Reparo. {hiatus}
30 29. Mobili Corpus.
Notas iniciais

• Mobili Corpus.
Move a pessoa para onde desejar.
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— Eu acredito que você vai detestar saber que eu sei algo que você possivelmente não sabe. — Hermione se sentou na mesa da biblioteca, parecendo um pouco mais iluminada para alguém que vivia constantemente em um mar de melancolia.
Tom não gostava de aproximidades, ele não tinha amigos graças ao seu gênio e sua mania de superioridade, ele não gostava de dividir experiências por que sempre esteve sozinho e gostava de estar sozinho.
Hermione era uma pessoa cujo todas as suas regras pessoais eram quebradas, uma a uma sendo despedaçada. Ela era uma sangue-ruim, ela discordava da maioria de suas opiniões, ela era explosiva, agressiva e irremediável.
E ainda assim, Tom Riddle estava fortemente afeiçoado por ela.
— Estou ouvindo. — disse erguendo seus olhos que a pouco tempo estavam focados no pergaminho em cima da mesa.
Hermione colocou o primeiro livro da pequena pilha que segurava em seus braços sobre a mesa.
— Antes, vamos à alguns extras que eu encontrei enquanto procurava por um livro para a pesquisa de Trato das Criaturas Mágicas. — disse com presunção. — Eu achei Tolkien aqui, nesta biblioteca.
Ele olhou para o livro em cima da mesa, observando que era uma cópia antiga de "O Hobbit".
— Tolkien? — ergueu as sobrancelhas. — O escritor trouxa?
— Sim. — ela abraçou os dois livros restantes como se os protegesse. — E isso não é a única notícia estranha, há mitos e tragédias gregas e romanas na seção de Estudo dos Trouxas, veja só, Hades e Perséfone.
Ela colocou o segundo livro em cima do primeiro.
— Muito interessante. — disse Tom, mais divertido com a expressão de satisfação dela do que as notícias em si.
Ela bufou.
— Essa expressão de menino doce não funciona comigo, sei que nada disso te interessa de verdade.
— Suas palavras, Hermione, não minhas. — ele sorriu e ela revirou os olhos.
— Enfim, vamos à notícia importante. — ela colocou o último livro sobre o segundo. — É impossível, pelas leis mágicas, utilizar o feitiço de morte sem varinha.
Ah, isso não era irrelevante, de fato.
Seu cérebro moeu a informação, achando o que poderia ser a razão para tal.
— Magia é energia, e magia sem varinha faz com que o bruxo gaste mais energia do que o necessário para realizá-la. — começou, vendo ela assentir e se encostar, o que indicaria que queria que ele continuasse. — Ao utilizar um Avada Kedavra, que é um feitiço forte o suficiente para fazer metade da sua magia ser puxada para o seu núcleo, creio que aquele que usasse um Avada Kedavra sem varinha morreria tanto como sua vítima por exaustão.
— Como esperado do aluno de ouro de Hogwarts, ficando apenas atrás de mim, claro. — brincou ela breve, quase podia ver a sombra de um sorriso que era tudo o que restava do menor resquício de felicidade. — Mas não é interessante? Significa que se alguém tivesse uma espécie de núcleo reserva de magia, poderia utilizar de Avada Kedavra sem varinha.
— Não é uma teoria para se negligenciar, Hermione. — disse molhando a ponta de sua pena disposto a continuar o que começou. — Mas diga, como você acha que um bruxo seria capaz de adquirir reservas de magia?
— A teoria de Evangeline Orpington pode sustentar a minha.
— A teoria sobre crianças filhas de bruxos interferirem na magia de suas mães? — Perguntou começando a ver veracidade no que Hermione dizia.
— Talvez uma mulher grávida pudesse utilizar de um Avada Kedavra sem varinha.
— Ora, — deu a ela um pequeno sorriso. — Devo dizer que estou surpreendido, não esperava que seus horários disponíveis passeando pela no biblioteca e tirando a concentração dos meus estudos seriam tão proveitosos.
— Por Merlin, Thomas, eu não tiro sua concentração e procuro ficar longe. — ela virou o rosto franzindo o cenho. — Eu jamais atrapalharia alguém estudando para os NIEMs.
— Eu não disse que você tinha a intenção de fazê-lo. — retomou seu trabalho, sem precisar olhar para o rosto dela para saber que brilhavam num vermelho escuro que ele gostava, ela se levantou da cadeira.
— Não há chance de eu cair de amores por um alguém como você.
— A atração desenvolvida por uma pessoa não se trata de amor ou todas as suas pregações ficcionais, Hermione. — disse em voz baixa, ainda sem olhar para ela. — Isso se trata de algo inteiramente carnal, eu não regresso as minhas palavras sobre seu tão aclamado amor, quando digo que estou fisicamente atraído por você.
Estava acostumado a mentir, ele era uma mentiroso quase patológico e mentia o tempo todo pela maioria das coisas. Aprendeu a mentir por que sabia que a mentira agradava as pessoas, e para conseguir o que queria delas, precisava fazê-las se sentirem confortáveis consigo primeiro.
Mas não estava mentindo naquele momento.
A criatura escondida dentro de si, ainda ronronava de prazer sempre que via Hermione Granger, sempre que se lembrava da expressão ardente e do sangue que ela estancou de Dolohov, sempre que se lembrava da sua selvageria e o quão poderosa ela poderia ser em suas mãos.
Ainda que sua aparência no momento fosse o retrato da doença, nada saudável e muito distante da Hermione Granger da noite na festa de Slughorn. Ela parecia a cada dia mais frágil e quebradiça, quase dependente.
E ele se atraía pela sua dependência.
— Não diga uma coisa dessas. — ela sibilou notavelmente afetada. — Não há nada além de uma paz fingida entre nós, e eu não sinto nada assim por você, Thomas.
Ele a encarou.
— Assim você me ofende, Hermione. — seu tom era puro sarcasmo. — Logo a mim, que pensei ter com você uma amizade verdadeira.
A observou enfurecer.
— Me poupe de seu sarcasmo e não pense que eu simplesmente irei me deixar levar por seja lá o que você estiver fazendo. — sacudiu a cabeça negativamente, ofendida. — Eu não sou o seu fã clube, e eu definitivamente não irei cair em seus braços pela sua boa aparência, pela sua convivência comigo já deveria saber que ela não me afeta.
Ele sabia que não afetava.
Ela não era afetada por seus galanteios, ou sua boa aparência, ou por todos os seus aspectos que poderiam ser considerados grande coisa para outras pessoas.
Era isso que fazia dela alguém que ele sabia que deveria estar longe, por que tudo em que acreditava a mantinha distante, mas ainda assim não conseguia.
— E o que poderia atrair a megera indomável que é a Srta. Granger? — continuou a escrever no pergaminho.
— Talvez o perfume, mas você cheira a camélias e eu sou alérgica, talvez a bondade, mas você não a tem... Inteligência...Mas não importa por que você a usa para os motivos que eu considero errados.
Ele ergueu o olhar vendo que ela tinha o seu próprio em outra direção, emburrada.
— Para atraí-la eu teria que ter outro perfume, ser bom nos seus conceitos e usar a minha inteligência para os motivos que você considera certo. O que mais um pobre órfão como eu poderia oferecer para uma garota tão exigente?
Viu os lábios dela se contraindo para um sorriso que terminou pelo caminho. Voltou ao o encarar com o desdém digno de uma Parkinson.
— Pobre órfão? — disse com certa teatralidade, fazendo o próprio Tom esconder o sorriso. — Eu gosto de humildade, Thomas, continue praticando e talvez venha a me interessar.
Ela se levantou da cadeira, pegando seus livros.
— Eu prometo ser mais atento ao que Lady Granger deseja da próxima vez. — a observou parar, e repousar a mão na cadeira, cansada como se corresse uma maratona, enquanto ele sorria discreto molhando novamente a ponta da pena com tinta.
— Vou deixar que você estude para seus NIEMs em paz, não que você mereça alguma. — ela se virou e saiu.
Era óbvio que nenhum ser lidaria com o verdadeiro Tom Marvolo Riddle como ela lidava.
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