Notas iniciais
Hellooo! Agradeço a todos os comentários passados! Vocês arrasam!

• Defodio.

Faz entalhes aparecerem no objeto almejado.


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— Esse livro foi escrito no mesmo período em que As Crônicas Anglo-saxônicas? — Hermione perguntou passando a mão pela página do Grimório.

Ela estava encostada em uma parede, as pernas esticadas e cruzadas e o Grimório em seu colo. Sentado na cadeira posta à mesa, estava Riddle, lendo sobre algo que ela não sabia sobre o que se tratava.

— Sim. — respondeu de forma seca, sem olhar para ela.

— Por isso há tanto de inglês antigo. — murmurou para si mesma. — Como aprendeu inglês antigo, Riddle?

Ele finalmente a encarou pelo canto do olho.

— Isso é relevante?

— Eu imagino que se eu me interesso em saber, se torna relevante para mim. — rebateu, se sentiu quase orgulhosa.

Riddle não respondeu de imediato, continuou encarando-a e ela com muita dificuldade sustentou seu olhar.

— Há mais do que magia proibida na sessão restrita.

Hermione franziu a testa.

— Aprendeu inglês antigo com um livro da seção restrita?

— Obviamente, não com um único livro, mas sim. — respondeu e voltou sua​ atenção para o livro que lia.

Hermione tentou voltar a sua própria leitura.

Poderia parecer incomum aquela cena, mas depois de se passar quase uma semana e ela não terminar de ler o livro — não por falta de curiosidade, e sim por puro orgulho — Riddle começou a usar dos seus​ horários vagos para fiscalizar sua leitura. Hermione não gostava da ideia, ela teria que aturar a arrogância e egocentrismo do rapaz quase todos os dias, e Riddle também não era o melhor companheiro para uma tarde de leitura.

Era difícil estar na presença dele, por que a presença dele parecia repelir a dela. Ele era a própria sensação de perseguição.

Ela tinha medo de Riddle, por mais que se forçasse a desafiá-lo.

— Até quando isso vai durar, Riddle? — perguntou como um prisioneiro pergunta ao carcereiro sobre sua sentença.

— Quanto mais tempo perde falando de coisas desnecessárias, mais tempo vai durar.

Desgraçado.

Continuou lendo, era complicado traduzir algumas linhas, por que por algum motivo Morgana decidiu englobar inglês antigo em suas palavras. Haviam receitas de Poções que pareciam sombrias e que ela tinha de ler mais de uma vez para saber se estava lendo corretamente.

Coração de Veela? Parecia realmente o tipo de coisa que Tom Riddle faria.

Hermione arregalou os olhos ao perceber que Morgana não era como pensou, ela era uma mulher com forte interesse em magia das Trevas e entendeu que esse poderia ser o principal motivo da proibição do Ministério.

— Colocaria coração de Veela em uma poção?

Riddle parecia quase impaciente pela primeira vez, Hermione não pôde deixar de se sentir satisfeita por sua proeza.

— Relevância, Granger? — sua voz nem sequer mudou de entonação.

Ela bufou.

Descobriu que Morgana utilizava plantas também, mas era mais raro encontrar tais, parecia ter um apreço especial por usar coisas vivas em seus experimentos e a fez pensar que sendo uma mestiça de fadas, deveria se sentir conectada com a natureza e com a vida.

Também passou por sua cabeça que a morte para Morgana também deveria ser uma espécie de conexão.

Mas era só suposição, já que aquilo era um Grimório e não um diário. Morgana escrevia tudo no que mais parecia ser terceira pessoa e parecia profissional.

Hermione gostou desse lado de Morgana, imaginava que se acreditavam tão pouco sobre mulheres na época em que vivia, na época em que Morgana vivia deveria ser deveras pior.

— Sangue de unicórnio? — quase sussurrou ao ver a anotação borrada ao lado de um ramo parecido com cerejeira desenhado na página antiga.

— O que disse?

Hermione quase saltou de susto ao ouvir a voz fria de Riddle se manifestar no silêncio.

— Sangue de unicórnio, ou pelo menos acredito que seja o que está escrito aqui. — ela falou um pouco mais alto. — "Utilizar com a seiva de narciso, proteção para áreas letais." Áreas letais?

Riddle a analisava procurando algo que ela não pôde dizer o que era.

— Áreas letais do corpo, sangue de unicórnio se digerido pode manter a vida de alguém por determinado tempo, a seiva deve enfraquecer o efeito e reduzir apenas para defesa.

— Oh. — disse quase espantada com seu conhecimento, se sentiu culpada por se sentir curiosa. — Morgana usava como mistura para quase todas as poções que criava.

— Não é uma surpresa, ela procurava por imortalidade. — Riddle disse, pragmático.

Hermione devia admitir que estava surpresa.

— Ela procurava por imortalidade? — questionou se sentindo leiga por saber tão pouco sobre o mulher que admirou por seus feitiços.

— O interesse dela era por beleza eterna, quase cega por ser bela e temida para sempre. — ele tinha as sobrancelhas levemente franzidas enquanto falava. — Tinha potencial para fazê-lo, antes de se encantar pelas crenças de Merlin.

— Merlin a convenceu de desistir, então. — concluiu Hemione, sentindo-se um pouco aliviada com a informação.

— Em partes, ela não conseguiu desistir de sua sede por conhecimento. — Riddle disse, voltando seu olhar para Granger. — Ela continuou buscando informações para seus feitiços.

— E morreu por sua ganância. — findou a menina, sua expressão sabe-tudo despontando o rosto juvenil.

— Morreu por que não teve vontade o suficiente. — Riddle a corrigiu rudemente.

— Acredita que ela poderia ter conseguido? — Hermione questionou ao perceber que o Sonserino não parecia descriminar as ações de Morgana. — Bruxos que se afundaram em magia negra sempre tiveram o mesmo triste fim, não se pode brincar com as chamas sem se queimar.

— Não se você for inteligente o suficiente para analisar e não cometer os mesmos erros que os que o antecederam. — Falou mordaz. — Sem o esforço suficiente é previsível o fracasso.

Hermione tossiu uma risada.

— Esse é seu grande​ plano. — ela balançou a cabeça num reconhecimento sarcaz. — Seguir a trilha que dá para o penhasco levando uma ponte de cordas afim de chegar do outro lado. Você é inteligente o bastante para saber que a ponte sempre arrebenta, Riddle.

O rosto de Riddle era impassível.

— Não se minha ponte não for feita de cordas. — falou baixo demais como uma ameaça, Hermione sabia que se não houvesse apenas eles dois naquela sala, ela não teria o escutado.

Eles se encararam por um tempo, foram segundos que pareceram horas. Os olhos verdes escuros de Tom Riddle a desafiava a discutir com sua mente imutável, mas Hermione enxergava a parede e a venda impermeável que havia em sua mente, o impedindo de pensar como uma pessoa normal.

Hermione não precisava de muito para entender que Riddle era sem escrúpulos.

Ela levantou do chão da sala precisa e fechou o Grimório, andando em direção à mesa e batendo o livro pesado na madeira, fazendo o som de um eco alto se espalhar pelas paredes.

— Não acabamos. — Riddle disse duramente.

— Acabamos sim. — Hermione disse enfrentando o medo que a fazia estremecer.

Ela se virou e saiu.

Tentava manter suas pernas que estavam bambas, firmes.

Notas finais
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