Notas iniciais
Desculpa pelo atraso gente. Boa leitura ♥.

Passo pelo corredor e quando já estou quase saindo pelos portões, vejo bem longe e escondida, Helena e sua amigas, paro na mesma hora e corro para trás do muro mais próximo, continuo olhando para elas, pensando em o que eu vou fazer, se eu sair daqui agora elas provavelmente vão fazer alguma coisa comigo, algo pior do que tudo que ela já fez comigo.

Por fim decido voltar para escola e esperar alguns minutos lá dentro, talvez eu leia ou simplesmente me sente no chão e fique imaginando diversas coisas. Entro e fecho a porta atrás de mim, não tem mais ninguém, pelo menos não aqui no corredor, ando até a biblioteca, mas está fechada então sento ali mesmo, encostada na porta. Já apagaram as luzes e a escola vai fechar daqui a alguns minutos então só posso ficar aqui mais um pouco, não estou com vontade de ler e está escuro demais então pego meu celular e começo a mexer, penso em ligar para minha mãe, mas repenso e acho melhor não.

Já passou um tempo, acho que elas já se foram, me levanto do chão e começo a caminhar para a saída, viro à esquerda e entro no corredor principal, já consigo ver a porta dupla. Fico paralisada quando percebo que alguém está entrando por lá, não consigo me mexer, não sei por que, acho que estou com medo de alguém me pegar aqui, eu não poderia estar aqui, pode ser o diretor ou algum professor, mas não é nenhum desses que eu citei e sim Helena e por incrível que pareça ela está sozinha.

Ela me vê e no mesmo instante começa correr pra cima de mim, eu me forço a correr, viro à direita e tento abrir alguma porta, mas nenhuma abre. Começo a tremer. Estou ficando desesperada. Viro mais uma vez para direita e tento abrir as portas desse corredor, mas nenhuma abre, ah! Droga! Esse corredor é um beco sem saída, não tem pra onde fugir, corro para o final dele, já tentei quase todas as portas daqui, só me resta uma, cruzo os dedos, fecho os olhos, viro a maçaneta e ouço um ruído bem baixinho de uma porta rangendo, abro os olhos e vejo que a porta se abriu e da para alguma sala, não consigo ver nada além do negrume, mas entro mesmo assim, fecho a porta atrás de mim, e me agacho. A única luz que entra é da fresta embaixo da porta. Acho que essa é a sala de armazenamento, têm muitas apostilas, cadernos, caixas, cadeiras e principalmente papeis. Observo a sala, tentando fazer minhas mãos pararem de tremer.

Estou lendo o que está escrito em uma das caixas quando fica tudo escuro, olho para a fresta da porta e vejo a sombra de alguém. Fico parada sem mexer um músculo e me forço a prender a respiração ofegante o máximo que puder, começo a ficar sem ar, quando ouço sons de passos indo embora e vejo que a luz voltou, a sombra já não esta mais lá. Levanto e levo minha mão em direção à maçaneta para abrir a porta, mas ouço passos de novo, dessa vez voltando, meu coração começa acelerar e eu volto a tremer, agora eu não prendo respiração nem me agacho, simplesmente fico imóvel ali, novamente a luz cessa, tudo fica escuro, mas eu consigo ouvir o barulho de alguém virando a maçaneta, cravo as unhas na palma da mão e a porta se abre. Um clarão invade a sala, e minha visão, que já estava se acostumando a escuridão. Esfrego as costas das mãos em meus olhos e finalmente vejo quem está na minha frente. Sorrio para o diretor. Fico surpresa e aliviada ao mesmo tempo e um quê de preocupação, eu não podia estar aqui, não nesse horário.

—Imagino que você não esteja aqui para estudar, está Agatha? – Ele fala com um tom sarcástico.

— P-para falar a verdade, estou sim, quarta-feira terá prova de matemática e precisava estudar — Tento soar segura e confiante.

—Ah! é muito difícil ver um aluno estudando fora do horário de aula e é muito bom que você esteja fazendo isso, mas não pode ficar aqui até essa hora, já estamos quase fechando Agatha, precisa ir.

—Me desculpe se perdi a noção do tempo, mas então eu já vou indo.

—Até amanhã.

Confirmo a cabeça para retribuir e começo andar em direção à saída, não sei se ele acreditou no que eu disse, mas não ligo, eu só quero deitar na minha cama e dormir.

Lá fora já é noite, mas a única coisa que eu penso é que minha mãe vai me matar.

Minha casa não é muito longe, só tenho que cruzar a rua e atravessar o parque, normalmente eu não vou por lá, mas como já é noite e eu quero chegar em casa logo.

A iluminação está escassa, alguns postes de luz estão queimados. Não tem ninguém aqui, olho para as sombras e sinto uma sensação estranha como se alguém estivesse me observando. Acelero o passo e tento manter minha mente ocupada pensando em que belo aniversário eu tive.

Estou absorta em meus pensamentos quando ouço um estrondo, olho em todas as direções, mas não vejo nada de diferente, volto a andar. Agora estou sempre olhando para trás, nem sei por que, deve ter sido só um gato brigando ou um cachorro perdido, só paro de olhar para trás quando vejo a saída do parque. De súbito surge uma luz extremamente forte do céu, parece até um farol, olho para cima, mas não consigo ver o que é por causa da claridade, começo a correr em direção ao portão, não me importo com o que é aquilo desde que não chegasse perto de mim, mantive esse pensamento, mas lá no fundo isso havia despertado uma curiosidade em mim. Meu pulmão está ardendo de tanto correr, minhas pernas doem, mas tenho que continuar, eu vou conseguir! Penso. Começo a sorrir, mas antes de eu alcançar a saída alguma coisa pressiona meu corpo inteiro e eu caio de bruços no chão, sinto uma dor imensa na minha nuca, olho em minha volta para ver o que me fez cair e vejo que estou presa em um tipo de rede só que de aço, a dor na minha nuca aumenta e minha visão fica embaçada e finalmente me viro de costa para o chão e vejo o que estava me seguindo, primeiro eu achei que fossem dois homens de 2 metros de altura com um quepe de policial, mas depois percebi que os homens tinham três olhos e uma pele com uma coloração esverdeada. Estremeci, tentei gritar, mas a dor na minha nuca piorou e minha visão começou a escurecer e tudo ficou preto.

Notas finais
Obrigado por ler ♥.