estou bem, Charlus, só estou cansada.
— Você vive mais cansada do que qualquer aluno de Hogwarts, você tem que se cuidar, Hermione.
A Granger deu ao o garoto um sorriso caloroso.
— Pode deixar, eu vou me cuidar.
— Já que pode se cuidar tão bem, poderia começar indo almoçar, não seja teimosa. — ele afagou a cabeça da Corvinal e se afastou acenando.
O estômago de Hermione estava vazio, ela não conseguia comer desde o dia anterior, não sentia fome nenhuma. Estava agitada demais para pensar em se alimentar, e toda vez que pensava em comer se distraía ou pesava em outra coisa é acabava se esquecendo.
Suas atividades estavam todas prontas bem antes do prazo, havia lido o livro inteiro que Riddle a recomendou em uma noite só. Tinha medo de fechar os olhos e mais lembranças estranhas a atacarem.
Caminhou em passos firmes para o Salão Principal, pelo menos o almoço ela não poderia perder e iria tentar manter a comida no estômago pelo menos hoje. Precisava de forças já que teria aula de Astronomia no período da noite.
Sentou na mesa da Corvinal, se sentindo quase uma alienígena. As alunas de seu ano conversavam entre si sobre atrizes e penteados de cabelo, coisas das quais Hermione não se interessava a muito tempo.
Antes de vir para Hogwarts ela tinha um caderno de recortes de Gene Tierney guardado, a considerava muito bonita e foi se tornando sua fã depois que seu pai tomou a decisão de levá-la pela primeira vez ao cinema, ela costumava ser a mulher que Hermione queria ser esteticamente.
Era uma realidade um pouco fútil de fato, depois dos 12 começou a se interessar por Mary Wollstonecraft e Agatha Christie, e apesar de ainda gostar de Gene Tierney, não invejava tanto sua aparência como antes.
— Oi, Hermione.
Ela quase saltou de susto, era Liu Chang que chegou e se sentou ao seu lado.
Hermione não sabia como reagir, nenhuma colega de dormitório se interessou em falar com ela antes.
— Hã, oi. — disse piscando de confusão. — Algum problema?
Liu Chang pôs purê de abóbora dentro do prato, e se voltou para Hermione novamente.
— Nenhum, apenas fiquei com vontade de falar com você, se sente melhor depois de ontem?
— Ela assentiu, e Chang sorriu. — Ótimo, se precisar de algo, só fale comigo.
Era estranho.
Ela queria confiar nela, mas sua experiência com as garotas da sua casa era muito ruim. Elas costumavam fazer chacota dela desde o primeiro ano, e ainda que não soubesse se Chang fazia parte disso, não podia deixar de desconfiar.
— Obrigada. — disse dando um sorriso amarelo, Chang retribuiu antes de começar a comer.
Era tarde, os alunos voltavam da aula de Astronomia, Hermione estava entre eles. Seu estômago embrulhava, sua cor estava mudando gradativamente para um tom mais escuro de oliva, ela tentava não demonstrar sua náusea.
O corredor para o banheiro feminino estava tão vazio que Hermione ficou temerosa, mas estava se sentindo tão doente que não se importou com as consequências. Entrou na cabine do banheiro e se sentou na tampa do vaso sanitário na esperança que o enjôo viesse um pouco mais forte para que ela pudesse expelir de uma vez o que a fez mal no almoço.
Fechou os olhos, e tombou a cabeça para trás olhando para o teto do banheiro feminino.
Ouviu passos, alguém havia chegado, provavelmente mais algum garota, ela não se importou muito até ouvir um chiar baixo.
Uma espécie de sussurro, como se estivesse falando, mas não entendia uma só palavra do que a pessoa dizia.
Ela reconhecia aquilo de seus pesadelos, as vezes quando estava muito confuso, palavras ditas daquela maneira passavam por sua cabeça.
— Um ofidioglota! Você é capaz de falar com as cobras!
Ouviu um barulho mais alto, como se pedras estivessem se movendo.
Alguém fungou na cabine ao lado, Hermione ficou tão quieta que se a vissem diria que estava petrificada.
Um grito fino fez o corpo inteiro de Hermione estremecer.
Por uma pequena fresta na porta, ela virou uma pessoa no chão, e um corpo enorme de cobra se locomover lentamente.
Atrás da enorme criatura, estava Riddle, olhando para o chão onde jazia a garota morta.
— Se fosse você, sairia desse esconderijo, Granger. — seu sorriso era tão terrível que distorcia sua bela aparência. — Já vimos você.
Fale com o autor