Reparo. {hiatus}
17 16. Relaxo.
Notas iniciais

• Relaxo.
Faz com que uma corrente se quebre.
— Você está mentindo, sua sangue-ruim imunda, sei que está! Você esteve no meu cofre em Gringotes! Diga a verdade, diga a verdade!
Liu Chang tinha insônia desde seus cinco anos, ela disfarçava suas enormes olheiras com um feitiço que aprendeu com a ajuda do professor de Feitiços, e conseguia viver quase acostumada com a sua situação.
A garota asiática passou a reparar mais em sua colega de dormitório, Hermione Granger, por que ela falava enquanto dormia.
As vezes ela choramingava baixinho, outras vezes implorava por alguma coisa, sempre foi assim desde que começou a dividir seu quarto com ela.
Hermione era bem interessante, na opinião de Liu.
Ela era a única garota da escola que tinha coragem de levantar a mão para responder questões dos professores, sem se importar se passava na frente dos garotos ou não, e ela não parecia se importar com moda ou maquiagem. Hermione Granger era tão inteligente, que o fato de ela ter uma aparência comum passava despercebido.
Liu Chang decidiu que não se importaria mais com a opinião de suas amigas sobre Hermione, e tentaria ser sua amiga, por que realmente a admirava.
Diria até que tinha uma certa inveja dela.
Naquela noite, no entanto, algo muito anormal aconteceu.
Era quase 1hr00min quando um grito aterrorizante ecoou pelo quarto, fazendo com que a jovem Chang arregalasse os olhos e iluminasse sua varinha para ver o que acontecia.
— Foi a Granger! — exclamou Augusta que já estava de pé, apontando para a cama de Hermione e fazendo com que Liu se levantasse urgentemente.
Os olhos castanhos de Hermione estavam desesperados e as sobrancelhas franzidas, ela estava com uma respiração ofegante e o rosto vermelho e molhado como se estivesse chorando.
— Me deixe ir, me deixe ir, eu não aguento mais! — ela repetia enquanto Anna Jackson e Deva Patil tentavam acalmá-la. — Não! De novo não! Por favor!
— Chamem a Madame Welch! — Liu Chang disse tão preocupada quanto todas as outras garotas. — Parece que ela foi amaldiçoada!
— O que mais você tirou? O que mais tem com você? Me diga a verdade ou, juro, vou furar você com esta faca!
Ela gritou de novo, deitando na cama e se contorcendo, as meninas se afastaram da cama assustadas.
— Liu, eu acho que ela foi mesmo amaldiçoada. — disse Deva Patil.
— Que mais você tirou? Que mais? RESPONDA! CRUCIO!
Outro grito doloroso fez todas se encolherem.
— Ei! — Mary Dixon que era a nova monitora da Corvinal, empurrou a porta entreaberta, entrando quase na mesma hora em que Augusta saiu para chamar por Madame Welch. — O que está acontecendo aqui? Quem está sendo torturado?
— Hermione Granger foi amaldiçoada! — disse Deva desesperada.
— Ninguém sabe se ela foi mesmo amaldiçoada! — rebateu Chang.
— Certo, Certo, fiquem calmas.
Madame Welch chegou no meio da confusão, pedindo para que as garotas se afastassem. Granger parecia estar num estado hipnótico, a Medibruxa a abraçou enquanto a garota apertava o braço dela e pedia para não deixar que ela voltasse.
Liu Chang começou a imaginar que o que Hermione tinha não poderia ser somente simples pesadelos.
— O que houve com ela, Sra. Welch? — o diretor Dippet perguntou, olhando a figura pálida da menina Corvinal deitada no leito.
— Sinceramente, eu não sei. — disse a mulher. — Ela tem reclamado de insônia, e hoje houveram esses gritos, talvez ela esteja realmente sentindo dor, mas não tem como saber. Temos que esperar ela acordar.
O diretor assentiu com as sobrancelhas franzidas.
— Uma aluna morta e outra com a suspeita de ataque. — suspirou. — Os alunos estão eufóricos, é horrível que isso tenha acontecido justamente quando estavam tranquilos depois do responsável pela morte da menina Warren ser encontrado.
— Sim, isso certamente vai causar alvoroço. — falou Madame Welch. — Vamos esperar que o que quer que tenha acontecido, não tenha sido um ataque.
Hermione escutava tudo quietamente, de olhos fechados e fingindo estar adormecida.
Embora o que sentia era simplesmente medo do que encontraria e enfrentaria quando abrisse os olhos, se àquela mulher de cabelos cacheados e olhar assassino estaria lá, gritando com ela e exigindo coisas das quais ela nem ao menos ouviu falar.
Estava em pânico, por que estava mais amedrontada do que já esteve em toda a sua vida.
Dor.
Ela sentiu uma dor profunda que a invadiu de dentro para fora como se fosse consumir todo o seu corpo.
A dor de uma tortura, ela estava sendo torturada por aquela mulher desconhecida.
Hermione tinha a vaga lembrança de estar protegendo alguém, alguém que ela não se lembrava, mas estava protegendo. Havia algo que ela não queria dizer, ela tinha certeza que preferia morrer do que revelar o que sabia para aquela mulher.
E ela não tinha ideia do que era.
E agora estavam todos em Hogwarts acreditando que ela havia sido atacada. Bem, ela foi, há um dia atrás Riddle foi o feitor, mas ela não podia contar a ninguém sobre isso.
Sua vida era uma constante confusão, e ela nem se esforçava para tal.
Ela ouviu um silêncio na sala, e abriu de leve os olhos, estava vazia.
Se sentou na cama, encostando na travesseira e pensando em sua própria situação, foi quando passos vieram apressados, segundos depois a sala estava cheia de pessoas.
Dorea, Cedrella, Liu Chang, Charlus, Septimus e Helique.
Ficou surpresa.
— Hermione! Que bom que você está bem! — Charlus encostou no leito.
— Você deu um susto enorme na gente. — Dorea chegou perto, cruzando os braços. — Disseram que você foi atacada.
— Ela não foi! — negou Chang. — Ela começou a gritar do nada, parecia amaldiçoada!
— Amaldiçoada? Que coisa estranha. — Cedrella sentou no leito ao lado do seu.
— Poderia ser alguém invisível a atacando, por isso você não viu, Liu. — Helique explicou aéreo como sempre.
— Heli, você deveria parar de falar coisas sem sentido, as pessoas comentam, sabe. — Septimus criticou olhando para o rapaz com falsa seriedade.
Era uma cena bonita que já havia se repetido num outro lugar, em meio à um turbilhão de coisas sombrias, seus amigos ao redor da cama pareciam preocupados com ela, eles pareciam felizes em vê-la bem.
Uma cena que deu a seu coração uma sensação quente de conforto, ela ficou extremamente aliviava por que naquele ambiente não haviam pessoas chamando seu nome por proteção, não havia gritos de dor ou segredos de vida ou morte para esconder.
Não havia pânico, eles eram normais, eram alunos normais.
Eles pararam de falar, e olharam para ela.
— Mione, você está sentindo alguma coisa? — Septimus perguntou chegando mais perto.
— Ai, Meu Merlin! Está acontecendo de novo? — Cedrella praticamente gritou.
— Eu acho melhor alguém chamar a Madame Welch. — Liu disse olhando para os outros.
Hermione riu com a reação de todos à suas lágrimas.
— Não é nada. — limpou as lágrimas com a longa manga de sua camisola. — Só estou feliz que estejam aqui.
Houve trocas de olhares e depois eles sorriram para ela.
Mas ainda havia um zumbido abafado em seu ouvido, como se um barulho alto estourasse muito perto; não era seguro.
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