Reparo. {hiatus}
31 30. Amortentia.
Notas iniciais

• Amortentia.
A amortentia é a poção do amor mais poderosa que existe.
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— Excelente, como sempre, impecável explicação da Srta. Granger. — elogiou Slughorn depois de Hermione explicar de forma muito perspicaz sobre a Poção Polissuco. — Acredito que a senhorita poderia nos dizer que Poção seria essa?
— Amortentia. — disse olhando o líquido inteligentemente.
— De fato. Parece quase tolice perguntar — o professor continuou perto de sua mesa. — Mas presumido que você saiba que efeito ela produz, não?
Muitas garotas grasnaram como pássaros furiosos, as meninas Sonserinas riram e bufaram. Hermione se encolheu um pouco, suspirando fundo antes de continuar.
— É a poção de amor mais poderosa do mundo.
— Certo! E você a reconheceu, presumo, pelo brilho perolado?
— E o vapor subindo em espirais característicos — molhou os lábios —, e dizem que tem um cheiro diferente para cada um de nós, de acordo com o que nos atrai, e eu estou sentindo cheiro de...
Grama cortada,
— Camélias,
Pergaminho, e
— Café e...
Pasta de dente?
Não.
Sangue.
Camélias, café e sangue.
Não precisava de muito para Hermione saber o real significado daquilo, ela poderia corar ou ficar constrangida, mas estava catatônica demais para entender direito como havia chegado a sentir os aromas que piscavam neons em letras garrafais o nome de Tom Riddle em sua mente.
Merlin, Morgana, Circe...
De todos os seres no mundo, de tantas pessoas melhores, de Alphard Black ou até mesmo os meninos tranquilos e inteligentes de sua casa, ela tinha que se apaixonar justamente pelo que já a tinha quase matado, o que tinha lhe atacado, o preconceituoso e megalomaníaco.
Por quê tudo em sua vida tinha de ser tão complicado?
Sentiu seus olhos marejados, engoliu as lágrimas de culpa enquanto via discretamente do outro lado da sala suas amigas que a isolaram. Cedrella e Dorea conversavam animadas, ela provavelmente estaria entre elas se não estivesse em tais circunstâncias, foram elas que se afastaram muito repentinamente sem dar a ela a chance de saber o porquê restando apenas as suposições de que fosse a sua nova má reputação em Hogwarts.
Má reputação construída em cima de uma mentira.
Hermione estava emaranhada em mentiras e ainda não sabia como sair de nenhuma dessas teias, quanto mais se afastava mais elas se emaranhavam.
Ela tinha pesadelos constantes, e quase não reconhecia sua própria imagem no espelho. Estava ainda mais magra, mais pálida e seus cabelos estavam caindo, toda vez que fechava os olhos podia ver Dolohov se contorcendo e as feridas profundas abrindo em sua pele. Acordava sem conseguir respirar, as vezes tinha impressão de que sua própria realidade era um sonho, pela manhã se sentou na cama e ficou observando o dormitório feminino da Corvinal, não reconheceu onde estava.
Certa vez acordou acreditando fielmente que suas vestes deveriam ser vermelha e laranja como as da Grifinória. Ia para as aulas andando como um defunto pelos corredores, quatro dos professores já haviam perguntado se ela estava doente e nem ela mesma sabia.
Hermione simplesmente tinha medo de qual seria o resultado de uma ida até a ala médica de Hogwarts.
Não conseguia comer ou beber nada, se pegava chorando do nada e uma tristeza desmedida tomava seu coração sem deixar ela ter tempo de nem ao menos pensar o motivo da tristeza.
Não tinha mais ânimo para nada, por que mais do que nunca, se sentia sendo destruída de dentro para fora.
A tarefa de Poções certamente não foi simples, era Estudos Avançados e Hermione acreditava que não podia esperar menos disso. Slughorn desafiou a turma à preparar a Poção do Morto-vivo, e quem a fizesse com perfeição ganharia um frasco de Felix Felicis — Poção de sorte líquida, que fez Hermione considerar o que faria com ela caso a conseguisse.
Hermione estava pronta para puxar seu livro de Poções, mas um estalo em sua mente fez que com ela o deixasse exatamente onde estava.
Ela sabia a preparação da Poção de côr, e nunca a tinha feito antes.
Entretanto em sua mente, as instruções chegavam como se fosse algo costumeiro. Ela puxava um ingrediente após o outro sem nenhuma dificuldade, dando sua atenção somente ao que fazia e ignorando o olhar de outros alunos dentro do seu caldeirão.
1. Picar raízes de valeriana e botar no caldeirão, após isso ela deve apresentar-se lisa e cor de groselha, o ideal.
O fez prontamente.
2. Após feito, deve-se cortar a vagem sudorífera e adicionar ao caldeirão.
— Quantas vezes eu já disse que é para amassar, Hermione?
— Não é o que diz o livro!
— Ouça o Harry, Hermione, nós não podemos falhar!
Pegou a adaga com cuidado, e amassou a vagem, derramando a seiva, e...
Ela ouvia gritos, como se houvessem pessoas sendo torturadas, não sabia onde estava por que tudo estava muito escuro. Tateou procurando por luz, a mínima que achasse já serviria para que ela pudesse localizar onde estava.
Colocou a mão na barriga protetoramente, ao ouvir as grades baterem até o canto da porta, uma claridade não esperada por seus olhos a fizeram arfar e dar um grito curto de medo.
— Então, vocês estão querendo simplesmente se multiplicar como pragas?
Onde estava Ronald? Harry?
Ele vai me torturar pensou desesperada. Ele vai me torturar e nós vamos morrer.
Arqueou de dor, arregalando os olhos e não acostumada com a luz ao seu redor. Atordoada, agarrou aos mãos em sua frente, não ciente de quem era e nem com noção de onde estava.
Não, ela estava presa, ela precisava se proteger, ou eles iam morrer! Eles iam morrer!
— Ele vai me matar! — exclamou agarrando-se à algo. — Vai me matar! Ele vai nos matar!
— Hermione, ninguém vai te machucar. — disse uma voz baixa.
— Srta. Granger!
— Srta. Granger, tem que se acalmar!
Ela negou com a cabeça veemente, o rosto molhado por lágrimas, o peito latejando e levando a outra mão a sua própria barriga.
— Não! Não, não tem ninguém... Ninguém... Ninguém vai ajudar, ele vai nos matar! Ele matou o Ronald, ele matou! Vai nos matar também, Harry, ele vai nos matar!
— Hermione, — disse mais uma vez, mas ela não se importava.
Foi progressiva a recuperação da sua visão, ela piscou e tudo ficou embaçado. Alguém a sacudiu com força, ela maneava a cabeça e tentava orientar sua própria mente novamente, parecia que tinham colocado um refletor em seus olhos depois de ficar muito tempo na escuridão.
Acordou depois que a inconsciência a tomou violentamente.
Abriu os olhos, estava na ala hospitalar.
Percebeu que estava vazia, o que poderia significar que já era tarde. As grandes janelas estavam fechadas, ela percebeu que estava no fim da tarde por que a luz do crepúsculo podia ser vista pelos vidros.
Tentou se mexer, mas foi em vão.
— Hermione?
Com esforço, virou a cabeça para a direita vendo o par de olhos verdes a encarando com uma expectativa que ela nunca viu nestes mesmos olhos antes.
— Thomas. — sussurrou sem forças. — É você.
— Você não está morta. — Ele sussurrou de volta, ela não conseguia detectar a expressão no rosto dele, era um misto de confusão, desconfiança e surpresa.
E fez o que Hermione nunca esperaria dele; se inclinou para cama e selou seus lábios nos dela.
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