Reparo. {hiatus}
22 21. Ignotus Gubraiciano.
Notas iniciais

• Ignotus Gubraiciano.
É um feitiço para fazer objetos queimarem para sempre.
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Estava tarde.
Como monitor, a cota de horário para estar na cama se estendia um pouco. E desta forma, a liberdade de caminhar por uma Hogwarts vazia era melhor. Tom andava pelos corredores que estavam sempre cheios em passos lentos e sua mente se mantinha cheia de pensamentos sobre sua própria vida e sobre as férias passadas com a verdade batendo à porta.
Ele teve um pai, e avós.
Teve uma mãe.
Se sentia traindo a si mesmo, pois quando criança chegou a acreditar que ter tudo isso já era suficiente.
Não era.
Nada era.
Ele teve um pai, um trouxa nojento e avós não diferentes dele.
Teve uma mãe, louca, abusiva e fraca.
Não se importou em tirar a vida daquele homem, na verdade, foi a melhor parte de seus dias naquele vilarejo repugnante.
— [...] como se estivesse faltando uma parte de mim que eu não consigo descobrir qual é, eu observo como todos parecem tão satisfeitos com o que têm e eu tento também, mas parece diferente para mim, como se eu fosse diferente...
Era possível que ela acertasse tanto em suas palavras sobre aquilo que se parecia tanto com o que ele pensava?
Ela alegava se sentir igual, ele viu a perturbação nos olhos dela enquanto falava, ele sabia como filtrar uma mentira e ele sabia que o que ela falava era verdade.
Aqueles olhos, bravos e destemidos que ela tinha, pareciam apenas cansados.
Ele se lembrou da última vez que a viu antes das férias, os olhos cheios de surpresa, os cabelos selvagens emoldurando o rosto magro e os lábios entreabertos e molhados. Parecia certo estar com ela naquele dia, havia uma espécie estranha de conexão entre eles, uma coisa pesada e obscura mas ao mesmo tempo prazerosa.
Todo isso misto de sensações eram repulsivas.
Continuou andando quando de repente, estava na frente da sala misteriosa.
Poderia passar direto, entretanto a sala apareceu alí, certamente podia ver através da sua necessidade e no momento não havia nada que ele precisasse particularmente.
Empurrou a porta devagar.
A sala estava iluminada, não havia nada nela como era costume ver, várias coisas entulhadas. Havia um sofá vermelho veludo, havia uma pequena mesa em frente ao móvel e em cima dessa mesa estava uma única xícara.
Vestida em seus pijamas, como um gato assustado no canto do sofá estava Hermione Granger, o olhando defensiva.
— Riddle?
A voz dela era baixa, embora não fosse um sussurro, seus cabelos estavam altos, cheios como a juba de um leão, um livro nas mãos e as pernas encolhidas.
Estava mais magra, mais pálida, mais vulnerável.
Visível que as férias não foram boas para ela.
— Eu poderia tirar pontos da Corvinal por sua travessura, Granger.
Gostava de ver sua expressão de vulnerabilidade se fechar em questão de segundos.
— Pode tirar, eu os recuperaria de qualquer forma. — Hermione desviou de seu olhar para se curvar e pegar a xícara, pondo o livro em cima da mesa.
— De onde vem toda essa presunção Sonserina? — um sorriso se desenrolou em seus lábios.
— Talvez seja essa convivência que eu fui forçada a criar com você.
Ele andou até o sofá, sentando-se na ponta contrária à dela, a sala parecia um salão vazio, não havia nada além dos poucos móveis e do vácuo.
— Você parece doente, Granger. — Hermione o olhou ofendida. — Não digo isso no sentido que pensa, você parece realmente doente.
Ela não respondeu de imediato, apenas se virou para frente, um suspiro escapou de seus lábios.
— É, eu sei. — deu um gole de sua bebida misteriosa, tinha um aroma de café no ar, talvez fosse isso.
Tom se encostou no sofá, passando à olhar o teto do ambiente modificado, parecia uma catedral trouxa.
— Ainda os sonhos, eu suponho.
— É. — ouviu a voz dela hesitante. — Eles pioraram nas férias, meu pai está preocupado.
— Você está terrível, seria uma surpresa se ele não estivesse.
— Sabe, Riddle, algumas vezes eu prefiro quando você mente.
— Ora, a santa senhorita Granger se opondo à honestidade, eu devo comemorar a mudança?
Ela riu.
Oh, sim, ela riu e demorou para ele entender que ela estava rindo.
Um riso infantil, não infantil e estridente como as risadas das crianças repulsivas de Wool's, era genuíno, curto mas abrasador, se espalhava pela sala no seu próprio eco.
Afável, seu riso era como uma carícia.
— Bem, acho que tudo demais se torna insuportável. — ela estava séria, de repente, não entendeu o sentimento escondido em sua voz. — Meu pai acha que eu devo sair de Hogwarts.
Finalmente, ele sentou-se ereto, a olhando absorto.
— Sair de Hogwarts? Por causa da sua doença? Isso é patético, se está com uma doença adquirida no mundo mágico não vai encontrar a cura no trouxa.
Hermione parecia surpresa.
— E por quê você se importa? Sair de Hogwarts não seria considerado um conveniente para você? Menos um sangue-ruim, menos um que sabe seus segredos.
Se calou por segundos, Hermione se inclinou parecendo interessada em sua resposta.
— Eu não me importo.
Granger sorriu devagar.
— Eu sei disso. — encarou suas próprias mãos. — Eu não culpo meu pai, ele não entende bem sobre magia, pense só se fosse seus pais? Não acredito que eles apoiariam que você continuasse doente de uma causa não descoberta no lugar onde você adquiriu a doença.
— Eles estão mortos, sendo assim, não tenho como seguir sua linha de raciocínio.
Ela abriu a boca, e fechou, as sobrancelhas erguidas. Era uma reação comum de quem ouvia sobre sua fatalidade pela primeira vez.
— Minha mãe morreu quando deu a luz à mim. — Hermione disse desmanchando o ato de compassividade. — Não deve ser fácil, Riddle.
Ele deu de ombros.
— Não importa.
Não importava, de fato.
— Hm, — ela maneou a cabeça. — Importa sim.
— Já se tornou um mal hábito sua discordância de mim, Granger.
— Eu não discordaria se você não estivesse sempre errado.
— Errado em sua opinião?
— E não é a minha opinião a que importa? Eu não posso simpatizar com alguém que não gosta de quem eu sou.
— E ainda assim, você simpatiza.
Ela fez uma careta, se encolhendo mais.
— Eu devo ser louca, não? Simpatizar com um assassino preconceituoso.
— Não é ruim de tudo ser louco, Granger.
— Fala isso por defesa própria?
— Não defesa própria, não sou eu que está sozinho numa sala com um assassino preconceituoso. — havia acusação em seu tom, se inclinou em direção à ela.
Ela ficou tensa, passando a língua pelos lábios secos.
Não rebateu de início, o que era uma verdadeira proeza vindo da parte dela, silêncio significava que ela aceitava sua acusação.
— Eu não posso explicar, mas ainda que eu sinta medo não é ruim estar com você, Riddle. — murmurou unindo sobrancelhas. — E gostar de estar com você é ruim, por que você não é alguém que alguém como eu devesse me sentir à vontade em estar.
Transbordava sinceridade, honestidade, bondade.
Ele não tinha nada disso.
Ele era um perfeito mentiroso, desonesto e mau.
Pela segunda vez ela fazia de suas as palavras que rondavam a mente dele.
Não disse nada, e a declaração morreu no ar, que agora não era diferente do daquele dia.
Ele nunca admitiria que era recíproco, por que ele detestava que fosse.
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