Notas iniciais
Olá! Tudo bem? Gente, esse é meu capítulo favorito, eu espero de coração que vocês pensem dessa forma também! Enfim, espero que gostem!

• Fidelius.
Feitiço no qual um segredo, mesmo que muitas pessoas saibam, seja confidenciado apenas a uma pessoa e as demais, que saibam dele, o esqueça.

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Ele estava parado como uma estátua, lendo aquele bendito livro desde que chegou. Hermione o olhava cheia de hesitação, ela não sabia o que dizer, por que era estranho estar com ele e não falar nada.

A melhor parte do que eles tinham — seja lá o que fosse — era o diálogo. Hermione não tinha amigos que fossem tão inspirados à estudar como ela era, o que significava que eles não a entenderiam quando falasse de determinado assunto relacionado ao o que estudava.

Tom a entendia.

Ela abriu a boca, mas fechou de novo.

Suspirou, encarando-o aflita.

— Fiz as pazes com a Liu. — disse por dizer, brincando com a borda do lençol.

Ele quase não se mexeu, e continuou quieto.

— Helique veio aqui também, ele disse que nunca esteve afastado, só que sempre que ia falar comigo eu saía de perto dele. — conversou sozinha, rindo baixo. — Eu não me lembro de ter feito isso, mas é o Helique então é difícil saber o que se passa na mente dele.

A ala hospitalar ainda continuava a soar o som da voz de Hermione, que ela tentava manter baixa e Tom ainda continuava lendo seu livro sem responder ou reagir a nenhuma de suas palavras.

— Cedrella e Dorea vieram também, elas me deram chocolate. Acho que é bom fazer as pazes com os amigos quando eles te dão presentes, eu senti a falta de todos eles. — sorriu ao se lembrar das irmãs Black entrando na sala timidamente, muito diferente das garotas fofoqueiras e extrovertidas que sempre estavam dispostas a dar uma boa resposta a quem a enfrentasse. — Eu não gostava de ficar longe de todos.

— E tomou a atitude tola de perdoá-los por medo de ficar sozinha? — riu sem humor. — Você deveria ser melhor do que isso, Hermione.

Foi bom ouvir a voz dele.

Mas ela não gostou do que essa mesma voz disse.

— Não é uma atitude tola, eles são meus amigos. — não houve tom de discussão nas suas palavras, apenas uma tentativa de fazer com que ele entendesse.

— Eles te ignoram por semanas, e você ainda assim acha que eles estão certos. — ergueu os olhos, quase cruel. — O arrependimento deles não deveria significar muita coisa, já que quando você precisava de suporte, eles se escondiam em suas tocas confortáveis.

Hermione piscou rápido, precisou assimilar mais de uma vez toda a reação dele ao fato dela fazer as pazes com seus amigos.

Ele estava certo em algumas linhas, mas Hermione não gostava de brigar com aqueles que chamava de amigos, ela gostava deles ainda que tivesse dúvidas sobre o que eles sentiam por ela.

— Você passa três dias inteiros calado como uma parede e suas primeiras palavras são críticas? Por Merlin, Thomas...

— Por quê está surpresa? Eu nunca disse que deveria esperar bondade vinda de mim.

— Eu nunca esperei! — exclamou já exaurida. — Porém, poderia ter a decência de esperar que eu me recuperasse para começar a me atacar com palavras de uma hora para outra.

Ele a fitava sem nada além de vazio em suas feições, não passava nada e nem parecia afetado pelo o que ela disse, somente a olhava.

— Eu não sou amigo, ou seu irmão ou conhecido. Não há necessidade de me relatar o que fez ou deixou de fazer com seus amigos como se isso me importasse.

Ele pôs ênfase em "amigos​", fazendo com que uma palavra simples se tornasse pesada como chumbo. Hermione queria entender a explosão, queria entender o que o levou a discutir do nada como estava fazendo.

Tentou se acalmar, se gritasse com ele só geraria mais gritos e o faria virar as costas e sair como fazia sempre que algo não o agradava.

— Thomas.

Ele desviou seu olhar do dela, o rosto bonito pelo menos mostrava uma fisionomia umbrífera diferente da vazia e inumana de antes. Era bom, era bom lembrar das características humanas que ele tinha quando discutiam, era bom.

Por que em horas como essa ela esquecia.

— Thomas... — puxou o ar. — O que nós somos, então? O que nós estamos fazendo? E se você me detesta tanto, por quê continua ficando perto de mim?

Houve um momento de silêncio, era normal acontecer isso entre eles, parecia ser algo que já fazia parte de suas conversas. Palavras, silêncio, palavras e mais silêncio, até eles decidirem deixar para discutir aquilo em outro momento é o momento nunca chegava.

Hermione se sentiu insegura, de repente.

Por que ela sabia de seus sentimentos, ela tinha noção deles e por ser sempre uma garota cheia de sentimentos aceitar mais um — por alguém como Tom — foi difícil, mas não impossível. Talvez já sentisse antes, antes da Poção do amor, talvez na segunda vez que se viram e ela se repreendeu por admirá-lo, talvez ali já houvesse surgido e se instalado no seu coração sem ela perceber.

Hermione era alguém aberto à amar, ela era aberta a aceitar e perdoar. Era alguém bom por natureza, que esquecia erros com muita facilidade e que julgava mais a si mesma do que a qualquer outra pessoa.

Ela não sabia, mas era uma heroína e heroínas não eram ruins e nem podiam ser. Tinha a coragem de se sacrificar pelos que amavam e pelo o que acreditava.

Redenção parecia uma palavra amarga, mas ela podia acreditar que alcançava qualquer pessoa.

Qualquer pessoa no geral.

Até Tom Riddle.

Ela aceitou que aquela ideia não era ruim, que podia ser feita se ele a aceitasse também.

Ela esperou por uma resposta, e suas mãos suaram de ansiedade enquanto esperava por qualquer que fosse.

— Eu não sei.

Não esperava que fosse essa a sua resposta.

— Não sabe? — sussurrou apertando o tecido.

Seu semblante suavizou ao poucos.

— Eu vivo em um orfanato desde que nasci. — começou taciturno. — Nunca foi me dada gentileza, ou alguma forma de carinho, sempre foi do mesmo jeito. Eu era uma criança órfão e seria tratada como​ todos igualmente, e eu sobrevivi à isso, e o que me mostrou que eu era diferente foram os talentos que eu tinha.

"Não havia problema em me sentir melhor do que as outras crianças, elas não sabiam fazer o que eu fazia. Esse pensamento me fez resistir, resistir por que eu era melhor sozinho e têm me mantido vivo até hoje, eu era melhor sozinho por que eu sabia que nunca encontraria alguém que fosse bom o suficiente para me fazer melhor.

Eu não quis que acontecesse, eu passei muito tempo analisando as minhas próprias reações a sua presença. Por que o que você era me deixava curioso, e eu comecei a me convencer de que não passava de curiosidade.

Mas você se alastrava como uma doença impregnando meus pensamentos, e a cada vez que eu tentava​ te expulsar mais você aparecia.

É possível se livrar disto? Somos diferentes, você não condiz com o que eu quero e parece ofensivo aos meus planos estar com você, gostar de estar com você.

Quando eu estava no orfanato, costumava pensar que se um dia me fosse tirada a oportunidade de vir para Hogwarts eu não saberia o que fazer. Eu não conheço muitos sentimentos, mas sei o que é tristeza e medo, e eu as sentia intensamente com esse pensamento.

Eu senti isso por algo além pela primeira vez na minha vida.

Eu senti isso quando eu a vi aqui neste leito, morrendo por motivos desconhecidos e eu não pude fazer nada para mudar aquilo. Não sei o que é amor, nem acredito nesse absurdo, mas eu sei o é palpável, e foi palpável o medo que senti de não vê-la jamais.

Eu a quero, Hermione Granger, eu não posso mais negar isso por que está me sufocando."

Soluçou alto, asfixiando com as próprias lágrimas que caíam incontroláveis.

— Merlin, o que há de errado com você? — soluçou. — Você é tão cruel, como pode ser tão cruel? Você poderia me deixar odiá-lo, seria muito mais fácil...

Ela levou as duas mãos ao rosto, e sentiu o pequeno espaço da cama ao seu lado ser preenchido. Ele a puxou para que afundasse a cabeça em seu ombro, e Hermione agarrou o tecido de suas vestes molhando-a com suas lágrimas.

Ele repousou o queixo no topo da cabeça dela, dando um sorriso cinzento.

— Sim, eu sei. — murmurou fatídico.

Notas finais
Pronto, desse jeito o destino dos dois estão selados! Basta saber se maneira boa, ou de maneira ruim né? Obrigada por ler!