Reparo. {hiatus}
3 2. Ferula.
Notas iniciais

• Ferula.
Cria bandagens em um machucado.
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O segundo ano de Hermione em Hogwarts foi esclarecedor de muitas maneiras.
Ela ainda tinha as mesmas matérias, mas descobriu que teria outras matérias disponíveis a partir do terceiro ano. E como todos sabem, Hermione Granger não era a garota simples que esperaria até o ano que vem para estudar algo apenas por que vai precisar dele somente no ano que vem, então ela despertou um interesse em Runas e passou a pegar livros emprestados de garotas do terceiro ano em troca de respostas para suas atividades.
Ela tornou isso um hobby, e adorava um desafio, para ela as atividades do segundo ano eram razoáveis e razoável não pode ser considerado um desafio, não é mesmo?
Na verdade, neste novo ano as pessoas de sua casa começaram a reconhecê-la mais, afinal de contas Hermione era o que eles chamavam de Enciclopédia britânica, não sabia se gostava do apelido, mas tomou como um elogio dos garotos do quarto ano. As meninas no entanto não tinham tanto entusiasmo em relação a ela, geralmente todas a ignoravam e Hermione apesar de ficar triste com o fato tentava não pensar muito sobre Isso.
Afinal, querendo ou não, era o que ela gostaria de ser em seu interior. Gostaria de ser uma garota normal e não tão preocupada com o fracasso, quando chegou em casa nas suas férias, até pensou que ser uma nascida trouxa dificultava muito o que ela poderia ser em Hogwarts se fosse uma bruxa de sangue puro.
Mas esse pensamento foi passageiro, por que foi justo naquelas férias que ela decidiu que por sua condição, precisava ser melhor e mais forte que os outros. Hermione decidiu que precisava ser acima da média, e isso não era mais somente uma opção.
Passou a andar de cabeça erguida pelos corredores de Hogwarts, sem se importar com as provocações sobre seus cabelos indomáveis, seus dentes ou o fato de ser nascida trouxa.
Teria aulas de Poções com a Grifinória, como era de costume desde o ano passado, foi a primeira a chegar e se sentou na cadeira do meio que havia metade da fileira em sua frente e uma cadeira atrás antes da última. Tirou seu material de trabalho e colocou em cima da mesa, esperando que o professor Slugorn chegasse.
Duas crianças da Grifinória chegaram, um garoto ruivo cheio de sardas e outro de cabelos negros com covinhas nas bochechas. O menino ruivo ria de algo que o outro falou, depois reclamou de alguma coisa que Hermione não fez questão de ouvir.
Hermione não pôde desviar do garoto ruivo por um tempo, alguma coisa nele chamava sua atenção, apesar dela ter certeza que nunca havia conhecido ninguém ruivo antes.
Ele era muito familiar, de um modo que a fez estreitar os olhos para reconhecê-lo.
Ao perceber que ela o encarava, o menino olhou para trás com enormes olhos azuis a encarando, Hermione corou e tentou desviar o olhar, mas já era tarde demais.
— Oi! — o menino cumprimentou sorrindo. — Parece que chegamos cedo demais pra essa classe, você é Hermione Grant não é? A menina que responde tudo.
Hermione quis ficar calada, mas ao ouvir seu sobrenome errado não se pôde se conter.
— É Granger. — corrigiu tímida, recebendo um olhar um pouco confuso do garoto. — É Hermione Granger.
Ele riu breve.
— Ah, claro. Desculpe. — ele estava na fileira ao lado da sua, três cadeiras à sua frente. — Eu sou Septimus Weasley, e esse é o Charlus.
O menino ao lado dele lhe deu um sorriso doce.
Hermione não sabia como reagir, ninguém lhe dirigiu a palavra o ano letivo inteiro no ano passado, achou que esse ano seria igual.
— É um prazer. — falou sorrindo gentilmente.
Naquela aula, Hermione Granger descobriu que Charlus Potter era ótimo em poções e gostou de trabalhar com ele. Septimus não demonstrava tal aptidão, entretanto era muito gentil e atencioso, era difícil ser rude com ele de qualquer maneira e ele admitia que não sabia, era melhor assumir suas limitações, Hermione descobriu que gostava do menino no final das contas.
— Talvez você pudesse ir ver o jogo de Quadribol, o Charlus vai jogar, ele é apanhador.
Hermione assentiu, não era a maior fã de Quadribol, porém esses garotos estavam dispostos à serem seus colegas e isso podia significar uma possível amizade.
— Eu não sou o melhor do time, mas faço um bom trabalho. — Charlus deu de ombros. — Foi ótimo ter uma colega de Poções como você, Hermione, o Septimus sempre me deixava fazer tudo sozinho.
Septimus colocou as mãos atrás da nuca, começando a andar de uma forma desleixada.
— Eu não posso forçar demais meu cérebro, se não ele vai explodir.
— Não acho que seja assim que funcione, se fosse assim, eu já estaria com um enorme buraco na cabeça à muito tempo. — Hermione disse divertida.
— Isso é só desculpa de preguiçoso. — Charlus zombou, e Septimus revirou os olhos.
— Ele fala isso por que não disse o quanto é horrível em Transfiguração.
Charlus soltou uma muxoxo.
— Todo mundo tem dificuldade em alguma coisa, — ele olhou para Hermione. — Bem, menos a Hermione.
— Eu não sei de tudo. — se defendeu a bruxa com um sorriso escondido. — Apenas o essencial.
— Tudo é o essencial agora, então eu não sei de nada. — brincou Septimus. — Típico de "sabe-tudos" pensar assim.
Muita gente já havia chamado Hermione de Sabe-tudo, mas pela primeira vez ela não se sentiu ofendida ou chateada.
— Sinceramente, seria ótimo se você fosse da Grifinória. — Charlus apontou, ajustando sua bolsa escorada no ombro. — Quer dizer, não tem garotas legais na nossa casa.
— É verdade, a maioria das meninas estão preocupadas com... Sei lá com o que elas estão preocupadas, mas são chatas, de qualquer maneira.
— Se serve de consolo, as garotas da minha casa também não são muito gentis. — disse se encostando em uma das colunas que estavam entre uma janela na lateral do corredor. — Também queria estar na Grifinória, com vocês.
— Podemos te adotar. — sugeriu Septimus.
— É, como Grifinória adotada.
Hermione riu balançando a cabeça.
— Vocês são esquisitos.
— Você também é, deve ser por isso que estamos nos dando bem.
— Ei, temos que ir, Hermione. — disse Charlus parecendo lembrar de algo. — Temos Feitiços agora, temos que ir.
Septimus gemeu de frustração.
— Vamos, até logo, Hermione.
Ela sorriu e acenou, os dois rapazes saíram pelo corredor entre brincadeiras e empurrões.
Hermione se sentiu sozinha de novo quando eles foram embora, mas pelo menos ela tinha aquela esperança de que algum hora eles a viriam, ou acenariam para ela nos corredores.
Aquela cena lhe parecia tão comum, sentiu que já esteve em algo parecido e uma angústia profunda fincou em seu peito, a fazer arfar com a dor.
Quando ela pararia de sentir tudo isso?
Estava se dirigindo para sua próxima classe, quando pelo mesmo corredor que ela passaram Rosier, Malfoy e Riddle.
Riddle, o menino de ouro da Sonserina. O garoto mais inteligente do seu ano, e ela ouviu suas colegas de dormitório comentarem que ele já era do terceiro, um ano à mais que ela.
Provavelmente mais velho que ela também.
Malfoy e Rosier seguiam atrás dele como lacaios, Hermione tentou não encarar demais o trio, eles eram muito intimidadores.
Pessoas que ela pretendia estar longe.
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