Relíquias de Guerra- A Adaga de Rubi

2 Agatha- Será que estou delirando?


Notas iniciais
Oi galera esse é o segundo capítulo e vai rolar altas tretas. Espero que gostem ♥.

Semicerro os olhos, desconfiada. Levanto com um pouco de receio, começo a andar em volta delas, todas as três, uma delas está com um dos pés levantados em direção de onde eu estava, parecia que ia me dar um chute, Helena e a outra simplesmente estão olhando para o chão que alguns segundos atrás eu estava, não entendo o que está acontecendo, talvez eu tenha batido a cabeça no chão, desmaiado e agora estou sonhando ou delirando, sinceramente não sei, mas não posso ficar aqui parada esperando que elas voltem a se mexer para me baterem.

Vou andando até a porta para ir embora, mas antes de cruzar a porta, penso no meu cabelo, no meu joelho e em todo o sofrimento que elas me fizeram passar e o ódio retorna. Volto meus passos e fico de frente com elas de novo, pego alguns tubinhos de cola, abro todos eles e jogo um por um na cabeça delas, depois pego o lixo da sala e jogo tudo o que tinha nelas, não ligo para as consequências, afinal pode ser uma alucinação e não vou perder a chance de ridicularizar Helena e suas amigas.

Saio da sala e vou para o corredor principal, vejo muitos alunos a caminho do refeitório, mas todos estão parados sem mexer um músculo. Vejo Sophie e vou correndo até ela, a chacoalho e mesmo assim nem um movimento. Os olhos dela estão vidrados, não se movem. Olho em volta, todos estão desse jeito. Começo a ficar preocupada. O que está acontecendo? Será que fiquei louca? Vou correndo para a diretoria, avisar algum responsável, e enquanto ando tenho um pensamento, um medo, tento afastá-lo, mas ele sempre retorna, estou pensando se a situação dos professores não é a mesma que a dos alunos.

Chego à diretoria e o que eu temia acontece, todos os professores e os outros adultos na diretoria estão imóveis. Vou até a sala do diretor, abro a porta, e o homem alto e com o óculos brega está sentado numa cadeira bebendo alguma coisa em uma caneca, provavelmente café. Acho que ele é o novo diretor, o antigo se demitiu, pois tinha recebido uma oferta melhor em outra escola, pelo menos foi o que me contaram, me aproximo e toco seu braço, mas ele nem se move, desisto. vou ir na biblioteca e esperar eu acordar ou essa alucinação passar, por um milésimo de segundo eu penso que tudo isso pode ser real, mas depois percebo que é idiotice, me viro e quando vou fechar a porta, ele me chama.

—Agatha? O que está fazendo aqui?

Dou um giro e fico de frente para ele, a cara dele parece confusa, mas não tanto quanto a minha.

—Érrrr... oi... – Não sei do que o chamar, então fico esperando ele pronunciar seu nome ou cargo.

—Eu sou o novo diretor, mas pode me chamar de Sr.Torres, você queria me falar alguma coisa? – Balanço a cabeça em negativa – Então o que veio fazer aqui?

—Eu... só estava andando por ai... e decidi passar aqui, só isso.

Ele me olha com uma cara de quem não acreditou, mas gesticula com a mão para que eu saia. Saio e fecho a porta atrás de mim, olho em minha volta e todos estão andando, conversando, tomando seus cafés, alguns professores até me olham estranho, por eu estar ali na diretoria em pleno intervalo. Olho para o relógio em uma das paredes, ele marca 9:34, ainda?! Não passou nem 4 minutos desde o sinal bater. Falo pra mim mesma que é coisa da minha cabeça, mas parecia uma eternidade e se eu estava desmaiada ou com alucinações por que eu estaria na sala do diretor? Isso não pode ter sido real. Decido passar em frente a minha sala para ver se o que eu fiz com Helena e suas capangas realmente aconteceu.

Atravesso o corredor as pressas quando vejo que estou chegando encosto na parede e olho de relance para dentro da sala, Helena está lá com o cabelo cheio de cola, bolinhas de papel, clipes, maças mordidas, cascas de banana, giz e alguns lápis, tentando tirar desesperadamente todo o lixo. Ela também está gritando alguma coisa que não consigo ouvir, me aproximo mais um pouco.

—Cadê Ela!... eu vou matar ela, na saída vamos... – Ela falava quase berrando.

Passo pela porta correndo e vou para o refeitório, imaginando o que ela vai fazer comigo.

Eu não a culpo por sentir tanta raiva de mim. Aconteceu no último verão. Eu estava com uma dor de cabeça horrível e queria ir para um lugar silencioso, então pensei em ir ao banheiro e aproveitar para molhar o rosto. Quando abri a porta do banheiro já senti o cheiro de cigarro, na hora não liguei, por causa da dor de cabeça, fui até o espelho me olhar, abri a torneira, e fechei meus olhos, para ouvir o barulho da água se chocando na pia, era tranquilizador, quando ouço um barulho atrás de mim, abro os olhos rapidamente e vejo pelo reflexo do espelho Helena, consegui ver o cigarro na mão dela, ela olhou para mim com uma cara ameaçadora, o que queria dizer para eu não contar para ninguém já que aqui na escola é proibido fumar, fiz que sim com a cabeça para mostrar que eu não era ameaça, e fui embora.

Mais tarde naquele mesmo dia já estava quase saindo pelos portões quando ouço uma discussão, procuro as vozes em meio aos alunos e vejo que Helena está brigando com alguém, do meu ângulo não consigo ver quem é então volto alguns passos e me surpreendo ao ver que é o próprio diretor, aproximo-me mais, o diretor para de gritar quando percebe que a multidão está olhando para eles, ele à pelo braço e leva ela para diretoria, mas antes de ela entrar na sala, me avistou e me olhou com uma fúria que eu nunca tinha visto antes. No dia seguinte descobri que chamaram os pais delas aqui e ela ficou de castigo por um bom tempo, mas o pior de tudo não foi isso, mas sim os boatos que começaram a falar sobre ela, todos horríveis. Certo dia resolvi falar com ela, para ver se estava bem, eu quase fui estrangulada no meio do corredor, ela começou a falar que era tudo culpa minha, na hora eu não entendi mas depois fui perceber que ela achava que eu tinha contado ao diretor, até porque eu fui a única que a vi fumando, pelo menos é o que eu acho.

Mas já passou um bom tempo e ela ainda tem tanta raiva de mim. Provavelmente deve ter mais ainda agora que joguei o lixo nela, infelizmente não posso fazer nada.

Estou quase chegando ao refeitório quando decido que não quero ir pra lá, prefiro ir á biblioteca ficar lendo algum livro, então é isso que faço. Estou no último capítulo quando o sinal toca novamente, fico furiosa, mas lembro do que o diretor falou, ”sem encrencas”, não posso chegar atrasada.

Já está na última aula quando os primeiros pingos de chuva caem, fico olhando pela janela. A cada minuto parece que piora, faltando apenas 5 minutos para irmos embora, parece que o céu esta desabando, eu ainda tenho que ir a pé, mesmo nessa chuva. Minha mãe e eu não temos carro, nós não saímos muito, então ela acha desnecessário, mas em tempos assim eu desejaria muito um carro, lembro que tenho um guarda-chuva na bolsa e fico mais alegre, continuo olhando lá fora e nem percebo quando a professora fala que a gente já pode sair, quando olho em volta todos já estão de pé indo em direção à porta , me levanto e saio também.

Notas finais
Obrigado por ler ♥.