Reparo. {hiatus}
27 26. Obscuro.
Notas iniciais

• Obscuro.
Cega a pessoa a qual foi atingida pelo feitiço.
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Quando Hermione acordou, sentia um cheiro suave de camélias.
Tudo da noite anterior se passava em sua mente em flashes, lembrava da dor e lembrava do chão úmido.
Desespero, susto, raiva e medo.
Não conseguia lembrar de como chegou onde estava, mas era um quarto e tinha certeza que era, estava deitada sobre algo que podia ser uma cama por que era macio e ao abrir os olhos se deparou com lençóis verde escuro embaixo de si.
O quarto era cinza escuro, a cama era dorcel e grande.
Definitivamente não imaginava onde poderia estar.
Se sentou na cama, notando que ainda vestia as mesmas roupas, com exceção da blusa que era a coisa mais limpa. Sua saia que fazia parte das vestes de Hogwarts iam abaixo do joelho, cheias de sangue seco, uma mecha enrolada de seu cabelo caia em seu ombro e estava ensopada de sangue também.
O cheiro metálico invadiu seu nariz, e o cheiro suave de camélias se dissipou.
Houve um ruído, uma porta abriu.
— Você acordou, finalmente. — disse a voz conhecida se aproximando, Hermione sentiu sua cabeça doer e levou a mão até a lateral dela, fechando os olhos. — Beba.
Abriu os olhos e se deparou com a figura alta e pálida como uma vela, uma bela sombra escondendo a luz que entrava fraca pela janela do quarto desconhecido, Tom Riddle oferecia à ela um vidro com um líquido amarelo.
O olhou desconfiada.
— É para dor, foi difícil de conseguir, apenas beba de uma vez.
Hermione ergueu a mão e se sentiu tonta ao notar que sua pele estava coberta de vermelho.
Ela bebeu o líquido amarelo, era amargo forte e a fez tossir, obviamente era para dor por que reconheceu o gosto de quando não conseguia dormir e pedia remédios para dor de cabeça à Madame Welch.
Devolveu o frasco ao Riddle, observando como ele colocou o objeto em cima da pequena mesa perto da cama, e depois sentou-se numa poltrona cinza afastada parecendo cansado.
Quando Hermione falou, sua voz parecia rouca demais e algumas palavras não passaram de um sussurro.
— Onde eu estou?
O rapaz que massageava as têmporas e estava encostado no estofado, parou e olhou para ela.
— No dormitório do monitor chefe, ou sendo mais específico, meu quarto.
Hermione puxou suas pernas para mais perto, notando que usava somente meias nos pés.
— E por que estou aqui?
Riddle suspirou.
— Você realmente não se lembra? Se soubessem o que você fez com Dolohov, o Ministério da Magia não iria deixar passar, Dippet acionou aurores e Adrian será transferido para St. Mungos. — ele parou ao ver que ela não teve reação nenhuma. — Foi um belo feitiço, Granger.
— Sectumsempra!
Ficou quieta, seus olhos percorreram o quarto, os lábios juntos e crispados.
Percebeu que a camisa branca que usava não era sua, era maior e mais alva do que a sua estava na noite anterior, ela passou os dedos sujos pelo tecido e notou que o cheiro de camélias que sentia antes provinha dele.
— Você cheira a camélias. — Riddle ergueu uma sobrancelha, provavelmente tomando o que ela disse como um elogio que fora intempestivo e inapropriado para a situação. Hermione tratou de completar a sentença. — Sou alérgica a camélias.
Ele deu a garota um sorriso fechado no canto dos lábios.
— Está em choque. — deu seu veredito, Hermione prestou atenção nos detalhes do rosto e como suas pálpebras alargaram ao dizer a frase. — Seu frágil intelecto ainda não entendeu o que você é capaz de fazer, não é, Granger?
— Você quem disse para ele fazer o que fez? — ela perguntou calmamente.
— Eu não posso negar aos meus que façam o que querem fazer, não havia motivos para o impedir. — disse no mesmo tom.
— Ele me seguiu. — começou desviando seu olhar para a janela. — O engraçado foi que ele usou as próprias mãos de forma muito trouxa, deveria ser por quê ele estava com muita raiva creio eu, como se estivesse planejando isso à muito tempo. Ele é muito mais forte que eu, se fosse um duelo eu tenho certeza que não teria me machucado, mas ele me atingiu com muita força. Eu tentei pegar a minha varinha, ela tinha caído no primeiro golpe, e eu não tive escolha, foi um feitiço dos meus sonhos sabe, eu não tinha noção do que o feitiço poderia fazer.
Um calor se espalhava por seu corpo, estava anestesiada e tudo que aconteceu parecia ter acontecido à muito tempo ou parecia não ter acontecido com ela.
— Você queria matá-lo.
A voz de Riddle entoou vagarosa.
— Por um momento eu pensei que seria ótimo que pessoas como Dolohov não existissem no mundo, você não acha que é muito estranho que alguém odeie outro alguém somente por ser quem é? Parece cruel. — franziu a testa. — O pai de Georgiana Johnson deve ter pensado isso antes de morrer.
— E você ainda pensa que pessoas como Dolohov não deveriam existir?
Hermione encarou Riddle.
— Uma parte de mim ainda pensa isso, — pausou. — Mas a outra parte pensa que se essas pessoas vivessem para ver as pessoas que elas odeiam prevalecendo, parece muito pior que a morte.
A expressão de Riddle escureceu.
— Nada é pior que a morte.
— A morte é só a morte, Riddle. — disse. — Imagine viver sem amor, parece bem pior pra mim.
— Todos parecem valorizar demais esse sentimento, dizendo o quanto ele é poderoso, mas para mim não é diferente de medo ou qualquer outra razão que os seres humanos usam como motivo para justificar sua fraqueza. — bufou um riso. — Não existe tal coisa como amor, Granger, mas se você morre perde todas as chances de fazer o que poderia ter feito.
— E depois de fazer o que poderia ter feito, tudo o que você tem é a morte. Não pode-se fugir dela, eu não penso que gostaria, por que viver para sempre percebendo que todas as pessoas com quem você já se importou estão indo e você não, parece muito triste.
— Não se não houver ninguém com quem se importar.
Hermione limpou as lágrimas de sua bochecha sentindo uma dor aguda ao fazê-lo.
— Então eu vou te desejar a morte, por que agora eu sei que é o que você mais teme. — decretou impetuosa.
— É justo. — Disse Riddle nada abalado. — Será um prazer decepcionar você, Granger.
— Hermione. — corrigiu atônita. — É a segunda vez que eu quase morri graças a você, somos íntimos o suficiente.
Divertimento atravessou o olhar do rapaz.
— Como queira, Hermione.
— Tom é abreviação de Thomas, acredito.
— Sim. — respondeu parecendo repentinamente desgostoso com o rumo da conversa.
— Te chamarei de Thomas, então. — disse colocando as pernas para fora da cama. — Tom parece inofensivo demais para alguém como você.
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