Renascido nas trevas.
8 Conversas.
Notas iniciais
Minami foi a primeira a acordar, ao menos entre os membros de sua equipe, a loira não viu o seu irmão e os membros de sua equipe dormindo, aquilo era estranho… mas a Uzumaki não tinha porque questionar tal comportamento. Talvez eles apenas dormissem pouco, alguns ninjas tinham essa estratégia quando estavam em território hostil, e eles não sabiam quando e como Zabuza iria atacar outra vez.
O clima entre as equipes não estava bom, tanto que desde aquela noite eles não dormiam mais na casa de Tazuna, só interagiam durante o treinamento e apenas Sasuke conseguia conversar com Naruto e seus companheiros após os treinos.
Ela não sabia como pedir desculpas pelo o que fez, estava se sentindo péssima e não fazia a mínima idéia de como consertar as coisas, talvez pudesse pedir ajuda a Sasuke, mas além de não ter nenhuma intimidade com o Uchiha, Minami não sabia se poderia contar para ele o porque ela queria estar tentando se aproximar de Naruto. Ela sabia que não podia contar com ninguém de Konoha.
Não depois de tudo o que fizeram com seu irmão.
Sem muitas opções do que fazer a seguida, a Uzumaki apenas levantou e fez sua higiene matinal, como Kakashi já estava totalmente recuperado eles optaram por parar os treinos e poupar energia, pois isso queria dizer que Zabuza também estava recuperado e não iria demorar para ele vir até eles.
Porém ao sair da casa de Tazuna viu que Sasuke já estava de pé conversando com Shiva, era estranho ver ela tão perto da casa de Tazuna, mas a loira sabia que eles estavam revezando para ficar de olho em qualquer possível ataque, ela sentia a presença deles espalhados pela floresta, o que mostrava que Kakumei tinha total confiança na força deles.
— Há uma estranha movimentação entre os criminosos, Gatou está impaciente. — comentou Shiva.
— Acredita que eles podem tentar alguma coisa? — pergunta Sasuke pensativo.
— Ele vai garantir sua vitória mesmo que Zabuza seja derrotado, eu e Aiko vamos trabalhar em dupla contra o aliado dele, a sensei cuidará dele. — a albina explica o plano.
— E como ninja médica, Sakura deve ficar na retaguarda dando cobertura sendo protegida por nós. — observa o Uchiha vendo sua companheira de missão concordar.
— Do que estão falando? — pergunta Minami entrando na conversa.
— Do plano de contingência contra Gatou, é bom você ter vindo aqui, vai me poupar tempo. — disse Shiva encarando a loira.
— Não devíamos aguardar o sensei? — questionou a jovem tentando entender a situação.
— Conversei com Kakumei ontem a noite, o plano irá funcionar bem. — disse o Hatake saindo da casa junto de Sakura. — Sasuke e eu iremos cuidar de Sakura na retaguarda, você e Naruto protegerão a família de Tazuna.
Bom, Minami não tinha do que reclamar, afinal de contas seria uma boa oportunidade de tentar se aproximar de seu irmão outra vez, mesmo que fosse algo difícil de fazer, ele era muito fechado e durante os treinos só falava o necessário, o que tornava as abordagens da loira extremamente difíceis de serem bem sucedidas.
— É bom ver que já estão todos de pé. — disse a mascarada acompanhada de Naruto e Aiko. — Tomei a liberdade de ir buscar eles em seus postos para não perder tempo.
— Acha que ele vai mandar alguém atrás da família de Tazuna? — pergunta Sakura entrando na conversa.
— Somos contratados, se ele os pegar e como recompensa exigir que Tazuna encerre o contrato não haverá muito a ser feito. — respondeu Naruto de forma simples.
— Ele acha mesmo que iríamos embora assim? — questionou Minami.
— Bom, falem por vocês, sem essa missão não vejo mais porque está aqui. — respondeu Kakumei séria.
O clima entre a equipe onze e Tazuna ainda não era dos melhores, sem dúvidas se não fosse por Kakashi as coisas poderiam até mesmo ter saído do controle se o jounin não interviesse quando necessário. A mascarada deixou bem claro que se não fosse pela missão ela mesma teria desistido tudo ali sem pensar duas vezes.
Na visão do Hatake aquela era uma situação difícil, ele não sabia ao certo o poder de Kakumei, mas podia imaginar com base no pouco que havia visto que ela era poderosa, mais poderosa do que ele podia imaginar, nenhum ser humano normal pararia o ataque de Zabuza da forma que ela fez.
— Mesmo assim… temos que aguardar para ver, se existe a possibilidade de uma intervenção direta de Gatou, isso quer dizer que o clima entre os dois não deve estar muito bom. — comentou o Kurayami chamando a atenção de todos. — Ambos não devem ser as pessoas mais fáceis do mundo de se conviver, o que pode gerar muitos conflitos, até mesmo chegando ao ponto de Gatou dispensar os serviços do nukenin de Kiri.
— Por mais difícil que seja, não podemos negar essa hipótese, ele é egocêntrico e não sabe lidar com quem é mais forte que ele. — concordou Shiva. — Ele pode achar mais eficiente contratar vários fracotes do que manter alguém do nível de Zabuza por perto.
Kakashi sabia que Naruto tinha um ponto importante, por isso era bom se equipes trabalhassem juntos nas duas possíveis frentes de batalha, assim impediam qualquer possível ataque surpresa de Gatou.
O problema era que o jounin de Konoha não sabia quem era mais perigoso para Tazuna e sua família, Gatou ou a equipe onze.
— Vamos tomar café e decidir melhor o que faremos. — sugeriu Kakashi.
— Já nos alimentamos, vamos aguardar aqui fora. — avisou Kakumei dando as costas para o jounin, sendo seguida por seus alunos.
Kakashi sabia que as coisas não iriam se resolver tão facilmente, mas ao menos estava no caminho certo, só tinha que torcer para que ninguém mais forçasse uma briga.
Já Naruto não estava satisfeito com a estratégia que sua mentora havia escolhido, mas não tinha do que reclamar, se fosse para participar de uma missão onde sua sensei acabaria com tudo sozinha, era melhor ficar em casa mesmo.
— Não me parece irritado por não participar da brincadeira. — comentou Aiko.
— Kakumei fará tudo praticamente sozinha, então não tenho muito interesse no que Zabuza planeja. — respondeu o loiro.
— Mesmo assim terão suas chances, Gatou conta com recursos precisos, se apoderar deles pode ser benéfico para nós. — sugeriu a mascarada.
Kakumei tinha um ponto importante, se Naruto tomasse para si os recursos de Gatou eles teriam uma importante fonte de comida, o que iria garantir que seus subordinados pudessem agir com mais liberdade e ele começasse a expandir seus domínios, o que lhe daria ainda mais poder.
— E quanto a meus lacaios? — pergunta Naruto sorrindo.
— Na praia ao leste, apenas esperando sua ordem de agir, eles estão famintos. — responde Kakumei.
— Vamos ver o que acontece, se minha intuição estiver correta, eles irão lutar em outro lugar.
Viver e reinar nas sombras tinha sua vantagem, entre elas escolher quem ele colocaria no topo, e Naruto sabia que Danzou não era confiável, então ele precisava escolher outras alternativas de quem governaria na luz enquanto seu clã jogavam às cartas debaixo dos panos.
E seus espiões tinham informações preciosas sobre um aliado em potencial, alguém que almejava a mudança e precisava de recursos para isso, esses aos quais o loiro possuía em abundância, e no momento certo ele enviaria alguém para analisar uma possível aliança e se ele poderia manter sua influência sob esse aliado.
— Temos duas caixas negras na ilha, isso facilmente derrubaria um vila não tão grande, não acha um exagero trazer algo assim para lidar com alguém tão insignificante. — comenta Shiva.
— Paciência minha companheira, logo entenderá o que planejo. — o Kurayami responde sorrindo.
Passado algum tempo, Tazuna e sua família saem acompanhados de Kakashi e sua equipe, Naruto e seus companheiros estavam sentados embaixo de uma árvore, Aiko cochilava enquanto o loiro aproveitava o silêncio, ele sabia que Zabuza não viria até ele sem se preparar antes, e mesmo que viesse seu destino estava selado no momento em que Kakumei escolheu lutar contra ele.
— Esse livro é meu. — cometa o Hatake.
— Então você é uma pessoa extremamente depravada. — responde a mascarada sem parar de ler.
— Estamos prontos, vamos continuar a missão. — diz Sasuke confiante.
— Já está na hora. — disse a albina ficando de pé.
— Isso é bom, vamos ver o que acontece daqui pra frente. — Aiko apenas se levanta.
— Minami, você ficará aqui e junto de Naruto irão garantir a segurança da senhora Tsunami. — explica o jounin de Konoha.
— Suponho que ele é o mais forte da equipe. — diz Kakashi vendo a mascarada confirmar com a cabeça.
— Ele sem dúvidas seria a melhor opção para enfrentar Zabuza na névoa, mas como Aiko e Shiva possuem um estilo de combate semelhantes, eles trabalham muito bem em dupla. — responde a mascarada jogando o livro para Kakashi. — Seja qual for as habilidades do aliado dele, eles saberão lidar com elas.
— Já ouvi histórias de pessoas na condição dele capazes de coisas incríveis, e a forma como ele derrotou a dupla de nukenins e um dos clones de Zabuza mostra que ele é perfeitamente capaz de cumprir esse papel. — diz Sasuke sorrindo.
— Confio a segurança de minha filha e meu neto nas mãos de vocês. — diz o construtor sem jeito, sabia que as coisas entre ele e a equipe onze não estavam boas.
— Sempre honro com meus compromissos, enquanto estiver aqui irei fazer meu trabalho, tenha certeza disso. — responde o Kurayami sério.
— Vamos indo, boa sorte. — se despede Kakashi.
— Vamos entrar, assim todos ficamos mais à vontade. — pediu a filha de Tazuna.
— Eu posso? — pergunta a loira de forma tímida.
— Se não for um incomodo. — responde Naruto sem muita emoção.
De forma tímida, a Uzumaki ajudou Naruto a entrar em casa, mesmo que aquilo fosse um gesto simples, ela estava feliz por se reaproximar dele depois de toda aquela confusão. Mesmo assim, a loira sabia que precisava pedir desculpas, ela não devia ter subestimado as habilidades dele mesmo depois de tudo o que ele mostrou durante a missão.
— Precisa de alguma coisa? — pergunta Tsunami de forma educada, ela não sabia bem o que pensar daquela situação, mas sabia que seu filho havia passado dos limites.
— Está tudo bem, espero não atrapalhar em seus afazeres. — Uma coisa que Naruto aprendeu foi ser um bom hóspede, por isso ele não deixou Shiva rasgar a garganta daquele garoto.
A filha de Tazuna se retira deixando os dois sozinhos, Naruto estava com seus instintos de vampiro ativado, por isso não podia se dar ao luxo de tirar seus óculos ali, ele precisava ficar atento a tudo o que acontece ao seu redor para não acabar sendo pego de surpresa em um ataque repentino.
— Me desculpe… — Minami quebra o silêncio. — Eu sei que não devia ter agido assim, você é forte, me arrisco a dizer que é mais forte que eu, mesmo assim te tratei como um invalido, coisa que você não é… você é incrível, não só por ser forte, mas por ter seguido em frente depois de tudo o que aconteceu.
Naruto ouvia tudo atentamente, de fato ele não gostou nenhum pouco de ser tratado como inválido. Ele era um senhor da noite, um dos governantes da ordem do sangue, estava acima de qualquer um ali, e mesmo que as pessoas não soubessem disso, esperava no mínimo ser tratado de acordo com as habilidades que ele mostrava.
— Não gosto de quando me subestimam, e geralmente quem faz isso não gosto de ter perto de mim. — o loiro diz de forma calma.
A Uzumaki apenas abaixou sua cabeça, ela sabia que Naruto tinha todo o direito de não a querer por perto, mesmo assim… por um breve instante acreditou que poderia voltar a conversar com ele como antes. Talvez nunca chegasse o dia em que Naruto a veria como sua irmã, mesmo assim para ela apenas está perto dele era o suficiente… e ela havia estragado isso
— Mesmo assim… sinto sinceridade em suas palavras, posso ver que você apenas se preocupa comigo. Sou grato por isso mas tenha em mente que ambos somos ninjas, e espero ser tratado como tal. — diz o loiro colocando sua bengala sob seus ombros. — Não posso pedir que haja como Shiva e Aiko, eles me conhecem a mais tempo, assim como você, eles também cometiam essa falha, mas com o tempo eles me entenderam. Peço apenas que isso não volte a se repetir, se fizer isso podemos começar do zero.
Naruto aprendeu muitas coisas com seus conselheiros, ele devia ser impiedoso, nada além do poder deveria importar, mas haveria momentos em que ele deveria ser compreensivo, ele não podia exigir que alguém que mal o conhecia o entendesse, Sasuke o conhecia melhor que ninguém, por isso não mudou nada em relação a tudo o que aconteceu.
Ele podia sentir um turbilhão de emoções vindo da loira, ela não sabia como agir, tinha medo de fazer algo errado, o que acaba a levando a cometer vários erros a respeito dele.
— Então… — disse a loira surpresa.
— Só não faça isso outra vez. — pediu o Kurayami.
Minami não falou mais nada, apenas abraçou o loiro que não demonstrou nenhuma reação, ela queria fazer isso desde o dia que o viu, por mais que ele não entendesse, ela precisava daquilo.
Sem saber exatamente o que fazer, Naruto retribuiu o abraço, ele não era uma pessoa emotiva, havia perdido esse lado a muito tempo… mas podia sentir que ela não estava em suas melhores condições emocionais e precisava daquilo.
— O que pensa que está fazendo? — pergunta Naruto sem entender.
— Desculpa. — diz a loira se afastando, Naruto podia sentir que ela estava tremendo.
— Tudo bem, só me pegou de surpresa, não sou muito de abraçar. — respondeu Naruto, podia ouvir o coração de sua companheira de missão quase explodindo.
— Eu… vou lá fora, verificar se está tudo bem. — diz Minami ficando de pé e saindo.
A Uzumaki apenas saiu da casa do construtor indo para a varanda, chegando lá fora ela apenas caiu de joelhos deixando as lágrimas caírem… ele havia a perdoado, Naruto havia dito que eles poderiam recomeçar… seu irmão ainda queria ela por perto.
— Obrigado maninho. — agradeceu Minami abraçando o próprio corpo.
Desde que soube que tinha um irmão, ela ficou sonhando com o dia em que ela finalmente iria conhecê-lo, se dedicou aos seus treinos pensando no dia em que ele seria seu parceiro de treino, afinal seu irmão seria muito forte, ele estava treinando com seus pais. Ao menos foi o que ela acreditou
Ela ainda podia sentir ele em seus braços, o toque estranhamente frio, o cheiro dele… ela havia perdido as contas de quantas vezes imaginou aquele momento, que ela finalmente teria ele em seus braços e ela poderia dizer o quanto ela o amava.
Mas o destino era cruel, ele estava ali ao seu alcance, mas não era como ela queria, ele não era seu irmão, por mais que ela soubesse da verdade para todos os efeitos Naruto era apenas alguém que não fazia parte de sua vida isso a machucava mais que tudo.
Agora mais do que nunca ela precisava da sua madrinha, ela sempre sabia o que fazer, sua cabeça estava uma bagunça e a loira não fazia ideia de como se recuperar, mas ela tinha que ser forte, tinha uma missão a cumprir.
Mas de uma coisa ela tinha certeza, ela nunca iria desistir de seu irmão.
(...)
Longe dali, Zabuza finalmente estava recuperado, havia sido pego de surpresa pelas habilidades do ninja que copia, mas isso não iria acontecer outra vez. Dessa vez o Nukenin estava pronto para qualquer coisa, e ele iria mostrar isso a seus inimigos.
— Finalmente melhorou. — disse o companheiro dele sorrindo.
— Sim, você fez um bom trabalho. — Zabuza diz satisfeito, finalmente ele poderia cumprir sua missão.
— Quando vamos ao país das ondas? — pergunta o jovem.
— Preciso me preparar antes. — responde o Nukenin pensativo.
O espadachim da névoa sabia que sua próxima luta não seria fácil, ele não iria enfrentar Kakashi, mas sim um oponente desconhecido, que mesmo sem mostrar Zabuza viu que ele era poderoso, mais poderoso do que qualquer outro que ele já enfrentou.
— Acha que aquela mascarada vai ser um problema? — pergunta o jovem.
— Ela é um problema, não sei ao certo, mas seu poder deve ser muito maior do que o do ninja que copia. — comenta o Nukenin.
Aquela marca que ela levava em seu cinto, ele lembrava bem dela nos livros antigos, mas sempre acreditou que não passava de uma história antiga, uma lenda criada pelos primeiros povos que andaram por aquelas terras, histórias baseadas em lendas e superstições que serviam como respostas para tudo aquilo que eles não entendiam.
— Os filhos do sangue… — sussurra o Nukenin.
Zabuza sabia que aquele mundo era vasto e cheio de segredos, mas imaginar que um dia ele teria que lidar com algo assim era loucura. Toda lenda tinha um pouco de verdade, ele sabia disso.
— Vamos nos preparar, essa batalha será diferente de tudo o que conhecemos. — diz o Nukenin sério.
[...]
Havia sido trabalhoso, mas eles finalmente estavam ali, Jiraya precisou recorrer a muitos contatos da sua rede de espionagem e a cobrar vários favores de muitos conhecidos, e no final eles finalmente conseguiram está ali, mesmo que por tempo limitado.
A zona feudal das montanhas, uma área isolada e extremamente fortificada, em toda vida o sannin dos sapos jamais tinha visto uma área tão bem protegida, ele mesmo não havia encontrado uma única forma de se infiltrar ali, por sorte Minato queria fazer tudo da forma correta e pediu sua ajuda.
— Então é aqui que ele esteve por todo esse tempo. — Tsunade comenta, ela não sabia ao certo, mas podia ver que dinheiro não era problema para quem vivia ali.
A muralha chegava a ser quase da mesma altura da de Konoha, a única diferença era as bestas no topo dela e os espinhos de ferro na sua base, como se o terreno já não oferecesse proteção o suficiente, aquele lugar era praticamente impenetrável.
Haviam dois homens com armaduras cobrindo seu corpo, eles estavam aguardando seus visitantes. Os ninjas não esperavam tanta formalidade, mas não iriam julgar ou reclamar, havia sido trabalhoso chegar até ali.
Os enormes portões de ferro se abriram, apenas da forma necessária para eles passaram, o lugar era muito diferente de Konoha, apesar das casas luxuosas boa parte do espaço é usado para a plantação, o que era estranho, pois uma área daquele tamanho não precisava de tanta proteção sem ter nada.
— Esperava mais coisas de um lugar tão misterioso. — comenta a Senju.
Jiraya aponta para uma área que aparentemente dava acesso ao subsolo daquele lugar, isso mostrava que aquela era era muito maior do que aparenta, isso era estranho. Por que eles precisavam de áreas no subsolo?
Não demoraram muito para chegar no enorme castelo que ficava bem no centro daquele lugar, ele era enorme e extremamente luxuoso, eles não sabiam que existia lugares assim no país do fogo. Nem mesmo o palácio do senhor feudal chegava a ser tão luxuoso.
Uma mulher estranhamente pálida surge na frente do grupo, ela usava um manto vermelho e estava acompanhada de dois homens extremamente altos que usavam armaduras negras que cobriam todo seu corpo.
— Saudações, sou Hadrika, filha da Elgon e sua anfitriã, meu senhor não se encontra no momento, mas ele deu carta branca para seus conselheiros falarem por ele. — a mulher se apresenta de forma respeitosa.
— Queremos falar com os responsáveis pela vinda de Naruto para cá… — disse Minato sério, a aura daquele lugar era muito estranha.
— Bom, neste caso, apenas me sigam. — a mulher diz dando as costas ao grupo.
Os portões do castelo se abrem, a mulher é a primeira a entrar acompanhada dos guardas, os ninjas não sabiam ao certo o que esperar ali, mas estavam atentos a tudo. Aquele lugar não era normal, a aura que ele transmitia mostrava isso, mas eles precisavam de respostas, e só ali poderiam encontrar.
Kushina estava em silêncio, aquele lugar a deixava desconfortável, mas precisava entender o que aconteceu, o futuro de sua família dependia disso. Ela precisava corrigir seu erro, sua ignorância a fez cometer um terrível engano, ela havia desprezado seu filho por algo que ela e seu marido fizeram, e agora estavam colhendo as consequências desse erro.
— Olhem isso. — diz Tsunade chamando a atenção de todos.
Nas paredes daquele salão haviam muitas pinturas de Naruto, a maioria o mostrando fazendo várias coisas, como treinando, junto a outras pessoas ou sozinho. Sua postura era digna dos mais elegantes membros da nobreza, mas uma pintura chamou a atenção de Minato.
Naruto estava vestido de forma extremamente elegante, acompanhado de outras seis pessoas que claramente não eram daquelas terras, ele usava um manto vermelho igual o da mulher que os guiava, a diferença era que o dele possuía pedras preciosas.
— Ele tinha uns oito anos nessa pintura. — comenta Minato.
— Foi um pouco depois de sua vinda, no dia em que ele recebeu seu sobrenome. — explica Hadrika sem olhar para os visitantes.
— Por que o trouxeram para cá? — pergunta Tsunade.
— Sou apenas uma governanta, meu dever é receber aqueles que vem visitar meu senhor e seus conselheiros. — responde a mulher sem muito interesse.
Eles chegam em frente a um grande salão, no centro deles haviam cinco tronos feitos de ouro enquanto o do centro era maior e cheio de pedras preciosas, esses tronos as quais as pessoas que estavam acompanhando Naruto naquela pintura estavam sentados, vários soldados usando uma armadura vermelha.
Na visão dos ninjas aquele lugar ficava cada vez mais estranho.
— Aqueles que conhecem as sombras saúdam os filhos do sangue, conselheiros e guardiões de nosso senhor da noite, governante supremo dessas terras. — Hadrika se curva de forma respeitosa. — O yondaime Hokage e sua esposa vieram até nós acompanhados dos sannins lendários.
"Filhos do sangue?" Se pergunta Tsunade em seus pensamentos, ela já havia ouvido aquele termo, mas não lembrava quando.
— A que devemos a honra de tal visita? — pergunta Freya encarando o grupo enquanto balançava um cálice de ouro em sua mão.
Minato toma a frente do grupo, ele queria estar ali, seus instintos estavam lhe dizendo para ser cauteloso, nem mesmo durante a guerra ele se sentiu dessa forma, como se qualquer palavra dita de forma errônea pudesse custar sua vida.
— Há quatro anos atrás uma criança veio para cá e ficou sob os cuidados de vocês. — o loiro começa a falar.
— Terá que ser mais específico, recebemos muitas crianças órfãos aqui, damos casa, comida e educação, muitas delas são adotadas pelos habilidades daqui. — comenta Selina, ela sabia bem o que eles queriam ali, mas precisavam fazer um joguinho, para todos os efeitos, ninguém ali sabia dos pais de Naruto.
— Naruto, vocês o trouxeram para cá logo após ele receber alta do hospital. — Tsunade foi direto ao ponto.
— Ah sim… mas o que faria um o próprio Hokage vir até aqui atrás de um órfão que recebeu um lar. — questiona Freya encarando Minato.
— Paciência irmã, tenho certeza que deve haver um bom motivo para que ele tenha vindo até aqui. — diz Gunnar sorrindo, sabia perfeitamente que sua irmã não iria perder a chance de provocar.
— Isso não é algo que podemos dizer. — Jiraya entra na conversa. — Naruto é muito importante para nós, por isso viemos até aqui.
— Bom, não é o que parece, lembro perfeitamente de como o encontramos, se não fosse pelos esforços de minha irmã ele não estaria com vida. — diz Kyron entrando no salão acompanhado de Kayena.
"E eu achava esses guardas grandes." Comenta Tsunade em seus pensamentos, assustada com a estatura do homem que acabou de entrar.
— De fato fomos negligentes a respeito de sua segurança, mas isso não voltará a se repetir. — o Hokage argumenta. — Dou minha palavra de que nada mais voltará a acontecer.
— Pode ter certeza que não vai, ele não conta apenas com nossa proteção, nós demos a ele a capacidade de se defender sozinho, agora é fácil vir pedir para ele voltar, mas isso não vai acontecer. — diz Gunnar ficando de pé, sabia bem o rumo que aquela conversa estava tomando e ele não queria perder tempo. — Sem contar que, duvido muito que ele queira voltar a viver em Konoha de forma definitiva, e não estou falando isso baseado a tudo o que ele tem morando aqui, mas sim em sua experiência com os habitantes de Konoha.
O loiro sabia que o homem à sua frente estava certo, não havia porque Naruto querer qualquer coisa de Konoha, aquele lugar tinha tudo o que ele precisava e mais um pouco, ele podia ver que todos ali o tratavam muito bem, diferente de Konoha onde ele quase foi morto por algo que ele não teve culpa.
— Mas… e se houverem pessoas em Konoha que queiram estar com ele? — pergunta Jiraya.
— Neste caso isso seria passado para ele, e o próprio Naruto iria decidir o que vai fazer, mas pelo visto vocês querem simplesmente que ele volte sem nem ao mesmo respeitarem sua vontade. — Gunnar fala encarando o grupo. — Ele já sofreu bastante, podem ao menos respeitar ele o deixando viver a nova vida que ele conquistou?
— Então quer que a gente simplesmente vá embora e deixe esse assunto de lado? — diz Kushina tomando a frente do grupo.
— E que interesse repentino é esse em um simples órfão? — questiona o albino.
— ELE É MEU FILHO!! — grita a ruiva agarrando a camisa de Gunnar.
Os guardas apontam suas lanças em direção ao grupo que não pensou duas vezes em entrar em posição de combate, porém Gunnar apenas pediu para que todos se acalmassem, não havia porque seus guardas agirem de forma tão rude.
— Você? Mãe dele? Que tipo de monstro condenaria sua própria prole ao inferno? — questiona o albino agarrando o pescoço de Kushina e a levantando do chão. — Não há nada nesse mundo mais precioso que o sangue, e aqueles que não honram os laços que ele constrói são a pior escória que existe.
Minato não pensou duas vezes em defender sua esposa, mas foi parado por Kayena que apareceu em sua frente enquanto seu irmão apareceu do lado dos sannins lendários. Ele nem sequer viu o momento em que eles saíram do lugar.
— Basta! — diz Danzou entrando na sala. — Um Hokage deveria saber como se portar em um lugar como esses.
— Eu não anunciei sua entrada. — disse Kyron sério.
— O povo dessas terras não tem o menor respeito pela cordialidade. — o albino apenas largou a Uzumaki no chão. — Mesmo assim peço perdão pela minha perda de postura, eu não deveria ter agido assim. Como prova de meu arrependimento, deixarei que venham em outro momento para que assim possa haver uma conversa civilizada entre nós.
— Agradecemos sua visita, lhe avisaremos quando houver outra oportunidade para que essa conversa. — diz Selina se desculpando.
— Agora se nos dão licença, há assuntos importantes que exigem nossa atenção, sintam-se à vontade para usar de nossas acomodações se acharem necessário. — diz Freya ficando de pé.
Logo eles saem da sala, deixando os ninjas apenas sob a companhia de Hadrika e alguns guardas, aquilo foi inesperado, mas ao mesmo tempo agora podiam ver que precisavam ficar atentos a tudo o que estava acontecendo a sua volta.
Eles não tinham a menor idéia de que Danzou estava tendo contato com aquelas pessoas, e eles sabiam que não podiam baixar a guarda para o falcão de guerra, e se ele estava ali havia grandes chances dele ter interesse em Naruto.
— Devo preparar alguns quartos? — a governanta pergunta quebrando o silêncio.
— Precisamos ir, não podemos ficar longe de Konoha por tanto tempo. — respondeu Jiraya ainda absorvendo toda aquela informação.
— Neste caso me permitam os acompanhar até a saída. — pede a mulher de forma respeitosa.
"Eu preciso descobrir o que tem nesse lugar, eu nunca vi ninguém se mover daquele jeito." Comenta o sannin dos sapos em seus pensamentos.
Kushina estava em silêncio, ela nem sequer viu quando aquele homem agarrou seu pescoço, mas foi como se a própria morte estivesse prestes a ceifar sua alma. Nunca em toda sua vida ela havia sentido algo assim, a ruiva tinha certeza que aquele lugar e aquelas pessoas não eram normais.
A forma como se vestiam, falavam e agiam era muito estranha na opinião da Uzumaki, mas isso podia ser justificado por eles não serem dali, mesmo assim ela podia sentir que havia algo mais, e ela temia que isso pudesse colocar a segurança de seu filho em jogo.
— Você está bem? — perguntou Minato ajudando sua esposa a se levantar.
— Vamos pra casa. — pediu a ruiva com a voz baixa.
— "Eu vou descobrir o que está acontecendo aqui, custe o que custar." — disse Minato em seus pensamentos.
De forma silenciosa, Hadrika os leva até a saída daquelas terras, dessa vez ela não estava acompanhada de nenhum guarda, não havia necessidade disso naquele momento. Ela havia feito seu trabalho, e estava claro que eles não iriam tentar nada na ausência de seus senhores.
— Mais uma vez nos desculpamos por nossa falta de modos, um anfitrião jamais deve tratar seus visitantes de tal forma. — diz a mulher quebrando o silêncio.
— Eles irão mesmo me chamar para outra reunião? — pergunta a Senju.
— Sim, mas terão que aguardar um pouco, como puderam ver eles estão cuidando de muitos assuntos, na ausência de meu senhor eles estão responsáveis por tudo. — responde a mulher.
— E onde ele está? — pergunta Minato.
— No momento ele está em outro país cuidando de algumas coisas, mas retornará em breve. — respondeu Hadrika, se limitando a não entrar em muitos detalhes, aquelas pessoas não precisavam saber da identidade de seu senhor e onde ele estava.
Aquilo era estranho, eles não viram nada que mostrasse outra pessoa das que não estavam presentes ali, só Naruto e uma mulher morena que estavam maioria dos quadros daquele lugar, isso só deixava aquele lugar ainda mais estranho.
— Em nome dos iluminados, eu lhes desejo uma boa viagem. — fala a mulher se despedindo e desaparecendo enquanto entrava para debaixo da terra.
— Sinistro. — diz Tsunade sentindo um calafrio percorrer sua espinha.
— O que faremos agora? — pergunta Jiraya.
— Por enquanto vamos aguardar o contato eles e descobrir quais os interesses de Danzou aqui, não podemos baixar a guarda depois de saber disso. — fala o Hokage sério, ele não iria permitir que o falcão de guerra fizesse algo contra Naruto.
Fale com o autor