Reparo. {hiatus}
19 18. Nox.
Notas iniciais

• Nox.
Apaga a luz conjurada pelo feitiço lumos.
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— Isso não parece certo, tem certeza que está certo? — ela colocou o copo com a bebida em frente ao rosto, avaliando o líquido rosado com uma expressão curiosa. — Enfeitiçar uma bebida ao invés de criar uma poção? Parece ineficaz.
Tom em pé atrás dela tinha uma sobrancelha arqueada diante da súbita estima de Hermione Granger pelo Feitiço.
Desde que começaram, ela fazia muitas perguntas e aceitava suas instruções sem reclamar.
— Enfeitiçar uma bebida tem o efeito semelhante de um envenenamento. — Ele percebeu o sorriso de agrado escondido nos lábios dela. — Somente semelhante ao efeito, não significa que eu corro algum risco de vida, eu não seria tão tolo a ponto de deixar minha vida em suas mãos.
— E em quê isso deveria ser de alguma ajuda?
— Significa que se espalha rapidamente pelo corpo, e sendo desta forma, é totalmente o contrário de ineficaz.
Ela deu de ombros com desdém, sabendo como isso o irritava.
— Hm. — a garota ergueu o copo para ele. — Seu sangue, Riddle.
Evitando ceder as tentativas dela de fazê-lo perder a calma, puxou sua varinha e com um feito não verbal, um talho em seu dedo foi aberto.
Ele deixou que o sangue caísse dentro do copo, e o deu novamente para Granger, que esperava atenta demais para alguém não interessado.
— Pode começar, Granger. — disse para ela e se sentou à mesa, apoiando um braço no encosto da cadeira e esperando para ver a Corvinal exercer sua magia.
Garotas eram simples, elas se encantavam com alguns elogios e gostavam daquilo que consideravam belo. Tom aprendeu desde criança que poderia usar os seus atributos físicos ao seu favor, assim como aprendeu que as mulheres eram quem mais eram afetadas por isso.
Garotas eram fúteis, ele pensava.
Suas relações com elas eram sempre por um motivo, como todos os aspectos de sua vida, ele não fazia nada que não o beneficiasse mais tarde.
Significando assim, que as relações posteriores que compartilhou com mulheres foram mais pela informação ou conteúdo que elas lhe dariam do que por prazer pessoal.
Era rápido e fácil, e apesar de ser agradável, não lhe dava a importância que seus colegas de casa costumavam dar.
Garotas consideradas bonitas sempre estavam ao seu redor, falando e perseguindo, era incômodo e vazio. Ele não se sentia atraído por nenhuma delas pelo fato constatado de que elas não tinham nada que ele considerasse atraente.
Por um longo tempo, pensou o que atraente poderia significar.
Ser alta, curvilínea, de cabelos macios e seios grandes? Era esse o eterno discurso de padrão daquilo que poderia vir a significar atraente — segundo seus colegas de casa — Tom esteve com garotas com essas características, mas o conceito parecia muito inválido.
Porém,
• Ut custodiat te.
Eu protejo a ti
• Tuae res gestae defendat.
Protejo teus feitos
• protegas caro et sanguis.
Protejo tua carne e teu sangue
• Sed non esse quod factum est.
Mas será desfeito
• et cum pulveris facti sunt ossa vestra.
Quando mesmo teus ossos se tornarem pó.
Hermione Granger era pequena em comparação à todas as outras, seus cabelos eram frisados e crespos, seus seios não poderiam ser considerados grandes.
Se era desta assim, por que ele a achava — de um modo muito sutil — atraente?
Ao mostrar tamanha dedicação à magia, ele percebia isso em seus grandes olhos castanhos, ela os fechava e também fechava suas mãos em volta do copo, seus cabelos longos e espessos pareciam mais cheios e ela tomava àquela postura altiva vinculada com o que fazia.
A forma como ela se entregava e o modo como sua voz se tornava um pouco mais grave quando ela pronunciava o feitiço era...
Era atraente.
Talvez não pudesse ser visto por uma visão comum e limitada.
Mas se ele pudesse dar um significado para a palavra atraente, poderia ser que diria que era isso.
Não suas curvas ou cabelos, ou qualquer aspecto que pudesse ser atribuído à beleza padrão em geral.
Entretanto,
Tinha um apreço incomum pela maneira como o seu pequeno brinquedo de sangue-ruim se comportava.
— Está feito, beber seu próprio sangue já deve fazer parte da sua lista de bizarrices. — disse ela o despertando do devaneio breve ao seu respeito. — Estou feliz que vamos às férias, finalmente vou poder me ver livre de você.
Até nas horas em que ela mostrava tal grau de amabilidade com suas opiniões extremamente sinceras ao seu respeito.
Granger colocou o copo na mesa, batendo as palmas das mãos num gesto de trabalho terminado.
— Devo desejar boas férias? — perguntou Tom, apoiando o cotovelo na mesa e o queixo na mão em punho.
— Oh, não se incomode, Riddle. Eu posso viver sem isso vindo de você. — atacou ela novamente, cruzando os braços. — Finalizar esse feitiço significa que esse jogo também acabou?
Ele inclinou a cabeça num falso ato de desentendido.
— Eu não estava ciente que estávamos jogando um jogo, Granger.
Granger apertou os punhos, fazendo sua costumeira expressão de indignação.
— Acabamos, não é, Riddle?
Tom pegou o copo que ela até pouco segurava.
— Boas férias, Granger.
Era cômico como ela se alterava quando não tinha a resposta que queria.
— Acabou, Riddle. — ela mesma deu o veredito, virando-se e saindo, era assim na maioria das vezes.
Ela provocava, se irritava, fazia ameaças vazias, batia os pés e saía.
Era engraçado, por que ela acreditava que sua atitude o ofendia e não era o que acontecia. Ela só se fazia mais intrigante e o entretia mais.
Pela tarde a viu conversado com a Dorea Black, a garota Sonserina parecia animada enquanto falava sobre alguma coisa. Tom podia notar a falta de atenção de Granger sobre o que a garota falava, ela parecia menos saudável a cada dia que passava, era possível notar melhor isso quando ela não estava sendo odiável nem barulhenta.
Claro que ela não mostraria suas fraquezas na frente do inimigo, essa pequena parcela de arrogância que ela mantinha não permitiria.
— É difícil acreditar que com aquelas pernas ela se interessaria justo pelo Potter.
— Achei que já estivesse estabelecido que eu não quero ouvir o quanto você quer entrar nas saias da sua prima, Abraxas.
O rapaz de cabelos loiros esfregou as mãos enluvadas uma na outra.
— Bem que desconfiei que os meus olhos estavam me enganando ao pensar que você estava reparando em minha prima querida. — riu. — E então? Minha mãe ainda continua me enviando corujas para levá-lo para a mansão outra vez, é insultante que ela goste mais de você do que de um filho tão exemplar como eu.
— Eu tenho assuntos para tratar, outras oportunidades virão.
— Vou preparar meus ouvidos para ela reclamar as férias inteiras. — Abraxas se encostou na parede ao lado de Tom. — Já sabe quem vai levar à festa de Slughorn?
— Greengrass. — respondeu indiferente.
— Greengrass? — Malfoy no entanto, parecia se importar demais. — Adalind Greengrass? Como esperado de você, Riddle! Convidar Adalind Greengrass e tratar isso como se fosse nada.
Ele assoviou para provocar, e Tom olhou para cima, suspirando.
— Foi ela quem me convidou primeiro.
— Como se não bastasse ir com a Greengrass ainda foi ela quem o convidou. — Ele maneou a cabeça. — Vou com a Cedrella.
— Não muito inesperado.
— Melhor a Cedrella do que fazer como Alphard, ele diz que vai convidar a Granger.
Pela primeira vez em uma conversa, Tom deu atenção suficiente para Abraxas à ponto de olhar para seu rosto.
— Granger?
— É, a sangue-ruim Corvinal. — Abraxas bufou outra risada. — Nem todos podem ser convidados por Adalind Greengrass, mas descer o nível assim tão baixo a ponto de convidar Granger, eu prefiro ir com a minha prima que pelo menos tem sangue puro.
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