Renascido nas trevas.
15 Batalha de Kiri.
Mei sabia que eles eram poderosos, mas aquilo era insano. Quinze mil soldados em menos de um mês, essa foi a ajuda que aquele que estava interessado em controlar Kiri nas sombras havia enviado para apoiar a resistência em uma tentativa direta de tomar a aldeia de uma vez por todas.
Ela não queria pensar no que eles poderiam fazer caso fossem enviar todas suas tropas para o campo de batalha, o ditado que dizia que era melhor estar na mão do diabo do que no caminho dele nunca fez tanto sentido para a ruiva como estava fazendo agora. Ela não queria imaginar o que acontecia com aqueles que o senhor da noite considerava seu inimigo.
Pensar que havia a possibilidade deles se aliarem ao Yondaime Mizukage era assustador, imaginar todo aquele poder mais todo o apoio que viria para Kiri fazia a ruiva pensar que mesmo receosa com tudo ela havia tomado a decisão certa. Se o líder da Iluminados fosse justo como diziam tudo ia acabar bem.
Mas ela deixaria para pensar isso em outro momento, estava na hora de libertar Kiri das mãos daquele monstro. Ela sabia que não podia falhar, estava na hora
— Bem, todas as tropas estão posicionadas. Eles vão concentrar todos seus esforços na defesa. — comentou Selina olhando as tropas inimigas.
— Se nossos espiões estiverem certos, eles contam com bestas e outros tipos de artilharia. — comentou a líder dos caçadores.
— Será difícil ao menos chegar nas muralhas, ao menos os habitantes estão no abrigo. — comentou a líder da resistência.
— Não se acabar com as primeiras linhas defensivas. — disse a primordial. — Preparem as caixas de Pandora.
Os soldados começaram a arrastar as caixas para frente, como os civis estavam no abrigo não havia mais porque se segurar. Eles poderiam atacar com tudo sem se preocupar com vítimas acidentais, quem estava lutando contra a resistência estava do lado do Mizukage e não merecia ser poupado.
— O que tem dentro dessas caixas? — pergunta a ruiva.
— Precisamos furar as linhas defensivas, e para isso nada melhor do que usar nossa arma mais eficiente e resistente. — respondeu Selina encarando a lua que brilhava majestosamente no céu. — Infelizmente só podemos usar ela à noite, mas isso é o de menos. Ao brilhar do sol você e seus homens andarão pelas ruas de Kiri.
— Duvido muito que uma segunda onda será necessária, mesmo assim devemos ficar atentos. — aconselhou Hikari.
— Não se preocupe, qualquer coisa eu intervenho de forma direta. — disse a primordial.
— As primeiras caixas de Pandora estão prontas. — avisou um soldado.
— E o que tem de tão poderoso nessas caixas? — voltou a perguntar Mei.
— Já se perguntou o que acontece quando sugamos até a última gota de sangue de um humano e depois injetamos sangue de demônio nele? — pergunta Selina.
— Tenho medo da resposta. — disse Ao.
— Não se preocupe, eles são bem obedientes. O único inconveniente é que eles matam tudo o que está no caminho, por isso usamos eles como primeira onda de ataque. — respondeu a loira.
Os soldados abrem as caixas, de onde saem dezenas de estranhas criaturas. Eles corriam de forma bestial em direção às muralhas de Kiri, famintos por sangue. Eles correm de forma bestial em direção às tropas do Mizukage, prontos para matar qualquer coisa que fosse colocado em seu caminho.
Uma chuva de kunais e shurikens começa a cair nas estranhas criaturas, mesmo assim elas continuam avançando sem parar. A inquietação começa a tomar conta dos ninjas de Kiri que não sabiam de onde vinham aquelas coisas que continuavam avançando mesmo com todos os ataques.
— Espere, há uma outra linha defensiva. — observou Hikari olhando melhor o campo de batalha.
Antes que alguém pudesse perguntar o que era, os ninjas de Kiri começaram a lançar jutsus de Raiton no chão que estava alagado, queimando algumas criaturas com os raios. Isso fez o avanço delas praticamente parar, o pegou a primordial de surpresa.
— Soltem o resto. — ordenou Selina.
— Uma segunda onda não vai ultrapassar aquela coisa. — rebateu a caçadora.
— Apenas observe. — a primordial apenas sorri, havia muita coisa que os demais não sabiam sobre os senhores da noite e o que eles tinham em seu arsenal.
As caixas restantes foram abertas, de onde saíram criaturas semelhantes às primeiras. Mas essas eram maiores, mais bestiais e muito mais rápidas, Hikari sabia muito bem o que eram aquelas coisas. Como caçadora ela aprendeu muito sobre os youkais e suas fraquezas, por isso reconheceu muitos deles.
— Eles eram youkais, o clã das kitsunes negras. Você os transformou em armas vivas. — diz a caçadora horrorizada.
— Simplesmente matá-los seria um desperdício, eles são perfeitos para isso. Eles não são os primeiros que transformamos em armas, e nem serão os últimos. — respondeu Selina sorrindo de forma fria.
— Então esse era o nosso destino se não tivéssemos aceitado a oferta que fizeram. — observou a mulher.
— Exatamente, mas não precisa fazer essa cara. Todos nós saímos ganhando não é? — pergunta a loira rindo.
Mei ouvia tudo em silêncio, pelo visto ela não era a única que não concordava com as ações dos vampiros. Mas se nem eles, um clã youkai, tinha capacidade de ir contra eles, quem dirá ela? Os poucos soldados que eles enviaram correspondia ao triplo de homens que a resistência possuía, ela não teria nenhum chance.
As criaturas não tiveram dificuldade em passar pela água e atacar os ninjas que estavam usando Raiton, acabando com o bloqueio e permitindo que as que estavam presas naquela armadilha avançassem. Os ninjas até tentaram se defender, mas estavam sendo massacrados pelas bestas.
— Defesa quebrada, batedores… avançar! — ordenou Hikari.
— Batedores? — perguntou Mei.
Um grupo de soldados protegidos por uma estrutura metálica avançaram em direção a muralha de Kiri, eles levavam uma peça de ferro com a extremidade da mesma pegando fogo. A missão deles era simples: derrubar os portões de Kiri para que as tropas pudessem avançar.
— Tanques, preparar para avançar. Arqueiros, formação três. Infantaria de prontidão, no momento em que os portões começarem a ceder vocês avançam. — instruiu a caçadora.
— Mande seus ninjas contornarem para os outros portões, os batedores vão obrigar eles a manter todos os esforços aqui. — disse a primordial.
— Certo. — concordou a ruiva seguindo para área sudoeste.
Se a loira estivesse certa, Mei esperava sair próximo do abrigo onde os civis estavam. Ela não iria arriscar manter eles ali enquanto centenas de criaturas estranhas que matavam tudo o que viam pela frente estavam prestes a furar as defesas de Kiri. Feito isso ela podia seguir para entrada principal e atacar o Mizukage pela retaguarda.
Não demorou muito para os batedores chegarem ao portão e começarem a tentar derrubar o mesmo, as defesas da muralha estavam a todo custo tentando impedir as criaturas de avançar subindo pelos muros. Isso estava dando liberdade para as forças dos Iluminados.
Vários soldados carregando escudos maiores começaram a avançar com os arqueiros vindo logo em seguida, o objetivo era derrubar os ninjas que estavam protegendo a muralha ou ao menos os obrigar a se defender para facilitar a entrada das criaturas e facilitar o trabalho das tropas da residência.
— Parece que eles vão precisar de uma pequena ajuda. — comentou a primordial.
— Deixa comigo. — disse Hiraki avançando em direção a muralha.
A caçadora avança em uma velocidade assustadora, passando facilmente pelas tropas dos Iluminados. Quando estava a uma distância razoável dos ela apenas pegou uma adaga e jogou em direção a um ninja que estava se preparando para lançar um jutsu nos batedores, acertando sua garganta.
Hikari pega impulso na estrutura levada pelos guerreiros dos Iluminados e pula direto para a parte alta da muralha. Ela apenas começou a atacar os ninjas que começaram a focar aienas nela, o que permitiu que os batentes e arqueiros pudessem focar apenas no portão.
Ela nunca pensou que haveria um dia que ela teria que lutar contra outros humanos, toda sua vida ela apenas se preparou para caçar e enfrentar criaturas sobrenaturais que ameaçassem os humanos. Isso incluía a ordem vampírica, a qual atualmente ela servia.
Mas o destino também nunca lhe contou que um dia ela iria se apaixonar por um youkai e ter um filho com ele, ou que um dia seu clã seria traído por aqueles que jurou proteger e acolhida por aqueles que ela caçou e matou. Sem dúvidas o destino sempre pregava peças naquele que julgavam o conhecer.
De longe Selina observava tudo com tranquilidade, se ela estivesse certa em breve sua presença no campo de batalha seria necessária. Ela apenas precisava esperar até o Yondaime Mizukage usar seu último recurso, assim ela poderia esmagar as últimas esperanças dele pessoalmente.
— Infantaria avançar. — ordenou a loira.
Os soldados avançam em direção a Kiri, ela queria acabar com aquela batalha o quanto antes e voltar para seu antro. Selina sabia que uma intervenção tão direta dos Iluminados iria chamar a atenção dos outros clãs, principalmente daqueles que precisavam evitar a todo custo.
Mas se o plano de seu senhor fosse um sucesso eles teriam um poder que nenhum outro lá em toda história dos imortais chegou a ter. Por aquela campanha em Kiri estava sendo um teste para saber como isso iria repercutir nas sombras, as outras vilas seriam tomadas de outras formas.
Os batedores conseguiram derrubar o portão, o que deu acesso às criaturas maiores que não conseguiam subir nas muralhas. A batalha estava começando a ficar complicada para as forças de Kiri que mesmo com a ajuda de mercenário não conseguiam igualar o poder mostrado pela resistência e os Iluminados.
Porém uma onda gigante se levantou no mar, de onde saiu uma imensa criatura. Todos olharam assustados para a enorme tartaruga que se erguia do mar e começar a andar em direção a costa, até mesmo as bestas pararam de atacar diante daquele monstro.
— Parece que o Mizukage está usando seu maior trunfo. — comentou Hikari.
De longe, Mei assistia tudo apavorada, não esperava que isso fosse acontecer tão cedo. Por sorte havia conseguido tirar os aldeões antes que as coisas ficassem piores, a resistência nunca realizou ataques mais diretos com medo de fazer vítimas inocentes. Receio que os imortais não teriam durante aquele ataque.
— Ele enlouqueceu! Usando essa coisa tão perto da aldeia. — bradou Ao, desesperado.
— Temos que sair daqui, vamos levar os civis para um lugar seguro. — ordenou a ruiva.
Selina via tudo com um sorriso no rosto, aquela criatura a fazia lembrar das imensas bestas elementares que existiam nas terras onde viveu boa parte de sua existência. Sem dúvidas foram os seres que mais lhe entreteram nos campos de batalha, saber que havia algo semelhante ali a deixava bastante animada.
— Finalmente algo interessante. — comentou a loira sacando sua espada.
Em uma velocidade surpreendente, ela correu em direção a Bijuu. Ela não se importava se aquela luta poderia destruir tudo, ela queria apenas se divertir. E enfrentar aquela criatura sem dúvidas seria o melhor entretenimento que ela tinha em séculos.
A bijuu tenta atacar a loira usando uma espécie de bola de energia, mas Selina consegue simplesmente anular o ataque usando sua espada. Ela estava animada, não era todo dia que alguém a obrigava a usar os poderes defensivos, sem dúvidas aquilo seria muito interessante.
Ela usou espada e lançou várias lâminas de chakra no bijuu, fazendo o mesmo se defender com a calda. Vendo que não seria o suficiente ela começa a avançar enquanto atacava, queria ver até onde aquela criatura poderia ir e se ela era capaz de fazê-la usar seu poder.
"Não sinto nenhuma presença humana, isso não tem sentido" comentou a imortal em seus pensamentos.
Ela pulou para cima da criatura que tentou lhe atacar com suas caudas, mas a loira simplesmente cortou uma delas fazendo a criatura rugir. Quem via de longe não conseguia acreditar no que ela tinha acabado de fazer, não tinha como alguém ferir uma bijuu sem mais nem menos.
Ela apenas crava sua espada no casco e gira, fazendo a criatura mais uma vez gritar de dor. Depois disso ela tira sua espada e dar um forte pisão no local, fazendo o casco se rachar e uma espécie de líquido roxo sair dos ferimentos. Aquilo era estranho, até onde ela sabia os Bijuus precisavam de um Jinchuuriki.
De longe, Hikari viu algo que chamou sua atenção; do alto da torre mais alta de Kiri havia uma forte presença muito semelhante ao bijuu. Ela não sabia ao certo o que estava acontecendo, mas tinha algumas teorias em mente. Ela apenas avançou em direção a torre para descobrir se estava certa.
Um grupo de ninjas mascarados tentou atacar a caçadora, mas ela não teve nenhuma dificuldade em lidar com eles. Chegando em seu alvo ela apenas nocauteou um garoto que estava emanando uma energia semelhante ao bijuu.
— Um Jinchuuriki que não tem sua Bijuu selada em seu corpo, isso é novidade. — comentou Hikari vendo a enorme criatura voltar para o oceano.
Ela queria matá-lo, mas isso não era necessário. Sem contar que Naruto poderia ficar interessado nas habilidades dele, ela precisava ficar atenta. Sabia bem que possivelmente os ninjas de Kiri viriam ao resgate de seu líder, precisava manter ele fora de combate até as tropas dominarem totalmente a aldeia.
— O que achou por aqui? — pergunta Selina surgindo no meio das sombras.
— Parece que esse garoto é o Jinchuuriki, mas de alguma forma seu corpo não se transforma. — respondeu Hikari.
— Bem, ao menos terminou. Vamos deixar tudo em ordem antes de voltarmos para casa. — avisou a loira.
— Mei irá conosco? — pergunta a caçadora guardando suas espadas.
— Possivelmente, isso nos pouparia tempo. Enviarei uma mensagem para que Freya prepare uma recepção adequada. — respondeu a imortal indo em direção a sacada do prédio.
Selina começa a assobiar, fazendo as criaturas começarem a parar os ataques e voltar para as caixas de Pandora. A missão delas havia sido cumprida, perder tudo para a luz do sol quando seria um grande desperdício. Sem contar que agora ela tinha aquisições interessantes para usar o sangue de demônio, passaria tudo para Kayena e seu irmão assim que chegasse em casa.
Hikari pega o Mizukage em seus ombros e segue a loira que foi em direção onde deveria estar os civis, elas sabiam que aquela era a maior prioridade da resistência e que até mesmo devem ter deixado de lutar em batalha para resgatar todos. Por sorte a ajuda deles não foi necessária, mas tal ato teria consequências.
— Essa vila está bem deteriorada, e isso não é da batalha. — comentou Hikari.
— Parece que ele estava usando todos os recursos da vila para manter seus homens e contratar mercenários, reformar tudo isso não vai sair barato. — disse Selina olhando ao redor.
— Isso é verdade, acha que vai ser uma boa idéia? Levará anos até Kiri pagar a dívida. — pergunta a caçadora.
— Eu não sei, mas nosso senhor quer que essa vila se torne um antro para os Iluminados e assim faremos. — disse a imortal. — Eles terão toda a eternidade para pagar o que devem, então os valores não são um problema.
Não demorou muito para os primeiros raios de sol começarem a brilhar, como a imortal havia prometido Kiri foi tomada antes do nascer do sol. Agora bastava apenas ela decidir o que faria a seguir com Mei antes de irem de encontro a seu senhor, elas iriam assim que tudo fosse colocado em ordem.
A loira se aproximou da janela, deixando os ainda fracos raios de sol lhe tocar. Eles foram mais que o suficiente para fazer sua pele fumaçar e começar a arder, era impressionante como algo tão simples e belo era tão mortal para ela. E saber que nem mesmo o sol em toda sua glória poderia matar seu senhor fazia ele ser ainda mais magnífico.
— Minha senhora. — disse um soldado levando as luvas e a máscara da loira.
— Vamos fazer uma análise mais detalhada do que há nesta vila. — disse a imortal se preparando para olhar melhor os arredores.
As duas saíram em silêncio, no fim das contas haviam mandado força além da necessária para tomar o controle daquela vila. Mas ao menos agora a vontade do senhor dos Iluminados havia sido cumprida, eles tinham um novo antro e tinham o controle de tudo ali. Tudo agora era uma questão de detalhe.
Mei vagava com Ao ajudando quem precisava, parecia que os imortais haviam cumprido sua promessa. Kiri caiu antes do nascer do sol e agora eles iriam dar processo à reconstrução da aldeia e acertar os últimos acordos de seu contrato com os Iluminados, mesmo incerta do que lhe aguardava ao menos agora seu povo tinha alguma chance.
— Você não ajudou no campo de batalha. — disse Selina.
— Estava ajudando os civis a fugir, no fim das contas minha presença não fez diferença. — explicou a ruiva.
— Isso é verdade, mas não muda o fato de que uma insubordinação ainda é uma insubordinação. Esperamos sua total lealdade ao seguir nossas ordens, nunca esqueça disso. — advertiu a imortal.
— Não seja dura, ela apenas tentou ajudar seu povo da forma que julgou melhor. A ausência dela não mudou o resultado, tenho certeza que ela não vai fazer nada que vá contra a vontade de seu novo mestre. — interveio Hikari.
— Isso não vai voltar a se repetir, juro por minha vida. — se desculpou a ruiva, se curvando.
— Tenha em mente que não terá outra chance, se não consegue acatar ordens tão simples está mais do que claro que talvez não seja a melhor escolha para quem governará Kiri. — completou Selina. — Mas deixando isso de lado, partiremos assim que tudo estiver em ordem. Se quiser pode ir conosco para conhecer nosso mestre.
— Quanto antes esse acordo for fechado, melhor. Dessa forma ambos terão o que estão buscando, me pergunto o que aguardar desse encontro. — disse a líder da resistência suspirando.
Mei lembrava perfeitamente das palavras das duas a respeito do senhor da noite, se lidar com elas já estava sendo extremamente difícil ela não queria pensar no que teria que fazer para agradar o líder dos Iluminados. Ela só sabia que independente de qualquer coisa ela sempre iria proteger seu povo, não importa o preço que precisasse pagar.
"Só espero não me arrepender disso." Disse a ruiva em seus pensamentos.
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