Reparo. {hiatus}
18 17. Impervius.
Notas iniciais

• Impervius.
Torna objetos impermeáveis.
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A primeira vez que Tom Riddle havia visto Hermione Granger foi um encontro avulso no corredor do Expresso Hogwarts, ela não se importou com a presença dele quando aconteceu, ela somente pediu por licença para passar e seguiu seu caminho sem se dignar a olhar a quem impedia sua passagem.
O próprio Tom não se importou com a pequena menina de cabelos espessos, ele saiu do caminho e em sua mente tudo o que se passava era que finalmente saiu do seu exílio, um verão inteiro esperando por uma maneira de escapar daquele lugar.
Estava desesperado e claustrofóbico, Hogwarts era seu único meio de escape da vida miserável que vivia, e ainda que não conhecesse a felicidade, conhecia a satisfação. Estar em Hogwarts sempre era a maior satisfação da sua existência, e quando entrava por àquelas portas ele deixava de ser o desvalorizado, ínfimo e pobre menino órfão.
Ele era Tom Riddle, o aluno de ouro. Não havia nenhum aluno ou professor que não o conhecesse por suas virtudes, e essa sensação era a que ele buscou há tanto tempo.
O Herdeiro de Salazar Slytherin, alguém que seus colegas de casa estavam dispostos à seguir e venerar.
Ah, ele adorava a situação.
Ser invejado e temido.
Era o que sempre mereceu, a maior certeza da sua vida.
Tom Riddle tinha noção do pensamento de cada um à seu respeito, ele tinha olhos em toda a escola, ele sabia o que acontecia com cada aluno que lhe interessasse por que ele podia.
Foi assim que mais uma vez seu caminho se cruzou com o de Hermione Granger.
— A sangue sujo nos enfeitiçou sem varinha, meu senhor!
— Alguém tem que mostrar àquela vadia o lugar dela.
Assim como ele próprio, não havia sequer um aluno ou professor em Hogwarts que não conhecesse Hermione Granger.
Todos sabiam de seus feitos, ela era a aluna mais inteligente do seu ano e enfrentou três garotos sozinha, era a primeira aluna em todas as classes e a forma como andava ou vestia era diferente das demais garotas.
Você poderia encontrar Hermione Granger na biblioteca à qualquer hora, como poderia encontrar Tom Riddle.
Você poderia perguntar a qualquer um na escola sobre ela, e assim como Tom, todos saberiam.
Mas Tom não gostava desse fato, por que ele não achava que era preciso mais de um nesse jogo. A fama de Hermione Granger que se igualava a sua, o irritava e o interessava de igual peso.
Hemione Granger e suas respostas prontas, sua ousadia, sua afronta, sua forma simplória, sua falta de vontade por poder, seu ódio, seu medo... O interessavam.
E como o jovem com sede de conhecimento que era, ele quis conhecer Hermione Granger e saber o por quê dela estar sempre tensa e medrosa em sua presença, quando nunca havia visto o quão aterrorizante ele realmente poderia ser.
Ele poderia torturá-la, matá-la ou obliviá-la.
Mas ele sentia muita satisfação em brincar com o ódio de Hermione Granger, e até cansar dessa satisfação, ele não iria parar.
— Parece que Granger foi enfeitiçada. — alguém cochichou no corredor, uma menina Corvinal e um rapaz Lufano.
— Enfeitiçada?
— Sim, ninguém sabe o que aconteceu.
O rumor prosseguiu, na sala de aula, entre os monitores e professores, entre os alunos, até mesmo os Sonserinos.
Por quê Granger havia sido enfeitiçada?
E ser enfeitiçada em seu próprio dormitório?
Alguns diziam que ela gritava, outros diziam que estava desmaiada, outros diziam que já estava bem e outros que havia piorado.
Tom decidiu que o único motivo de estar sentado ao lado do leito de Hermione Granger enquanto ela dormia era pura curiosidade.
Sua pele oliva estava mais pálida do que de costume, os lábios secos, olheiras profundas embaixo dos olhos e se a observasse com atenção, veria que seu rosto parecia mais magro do que no começo do mês.
Não havia saúde na aparência dela.
Tom tinha as longas pernas cruzadas, os dedos também e suas mãos brancas repousadas em cima de seu colo. Olhava para a Granger adormecida com as pálpebras ligeiramente baixas, sua expressão se dividia entre tédio e atenção.
— Feitiço de ocultação para rastreamento de magia. — os lábios dela se mexeram de repente, como se fosse difícil pronunciar as palavras, e ela continuava de olhos fechados. — Não pode ser usado por você em si mesmo, precisa de alguém que pratique magia sem varinha de maneira aceitável para realizar o feitiço.
Houve uma leve curva nos lábios rubros de Tom.
— É bom ver que está viva, Granger.
Ela abriu os olhos lentamente.
— Para sua infelicidade, sim. — Hermione virou sua cabeça para vê-lo. — Eu sabia que você não tinha se interessado pelos meus lindos olhos.
— Talvez eu estivesse. — ironizou vendo ela franzir o cenho.
— Se eu não tivesse bebido essa porcaria de poção calmante eu quebraria a sua cara sem precisar de magia.
Enfurecida e impulsiva.
Ela certamente não estava morta.
— Tenho certeza que sim. — disse se divertindo com sua raiva. — Me agrada saber que terminou sua leitura.
Ela respirava com um pouco de dificuldade, ele percebeu seu peito descer e subir rápido demais para uma respiração comum.
Era engraçado ver como ela estava indefesa deitada alí, a bruxa que o insultava levianamente ainda que soubesse que ele poderia matá-la a qualquer momento.
Era impossível não se sentir curioso.
— Se eu fizer esse feitiço em você, vai me deixar em paz? — perguntou com sua fala arrastada, provavelmente graças a Poção que alegava ter tomado, tão estranho ver Hermione Granger tão sonolenta quando ela sempre parecia muito tempestuosa cada vez que se encontravam.
— Você me diverte, Granger. — encostou-se à cadeira e cruzou os braços. — Eu estava entediado antes de toda a sua fúria, por que eu abriria mão da única diversão que tenho?
Ela riu sem humor.
— Eu definitivamente não esperava vir para Hogwarts para me tornar o entretimento de um assassino.
— Todos estamos em posições que nunca esperamos estar, Granger.
— E o que você faz aqui? Veio saber se tinha perdido seu brinquedo?
— Qualquer um ficaria preocupado se um colega estivesse doente.
Hermione revirou os olhos.
— Não estou doente. — disse firme. — Eu vou sair daqui, estou apenas de observação.
— Não é o que estão dizendo. — ele ergueu as sobrancelhas de um jeito falsamente inocente. — Dizem que você foi atacada, Granger, deveria ter mais cuidado.
— Eu não fui atacada. — disse em pausas. — E não finja preocupação, deve ser a única coisa da qual você tem dificuldade de fingir.
Ela podia ser extremamente irritante em alguns momentos, irritante demais para um objeto de estudo.
— Você deveria ter cuidado com a língua, não poderia ser insolente como é, se não a tivesse.
— Ah, pode ter certeza que mesmo sem ela, eu daria um jeito.
Apertou a mão em punho, seria fácil dar a ela um Crucio que a faria se contrair até arrancar os próprios cabelos.
Prestes a puxar sua varinha, a crise tosse incontrolável de Granger o impediu, ela se ergueu da cama ficando vermelha escarlate.
Ela se deitou de novo, ofegante.
— O que você têm, Granger? — perguntou em voz baixa se inclinando um pouco para frente, avaliando seu rosto alarmado.
Granger tinha mãos trêmulas e puxou o ar quase como se a houvessem sufocado.
— Eu não sei. — ela sussurrou mais para si mesma do que para Tom.
Não negaria que ela o divertia, e que tinha seu interesse, não se importava com estas sensações.
Porém a inquietude instalada nos seus pensamentos pela visão da garota adoentada foi um sentimento que considerou repugnante.
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