Reparo. {hiatus}
14 13. Cave Inimicum.
Notas iniciais

• Cave Inimicum.
Feitiço que protege uma área determinada, impedindo que qualquer pessoa a veja de fora.
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— Novamente, querida? — Madame Welch a examinou, colocando as costas da mão em sua testa. — Não pode continuar tomando essa poção desta forma, não obteve melhora nenhuma?
Hermione mantinha a expressão cansada, não tinha dormido nada na noite passada, os ombros estavam colapsando sem conseguir manter a postura. Os lábios secos e olheiras enormes debaixo dos olhos castanhos.
— Não, eu continuo tendo insônia toda a noite. — disse devagar e parecia difícil falar, ocultando também os fato dos sonhos, cujo o único que sabia era o Professor Dumbledore. Passou a mão pelo rosto. — Eu consigo dormir um pouco melhor com a Poção.
— Sim, querida, mas essa poção é para sono, e como tal tem que ser usada com moderação ao contrário você pode acabar se viciando. — Madame Welch aconselhou.
— Eu sei, mas não tem mais nada que eu possa fazer.
A Medibruxa colocou o frasco com a poção sobre a mesa.
— Se essa insônia continuar te atingindo desta forma, não vamos ter outro jeito à não ser entrar em contato com seus familiares.
Hermione assentiu, pegou a poção e levantou do leito, saindo pela porta da ala médica.
Estava determinada a não voltar mais para enfermaria. Ela poderia passar alguns dias sem dormir, mas não podia envolver seu pai em seus delírios infantis, ele já tinha tanto o que se preocupar e a falta de confiança dele na magia só resultaria ela arrumando suas malas e indo embora de Hogwarts.
Definitivamente não podia deixar seu pai saber.
— Hermione!
Olhou por cima do ombro para ver que quem a chamava era Septimus, parecendo animado demais com alguma coisa, o que era uma surpresa já que toda escola estava num estado de desânimo graças à morte de Myrtle Warren.
— Septimus. — cumprimentou já quando o rapaz estava perto. — Você parece feliz, aconteceu alguma coisa?
— Acharam o assassino de Myrtle Warren! — disse entusiasmado.
Hermione sentiu uma súbita sensação de felicidade.
— Acharam? — um sorriso genuíno começou a se formar nos lábios da Corvinal.
— Sim! Eu estava certo, era uma criatura! — ele sorriu abertamente. — A Acrômatula de Rúbeo Hagrid!
Seu sorriso desmanchou tão rápido quanto apareceu.
— Rúbeo Hagrid?
Septimus balançou a cabeça ainda animado.
— Sim, ele é um meio gigante da Grifinória, Tom Riddle foi quem descobriu que ele era o culpado. Parece que Rúbeo vai ser expulso.
Mais uma de Riddle.
Mais uma pessoa atingida pela sua falta de caráter.
— Tem certeza que ele vai ser expulso? Ele... Pode não ter sido ele. — tentou defender, retornando seus passos pelo corredor.
— Claro que foi ele! Você fala como Dumbledore. — Septimus disse desconfiado. — Dizem que vão dar uma compensação à Riddle, Dumbledore saiu em defesa de Rúbeo por algum motivo. Mas ele criava uma Acrômatula! É óbvio que ia acontecer alguma tragédia, parece que é maluco, esse Hagrid.
Septimus continuou a falar, mas Hermione estava ocupada demais com a culpa. Ela estava perdendo a chance de entregar Riddle, e sabia que carregava culpa nisso tudo.
Por Merlin, já não bastavam somente os pesadelos?
A imagem daqueles dois garotos a perseguiam toda a noite. Chamando seu nome, hora de maneira feliz, hora desesperados, hora amorosos, hora tristes; Não conseguia ver seus rostos, mas sabia que já esteve com eles em diversos lugares de Hogwarts por que sonhava com isso.
Havia garotas também, era a fraca memória de cabelos loiros pálidos como os de Helique Lovegood e cabelos ruivos vibrantes sacudindo numa brisa fraca.
Quem eram essas pessoas?
Quando veio o horário de Comportamento para Bruxas, Hermione desviou da biblioteca onde estava ficava a essa hora e seguiu para a sala precisa. Furiosa, desanimada e culpada.
Descobriu que era possível desenvolver tantos sentimentos desagradáveis ao redor de uma única pessoa.
Ao entrar, sua primeira visão foi a de Riddle de pé. Um livro aberto e a mão esquerda no bolso, enquanto a direita o apoiava para que pudesse — ela imaginou — ler o livro aberto, ele parecia um quadro na posição que estava, bonito como o inferno e se ela não soubesse do que ele era capaz certamente estaria encantada por sua beleza como a maioria das garotas de Hogwarts.
Seu único e maior desejo era se livrar do que considerava um estorvo em sua vida.
— Está atrasada, Granger. — ele pôs a outra mão no bolso e ficou completamente de pé, sua feição se distorceu levemente. — E está terrível também.
Como esperado, toda a sua beleza não compensava sua crueldade.
— Há um limite em que uma pessoa pode esconder seus maus feitos, Riddle. Colocar a culpa num pobre aluno que nada tinha haver com isso? — ela franziu o cenho. — Como pode ser tão cínico à esse ponto?
Aquele sorriso detestável que ele formava em seu rosto toda vez que ela o insultava, a fazia pela primeira vez pensar que se tivesse coragem em matar alguém, seria ele.
— Você me chama de cínico quando não arriscaria sua própria pele para salvar o pobre aluno. Não sejamos hipócritas, Granger.
Hermione desejava saber como discutir com alguém que a acusava quando ela mesma duvidava de sua inocência.
— Você é absolutamente nefasto. — ela concluiu perplexa.
— Talvez, mas podemos falar sobre seus adjetivos para mim em outra hora, e começar a falar sobre o que interessa. — ele fechou o sorriso falso e voltou a falta de expressão. — Fez o que eu disse?
Hermione se aproximou da mesa e puxou uma cadeira, colocando a grosso modo a bolsa em cima dela e se sentando. Abriu a bolsa e puxou o Grimório.
— Falta pedaços do que você traduziu do inglês antigo, descobri que alguns feitiços são conectados à outros, Morgana poderia ser uma bruxa esplêndida, mas não era nada organizada. — falou emburrada. — Pelo o que eu li, continua a mesma teoria de que é preciso ver a magia para realizar ela sem varinha para feitiços complexos como estava escrito no meu livro inconsistente, e eu não consigo isso. Não se eu não estiver sob algum sentimento forte que me impulsione.
— Você não consegue nada sem trabalho duro, Srta. Granger, não vai conseguir nada se já decidiu por si própria que não vai. — proclamou o outro, com altivez.
Hermione bufou.
— Não preciso que você me dê lições de moral, Riddle. Você próprio, com toda a sua inteligência, deveria aprender por si mesmo ao invés de me subjulgar como se eu fosse sua serv-
Antes que ela terminasse de falar, o Grimório em sua frente estava, de repente, na mão do rapaz. Que a olhava com tanta vanglória que a fazia querer sair da sala e queimar tudo dentro dela logo depois, incluindo ele.
Ele era aparentemente, capacitado para realizar não só magia sem varinha, como não verbal.
— Meus motivos não lhe dizem respeito, Granger, temos um acordo e você deve ser leal a sua parte nele. — ele pôs o Grimório em cima da mesa. — E havia muito mais do que somente isso, o que significa que você não passou das primeiras páginas.
Hermione deu de ombros.
— Você me pediu para ler, Riddle, não disse o quanto. E não pode me dar ordens e num piscar de olhos eu acatar, eu não sou seus lacaios! Além do mais, eu tenho minhas obrigações escolares!
Ela estava vermelha como um tomate, os lábios crispados e os braços cruzados de pura revolta.
As palavras dela no entanto, não pareciam ter nenhum efeito sobre o Sonserino.
— Leia o Grimório até o final da semana, Granger.
E com isso, ele fechou e juntou seus livros, os levando e saindo da sala em passos largos, deixando uma Hermione cheia de aversão para trás.
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